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Gazeta
do Povo, 15 de dezembro de 2008
Paternidade
Projeto de lei confronta
empregados e patrões
Empregadores divergem da lei
que garante estabilidade ao futuro pai e estimam que
alguns trabalhadores podem até sair prejudicados
na busca por emprego
Antes mesmo de virar
lei, o projeto que proíbe as empresas de demitir trabalhadores
prestes a serem pais vem causando polêmica. A proposta
aprovada pela Comissão de Constituição e
Justiça da Câmara dos Deputados impede a demissão
sem justa causa durante um período de 12 meses, contando
a partir do provável início da gravidez. A empresa
que desrespeitar a medida terá de pagar 18 meses de salário
ao futuro pai demitido. Enquanto entidades ligadas a empregados
defendem a aprovação do projeto, grupos encabeçados
por patrões criticam o conteúdo da proposta. O
texto ainda precisa ser votado pelos senadores.
Em meio à crise
que atinge a economia mundial, o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roni Anderson Barbosa,
acredita que o projeto foi proposto em um momento oportuno, no
qual a entidade luta ainda mais pela manutenção
dos empregos. Para ele, a gravidez é um momento delicado
na vida de um casal, que precisa de garantias para o sustento
da mãe e, principalmente, do bebê. “Uma demissão
nessa hora pode desestabilizar a família e, o que é mais
grave, prejudicar o desenvolvimento da criança”,
diz.
O segurança Rafael
Fagundes passou por uma situação parecida em agosto
de 2007. Com o fim de um contrato de dois anos de trabalho, ele
foi obrigado a deixar o emprego de carcereiro da Polícia
Civil. Naquele momento, sua mulher, Daniele, estava grávida
do pequeno Arthur, que nasceria três meses depois de o
pai ficar desempregado. “Se essa lei já valesse
no ano passado, talvez eu não estivesse sem emprego hoje”,
afirma. Atualmente, Rafael faz alguns bicos como segurança
e ganha em média R$ 800 por mês. O segundo filho
do casal, que já está a caminho, deve nascer dentro
de cinco meses. Até lá, Rafael espera que a nova
lei esteja em vigor e que ele tenha conseguido um trabalho fixo. “Com
o emprego garantido por um ano, qualquer pai com certeza vai
ficar mais tranqüilo. Afinal, filho sempre é uma
responsabilidade”, diz. Na opinião de Daniele, a
lei permitirá que o trabalhador não fique desamparado
em um momento tão importante para a família, como
a gravidez. “Tudo o que envolve criança tem muitas
despesas. Como um pai desempregado vai pagar essas contas?”,
questiona.
Assim como o casal Fagundes,
o advogado Vanderlei Sartori, assessor jurídico do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias do Mate, Laticínios
e Produtos Derivados de Curitiba e Região, vê com
bons olhos o projeto de lei. Segundo ele, apenas uma justa causa
pode legitimar a demissão de um trabalhador cuja mulher
estiver grávida. “As empresas só levam em
conta o próprio lado e não vêem o contexto
em que o empregado está inserido antes de uma paternidade”,
diz. Para Sartori, a proposta favorece a reprodução
da classe trabalhadora e, por conseqüência, a própria
empresa. “Ter filhos é uma necessidade do sistema,
que precisa a cada dia de mais mão-de-obra”, afirma. “Nosso
sindicato está torcendo pela aprovação do
projeto”, acrescenta.
Apesar de também
considerar positiva a proposta, Barbosa, da CUT-PR, avalia o
projeto como paliativo. Na sua opinião, essa é apenas
uma de muitas ações necessárias para que
os trabalhadores adquiram, de fato, estabilidade nos empregos. “Hoje,
as empresas demitem sem justificativa nenhuma”, reclama. “É preciso
pôr um freio nessa grande rotatividade de funcionários
que ocorre em todo o Brasil”, defende.
Patrões reclamam
Por enquanto, a maioria
dos empresários brasileiros tem se manifestado contrária à aprovação
do projeto. De acordo com João Carlos Requião,
assessor jurídico da Federação do Comércio
do Paraná (Fecomércio), ainda são pouco
claras as condições em que os futuros pais deverão
ganhar a estabilidade de 12 meses no emprego. “E se a empresa
demitir o funcionário quando ainda não havia a
informação de que a esposa dele estava grávida?
Será preciso reintegrá-lo, indenizá-lo ou
algo parecido?”, questiona.
O advogado critica também
o texto do projeto, que vale apenas para os futuros pais que
estejam casados ou tenham uma união estável com
a gestante. “Pai não é só quem está casado”,
afirma. “Com o texto atual, o projeto vai causar conflitos
enormes. Ele ainda merece uma reflexão maior”, afirma.
Prejuízo
Já Amilton Stival,
coordenador do conselho de relações de trabalho
da Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep), acredita que o projeto de lei pode prejudicar
o trabalhador, em vez de beneficiá-lo. Na sua opinião,
as empresas tendem a se tornar mais rigorosas na contratação
de funcionários, deixando de admitir homens casados, por
exemplo. “Pessoas solteiras, teoricamente, podem ter mais
chances nas entrevistas”, prevê. “Até mesmo
aqueles que já tenham feito vasectomia largarão
na frente, se o projeto realmente virar lei”, acredita.
Uma grande preocupação para as empresas, segundo
Stival, é com o impedimento de demitir trabalhadores mesmo
em momentos de crise, como hoje. “Com a estabilidade do
emprego garantida a quem vai ser pai e sem poder demiti-lo, a
companhia vai à falência?”, pergunta.
Na opinião de
Sérgio Malucelli, diretor-executivo da Federação
das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar),
a proposta tem um caráter populista e não mede
o impacto que pode causar ao empresariado. Para ele, o funcionário
bom e zeloso não precisa de leis como essa para se manter
no emprego. “O empregado preocupado com o serviço
sempre vai ter sua vaga preservada”, afirma. “A medida
beneficiará o trabalhador relapso, que pode até se
valer dela para não ser demitido”, diz.
A
lei atual
Saiba quais são os direitos já assegurados aos trabalhadores
que vão ser pais:
Pai
• Direito à licença-paternidade
de cinco dias após o nascimento do bebê.
Mãe
• Consultas e exames
durante a gravidez valem como justificativa de falta.
• Pode mudar de
função ou setor que atrapalhe a saúde do
bebê.
• Durante a gravidez,
e até cinco meses depois do parto, não pode ser
demitida, a não ser por justa causa.
• A partir do oitavo
mês de gestação, tem direito a licença-maternidade
de 120 dias.
• Até que
o bebê complete seis meses, pode se ausentar do trabalho
por dois períodos de 30 minutos para amamentar.
Fonte: Justiça do
Trabalho
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Gazeta do Povo, 15
de dezembro de 2008
Paternidade
Para advogado trabalhista,
projeto é inconstitucional
O Projeto de Lei nº 3.829, de 1997, é inconstitucional, na opinião
do advogado trabalhista Antônio Carlos Aguiar. Ele questiona alguns pontos
da proposta que, em sua avaliação, vão contra o que determina
a Constituição Federal. Por exemplo, Aguiar alega que a paternidade
de um empregado não tem qualquer ligação com o contrato
de trabalho estabelecido com a empresa. “Um trabalhador acidentado ou que
está prestes a se aposentar, sim, deve ter a garantia de estabilidade”,
afirma. “Tornar-se pai, no entanto, é um evento totalmente distinto
da relação de vínculo do emprego”, argumenta.
Para o advogado, o projeto elimina,
por meio de uma razão externa às relações
de trabalho, a situação de igualdade que
deve existir entre patrões e empregados. “A
partir do momento em que o funcionário ganha estabilidade
no emprego porque vai ser pai, a empresa perde a liberdade
contratual de demiti-lo quando julgar necessário”,
diz.
Por fim, ele considera discriminatório
o teor do projeto, que garante apenas aos futuros pais
a estabilidade de 12 meses no emprego. Segundo Aguiar,
a proposta exclui – e, portanto, discrimina – pais
que já têm um ou mais filhos. Além
disso, o texto menciona apenas o empregado cuja esposa
ou companheira estiver grávida. “E os trabalhadores
que tiverem filhos fora do casamento ou frutos de uma
relação casual?”, indaga. “Eles
serão pais do mesmo jeito, com as mesmas responsabilidades”,
diz. (ELG)
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Folha
de S.Paulo, 11 de dezembro de 2008
Aposentadoria por idade
vai ser concedida na hora
Medida foi aprovada pela Câmara
e, se Lula assinar, deve entrar em vigor em janeiro
| Benefício exige até 15 anos de contribuição;
com dados de segurados desde 94 já no cadastro,
não será preciso apresentar documentos
DO "AGORA"
Os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) deverão,
a partir de janeiro, conseguir a aposentadoria por idade sem a apresentação
de toda a papelada que comprove as contribuições, como carteira
de trabalho ou carnês de autônomo. O benefício poderá ser
concedido em 30 minutos no posto do INSS.
A Câmara aprovou,
ontem, o projeto do Supersimples. O texto só depende da
sanção presidencial, o que deverá ocorrer
nos próximos dias. Para entrar em vigor em janeiro, o
texto deverá ser aprovado pelo presidente até o
dia 31 deste mês.
Entre as medidas, está a
que permite ao INSS usar os dados do CNIS (Cadastro Nacional
de Informações Sociais) para comprovar as contribuições.
O INSS afirma que todos
os dados dos segurados a partir de 1994 já estão
consolidados -por isso será possível conceder,
sem a apresentação de documentos, apenas a aposentadoria
por idade (65 anos para homem e 60 para mulheres, na área
urbana; na rural, cinco anos a menos), que exige carência
de até 15 anos de contribuição à Previdência.
O INSS ainda está computando
o restante dos dados desde 1976. Quando isso for concluído,
será possível conceder a aposentadoria por tempo
de contribuição da mesma forma.
De acordo com o ministro
da Previdência, José Pimentel, o benefício
será mais rápido. "Os segurados não
irão mais precisar ir ao posto com um saco de documentos
para se aposentar. Eles só deverão se identificar."
Funcionará assim:
o segurado agenda o atendimento pela central 135 e comparece
ao posto no dia e hora marcados. O servidor mostra a planilha
com as contribuições e o valor que ele deverá receber.
Se estiver tudo correto, o benefício será concedido.
Se achar que algum período ficou de fora, ele deverá,
nesse caso, apresentar os documentos que comprovem a contribuição.
Hoje, o tempo médio
para a concessão da aposentadoria é superior a
30 dias. Segundo Pimentel, 70% dos benefícios na área
urbana são por idade.
O texto institui
o MEI (Microempreendedor Individual, que permite aos autônomos
a filiação ao INSS e a regularização
dos tributos pagando uma taxa mensal de até R$ 50,65.
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NCST,
9 de dezembro de 2008
600 mil empregos ameaçados
A onda de demissões
provocada pela crise internacional está apenas começando.
Cerca de 600 mil pessoas deverão perder o emprego até o
fim de 2009 nas principais regiões metropolitanas no país,
o equivalente a quase um terço de todos os postos de trabalho
formais abertos neste ano. A previsão, segundo especialistas
ouvidos pelo Correio, é de que a taxa de desocupação
no país chegue a 10% no ano que vem e já interrompa
a trajetória de queda, processo iniciado em novembro (veja
quadro). Até outubro — últimos dados disponíveis
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —,
o cenário do mercado de trabalho era o mais áureo
possível. “O índice de desemprego de 2009
pode chegar tranqüilamente a 10%”, diz o economista-chefe
do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.
Na análise mensal de 2008 em comparação com o mesmo período
do ano passado, o desemprego cravou os menores índices para todos os
meses da série histórica do IBGE. A taxa de 7,5% apurada em outubro,
por exemplo, está apenas um ponto percentual abaixo do menor índice
de todas as pesquisas, que foi de 7,4% em dezembro de 2007. Se as condições
anteriores tivessem sido mantidas, o mais provável é que novo
recorde fosse alcançado em novembro ou, no máximo, neste mês,
pois, no fim do ano, a taxa de desocupação cai consideravelmente
em decorrência da contratação temporária para o
Natal. Mas o grande número de demissões nos setores automobilístico,
mineração e siderurgia mudaram as projeções de
especialistas, que demonstram preocupação, sobretudo, para o
ano que vem.
