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Última Instância,
28 de fevereiro de 2010
RIO GRANDE DO SUL
Empregado que não podia ir ao banheiro consegue indenização
de R$ 10 mil
A 8ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 4ª Região
(Rio Grande do Sul) condenou uma montadora de automóveis
a pagar R$ 10 mil de indenização, por danos morais,
a um ex-empregado que sofria restrição ao uso do
banheiro.
O autor da ação era operador em uma linha de produção
que não podia ser interrompida. Ele alegou que, quando
tinha vontade de ir ao banheiro, acionava uma lâmpada de
aviso e esperava a chegada de um colega denominado “facilitador”,
que exercia a função de substituto nesses casos.
Entretanto, muitas vezes o referido colega estava ocupado em
outras atividades, fazendo com que o operador não pudesse
ir ao banheiro. Quando não suportava e, assim,saía
do seu posto, corria o risco ser advertido pelo superior.
A relatora do caso no TRT, desembargadora Cleusa Regina Halfen,
ressaltou que é garantido à empresa o poder diretivo,
que a possibilita organizar seu sistema de trabalho como bem
entender. Entretanto, esse poder não pode ser exercido
de forma abusiva, desrespeitando direitos do empregado, previstos
inclusive na Constituição Federal, lembrou a magistrada.
A Turma considerou que a montadora feriu o princípio
da dignidade da pessoa humana e desrespeitou o direito do trabalhador à intimidade.
O acórdão destaca que “é abusivo impedir
que o empregado atenda, livremente, necessidade fisiológica
da qual tem limites para controlar e decorre da sua natureza
humana, não de mero capricho”.
Os magistrados também entenderam que a empresa não
seguiu o princípio da boa-fé, pelo qual o empregador
deve zelar pelo bem-estar dos empregados no ambiente de trabalho.
Ainda cabe recurso da decisão.
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Folha de S.Paulo, 27 de fevereiro de 2010
HABITAÇÃO
Lula diz que segunda fase do PAC
terá mais 1 milhão
de casas
SIMONE IGLESIAS
ENVIADA ESPECIAL A EL SALVADOR
Em visita ao presidente salvadorenho, Maurício Funes,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que
anunciará a construção de mais 1 milhão
de casas dentro da segunda fase do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), obras cuja execução deverá ficar
para o seu sucessor na Presidência da República.
Lula disse que o anúncio, no ano passado, do programa
Minha Casa, Minha Vida foi exitoso e que se comprometerá com
mais 1 milhão "para não parar mais" o
investimento no setor. Não deu, porém, prazo para
a construção dessas moradias. Para Funes e uma
plateia de empresários brasileiros e salvadorenhos, Lula
disse que a forma de fazer com que o programa funcionasse foi
negociar a redução de taxas e seguros para a construção
da casa própria e não ter medo de falar em subsídio.
"Assumimos o compromisso de que, para fazer casa popular,
tem que ter subsídio. A gente não tem que ter medo
da palavra subsídio para resolver um problema crônico,
que é o problema habitacional dos países de toda
a América Latina."
Para Lula, "esse é um programa exitoso". "Já temos
mais de 30 mil casas em construção, já temos
mais de 730 mil casas com projetos aprovados na Caixa Econômica
Federal e, agora, estou anunciando um próximo passo. Vamos
anunciar mais 1 milhão de casas no próximo período,
que é para não parar mais", afirmou.
Apesar de o governo alardear os números referentes a
propostas apresentadas por empresas para a construção
de casas, o volume de contratações efetivas -após
praticamente um ano do lançamento do programa- ainda é baixo.
No final de 2009, a CEF contabilizava 656 mil propostas, mas
apenas 275,5 mil foram contratadas. No último dia 19,
o total de contratações era de 312,7 mil.
O próprio governo foi o grande responsável pelo
atraso no andamento do Minha Casa, Minha Vida porque demorou
para regulamentá-lo, o que prejudicou, sobretudo, as obras
para a faixa de renda até R$ 1.395. Segundo dados do Ministério
das Cidades, das 400 mil unidades prometidas, 184.810 foram contratadas.