“O cenário
até o fim do ano está praticamente traçado,
porque está chegando o Natal. Tudo vai depender da crise
do crédito e do câmbio. Mas, em novembro e dezembro,
podemos ter uma oscilação de 0,1 ponto percentual
para cima”, explica Manuel Enriquez Garcia, professor do
Departamento de Economia da Universidade de São Paulo
(USP). Como a última decisão do setor produtivo é a
demissão, o professor prevê que os efeitos mais
graves da crise aparecerão no segundo trimestre de 2009,
quando os índices de desemprego devem voltar ao patamar
de 9% a 9,5%. “A partir de fevereiro, veremos a piora mais
clara dos números, pois é da natureza dos empresários
esperar o máximo de tempo antes de demitir. O custo da
contratação, de se formar um profissional e de
demitir é alto”, afirma. “Primeiro, eles fazem
cortes no setor administrativo, na bolacha e no cafezinho. Só depois
partem para demissão”, observa.
Famílias afetadas
Para Renato Fonseca,
gerente-executivo de Pesquisa da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), não se pode falar em desemprego
generalizado por causa da crise, pois não há perspectiva
de o Brasil entrar em recessão, como ocorreu com os países
ricos — Estados Unidos, Europa e Japão. Ele assinala
que os setores que mais estão sofrendo com a crise e cortado
vagas são os dependentes de crédito, que ficou
escasso e caro, como o automotivo, e o de exportações
de commodities, especialmente celulose, minérios e aço. “Diante
das dificuldades, as empresas estão optando, neste momento,
por demitir os profissionais menos qualificados, que podem ser
recontratados sem problemas quando a atividade retomar o fôlego”,
acrescenta.
Nesse contexto, Cláudia
Oshiro, da Consultoria Tendências, vai revisar a projeção
da taxa de desemprego para 2009, estimada inicialmente em 8,4%. “Os
dados da produção industrial vieram mais baixos
que estávamos esperando. O mercado de trabalho é o último
a ser afetado, mas num clima de incerteza, a indústria
produz menos, a atividade cai e, quando os empresários
passam a ter a certeza de que o cenário não vai
melhorar, dispensam funcionários”, diz. Ela acredita
que, por causa dos temporários, a taxa de desemprego em
novembro e dezembro fique estável em relação
a outubro ou tenha uma pequena elevação.
O IBGE não
faz projeções, mas já mostra preocupação. “Não
se sabe o efeito real da crise sobre o emprego. Se vai ser
grande ou longo, só o tempo dirá. Pode ser que
interrompa a trajetória de queda da taxa de desocupação
que vinha sendo verificada até outubro”, ressalta
Adriana Beringuy, técnica da Pesquisa de Emprego do
IBGE. “A preocupação é com 2009.
Uma taxa de desocupação maior pode acentuar as
incertezas de um cenário nada favorável. E quando
uma pessoa perde o emprego, prejudica três a quatro pessoas.
Se for o principal responsável pelo sustento da família,
então, o efeito é maior”, alerta. Tomando
por base a pesquisa do IBGE de outubro, cada ponto percentual
na taxa de desocupação representa 239 mil pessoas
desempregadas. Assim, se a taxa subir para 10% em 2009, serão
600 mil pessoas sem trabalho no país .
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Vermelho,
4 de dezembro de 2008
35 mil trabadores em Brasília
unidos contra a crise
“Direito não
se reduz, se amplia”. Na faixa, uma entre centenas, e na
multidão de mais de 35 mil manifestantes, a 5a Marcha
da Classe Trabalhadora, que ocorreu nesta quarta-feira (3), em
Brasília, demonstrou que tem “reivindicações” e
que está unida em torno delas. “Não são
seis centrais, é uma só voz”, gritava o orador
do alto do carro de som, destacando a união que foi saudada
por todos os demais oradores. O evento, que culminou com o ato
político, no final da manhã em frente ao Congresso
Nacional, deve continuar na agenda das lideranças e na
mobilização dos trabalhadores nos estados.
Balões, cartazes,
faixas, camisetas, apitos e buzinas deram o tom da manifestação – colorida
e com muitas reivindicações, tendo como a principal
delas a manutenção do emprego como alternativa
para enfrentar a crise financeira internacional. Para os dirigentes
das centrais e parlamentares, a principal arma para combater
os efeitos da crise econômica é a preservação
do emprego, que vai garantir o consumo e o desenvolvimento do
País.
Eles destacaram ainda
que o dinheiro público que está salvando bancos,
indústrias exportadoras e agricultura deve ter como contrapartida
a manutenção do nível de emprego nas empresas
beneficiadas.
A cada cartaz e faixa
correspondia um discurso. Os dirigentes sindicais defenderam
a redução da jornada de trabalho, que sofreu um
revés na votação prevista para esta quarta-feira
(3), na Comissão de Trabalho da Câmara; e a ratificação
da Convenção 151, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), aprovada na votação
desta quarta na mesma comissão. A Convenção
151 trata das relações de trabalho no serviço
público.
“Emprego, emprego, emprego”
Outra tônica dos
discursos foi a redução das taxas de juros. O presidente
da CTB, Wagner Gomes, o primeiro a falar no ato político,
promoveu uma votação – vitoriosa – pela
demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meireles.
Segundo Gomes, o presidente do BC é responsável
pela política de juros altos que impede o crescimento
econômico do País e pode agravar os efeitos da crise
econômica.
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, foi um dos últimos
a falar aos manifestantes, que já se dispersavam entre
os gramados e calçadas. “Emprego, emprego, emprego”,
gritou, chamando atenção das pessoas que, após
quatro horas de manifestação, aproveitavam o resto
do tempo tirando fotos, comendo pequenos lanches vendidos pelos
ambulantes e aplacando o cansaço sentando ou deitando
na grama.
Artur Henrique renovou
o discurso de todos os que o antecederam, defendendo uma alteração
na política macroeconômica do País, com a
diminuição das taxas de juros. E fez um balanço
da manifestação, destacando que o grande número
de manifestantes demonstra a união e a força do
movimento sindical. Ele lembrou ainda que a luta continua nos
contatos dos dirigentes sindicais com as autoridades e na mobilização
nos estados.
Poucos deputados
A Marcha recebeu apoio
de parlamentares e outras lideranças. Apenas quatro deputados
discursaram no evento, comprometendo-se com as reivindicações
dos trabalhadores, embora alguns outros tenha comparecido rapidamente
ao evento para cumprimentar os trabalhadores. Vicentino (PT-SP)
anunciou o resultado das votações na Comissão
de Trabalho, criticando os deputados da oposição – DEM
e PSDB, que tentam evitar a aprovação de matérias
de interesse dos trabalhadores.
A deputada Manuela D´Ávila
(PCdoB-RS) parabenizou a união das centrais, acrescentando
que “nesse momento de crise no mundo e no Brasil, não
podemos deixar que mais uma vez a classe trabalhadora pague pela
crise. Segundo ela, a crise, que é dos bancos, deve ser
enfrentada com trabalho e com política de valorização
dos salários.
Também falaram
na manifestação os deputados Rodrigo Rollemberg
(PSB-DF) e Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que falou como presidente
da Força Sindical, reforçando as reivindicação
dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho,
o fim do fator Previdenciário e a ratificação
das Convenções 151 e 158 da OIT.
Rollemberg disse que
a crise é do capitalismo e que o compromisso dos socialistas
não é salvar bancos e sim a população,
criticando o uso de recursos que beneficiam os bancos e que poderiam
já ter sido usados para garantir melhoria da qualidade
de vida da população.
Apoios e solidariedade
Os trabalhadores receberam
apoio também da presidente da União Nacional dos
Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, do representante da CTA
da Argentina, Victorio Paulon e do líder indígena
Ednaldo, da Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ednaldo aproveitou
a ocasião para convidar os trabalhadores brasileiros a
reforçarem a luita do povo indígena, lembrando
que no próximo dia 10 de dezembro será votada no
Supremo Tribunal Federal (STF) a constitucionalidade da demarcação
da terra indígena.
Paulon elogiou a união
dos trabalhadores brasileiros e conclamou a todos para maior
integração dos trabalhadores do Mercosul, lembrando
que a crise ameaça a todos e a primeira resposta a ela
deve ser a união da classe trabalhadora. Ele disse que
no próximo dia 12, em Buenos Aires, os argentinos farão
uma marcha como a dos brasileiros. “Hasta la vitoria finale”,
concluiu.
Stumpf saudou a manifestação,
lembrando que todas as conquistas do mundo do trabalho foram
obtidas pela união e mobilização dos trabalhadores,
estudantes, mulheres e negros, que lutaram e continuando lutando
por um Brasil melhor. E engrossou o coro de que “não é o
povo que vai pagar o preço dessa crise.”
Longo percurso
A manifestação
foi iniciada nas imediações do estádio de
futebol Mané Garrincha, onde se reuniram os manifestantes
vindos de todo o País – do Amazonas ao Rio Grande
do Sul. Por volta de nove horas, sob uma chuva fina, eles iniciaram
o percurso de nove quilômetros. Quando os primeiros manifestantes
chegaram em frente ao Congresso Nacional, ainda havia manifestantes
por um longo percurso.
Mulheres, homens, jovens
e velhos, portanto cartazes, faixas, bandeiras, balões,
apitos e buzinas, uniformizados com as camisetas que identificavam
as várias centrais sindicais, encheram o gramado em frente
ao Congresso. As faixas e cartazes foram estendidas na grama
e as bandeiras fincadas no chão. Enquanto aguardavam a
chegada de todos, o que demorou quase uma hora, o microfone era
disputado pelas lideranças sindicais dos estados.
Em meio aos discursos,
foi lembrando o acidente com o ônibus que trazia manifestantes
do Maranhão, em que morreram duas pessoas. Uma salva
de palmas saudou os dois militantes mortos.
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Gazeta
do Povo, 1º de dezembro de 2008
Trabalho
Demanda por mão-de-obra
está firme
Mesmo com a crise financeira, o setor de tecnologia da informação
(TI) deve continuar sendo fonte de bons empregos para profissionais qualificados – ainda
que os salários deixem de aumentar tanto como antes. Na opinião
do presidente da Totvs, Laércio Cosentino, a demanda por mão-de-obra
continua maior do que a oferta. “Hoje, quando contratamos um técnico,
precisamos oferecer um treinamento adicional de 60 a 90 dias, no mínimo.
O Brasil, com ou sem crise, tem um apagão de conhecimento técnico,
e vamos continuar precisando de bons profissionais.”
Para o presidente da
Associação Brasileira das Empresas de Software
(ABES), José Curcelli, não há risco de demissões
no setor, já que a TI é uma “área-chave” nas
empresas. “As companhias tendem a manter seu pessoal especializado
em momentos de crise. Não dá para deixar pessoas-chave
na empresa irem embora. Hoje, em qualquer lugar que a gente vá tem
um software por trás.”
O diretor de Engenharia
e Produtos da DHC Outsourcing, Alexandre Cadaval, destaca ainda
que projetos na área de TI não podem ser paralisados
instantaneamente, ainda que em um momento de crise. “A
inércia de longos projetos, que vêm sendo tocados
aceleradamente, vai até a metade de 2009, e a partir daí as
coisas melhoram. Não vai haver impacto na empregabilidade
do setor.” (EHC)
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Gazeta
do Povo, 17 de novembro de 2008
Mercado de trabalho
Crise desacelera o ritmo
do emprego
Turbulência global afeta
diretamente setores que vinham sustentando o recorde
de vagas no Brasil, como a indústria automobilística
e a construção civil
Depois de bater recorde,
o ritmo de geração de novos empregos deve perder
o fôlego. Embora o risco de recessão seja remoto,
analistas acreditam que o crescimento econômico menor e
os efeitos da crise global vão afetar o volume de contratações
e pressionar os índices de desemprego em 2009.
A crise, que se agravou
em meados de setembro, pegou no contrapé setores que vinham
sustentando o recorde de vagas – como a construção
civil e a indústria automobilística. “O crescimento
do emprego estava polarizado em segmentos que agora passam por
dificuldades”, diz Rogério César de Souza,
economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial
(Iedi). “Com certeza teremos uma redução
do ritmo de novas vagas a partir do quarto trimestre deste ano”,
diz.
O país deve fechar
o ano com um saldo – diferença entre contratações
e demissões – recorde de 2,1 milhões de vagas
com carteira assinada, um avanço de 30% em relação
a 2007, segundo projeção do Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE). Especialistas acreditam que, para 2009,
esse número possa cair 40% – algo próximo
de 1,2 milhão de vagas geradas – bem abaixo da previsão
do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que estima um saldo de
1,8 milhão de vagas no próximo ano.
Para 2009, as previsões
de crescimento econômico estão na faixa de 3%, contra
os 5,2% para 2008. O nível de emprego e o Produto Interno
Bruto (PIB) – soma de todas as riquezas do país – carregam
uma relação direta, segundo Cid Cordeiro, economista
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) no Paraná. “Tradicionalmente,
com um crescimento acima de 3% há geração
de vagas. Abaixo desse nível o país gera desemprego.
Portanto, o Brasil vai caminhar no fio da navalha em 2009”,
diz.
Para o professor Claudio
Dedecca, do Instituto de Economia da Universidade de Campinas
(Unicamp), apesar de a crise ter explodido em setembro, dificilmente
haverá uma reversão significativa do quadro do
emprego para este ano. Mas, para 2009, ele prevê forte
aumento da informalidade.
“ Antes de haver
um crescimento do desemprego, vai avançar o número
de contratações sem carteira assinada, invertendo
o quadro de crescimento da formalidade que vimos nos últimos
anos”, diz. Com uma previsão de evolução
do PIB de 2% a 4% para o próximo ano, ele acredita que,
em um cenário mais pessimista, o número de vagas
geradas pode ser insuficiente para fazer frente à procura
por emprego.
De acordo com analistas,
os efeitos da crise sobre a economia brasileira ganharam uma
velocidade e uma dimensão muito maiores do que se esperava.
O corte abrupto do crédito – o principal reflexo
do choque global na vida da população e das empresas
até agora – compromete consumo e investimentos em
expansão, o que, por sua vez, limita a geração
de novas vagas. “A crise é grave e longa. Não
dá para tentar tapar o sol com a peneira e fingir que
ela não existe. O emprego será afetado e o saldo
de vagas vai encolher porque vários setores já dão
sinais de desaceleração”, prevê Jason
Freitas Vieira, economista-chefe da UpTrend Consultoria.
Setores
As montadoras de automóveis – que
somente neste ano geraram 11,3 mil empregos – colocaram
o pé no freio, com o anúncio de férias coletivas
e programas de demissões voluntárias. Para 2009,
o setor, que representa 5,4% do PIB brasileiro, prevê expansão
nula de vendas. A freada da produção de veículos
afeta toda a cadeia automotiva, com reflexos na rede de concessionárias
e na indústria de autopeças.
Em meio à crise
de crédito, o setor da construção civil – campeão
de geração de empregos, com 225 mil vagas somente
no ano passado – anunciou o adiamento de lançamentos
e algumas construtoras e imobiliárias começam a
fazer cortes de pessoal. Prevendo redução de investimentos,
o setor de máquinas para construção – que
até setembro vivia o melhor ano da sua história – vai
dar férias coletivas em janeiro para ajustar seus volumes
de produção.
As empresas exportadoras,
que passam agora a contar com a vantagem do dólar valorizado,
terão de enfrentar, por outro lado, o baixa demanda por
seus produtos no mercado externo, em função da
recessão nos Estados Unidos e na Europa. O baixo preço
das commodities, apontam analistas, também deve afetar
setores empregadores de mão-de-obra intensiva, como a
agricultura.“Podemos dizer que alguns setores acenderam
a luz amarela. Teremos um primeiro trimestre de 2009 muito difícil”,
prevê Christian Majczak, da GO4! Consultoria.
Deterioração depende
de medidas anticrise
O grau de deterioração
do quadro do emprego, no entanto, dependerá dos efeitos
da série de medidas do governo para melhorar a circulação
do dinheiro na economia. Além de pacotes de ajuda financeira
para o setor automotivo e da construção, o governo
espera que os bancos voltem a emprestar no início do próximo
ano. Com mais dinheiro em circulação, as empresas
voltam a financiar produção e investimentos, e
a população, o consumo. Mas o mercado é cético
em relação à velocidade e o nível
de retomada do crédito. “Dificilmente voltaremos
aos patamares anteriores”, diz Cid Cordeiro, economista
do Dieese.
Para Claudio Dedecca,
da Unicamp, isso não é necessariamente algo ruim. “Vimos
setores que cresciam 30%, como o automotivo, em função
do crédito farto. Nenhum setor consegue sustentar um avanço
como esse. O que é importante é que o crédito,
que se tornou inexistente, volte a existir no mercado.”
Segundo ele, além
de destravar o crédito, o governo tem pela frente o
desafio de usar a política monetária a favor
do crescimento econômico. “A estratégia
política do presidente Lula foi toda calcada no crescimento,
no emprego e na renda. Não há dúvida de
que o governo pretende manter essa orientação
visando também à corrida presidencial em 2010”,
diz ele, que prevê aumento do embate dentro do governo
sobre taxa de juros e a inflação. Um eventual
aumento dos juros pode esfriar ainda mais a economia, com reflexos
no emprego. (CR)
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PEQUENA
EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS, 14 de novembro de 2008
Acidente de trabalho mais
do que dobra desde 2007
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Previdência
Social, Carlos Eduardo Gabas, desde a implantação do NTEP (Nexo
Técnico Epidemiológico), em abril do ano passado, a notificação
de acidentes de trabalho no Brasil mais do que dobrou, expandindo-se 136%.
O incremento chega a 500%, no caso das doenças osteomusculares, informa
o site InfoMoney.
A declaração foi feita durante a 24ª Assembléia Geral
da Conferência Interamericana de Seguridade Social, em Salvador-BA. O
evento terminou nesta quinta-feira (13).
Governo precisa fazer
mais
Gabas afirmou que o governo
brasileiro tem trabalhado muito para combater os acidentes e
as doenças no trabalho, mas que o esforço ainda
não é suficiente.
O País registra
350 mil mortes por ano no ambiente de trabalho, três mortes
a cada duas horas e três acidentes de trabalho por minuto. "A
morte ainda é barata para as empresas. Muitos pagam o
Seguro Acidente de Trabalho e acham que cumpriram a sua parte.
O lucro não pode estar acima da saúde e da vida
dos trabalhadores".
O Brasil não está sozinho.
O presidente da Comissão Americana de Saúde e Segurança
no Trabalho, Juan Horacio Gonzalez Graviola, lembrou que a América
Latina, com uma população ativa de 219 milhões
de pessoas, registra 30 milhões de acidentes de trabalho
por ano.
Para ele, o atual desafio
dos países do continente é substituir os programas
atuais por sistemas de saúde e segurança do trabalho
que devem contemplar, conforme indicado pela Convenção
187 da OIT (Organização Internacional do Trabalho),
legislação, autoridade responsável, acompanhamento,
fiscalização e ampla discussão.
Sobre o NTEP
O Nexo Técnico
Epidemiológico é uma metodologia que consiste em
identificar quais doenças e acidentes estão relacionados
com a prática de uma determinada atividade profissional. "Mas
esse foi o primeiro passo. O segundo exige mais, pois implica
tributar mais as empresas que apresentam maior índice
de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais",
ressaltou Carlos Eduardo Gabas, do Ministério da Previdência
Social.
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FOLHA
DE SÃO PAULO (ON LINE), 12 de novembro de 2008 | Dinheiro
Caixa amplia limite de
financiamento para construção
A Caixa Econômica
Federal ampliou o limite de financiamento para compra de material
de construção de R$ 7.000 para R$ 25 mil. Segundo
informou a instituição nesta segunda-feira, o empréstimo
tem juros de 6% a 8,16% ao ano, de acordo com a faixa de renda
--com limite em R$ 1.900.
A linha de crédito chamada de Construcard FGTS prevê prazo do
financiamento em até 40 meses. A contratação é simplificada,
diretamente nas agências da Caixa, e permite incluir até 15% do
valor do material para custos de mão-de-obra.
Para renda acima de R$
1.900, há a opção da linha de crédito
Construcard Caixa/SBPE, com recursos do Sistema Brasileiro de
Poupança e Empréstimo. O limite mínimo de
empréstimos nesse caso é de R$ 1.000 e valor máximo
conforme a capacidade de pagamento aprovada para o tomador.
Em qualquer dos casos,
a Caixa exige que a documentação do imóvel
esteja em ordem e que o tomador do empréstimo não
comprometa mais de 30% da renda mensal. Tanto o Construcard FGTS
quanto o Construcard Caixa/SBPE são aceitos em mais de
40 mil lojas credenciadas no país.
Com Agência Brasil.
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Vermelho,
9 de novembro de 2008
Lula: País colhe
frutos dos sacrifícios do governo e do povo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que a economia
brasileira está bem preparada para enfrentar a crise internacional.
Ao discursar neste sábado (8), durante a cerimônia de abertura
do encontro do G20 realizado em São Paulo, Lula disse que medidas tomadas
no passado garantem a relativa estabilidade do país no momento de turbulência
financeira global.
Segundo o presidente,
a crise não pegou o Brasil desprevenido. “Meu governo
e a sociedade fizeram sacrifícios e agora começamos
a colher os resultados de nosso trabalho.” Lula destacou
que em 2007 o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu
5,4% e que este ano deve crescer 5%.
Ele disse também
que a inflação no país permanece em níveis
baixos e que as contas públicas estão em ordem,
devido ao superávit primário de cerca de 4% que
o governo mantém desde 2004. ''Desde 2007, o Brasil passou
de devedor a credor no mercado internacional”, complementou. “Nossa
reservas internacionais somam mais de U$ 200 bilhões.”
O presidente afirmou
que, nos últimos anos, 9 milhões de brasileiros
saíram da miséria e outros 20 milhões
integraram o mercado nacional — o que fortaleceu ainda
mais a economia brasileira. Mas Lula reiterou que o Brasil,
assim como outros emergentes, mantém-se preocupado com
a crise e, principalmente, com seus impactos no desenvolvimento
social.
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FOLHA
DE LONDRINA, 07 de novembro de 2008 | Economia
Emprego cresce para quem
tem estudo
As oportunidades são
cada vez menores para as pessoas de baixa escolaridade;
entre os analfabetos vagas caíram 1,13% em 2007
Lisandra Paraguassú
Brasília - Os empregos no Brasil são cada vez em menor número
para pessoas com baixa escolaridade, de acordo com os dados de 2007 da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados ontem pelo Ministério
do Trabalho. Os dados mostram que as vagas crescem no mercado de trabalho do
País para quem tem ensino médio ou superior completo.
No ano passado, o emprego,
que cresceu 7% em geral no País, caiu para quem é analfabeto
ou tem apenas até a 4ªsérie do ensino fundamental.
Entre os analfabetos, o número de empregos, que já é baixo,
caiu 1,13%. Entre os brasileiros que têm a 4ªsérie
primária, caiu quase 2%, registrando-se 42,8 mil vagas
a menos.
Pessoas que não
completaram os oito anos do ensino fundamental também
têm mais dificuldades: apesar de ter havido crescimento,
este foi de apenas 1,23%. ‘‘As empresas vêm
exigindo cada vez mais uma escolaridade mais alta’’,
disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Na faixa de cima da escolaridade,
os que têm ensino médio ganharam 11,6% mais vagas
- a maior faixa de crescimento, mais de 60% acima da média
nacional. Para empregos que exigem curso superior houve a segunda
maior alta - 10,75%. Já o curso superior incompleto ajuda
menos do que o ensino médio. A explicação
pode estar no fato de a pessoa ser mais qualificada para uma
vaga de escolaridade mais baixa, mas ainda não o suficiente
para uma que exige ensino superior.
No total, foram criados
no País, em 2007, 2,452 milhões de novos postos
de trabalho formais. Desses, 378 mil foram empregos públicos,
e o restante, contratos celetistas. O setor que apresentou maior
crescimento foi o da construção civil, com 16,11%
de expansão.