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VERMELHO, 26 de fevereiro de 2010
Centrais sindicais combatem ação
do DEM no STF contra imposto O Supremo Tribunal Federal adiou, nesta quarta-feira (24), o
julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) 4067 movida pelo DEM contra a destinação
de imposto sindical às centrais sindicais. A pedido do
ministro Eros Grau, o processo não foi à votação
e segue em análise. Em junho de 2009, o julgamento já havia
sido interrompido em razão de um pedido de vista do processo
formulado pelo próprio Eros Grau.
Na ação, o DEM questiona a constitucionalidade
a atribuição das centrais e a destinação
de 10% dos recursos arrecadados pela contribuição
sindical (ou imposto sindical) prevista no artigo 589 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), alterada pela lei 11.648/2008, que
reconhece as centrais. As centrais sindicais ouvidas pela Rede
Brasil Atual consideram a ação do partido uma tentativa
de criminalização dos movimentos sociais e de desmobilização
dos trabalhadores.
“
Querem acabar com a nossa raça e impedir a atuação
do movimento social”, dispara o presidente nacional da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique
da Silva Santos. A alusão é a uma declaração
de Jorge Bornhausen, atual presidente de honra do DEM, em 2005,
quando disse que esperava “ficar livre dessa raça”,
em referência ao PT e a setores da sociedade ligados ao
partido.
“É só ver as várias atitudes tomadas
pelos Democratas desde 2005 contra o MST, a CUT, a UNE”,
insiste Artur. O presidente da CUT ainda critica o DEM porque
tinha apenas um governador (José Roberto Arruda, no Distrito
Federal) e um prefeito de capital (Gilberto Kassab, em São
Paulo), mas ambos “enfrentam ações na Justiça”.
CTB
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
classifica a ação de ingerência. “Eles
não têm legitimidade para propor qualquer coisa
ao movimento sindical. É uma ingerência com o objetivo
de criminalizar o movimento sindical e inibir a tomada de posição
dos movimentos sociais que incomodam”, afirma Eduardo Navarro,
secretário de Imprensa e Comunicação da
central sindical.
Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT),
Ricardo Patah, retroceder na regulamentação das
centrais pode implicar em grandes perdas para os trabalhadores.
Por isso, o sindicalista também critica o DEM. “(Eles)
não enxergam na sociedade as questões mais importantes
que nascem dos trabalhadores, as necessidades dos trabalhadores”,
condena.
João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário-geral
da Força Sindical, defende a manutenção
dos recursos do imposto sindical às centrais para dar
respaldo à luta social dos trabalhadores. “Os sindicatos,
federações e confederações trabalham
as questões das categorias, enquanto as centrais focam-se
em questões sociais e ações que interessam
ao conjunto dos trabalhadores na saúde, educação,
políticas sociais... As grandes mobilizações
em defesa dos direitos sociais são encabeçadas
pelas centrais”, aponta.
Mérito
Para o presidente da CUT, o relator da ADI, ministro Joaquim
Barbosa, parte de um pressuposto equivocado para se posicionar
a respeito. Segundo Santos, não deveria estar em análise
o reconhecimento das centrais sindicais na estrutura sindical,
como relatou Barbosa. “Ninguém está dizendo
que as centrais sindicais foram reconhecidas para substituir
os sindicatos”, argumenta. “A base de voto do ministro é uma
base falsa. Quem negocia pautas específicas das categorias
são sindicatos, federações e confederações
e não as centrais.”
Durante a análise em junho do ano passado, os ministros
Joaquim Barbosa (relator), Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski
votaram pelo provimento parcial da ADI, porém pela impossibilidade
da destinação de parcela da contribuição
sindical às centrais. Isso significa que os ministros
aceitaram a argumentação da Adin.
O ministro Marco Aurélio abriu a divergência, votando
pela improcedência, enquanto a ministra Cármen Lúcia
se manifestou pelo provimento parcial — mas pelo cabimento
da destinação de parte da contribuição
sindical às centrais. Faltam votar os ministros Gilmar
Mendes, presidente do STF, Ellen Gracie, Carlos Britto, Eros
Grau e Celso de Mello. O ministro José Antonio Dias Toffoli
se declarou impedido de votar, pois se posicionou contrário à Adin
quando era advogado-geral da União.