Mas houve crescimento
em todos os outros setores, e o de serviços ainda concentra
a maior parte dos empregos. Em números absolutos, a área
de serviços criou mais 706 mil vagas no ano passado.
O maior crescimento de emprego formal foi na Região
Norte, com 9,1% de aumento, na comparação com
2006.
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Revista
Consultor Jurídico, 2 de novembro de 2008
Custo da ação
TST nega execução
de multa prevista convenção coletiva
Norma prevista em convenção coletiva de trabalho que prevê multa
não pode ser comparada a um título executivo extrajudicial. Com
esse entendimento, a 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento
ao recurso do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Cargas de Manaus e
do Amazonas (Sindicargas), que pedia o reconhecimento de uma dívida
da empresa Cupim Manaus.
Segundo o sindicato,
a empresa não compareceu a uma audiência perante
a Comissão Intersindical de Conciliação
Prévia, por isso, deviria pagar a taxa de custeio da ação
proposta pelos filiados. De acordo com a convenção
coletiva da categoria, o comparecimento era obrigatório.
A ação
foi ajuizada em 2006 na Justiça Trabalhista de Manaus,
mas foi extinta sem julgamento de mérito. A decisão
de primeiro grau afastou a possibilidade de comparecimento obrigatório,
a não ser em casos de testemunhas previamente arroladas
em processo judicial, o que não era o caso das Comissões
de Conciliação Prévia (CPP). O sindicato,
segundo a decisão, sequer chegou a apresentar a cláusula
da convenção que se referia à obrigatoriedade
do comparecimento.
Seguindo o entendimento
do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, o
relator do processo no TST, ministro Renato de Lacerda Paiva,
não aceitou o argumento do sindicato, de que a Lei 9.958/00,
que criou as CCP, estabelecia a execução de títulos
extrajudiciais pela Justiça do Trabalho. A entidade queria
que as custas processuais da ação na Comissão
Intersindical de Conciliação Prévia e a
multa pelo descumprimento de cláusulas da convenção
coletiva fossem executadas judicialmente. Para o ministro, no
entanto, a ação de execução tratava
de título não previsto em lei.
AIRR-9146-2006-008-11-40.0
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CTB,
15 de Outubro de 2008
Juntas, centrais fazem grande
protesto por trabalho decente
A manifestação
em defesa do trabalho decente reuniu cerca de 500 pessoas na
capital paulista na última sexta-feira (10). O ato reuniu
lideranças de seis centrais sindicais e inicou com uma
concentração na Praça Ramos, Centro de São
Paulo, às 10h30. Em seguida, os trabalhadores seguiram
em passeata até a sede da Delegacia Regional do Trabalho,
na rua Martins Fontes.
Passeata tomou o Centro
de SP na ultima sexta
Em discurso realizado
durante a manifestação, o secretário de
Comunicação da CTB (Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil), Rogério Nunes, criticou "a
especulação imoral que tomou conta dos mercados
financeiros e desencadeou a crise internacional que agora ameaça
o desenvolvimento nacional e emprego dos trabalhadores e trabalhadoras
brasileiras".
“A solução
para a crise só virá quando o país adotar
um novo projeto de desenvolvimento nacional, fundado na soberania
e na valorização do trabalho”, disse Rogério, "neste
caminho precisamos de trabalho decente e salários decentes".
Além da CTB, também
mobilizaram a CUT, Força Sindical, UGT (União Geral
dos Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil) e Nova Central.
Em mensagem encaminhada
ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, as entidades
que convocaram e promoveram (as seis centrais, mais a FSM e a
CIS) enaltecem a união de todo o movimento sindical brasileiro
na jornada em defesa do trabalho decente, originalmente sugerida
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT)
e reclama uma atuação mais enérgica do ministério
e do governo para coibir a crescente precarização
das relações trabalhistas, enfatizando a necessidade
de combater a terceirização.
Unidade amplia conquistas
"Com a ação
unitária das centrais sindicais, garantimos uma política
de valorização do salário mínimo
e a retomada do crescimento econômico, com 67,7% dos acordos
salariais acima da inflação em 2007 e a geração
de mais de 2 milhões de novos empregos formais nos últimos
12 meses”, diz a nota das centrais endereçada ao
ministro Carlos Lupi.
“Apesar da melhora
das massas de rendimentos reais de ocupados e assalariados, respectivamente
em 9,1% e 9,6%, continuamos tendo mais de 20 milhões de
trabalhadores sem carteira assinada e mais de 44 milhões
sem a proteção da Previdência, o que reforça
a necessidade de uma maior integração entre a fiscalização
governamental e a ação sindical”, segue o
texto.
"Nosso compromisso é com
o desenvolvimento social, com melhor qualidade de trabalho
e de vida para quem gera a riqueza e constrói o país.
Por isto, sublinhamos a necessidade do governo brasileiro,
que já se pronunciou em defesa da ratificação
das Convenções da OIT, a 151 – que garante
o direito à negociação coletiva no serviço
público – e a 158 – que coíbe a demissão
imotivada, ampliar o diálogo com a sua base parlamentar
a fim de assegurar a sua aprovação o mais rapidamente
possível. Do contrário, infelizmente, tal gesto
ficaria limitado a uma declaração de intenções",
concluía a nota ao ministro.
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UOL Notícias,
15 de outubro de 2008
Jovens representam 63% do total
de desempregados, afirma estudo do Ipea
Em São Paulo
As pessoas
que têm entre 15 e 29 anos de idade representam
apenas 26,4% da população, mas são
63% do total de desempregados do país. Estes
números fazem parte de um estudo do Ipea (Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada) que utilizou
números da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE) e
foi divulgado nesta terça-feira (14).
O desemprego
juvenil é 2,9 vezes maior do que o de adultos:
entre os jovens o percentual de desempregados é 14%
e entre os adultos esse número cai para 4,8%.
Segundo Jorge Abraão, diretor de estudos sociais
do Ipea, dois fatores contribuem para isso. "A
rotatividade do jovem é maior, os custos para
demiti-lo são baixos para a empresa. E ele é um
ser mutante, que está experimentando e ainda
não sabe bem o que fazer", afirma Abraão.
O estudo
mostra que quanto maior a faixa etária, maior
o percentual dos que deixam de estudar para trabalhar:
45,3% dos jovens entre 16 e 17 anos têm uma
ocupação, número que sobe para
62,2% no grupo de 18 a 24 anos. Da mesma forma, o
número dos que dividem estudo e trabalho é menor
entre os mais velhos: 21,8% entre os de 15 a 17 anos
e 16,2% no grupo de 18 a 24 anos.

Apesar dos
jovens entre 18 e 24 anos estudarem 9,1 anos - um
aumento de 2,3 anos em relação a 1997
-, a escolaridade começa a diminuir a partir
dos 25 anos. Segundo o Ipea, "os jovens desta
faixa etária estão conseguindo ingressar
no ensino médio, mas logo o abandona, sendo
premidos a escolher entre o estudo ou o trabalho".
Embora as
mulheres estudem mais que os homens, elas ainda apresentam
um menor nível de ocupação.
A participação delas é principalmente
maior nos ensinos médio (53,8% das mulheres
contra 42,4% dos homens) e superior (14,8% delas
e 11,2% deles).
Apesar dos
baixos índices, a escolaridade dos jovens
está acima da média nacional. O estudo
afirma que isto se deve à política
de universalização do ensino dos últimos
anos, e ao acesso ao ensino superior através
de programas do governo federal, como o Prouni (Programa
Universidade para Todos).
Mas a zona
rural segue longe da média urbana: o nível
de escolaridade dos jovens é 30% inferior
ao dos jovens da zona urbana. E 9% dos jovens do
campo continuam analfabetos contra 2% dos jovens
da cidade.
Da mesma
forma, seguem as diferenças entre brancos
e negros. Apesar de a desigualdade ter reduzido entre
os dois grupos nos últimos dez anos, o analfabetismo
entre os jovens negros ainda é quase duas
vezes maior do que entre os brancos. Quanto à freqüência
escolar, os negros continuam em desvantagem, mas
em 2007 existiam três vezes mais negros no
ensino médio do que em 1997.
O Ipea ressalta
que a vulnerabilidade do jovem no mercado de trabalho
continua, mas alguns aspectos já melhoraram
entre 1992 e 2007, entre eles, o aumento do emprego
formal. O número de jovens de 18 a 24 anos
com carteira assinada subiu de 40,7% em 2006 para
43,9% no ano seguinte.
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Agência Diap,
15 de Outubro de 2008
CUSTEIO SINDICAL
Comissão de Trabalho
rejeita contribuição sindical opcional
A Comissão de
Trabalho da Câmara rejeitou, na última quarta-feira
(8), o Projeto de Lei 2.424/07, do deputado licenciado Augusto
Carvalho (PPS/DF), que altera dez artigos da Consolidação
das leis do Trabalho para tornar facultativa a contribuição
sindical (leia mais).
A Comissão acolheu
parecer do relator, deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), que
considerou a proposta inadequada por enfraquecer as entidades
sindicais patronais e de trabalhadores.
A contribuição
sindical é uma taxa compulsória paga por trabalhadores,
profissionais liberais e empresas para a manutenção
das entidades. É recolhida uma vez por ano, sendo equivalente
ao valor de um dia de trabalho, para os empregados, e a um percentual
do capital social, no caso das empresas.
Marquezelli salientou
que os sindicados atuam no interesse de uma categoria, e o trabalho
gera benefícios para todos, independentemente de estarem
filiados ou não. É o caso, por exemplo, da convenção
coletiva de trabalho. Por isso, segundo ele, a contribuição
deve permanecer obrigatória.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado
pelas comissões de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada
no plenário da Casa.
A tendência é que
a matéria seja rejeitada, pois a Casa ao aprovar o projeto
de lei (PL 1.990/07), que regulamentou o funcionamento das centrais
sindicais, derrotou emenda semelhante ao texto do PL 1.990, apresentada
por Augusto Carvalho.
Agente
de saúde bucal
No mesmo dia, o colegiado também rejeitou o Projeto de Lei 1.274/03,
que cria a profissão de agente comunitário de saúde bucal
no Sistema Único de Saúde (SUS). De autoria do deputado Eduardo
Barbosa (PSDB/MG), a proposta prevê a atuação desse novo
profissional na prevenção de doenças bucais em comunidades
atendidas pelo Programa Saúde da Família, do Ministério
da Saúde.
A relatora da proposta,
deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), argumentou que, embora
a preocupação com a saúde bucal no âmbito
do Programa Saúde da Família seja importante, não
cabe à Câmara "criar" uma profissão
para esse fim. Ela explicou que uma lei não pode criar
profissões, mas sim regulamentá-las, impondo limites
para seu exercício.
"As possibilidades
de atuação do agente comunitário de saúde
já são perfeitamente compatíveis com os
objetivos do autor em relação à saúde
bucal", disse Grazziotin. Para ela, basta que o ministro
da Saúde edite uma portaria para incluir as ações
de prevenção de saúde bucal entre as atribuições
dos agentes comunitários de saúde.
Tramitação
A proposta, aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família
em 2004, será analisada ainda pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania, antes de ser votada pelo plenário.
(Com Agência Câmara)
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Agência
Diap, 11 de outubro de 2008
REGISTRO SINDICAL
Projeto que susta
Portaria 186 já tem relator na Comissão
de Trabalho
O projeto de decreto legislativo (PDC) 857/08, do deputado Nelson Marquezelli
(PTB/SP), que susta a Portaria 186 do Ministério do Trabalho e Emprego,
será relatado na Comissão de Trabalho da Câmara pelo deputado
Laercio Oliveira (PSDB/SE).
De acordo com a proposição,
o MTE exorbitou suas competências. Marquezelli lembra que “doze
confederações, quer seja de empregados, quer seja
de trabalhadores, ingressaram no Supremo Tribunal Federal com
ações diretas de inconstitucionalidades (Adins)
4120 e 4128, pedindo a suspensão imediata da eficácia
da Portaria 186".
Depois de ser analisado
na Comissão de Trabalho, a matéria seguirá para
a Comissão de Constituição e Justiça,
antes de ser votado em plenário. (André Santos)
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Gazeta
do Povo, 8 de outubro de 2008
Reeleição
44% dos prefeitos se reelegeram
Das 395 cidades paranaenses
em que a eleição já está definida,
em 175 o poder não vai trocar de mãos
no ano que vem
Em 175 municípios paranaenses, o comando da cidade não vai trocar
de mãos no ano que vem, pois os prefeitos se reelegeram. O índice
de reeleição chega a 44,3% dos 395 municípios do Paraná onde
a eleição já foi definida. Em duas cidades – Londrina
e Ponta Grossa –, ainda haverá segundo turno. E em outras duas – Ramilândia
e Três Barras do Paraná – todos os candidatos foram impugnados.
O levantamento foi realizado pela Gazeta do Povo a partir da comparação
do número de prefeitos eleitos em 2004 com a relação dos
vencedores do pleito deste ano. O cruzamento de dados revela que os políticos
que estão no poder, com a reeleição, instituída
no país em 1998, tendem a se manter.
O presidente
da Associação dos Municípios
do Paraná (AMP), Valentim Milleo (PMDB),
atual prefeito de Piraí do Sul, diz que
o índice de reeleição deste
ano está dentro das estimativas previstas.
Apesar de não haver números oficiais
da eleição de 2004, ele calcula
que a quantidade de reeleitos aumentou.
Para Milleo, que este ano não concorreu à eleição
por já estar no segundo mandato consecutivo, boa parte dos prefeitos
consegue se reeleger porque têm a máquina eleitoral à disposição
e, assim, acaba deixando o adversário em desvantagem. “Se os prefeitos
não pudessem usar a máquina, somente 20% se reelegeriam”,
calcula. O prefeito diz ser contra a reeleição justamente pela
facilidade de se usar a máquina administrativa.
O sociólogo e cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da
UFPR, diz que neste pleito os prefeitos tinham condições favoráveis
para permanecer no cargo por dois motivos: o panorama econômico positivo
e as políticas sociais do governo federal.
Segundo Oliveira, os prefeitos administraram os municípios com mais
emprego, mais renda e orçamento em razão dos quatro anos de crescimento
econômico registrado no país. Ele também salienta que os
administradores que conseguiram aproveitar bem as políticas sociais
do governo federal, tais como o Bolsa Família, foram favorecidos. “Muitos
prefeitos se beneficiaram desta política”, diz.
Entre os quatro maiores colégios eleitorais do Paraná, conseguiram
se manter no cargo os prefeitos de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e de Maringá,
Silvio Barros (PP). O pleito ainda será definido em Londrina. Mas nesse
caso o atual prefeito, Nedson Micheleti (PT) não poderia ser candidato
pois já havia sido reeleito em 2004. Em Ponta Grossa, o prefeito Pedro
Wosgrau (PSDB) pode aumentar as estatísticas favoráveis à reeleição.
Ele está no segundo turno.
No Norte Pioneiro, dos 19 prefeitos que disputaram o cargo, 12 conseguiram
vencer. Outros sete não saíram para a reeleição
ou já estavam em seu segundo mandato. Na Região Noroeste, pelo
menos seis prefeitos asseguraram novamente a vaga. No Oeste, Paulo Mac Donald
(PDT), em Foz do Iguaçu, também se reelegeu.
Nas principais cidades da região de Ponta Grossa, pelo menos quatro
prefeitos continuarão administrando os municípios. Entre eles,
Fernando Ribas Carli (PP), de Guarapuava, Moacyr Fadel (PMDB), de Castro. No
Sudoeste, o prefeito de Pato Branco, Roberto Viganó (PDT), se manteve
no Executivo.
Colaboraram Kátia Brembati e Edson Gil Santos Jr., da sucursal de Ponta
Grossa, e Octavio Rossi e Marco Martins, correspondentes.
Tendência
foi de renovação nas Câmaras
de Vereadores
Nas Câmaras Municipais das principais cidades do Paraná o índice
de renovação de vereadores foi elevado. Em Curitiba, 18 dos 38
vereadores que assumem em janeiro são novatos. Ou seja, 48% dos eleitos
não estavam na Câmara.
No interior, a tendência de renovação da Câmara foi
mais alta ainda. Londrina, das grandes cidades paranaenses, teve o menor índice
de reeleição dos vereadores: 33,3%. Apenas 6 dos 18 vereadores
consseguiram votos suficientes para mais quatro anos no Legislativo municipal.
A Câmara de Londrina, aliás, passou por um ano muito negativo,
com diversas denúncias de corrupção, que chegaram a levar
vereadores à prisão, à cassação ou à renúncia.
Em Maringá, dos 15 candidatos eleitos em 2008, 9 são novos (60%
de renovação). A próxima legislatura da Câmara de
Vereadores de Foz do Iguaçu, contará com um índice de
renovação também de 60%. Dos 15 parlamentares eleitos
no domingo, apenas seis alcançaram a reeleição por mais
quatro anos.
Em Ponta Grossa, a renovação na Câmara Municipal foi um
pouco menor do que no restante das grandes cidades. Ficou em 40%. Nove dos
quinze vereadores se reelegeram. (DP)
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
06/10/2008
Trabalhadora é indenizada
por ter ação trabalhista anotada na carteira
O SENAC – Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial foi condenado a indenizar
empregada, por danos morais, por ter registrado em sua carteira
de trabalho que o vínculo empregatício se deu por
força de sentença trabalhista. Para a Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, o registro foi deliberado e
desnecessário, caracterizando conduta desrespeitosa e
ofensiva da imagem profissional, sendo, nesse, caso, inquestionável
o direito à indenização compensatória.
A reclamação
trabalhista foi proposta pela ex-empregada, esteticista, contratada,
sem carteira assinada, para exercer a função de
monitora de desenvolvimento profissional, em julho de 1997. Ao
ser demitida, em 1999, pediu também o reconhecimento de
vínculo empregatício e direitos trabalhistas garantidos
legalmente. Condenado a registrar o contrato de trabalho, o SENAC
o fez com a seguinte observação: “Anotação
conforme processo trabalhista nº ...”.
A empregada só foi
se dar conta do fato durante uma entrevista de emprego, quando
o entrevistador lhe perguntou o porquê daquela anotação
feita pela empresa. Somente então é que descobriu
os motivos que lhe impediam de obter novo emprego. Explicou tratar-se
de anotação feita por determinação
judicial, em decorrência da reclamação trabalhista,
e, mais uma vez não obteve êxito em sua empreitada,
ouvindo do entrevistador que não se enquadrava no perfil
da empresa e, por isso, não seria admitida.
Ajuizou então
uma segunda reclamação trabalhista, desta vez por
danos morais. O pedido foi julgado improcedente pela 3ª Vara
do Trabalho de São José dos Campos, e a sentença
foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) ao fundamento de que anotação na
CTPS não caracterizaria, por si só, o dano suposto
por ela, que poderia não ter sido admitida nas empresas às
quais se apresentou porque o responsável pela seleção
optou por outro candidato. Segundo o Regional, não havia
provas, mas tão-somente a alegação da empregada,
sem respaldo em nenhum elemento concreto.
Em acórdão
ainda não publicado pelo TST, o relator, ministro Vantuil
Abdala, discordou das decisões anteriores e deu provimento
ao recurso da empregada. Para o ministro, a carteira de trabalho
se destina às anotações pertinentes ao contrato
de trabalho e de interesse da Previdência Social, e não
se justifica “que o empregador possa lançar os registros
desnecessários que escolher, na forma que desejar, ainda
que verdadeiros e, em tese, não sejam desabonadores”.
A conduta do SENAC foi considerada desrespeitosa e ofensiva da
dignidade da trabalhadora, atentando contra seu direito de personalidade.
O relator comparou os efeitos da anotação à repercussão
da colocação do nome de trabalhadores nas conhecidas
listas negras. “O registro realizado pelo SENAC revelou-se
um ilícito causador do dano moral, e, portanto, passível
de reparação, independentemente de prejuízo
comprovado, pois o dano moral decorre do próprio ato ofensivo
ao direito, no caso, provado e correlacionado com o lesionamento
subjetivo. Este é o entendimento prevalecente nas mais
altas Cortes do Judiciário, em que a jurisprudência
se colocou na defesa incondicional dos valores humanos”,
concluiu o relator. ( RR-823/2006-083-15-00.4)
(Lourdes Côrtes)
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Congresso
em Foco, 30 de setembro de 2008
Congresso poupa bandido
rico, aponta pesquisa
Das 646 propostas de
combate à criminalidade apresentadas na última
legislatura, só duas eram contra corrupção
e crimes de colarinho branco
Lúcio
Lambranho
A legislatura que entrou para a história como a que envolveu o maior
número de parlamentares em escândalos, entre 2003 e 2007, também é autora
de outra proeza até hoje pouco conhecida. Como se não bastasse
o envolvimento direto com o mensalão e a máfia das ambulâncias,
deputados e senadores apresentaram apenas dois projetos contra crimes do colarinho
branco ou de combate à corrupção durante os quatro anos
da legislatura passada.
Esse descaso em relação aos crimes que envolvem, em geral, criminosos
de grande poder aquisitivo contrasta com o elevado número de iniciativas
apresentadas que pretendiam endurecer as penas previstas para os demais crimes.
Das 646 propostas relacionadas ao combate à criminalidade, naquele período,
626 tinham o objetivo de agravar penas e regimes de reclusão, endurecendo
a legislação penal.
O levantamento faz parte do livro "Quem mandamos para a prisão – Visões
do Parlamento Brasileiro sobre a Criminalidade", que será lançado
no dia 15 de outubro em Brasília, pela socióloga Laura Frade.
Base de sua tese de doutorado em Sociologia na Universidade de Brasília
(UnB), o estudo também revela como os congressistas vêem os criminosos. “O
outro”, “pouco instruído” e “doente” foram
os principais adjetivos utilizados por deputados e senadores, em entrevistas
colhidas pela pesquisadora, para qualificar os criminosos.
Esquecidos
Dos dois projetos mapeados por Laura contra os crimes de colarinho branco,
apenas um ainda tramita no Congresso. Trata-se do Projeto de Lei 209/2005,
de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O senador gaúcho quer acabar
com a possibilidade de pagamentos de fiança ou decretação
de liberdade provisória para os crimes de corrupção ativa
e passiva.
Apesar da relevância, o projeto ainda aguarda, desde fevereiro deste
ano, parecer do relator na Comissão de Constituição e
Justiça do Senado, senador Valter Pereira (PMDB-MS).
A outra proposição, o Projeto de Lei 1489/2003, do ex-deputado
Carlos Nader (RJ), foi parar no arquivo da Câmara. O deputado pretendia
penalizar, nos crimes de colarinho branco, os membros de conselhos das instituições
financeiras. E estendia essa mesma responsabilidade penal ao presidente da
República, aos ministros de Estado, aos governadores e aos prefeitos
que tivessem interferência política nessas instituições
financeiras estatais.
Sem consciência
Além desse levantamento inédito, Laura confirma que o casuísmo é regra
quando se tenta regular a segurança pública no Brasil por meio
de novas leis. É que, apesar dos inúmeros estudos produzidos
pelas universidades brasileiras sobre o assunto, os parlamentares preferem
se pautar por fatos chocantes relatados pela imprensa na hora de legislar. "O
que eu acho mais grave é que isso não é uma coisa deliberada.
Acho que é uma coisa automática. Os parlamentares não
têm consciência dessas representações", revela.
Nesta entrevista ao Congresso em Foco, Laura Frade explica como pensam os parlamentares
conhecidos como especialistas em criminalidade e que acabam ditando o comportamento
dos colegas no Congresso. Segundo a socióloga, são três
as linhas de visão desses especialistas. "Tem gente que acha que
o crime é genético, que é uma questão espiritual
ou que está ligado à questão social", diz.
Com a experiência de quem acompanha há mais de dez anos o Congresso,
Laura, que também é mestre em Ciência Política e
especialista em assessoria parlamentar, avalia que a doutrina conhecida como “tolerância
zero” tem muita força entre os congressistas. E que a visão “geneticista” do
problema revela uma inclinação em favor da pena de morte.
" Patologias podem desencadear uma tendência ao crime. Essa visão
extrapola isso. É a visão de que bandido bom é bandido morto.