Da Redação, com informações da Rede
Brasil Atual
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho 25/02/2010
Papel timbrado de sindicato comprovou
assistência sindical
Uma procuração em papel timbrado do sindicato
de classe de um empregado do Sistema Norte de Rádio e
Televisão, do Espírito Santo, possibilitou à Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho considerar que ele estava sendo assistido pelo sindicato,
motivo pelo qual rejeitou recurso da empresa sustentando que
faltava credenciamento formal do advogado da instituição.
A empresa insistiu que aquela procuração não
servia legalmente para atestar a assistência ao trabalhador.
Mas contrariamente às suas expectativas, o relator na
SDI-1, ministro Lelio Bentes Corrêa, entendeu que se trata
de matéria interpretativa, uma vez que o ordenamento jurídico
não disciplina a forma pela qual se deva comprovar a referida
assistência. É o que se depreende do disposto na
Lei 5.584/70, que apenas “arrola os requisitos necessários
ao deferimento dos honorários advocatícios na Justiça
do Trabalho”, afirmou.
O fato é que o 17º Tribunal Regional chegou à conclusão
de que todos os requisitos necessários à concessão
dos honorários advocatícios ao sindicato – condição
de hipossuficiência econômica e assistência
sindical – estavam preenchidos, informou o relator. Esclareceu
ainda que a instância de provas declarou que o timbre da
entidade sindical estampada na petição inicial
gera presunção relativa da assistência sindical
e que a empresa deveria mas não conseguiu demonstrar que
o empregado não estava assistido pelo sindicato.
A SDI-1 decidiu por maioria de votos. O voto divergente foi
do ministro João Batista Brito Pereira. (RR-22600-87.2001.5.17.0161 – Fase
atual: E)
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O Estado de S.Paulo, 24 de fevereiro de
2010
Construtoras temem fim do ”Minha
Casa, Minha Vida”
Otimistas com os primeiros resultados do programa habitacional
Minha Casa, Minha Vida, entidades e empresas da área já se
preocupam com a sua continuidade após as eleições
que acontecem neste ano. O setor espera que, independentemente
do candidato vencedor da corrida presidencial, o governo indique
que existem recursos e faça os ajustes necessários
para que o programa federal avance.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção
de São Paulo (SindusCon), Sérgio Watanabe, diz
que os empresários esperam esse sinal de que devem continuar
investindo no setor. “O Minha Casa, Minha Vida é importante,
mas é pontual. O que a sociedade quer é um programa
que torne esse processo perene”, destaca Watanabe.
Na sua avaliação, a chance de a Caixa Econômica
Federal atingir a contratação de 1 milhão
de casas através do programa até o final de 2010 é factível: “Demanda
existe, o nosso déficit habitacional está em aproximadamente
5,5 milhões de unidades, sendo que a maior parte se concentra
na faixa de até cinco salários mínimos.”
“É preciso chegar a uma política de habitação
perene, de Estado e não de governo. Para suprir o atual
déficit habitacional seria necessário um programa
como esse a cada dois anos”, concorda João Crestana,
presidente do Sindicato da Habitação de São
Paulo (Secovi-SP), ao avaliar que esse é apenas o primeiro
passo para resolver o problema em até 20 anos.
Crestana também avalia que é primordial garantir
os recursos para a continuidade do programa que, segundo ele,
ainda precisa de alguns ajustes. Crestana calcula que seriam
necessários mais R$ 20 bilhões para sua continuidade. “É preciso
fortalecer as empresas para produção em escala,
criar massa crítica, treinar a mão de obra. Assim
chegaremos a um produto de qualidade, com custo menor”,
defende o executivo.
Crestana pede ainda o fortalecimento do aspecto jurídico
do programa. “Se um projeto é aprovado é fundamental
termos a garantia que essa autorização será mantida”,
ressalta, ao considerar que essa insegurança atrapalha
muito o Minha Casa, Minha Vida.
Baixa renda
Também satisfeito com os resultados iniciais do programa,
o diretor-presidente da Rodobens, Eduardo Gorayeb, destaca que
o setor pleiteia, na verdade, um instrumento que oficialize a
obrigatoriedade de sua manutenção: “Esse
programa habitacional foi tão importante que mudou o foco
das construtoras, que hoje, em sua maioria, estão atuando
no segmento de baixa renda. Temos certeza que ele continuará mesmo
se houver mudanças no cenário político,
pois envolve um planejamento de longo prazo. O que foi contratado
em 2010, por exemplo, será concluído em 2011, 2012.”