Porque ele não tem cura, não tem salvação e é geneticamente
mau", explica.
Os três Ps
Como já mostrou este site (leia mais), uma ação na Justiça
Federal contesta o desvio de mais de R$ 1 bilhão do Fundo Penitenciário
Nacional (Funpen) para o pagamento de juros da dívida.
O autor da ação, o procurador da República, Wellington
Divino Marques de Oliveira, diz com todas as letras no seu texto ao juiz o
que a população repete sobre a situação da Justiça
brasileira: “No Brasil, só vão para a cadeia pretos, pobres
e putas”.
Laura Frade aponta o mesmo caminho do procurador em seu levantamento. "É na
produção legal, nas propostas de lei dos parlamentares, que mais
se confirma a crença dos Ps", confirma a pesquisadora.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista com Laura Frade:
Congresso em Foco – A sua tese de doutorado, que agora será lançada
em livro, confirma o pensamento de que no Brasil só vão mesmo
para cadeia os pretos, os pobres e as putas, o chamado três Ps?
Laura Frade – O trabalho acaba confirmando a história dos Ps.
Funciona como uma sinapse, pois o cérebro põe no automático
a maior parte das coisas que ele pode. E da mesma maneira que ele põe
no automático gestos e a maneira como se dirige, por exemplo, põe
também visões de mundo. Crenças são coisas automatizadas,
representações sociais. Então, a idéia de que a
gente tem do criminoso acaba se transformando em algo automatizado. E foi exatamente
isso que eu fui buscar levantar no Congresso. É na produção
legal, nas propostas de lei dos parlamentares, que mais se confirma a crença
dos Ps. Nas falas, você ainda vê visões mais humanitárias
e que poderiam ajudar a transformar essas crenças. Mas quando chega
na hora de fazer a lei sempre é para endurecer. Foram mais de 600 projetos
apresentados na legislatura passada. Só dois se referiam a crime do
colarinho branco, que estavam voltados para a elite. O restante era para agravar
a pena ou o processo, que é o correspondente da doutrina vigente do
Tolerância Zero.
Por que a senhora escolheu mapear a legislatura passada?
Porque foi a legislatura que mais teve escândados envolvendo os próprios
parlamentares. Eu pensei que, teoricamente, naquela legislatura os parlamentares
deveriam se ver no mínimo como objeto de alguma criminalidade. Até se
falou um pouco sobre isso, mas não havia nenhum projeto a esse respeito.
Nada diferente.
Na época da produção da sua tese, o Brasil
estava sob os ataques do PCC e depois tivemos a morte do menino João
Hélio no Rio de Janeiro. A produção de leis para
endurecer os crimes comuns é sempre casuística?
Os projetos são produzidos casuisticamente. Isso fica muito claro toda
vez que acontece alguma coisa na sociedade, como os ataques do PCC e do menino
que foi arrastado. Aí tivemos um aumento na apresentação
de projetos para conseguir mais verbas. O debate é casuístico.
E é, muitas vezes, uma resposta à ação da imprensa.
O que eu acho mais grave é que isso não é uma coisa deliberada.
O parlamentar não acorda de manhã cedo imaginando como ele vai
fazer isso. Acho que é uma coisa automática. Os parlamentares
não têm consciência dessas representações.
O assunto nunca é debatido na profundidade que ele merecia ter. O que
me deixou mais chocada na fala deles – e eles reconhecem – é que
não falta recurso, mas vontade política.
A falta de vontade política é na aplicação correta
do dinheiro nesta área?
Não. Mas falta fazer uma discussão que possa tratar da questão
da criminalidade, porque, do jeito que está, a gente continua repetindo
automaticamente a mesma coisa. A gente não pára para perguntar
se isso está resolvendo a questão da segurança pública.
Não está. Está se gastando muito dinheiro e estamos só replicando
aquilo que gera a própria violência. Essa dissociação
e a falta de coesão social. Essa separação entre rico
e pobre.
Como a senhora avalia os projetos do Executivo nesta área?
Eu não fiz uma avaliação dos projetos do governo. Isso
seria outra tese. Mas o que eu acho é que a gente tem excelentes intenções.
Temos um problema grave, mas não damos a resposta real. É como
medicina tradicional e medicina preventiva. No fundo, a gente está respondendo
ao que já ocorreu. Quando a lei deveria se antecipar a essas questões.
Os parlamentares se informam por meio da imprensa sobre essas questões.
Temos milhões de trabalhos de pesquisas que tratam da questão
da segurança, mas dificilmente um parlamentar chega a acessar isso.
E quem domina essa questão no Congresso?
São os especialistas, aqueles que têm formação jurídica,
que conhecem estabelecimentos prisionais ou que já foram secretários
de segurança pública. Que conhece essa realidade, mas são
os que têm uma ideologia sobre o tema. Ai vai repetindo e não
se muda nada. Não se abrem janelas no Congresso para uma discussão
mais arejada sobre o tema.
Em que partidos essas duas visões – mais humanista
e de tolerância zero – estão mais presentes?
O tema não é uma questão partidária, nem estadual. É uma
questão para esses especialistas. É uma característica
da política brasileira. Não há uma correlação
desses dois pensamentos com os partidos. São basicamente três
linhas de visão desses especialistas. Tem gente, entre esses especialistas,
que acha que o crime é genético, que é uma questão
espiritual ou que está ligado à questão social.
Como essa visão espiritual sobre o crime é tratada pelos parlamentares?
Está crescendo muito a bancada dos evangélicos e mesmo a dos
católicos que tratam a questão da criminalidade como a falta
de Deus no coração, para usar uma expressão dos parlamentares
a respeito disso. Essas seriam pessoas que precisam ser salvas. Eu até acho
sinceramente que eles têm uma excelente intenção, mas foi
uma coisa que surpreendeu a academia, mas que não me surpreende. Pois
as bancadas estão crescendo e essa é uma visão que tende
a se estender mais ainda dentro do Legislativo, não só em relação
a criminalidade.
E como é esse conceito dos que acham que o crime é genético?
Está restrito à idéia de que existem mesmo sociopatias
e que essas são doenças genéticas?
Patologias podem desencadear uma tendência ao crime. Essa visão
extrapola isso. É a visão de que bandido bom é bandido
morto. Por que ele não tem cura, não tem salvação
e é geneticamente mau.
Faz muito tempo que não surge no Brasil uma proposta
de pena de morte que tenha força política para ser aprovada
no Congresso. Por que essa idéia não vai adiante, considerando-se
que a idéia sai da boca do povo toda vez que é cometido
um crime hediondo? Essa visão é preponderando no Parlamento
brasileiro?
A última proposta de pena de morte foi feita antes da revisão
constitucional na década de 80. Esse grupo não é majoritário,
mas é importante porque está entre os especialistas em segurança
pública. Não são muitos, mas é um grupo que pode
se expandir. Entre os adjetivos usados para definir os criminosos pelos parlamentares
mapeados pela tese o primeiro é de que eles têm baixa instrução,
ou seja, o criminoso é burro. Doente é o segundo adjetivo associado.
E quando você vê que esse adjetivo é o segundo, certamente
tem gente no meio dessas pessoas que acha que o crime é uma doença
incurável. E que o criminoso não está relacionado com
a elite porque a elite não tem baixa instrução.
Mas por que a tese da pena de morte não vinga no Brasil?
Existem, sim, pessoas que pensam dessa maneira. Ela não vinga porque,
de certa maneira, isso é feio num mundo de hoje, onde se fala de idéias
de meio ambiente e de humanização. Também é difícil
você assumir publicamente essa tese. Eu não digo que a idéia
não teria apoio, pois grande parte da população até pensaria
nisso. Mas o ambiente institucional e o mundo jurídico não tornam
mais fácil uma tese dessa natureza. Isso, de alguma maneira, desestimulou
essa visão.
A questão da criminalidade e da violência está associada
com o tráfico de drogas, principalmente no Rio de Janeiro. É possível
resolver o problema com a legislação que temos no Brasil? É solução
descriminalizar as drogas?
Houve apenas uma entrevista entre os parlamentares – e que não
estou dando nome, pois meu compromisso foi manter isso sob sigilo – que
foi muito interessante. O parlamentar disse que sobre criminalidade não
tinha novidade nenhuma. E que todo mundo propõe a mesma coisa há milênios.
Mas dizia que a solução era descriminaliza as drogas. Mas todo
vez que ele defendia isso, só apanhava, era vaiado ou ninguém
dava bola para ele. Foi a única idéia diferente que eu ouvi em
todas as entrevistas que fiz no Congresso.
Como pesquisadora, a senhora é a favor da descriminalização
das drogas?
Sou a favor de qualquer coisa que possa reverter essa situação.
Acho que é um novo paradigma. Não sei qual seria o procedimento,
nem estou defendendo a descriminalização. Mas tem muita gente
ganhando dinheiro legal e ilegalmente com isso. Se privatizarmos uma penitenciária,
tem alguém ganhando com isso. A coisa precisa virar uma discussão
séria nacionalmente. E não vira porque tem muita gente ganhando
dinheiro com essa situação. E se o seu filho é pego com
drogas, você vai fazer o impossível para que ele não seja
preso. A lei é para todo mundo? É, mas mais ou menos. Claro que,
se tiver um bom advogado, você terá uma probabilidade muito mais
alta de não ir para a prisão. Ou, se tiver curso superior, irá para
uma prisão especial. Então a própria lei contribui para
diminuir a coesão social. A própria lei gera a base para a criminalidade.
E o que mudou no combate aos crimes de colarinho branco desde que a senhora
terminou seu trabalho?
A sociedade também pensa que o bandido é só pobre. Mas
algumas coisas mudaram quando a gente vê as mulheres todas chiques levando
quentinhas de comida fina para os maridos na prisão. Rico na cadeia é uma
mudança. Se eu vejo aquilo, começo a acreditar que juiz também
pode ser bandido e que político também. Na verdade, o Judiciário
tem nas mãos a capacidade de fazer as coisas mudarem. Mas o nosso Direito é baseado
em códigos. E se essas leis são feitas dessa forma, às
vezes, o Judiciário pode ficar engessado para fazer essas mudanças.
O fato de o presidente Lula, sem entrar nas questões partidárias,
chegar à Presidência faz diferença. Pois o menino pobre
da favela pensa que também pode. A mudança de crença é ver
coisas que mudam as imagens que se tem automatizadas na cabeça.
Leia ainda:
Muitos
escândalos, pouca punição
|
AGÊNCIA DIAP,
29 de setembro de 2008
FINANCIAMENTO
Ministro do Trabalho defende
repasse da contribuição sindical
O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, defendeu o pagamento do imposto sindical. Conforme
ele, o pagamento do imposto é a forma do sindicato se
sustentar. “E o sindicato é o único instrumento
do trabalhador para garantir seus direitos”, salientou
Lupi, que participou, na última sexta-feira (26), do Congresso
Extraordinário da Força Sindical, em Campo Grande.
De acordo com parecer
do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza,
a lei que estabelece o repasse de 10% da contribuição
sindical às centrais sindicais é inconstitucional.
O procurador recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a procedência
parcial da Adin (ação direta de inconstitucionalidade)
proposta pelo DEM contra a legislação, que deve
garantir a transferência de pelo menos R$ 100 milhões
aos sindicatos em 2008.
Ao lado do presidente
nacional da Força Sindical, deputado federal “Paulinho
da Força”, o ministro assegurou que vai cumprir
a meta de criar 10 milhões de empregos até o fim
do mandato de Lula, que termina em 2010. “Estamos próximos
desse número”, afirma. Entretanto, Lupi não
soube precisar quantas vagas já foram geradas até o
momento.
Adolescentes
Durante sua passagem
por Campo Grande, o ministro do Trabalho reforçou a importância
dos programas de qualificação para os adolescentes
e jovens. Segundo ele, o ministério realiza um projeto
que capacita os jovens dos 14 aos 18 anos.
“Com isso,
queremos proteger os nossos jovens”, disse o ministro,
refutando a possibilidade de o programa incentivar o trabalho
infantil. O adolescente só pode entrar no mercado do
trabalho aos 16 anos, sob a condição de aprendiz.
(Fonte: Campo Grande News).
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AGÊNCIA DIAP,
26 de setembro de 2008
ORGANIZAÇÃO SINDICAL
Justiça
rejeita desmembramento de sindicato com base
no preceito da unicidade
A 7ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) rejeitou recurso do Sindicato dos Trabalhadores
da Indústria Aeroespacial de São José dos
Campos (SP), que queria se desmembrar do sindicato dos metalúrgicos
para representar os trabalhadores da Embraer e de outras empresas
do setor. A decisão fundamentou-se no princípio
da unicidade sindical.
O processo envolve duas entidades, o
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção
de Aeronaves, Equipamentos Gerais Aeroespaciais, Aeropeças,
Montagem e Reparação de Aeronaves e Instrumentos
Aeroespaciais do Estado de São Paulo (Sindieroespacial)
e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Materiais Elétricos de São
José dos Campos e Região.
O Sindieroespacial foi criado em 2005
com a proposta de representar os operários da Embraer
e outras indústrias da região, especializadas na
produção de peças para aviões. O
novo sindicato obteve registro no Ministério do Trabalho,
mas sua legitimidade foi contestada pelo Sindicato dos Metalúrgicos.
Representatividade
Na ação, o Sindicato dos
Metalúrgicos afirmou que o desmembramento ocorreu por
interesse da Embraer, que não aceitaria negociar com os
metalúrgicos. Informou ainda que há 50 anos representa
40 mil metalúrgicos da região. O sindicato desmembrado,
por sua vez, sustentou que foi criado pelos trabalhadores, que
não se sentiam representados pelo outro sindicato.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas), porém, rejeitou o desmembramento e reconheceu
a legitimidade do Sindicato dos Metalúrgicos para representar
a categoria.
No TST, o advogado do Sindieroespacial
defendeu a validade do desdobramento, “a despeito da incongruência
do nosso sistema sindical, que consagra a liberdade sindical,
mas mantém a unicidade”, devido às especificidades
dos trabalhadores da indústria aeroespacial. “Além
da Embraer, há diversas outras empresas que integram um
setor altamente competitivo, que exportam peças para a
Airbus, a Boeing”, afirmou o advogado.
Pelo Sindicato dos Metalúrgicos,
a defesa levantou questionou a representatividade do novo sindicato
ao afirmar que a assembléia que decidiu pelo desmembramento
só teve a presença de 40 trabalhadores. “A
Embraer abraçou o novo sindicato e celebrou convenção
coletiva que retirava direitos históricos”, afirmou
o advogado.
O ministro Pedro Paulo Manus, relator
do caso, destacou que a existência formal do Sindieroespacial
não se confunde com a representação dos
trabalhadores. “A existência do sindicato é válida,
e nem se discute isso nesta ação. O que se discute
aqui é a representatividade e a possibilidade de desmembramento
da categoria”, destacou.
O ministro explicou que, apesar do disposto
no artigo 8º da Constituição a respeito da
impossibilidade de ingerência do Estado na criação
de sindicatos, a própria Constituição proíbe,
no inciso II do mesmo artigo, a criação de mais
de uma organização sindical da mesma categoria
no mesmo lugar. “Pelo exposto pelo TRT, conclui-se que
foi desrespeitado o princípio da unicidade sindical”,
afirmou o relator. (Com Conjur)
|
FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de setembro de 2008 | Dinheiro
Notícia do FGTS é "abominável",
diz Lula
Presidente nega reportagem
da Folha que revelou plano de reabrir compra de ações
da Petrobras com recursos do fundo | Petista já pediu
a auxiliares estudo de formato jurídico da operação,
mas reunião sobre assunto prevista para outubro é desmarcada
DE NOVA YORK
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que
já tenha decidido permitir o uso do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) para uma
nova rodada de investimentos na Petrobras, conforme
revelou a Folha anteontem.
Apesar de negativa veemente, dizendo que nem pensou no assunto, Lula já pediu
a auxiliares que avaliassem o formato jurídico do uso do FGTS para capitalizar
a Petrobras no processo de exploração do pré-sal. Segundo
apurou a Folha, foi desmarcada ontem uma reunião para apresentação
desse formato jurídico antes prevista para o começo de outubro.
A negativa de Lula faz parte da contrariedade do governo com a divulgação
da notícia, que afetou o mercado de ações no Brasil e
antecipou detalhes de sua estratégia para propor uma nova Lei do Petróleo.
" Acho abominável alguém fazer uma manchete irresponsável
daquele jeito sem nunca terem conversado comigo e sem que eu nunca tivesse sequer
pensado na idéia. Eu fiquei surpreso com a matéria e acho isso
irresponsabilidade, porque isso mexe com o mercado, de uma coisa que eu nunca
falei", disse o presidente.
Em seguida, disse que deveriam ter sido consultados ele, "o ministro da
Fazenda ou o presidente do Banco Central ou o ministro do Planejamento ou o
ministro do Trabalho, que cuida do FGTS". E emendou: "Isso é irresponsabilidade,
e não contribui para o Brasil. Prejudica o nosso país".
Após a publicação da notícia, o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, confirmou que havia a discussão no governo. A Folha obteve
a informação de três auxiliares diretos do presidente,
que relataram a decisão de Lula de envolver trabalhadores e a classe
média no processo de capitalização da Petrobras.
A contrariedade de Lula se explica pelos vazamentos da discussão do
novo marco regulatório do petróleo, o que gerou protestos da
CVM (Comissão de Valores Imobiliários) ao Ministério da
Fazenda. Como empresa de capital misto, público e privado, a Petrobras
tem ações na Bolsa, com peso imenso no Ibovespa.
A revelação da decisão de usar o FGTS na Petrobras ocorreu
em meio a uma crise internacional que tumultua as Bolsas. Ou seja, na visão
do governo, não seria a hora mais conveniente de a notícia se
tornar pública. Ontem, em Nova York, Lula disse: "O governo não
tem preparado nada de ações [da Petrobras]. Nós entendemos
que, em momento de crise, você não pode tomar nenhuma medida precipitada".
Para que a medida seja adotada, Lula tem de enviar um projeto de lei ao Congresso,
a quem cabe aprovar o uso do FGTS para comprar ações.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse por meio da assessoria: "O
presidente me pediu para desmentir a notícia publicada pelo jornal Folha
de S.Paulo de que o governo estuda permitir o uso do FGTS para capitalizar
a Petrobras".
Também por meio da assessoria, Lupi disse ter "simpatia" pela
idéia e confirmou que o Conselho Curador do FGTS já discutiu
uma fórmula para permitir nova rodada de investimentos do fundo na Petrobras.
O conselho, formado por representantes do governo, trabalhadores e empresas,
decide como investir recursos do FGTS.
Lupi, que anteontem confirmara a notícia da Folha, disse ontem por meio
da assessoria que apenas comentara que a "medida seria boa para o trabalhador".
Afirmou que não se manifestaria mais porque "o presidente Lula
já falou".
Declaração "absurda"
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, divulgou nota
criticando Mantega e apoiando o uso do FGTS na Petrobras. A Força pretende
convidar outras centrais sindicais para se reunir "nos próximos
dias para discutir o tema" e "levar a reivindicação
de opção de compra das ações" a Lula.
" Causou estranheza a informação divulgada hoje de que o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, se coloca contra a venda de ações da
Petrobras para os trabalhadores. A declaração é absurda
e revela que o ministro é contra socializar o capital, contra a distribuição
de renda e que os trabalhadores lucrem com as riquezas do país",
disse a nota da central.
Já a CUT é contrária ao uso do FGTS para capitalizar a
Petrobras. Segundo o presidente da central, Artur Henrique, a medida poderia
descapitalizar as contas individuais do fundo e prejudicar os investimentos
em saneamento e habitação. A UGT (União Geral dos Trabalhadores)
defendeu que os trabalhadores apliquem os recursos do FGTS na Petrobras.
Já a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
manifestou-se contra a medida e disse que as afirmações de Lula
demonstram "bom senso".
(DANIEL BERGAMASCO, JULIANNA SOFIA e KENNEDY
ALENCAR)
|
AGÊNCIA
DIAP, 22 de setembro de 2008
FATOR PREVIDENCIÁRIO
Lula admite mudança
em regras para aposentadoria
Presidente diz que, se
o Congresso acabar com o fator previdenciário,
ele não vetará. Mas Lula ponderou que será preciso
ver o custo que isso trará à Previdência;
Governo trabalhará para que projeto não
vá adiante na Câmara
O presidente Luiz Inácio
lula da Silva afirmou em entrevista à TV Brasil que, se
a mudança do fator previdenciário for aprovada
no Congresso por um acordo entre os líderes partidários,
ele não vetará a proposta. "Se for aprovado
no Congresso um acordo entre os líderes, certamente que
não vetarei", disse Lula na entrevista, exibida na última
quarta-feira (17) à noite.
Logo depois, entretanto,
Lula fez algumas ponderações. Disse que o Ministério
da Fazenda está discutindo o projeto com a Câmara
dos Deputados "para mostrar o que isso implica no custo
da Previdência".
"O Governo não
quer dar mais ou não quer dar menos, o governo quer fazer
aquilo que é possível fazer. Se temos uma arrecadação
para a Previdência Social e você aprova uma coisa
que significa aumentar o custo da Previdência Social, você tem
de se perguntar sempre de onde se vai tirar o dinheiro para pagar.
Essa é uma pergunta que todo mundo tem que fazer, os deputados,
os senadores. Não tenho que fazer a pergunta, tenho que
dizer ‘posso’ ou ‘não posso’.
Se tiver dinheiro em caixa, você pode. Se não tiver,
você não pode", argumentou.
Em abril, Lula reclamou
de seus aliados no Senado por terem aprovado projetos que prevêem
aumento de gastos na Previdência sem que sejam apontadas
as fontes para cobrir tais despesas. Um deles era exatamente
sobre o fator previdenciário, mudando a forma de cálculo
dos benefícios da Previdência. O outro estende a
aposentados e pensionistas a política de valorização
do mínimo.
Embora Lula tenha acenado
com a possibilidade de sancionar o projeto, o governo trabalha
para tentar impedir que o texto seja aprovado na Câmara.
Isso evitaria qualquer desgaste ao presidente. Segundo um ministro
ouvido pela Folha, a posição do governo, contrária à extinção
do fator previdenciário, não foi alterada.
Criado no Governo FHC,
o fator leva em conta o tempo de contribuição,
a idade no momento do pedido de aposentadoria e a expectativa
de vida da pessoa. Na aposentadoria por tempo de contribuição
(30 anos para mulheres e 35 para os homens), o fator funciona
como um redutor do benefício.
Situação na
Câmara
Na Câmara, o projeto
deve ser aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família
assim que o Congresso voltar a trabalhar, após a eleição.
O relatório
do deputado Germano Bonow (DEM/RS), favorável ao texto
já aprovado no Senado, entrou na pauta da última
reunião, no começo deste mês. Só não
foi votado porque o deputado Chico D'Angelo (PT/RS) pediu vista,
ou seja, mais tempo para analisar o projeto. (Com Folha de
S.Paulo)
|
Agência
Diap, 23 de agosto de 2008
TAXA DE DESOCUPAÇÃO
Maior procura por vagas
aumenta índice de desempregados
Um descompasso entre
as taxas de crescimento do emprego e da população
economicamente ativa (PEA) pode explicar o leve
avanço da taxa de desocupação,
que atingiu 8,1% em julho após haver registrado
7,8% no mês anterior, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Enquanto a taxa de ocupação
passou de 4,5% para 4% entre o sexto e o sétimo
mês do ano, a taxa de crescimento em 12
meses da PEA ficou em 2,5% até julho,
ante 2,4% nos 12 meses até junho.
Para o gerente da Pesquisa
Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, o resultado de julho
representa estabilidade, uma vez que a enquete baseia-se em amostragens,
o que pode causar variações estatísticas. "Não
sabemos se movimentações como inflação
e aumento de juros já estão afetando o mercado
de trabalho. Precisamos de mais alguns meses para confirmar isso",
disse.
" Se em agosto o
quadro continuar, aí poderemos colocar a pulga atrás
da orelha", acrescentou. Ele frisou que os indicadores de
julho são em grande parte os melhores da série
histórica para o sétimo mês do ano. A taxa
de desocupação, por exemplo, superou o recorde
de baixa anterior, de 9,4% em julho de 2005.
O técnico do IBGE
ressaltou ainda que o nível de formalização
cresceu significativamente na média dos sete primeiros
meses do ano. Segundo Azeredo, a média dos trabalhadores
formais como fatia da população ocupada entre janeiro
e julho pulou de 52,7% no ano passado para 54,5% este ano. Como
formais estão incluídos os empregados com carteira
no setor privado e todos os funcionários públicos,
inclusive militares e os não-estatutários.
Em julho, o nível de formalização atingiu 54,3% da população
ocupada, contra 54,4% em junho e abaixo do pico de 54,9% de abril. O rendimento
médio real ficou em R$ 1.224,40 em julho, 3% acima dos R$ 1.188,20 de
julho do ano passado, mas 6,2% abaixo dos R$ 1.305,70 observados em julho de
2002.
Azeredo revelou
ainda que a população ocupada média entre
janeiro e julho subiu 15,9% entre 2003 e 2008, passando de
18,4 milhões para 21,4 milhões, enquanto a população
em idade ativa avançou 10,75% em igual período,
pulando de 37,1 milhões para 41,1 milhões entre
janeiro e julho deste ano.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 23 de agosto de 2008 | Economia
FGTS deve "engordar" o
caixa do BNDES
Agência Estado
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve
aprovar, em reunião na próxima terça-feira (26), uma medida
que pode proporcionar um reforço de R$ 6 bilhões ao orçamento
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A proposta
do Ministério do Trabalho é vender ao banco R$ 6 bilhões
em títulos, que estão no patrimônio do FGTS, com garantia
do Tesouro Nacional. Posteriormente, o BNDES se entenderia com o Tesouro para
se capitalizar com base na posse desses papéis.
Esses títulos
têm lastro em resíduos de financiamentos habitacionais
que até a década de 80 eram cobertos pelo antigo
Fundo de Compensação de Variações
Salariais (FCVS). Desde 2005, o Tesouro está pagando os
juros que remuneram os papéis, que variam de 3,12% a 6,17%
ao ano mais a Taxa Referencial (TR). A partir de 2009, começará a
amortizar o principal da dívida cujo prazo limite é 2027.
O Conselho deverá aprovar
uma fórmula para que o fundo venda esses papéis
a instituições financeiras, como o BNDES, pelo
valor nominal, ou seja, sem o desconto que incide sobre os títulos
quando são negociados no mercado financeiro. A lei impede
o FGTS de aceitar esse deságio. Por isso, o BNDES pagará pelos
título ao FGTS no longo prazo. "Para o FGTS, isso é interessante
porque os títulos são como dinheiro parado que,
indo para o BNDES, podem ser colocados na produção,
financiar projetos e até ajudar a gerar mais empregos",
comentou um interlocutor do conselho. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA, 23 de agosto de 2008
STJ admite dupla aposentadoria em regimes de trabalho diferentes
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou que é possível
o recebimento de duas aposentadorias em regimes distintos.
A concessão, de acordo com decisões da Corte
Superior, depende da comprovação do desenvolvimento
simultâneo de atividades regidas em dois regimes de trabalho
diferentes, ou seja, uma atividade no serviço público
e outra na iniciativa privada.
Quem solicitar a dupla aposentadoria
deve atestar que contribuiu, efetivamente, para os dois
regimes, pois a contribuição
para os dois regimes distintos é obrigatória
para a concessão de mais de uma aposentadoria.
Segundo os ministros da 3ª Seção do STJ,
o entendimento que autoriza a concessão de dupla aposentadoria
não viola os artigos 96 e 98 da Lei 8.213/1991. Se
a contribuição tiver ocorrido em apenas um
dos regimes de trabalho, a contagem do tempo servirá apenas
para uma aposentadoria.
Outra orientação firmada pelo STJ autoriza
o aproveitamento de eventual excesso de tempo de serviço
calculado em um regime para efeito de aposentadoria por tempo
de serviço em outro regime. Isso significa que o servidor
aposentado em regime estatutário, por exemplo, que
tem sobra de períodos, caso solicite outra aposentadoria
pelo RGPS (Regime Geral de Previdência Social), poderá utilizar
o tempo que sobrou do estatutário no cálculo
para a nova aposentadoria.
Tempo
Os ministros também aceitaram a utilização
de períodos fracionados adquiridos em determinado
regime para a soma em outro, com o objetivo de alcançar
o tempo exigido para a concessão de aposentadoria.
A possibilidade de expedição de documento para
comprovar tempo de contribuição em período
fracionado está prevista no artigo 130 do Decreto
3.048/1999.
Entretanto, no caso de utilização do período
fracionado, este tempo de serviço só poderá ser
utilizado para uma única aposentadoria, não
podendo mais ser contado para qualquer efeito em outro regime.
Neste caso, o beneficiado vai receber proventos de acordo
com o regime no qual será aposentado, com a devida
compensação financeira entre os dois regimentos,
ou seja, se concedida aposentadoria como servidor público,
vai receber proventos pelo regime próprio; se aposentado
pelo Regime Geral de Previdência Social, os valores
serão calculados de acordo com este regimento.
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Folha de S.Paulo, 23 de agosto de 2008
Ministério Público ajuíza 55 ações
contra entidades do Sistema S
Para procuradores do Trabalho, contratação
de pessoal tem de ser transparente
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O
Ministério Público do Trabalho ajuizou 55
ações civis públicas em 12 Estados contra
várias entidades que integram o Sistema S por contratação
irregular de funcionários. Os procuradores do Trabalho
entendem que o processo de seleção de pessoal
nessas entidades deve ser objetivo e transparente.
As ações propostas são contra entidades
do Sesi e do Senai (ligadas à indústria), do
Sesc e do Senac (comércio), do Sest e Senat (transporte),
do Sescoop (cooperativa), do Sebrae (micro e pequenas empresas)
e do Senar (agricultura).
Até o fim da próxima semana, o número
de ações coletivas propostas deve dobrar, segundo
estima Viviann Rodriguez Mattos, procuradora responsável
pela Conap (Coordenadoria Nacional de Combate às Irregularidades
Trabalhistas na Administração Pública)
do Ministério Público do Trabalho.
As ações foram ajuizadas, segundo a procuradora,
porque não houve acordo com representantes dessas
entidades, quando eles foram chamados para assinar um termo
de ajustamento de conduta em julho para regularizar a contratação
de seus funcionários.
"
Como essas entidades recolhem recursos de forma compulsória
sobre a folha de pagamento das empresas, essas verbas são
consideradas dinheiro público. E não se pode
fazer o que se quer com dinheiro público. Há critérios
para usar essas verbas, inclusive na contratação",
diz a procuradora.
Critérios
" As entidades do Sistema S são pessoas jurídicas
de direito privado. Mas o que determina a forma de contratação,
que deve obedecer aos critérios do artigo 37 da Constituição
[impessoalidade, moralidade, publicidade], é o uso
de recursos públicos", diz Mattos.
Estudo nacional da coordenadoria
de combate à fraudes
avaliou que as contratações têm ocorrido
a partir de critérios subjetivos -como avaliação
de currículo e entrevistas eliminatórias, que
levam em conta a pessoalidade dos candidatos- e, em alguns
casos, sem a devida publicidade exigida pela legislação.
As investigações começaram a ser feitas
pelos procuradores do Trabalho no ano passado em São
Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pará,
Santa Catarina, Paraíba, Rondônia, Espírito
Santo, Sergipe, Piauí e Mato Grosso do Sul.
" Os processos de seleção dessas entidades
são feitos hoje como em uma empresa privada, com análise
de currículo e entrevista. O TCU [Tribunal de Contas
da União] já havia considerado que eram necessários
critérios objetivos e não aprovou a prestação
de contas de uma série de entidades do sistema S",
diz a procuradora.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de agosto de 2008
Transporte coletivo
Greve deve ser julgada
pela Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho tem competência para julgar o destino
de uma greve de motoristas, tendo poderes, inclusive, para legislar sobre
a frota mínima em circulação. A decisão é da
2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, após
examinar Conflito de Competência entre a Justiça Comum e
o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais).
A 2ª Seção
decidiu, por unanimidade, pela competência do juiz
trabalhista. “É indiscutível que a
matéria está afeta à competência
da Justiça do Trabalho”, afirmou o ministro
Aldir Passarinho Junior, relator do caso. “Conheço
do conflito para declarar competente a Justiça do
Trabalho, devendo ser remetidos ao TRT da 3ª Região
a ação cautelar preparatória e todos
os processos relacionados que tramitem perante a Justiça
estadual, cujas decisões ficam anuladas”,
concluiu o ministro.
O Conflito de Competência
foi instaurado pelo Ministério Público do
Trabalho de 3ª Região, depois de decisões
diferentes sobre a greve dos motoristas de ônibus
da cidade mineira de Uberlândia. Deflagrada a paralisação
pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
de Uberlândia (STTRU), foi parar na Justiça
a discussão sobre a cota mínima de veículos
que deveria atender a população.
O juiz da 1ª Vara
de Fazenda Pública e Autarquias de Uberlândia
entendeu que o percentual de coletivos em circulação
devia ser de 40%, sob pena de multa de R$ 50 mil. Por sua
vez, o juiz do Trabalho encarregado de conciliar o conflito
estabeleceu o tráfego de 50%. Em caso de descumprimento,
a multa fixada seria de R$ 5 mil.
Para o Ministério
Público mineiro, o tema da decisão envolve
o exercício do direito de greve previsto constitucionalmente.
Assim, entendeu que a questão seria de competência
exclusiva da Justiça do Trabalho desde antes da
reforma do Judiciário.
Destacou
ainda os artigos 8º e 10º da Lei 7.783/1989,
que trata da manutenção dos serviços
e atividades essenciais em caso de paralisação
devida a movimentos grevistas.
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Agência
Diap, 22 de agosto de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Entidades sindicais ingressam no STF contra Portarias 186 e
194 do MTE
Confederações contestam portaria assinada por
ministro e afirmam que ele extrapolou suas atribuições
A gestão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e de
seu braço-direito na pasta, o secretário de Relações
do Trabalho, Luiz Antonio Medeiros, começou a ser questionada
com ações no Judiciário impetradas, nesta
quarta-feira (20), por líderes sindicais. Eles se dizem
excluídos do grupo do ministro, que contaria ainda com
o presidente da Força Sindical e deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP). A primeira reação partiu de
um grupo de 11 confederações de trabalhadores,
que protocolizou no Supremo Tribunal Federal (STF) ação
direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a portaria
186, assinada por Lupi em abril. A
portaria dá a Medeiros poderes para atuar, na fase
inicial, como árbitro nas demandas pela criação
de mais de uma entidade sindical por categoria, nos processos
de regulamentação dos pedidos de registro sindical.
Segundo as entidades, o ministro extrapolou sua atribuição,
uma vez que a portaria teria características de lei,
além de ferir a unicidade sindical prevista na Constituição.
“Não extrapolamos nada. O que estamos fazendo é dar
mais pluralidade ao sindicalismo brasileiro. Queremos oxigenar
os sindicatos”, alegou Medeiros.
Uma outra ação partiu da direção
da recém-criada Central Sindical de Profissionais
Liberais (CSP). O mandado de segurança foi ajuizado
no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pede a anulação
de uma outra portaria do Ministério do Trabalho: a
que limita a distribuição dos recursos arrecadados
com o imposto sindical apenas às seis centrais que
já estavam cadastradas no ministério até 22
de abril de 2008. As centrais passaram a ter direito ao imposto
sindical este ano, a partir de projeto de lei apresentado
pelo Executivo e aprovado pelo Congresso.
Segundo o presidente da CSP,
Luis Sérgio Rosa Lopes,
Lupi agiu de forma a beneficiar as seis centrais já existentes,
entre elas a Força Sindical de Paulinho, ao editar
a portaria - 22 dias após a promulgação
da lei que legalizou as centrais. Procurado para comentar
o mandado de segurança no STJ, Medeiros não
retornou as ligações. (Fonte: O Globo)
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