Antonio Fernando Guedes, diretor geral da Living, divisão
da Cyrela que atende o segmento de baixa renda, defende um debate
conjunto com o governo para que o programa seja aprimorado. “Sua
continuidade é esperada e necessária não
só para as construtoras, mas para o público consumidor.
Essa primeira fase foi importante para a adaptação
ao sistema, acredito que agora ganharemos mais velocidade no
processo”, acrescenta Guedes.
André Sampaio, diretor da ASA Incorporadora, braço
de baixa renda da Agre — empresa criada a partir da combinação
da Agra, Abyara e Klabin Segall — avalia que “o melhor
ainda está por vir” no que se refere ao programa
habitacional. “A Caixa precisou de um tempo para implantar
o programa e tem conseguido cumprir o prometido. Passada essa
fase, a perspectiva é que nos próximos meses veremos
mais agilidade no processo”, afirma Sampaio.
Boom imobiliário
O brasileiro nunca financiou tanto imóvel como em 2009,
e a tendência é de que novos recordes sejam batidos
neste ano. Para alguns, o país está em pleno boom
imobiliário. Para outros, é só o início
desse processo, uma vez que o déficit habitacional, entre
6 milhões e 8 milhões de unidades, conforme o cálculo,
ainda é elevado.
Avaliações distintas à parte, o fato é que
o setor vive seu melhor momento na história recente, que
já leva os bancos a discutir alternativas de recursos
para bancar a expansão. Hoje, a maior parte do dinheiro
(cerca de 70%) vem da caderneta de poupança, mas, segundo
especialistas, essa fonte deve se esgotar, dependendo da instituição
financeira, já em 2011.
No ano passado, 302,7 mil unidades foram financiadas com os
depósitos da caderneta, em um total de R$ 34 bilhões.
Nem na época do finado Banco Nacional da Habitação
(BNH), no início dos anos 80, tantos imóveis foram
vendidos por meio de empréstimos no País. “O
Brasil é a bola da vez como mercado relevante para experimentar
uma forte expansão do crédito imobiliário”,
define o diretor-geral da Montreal Informática, Luís
Antônio Santos.
Alienação
A empresa vende soluções tecnológicas para
diversos setores da economia, entre eles o imobiliário.
Os principais bancos que atuam no País fazem parte de
sua clientela. O diretor de Crédito Imobiliário
do Itaú Unibanco, Luiz França, que também
preside a Associação Brasileira das Entidades de
Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),
lista os fatores que explicam o desempenho recente e as boas
perspectivas. Em primeiro lugar, a segurança jurídica,
obtida com a mudança da legislação promovida
em 2004.
Foi ali que se instituiu o mecanismo de alienação
fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em
caso de inadimplência. Em segundo lugar, França
cita o alongamento dos prazos de financiamento para até 30
anos, que permitiu a redução das prestações
mensais. Em terceiro lugar, o executivo destaca a estabilidade
da economia.
De um lado, essas condições mais estáveis
abriram caminho para a queda dos juros. De outro, elevaram o
poder aquisitivo da população (como mostra a ascensão
de milhões de brasileiros à classe C), o que reduz
o calote. Um fator mais recente é o programa do governo
Minha Casa, Minha Vida.
Média
Nesse ambiente, os bancos privados, que sempre foram reticentes
em investir no mercado imobiliário, mostram grande apetite.
Na média, preveem alta de 30% a 40% nos empréstimos
este ano. Em 2009, segundo o Banco Central, o crédito
para a habitação avançou 41,5%, ante 14,9%
do crédito total. “Vemos o crédito imobiliário
como motor da expansão do crédito geral (no País)”,
diz o diretor executivo de Negócios Imobiliários
do Santander Brasil, José Roberto Machado.
Segundo ele, no mundo, o financiamento imobiliário responde,
em média, por 65% da carteira de crédito do banco.
No Brasil, são 5%. O diretor de Crédito Imobiliário
do HSBC, Antonio Barbosa, afirma que a meta da instituição é aumentar
a participação no segmento nos próximos
anos.
“Queremos crescer acima da média do mercado”,
explica. A aposta do banco é no que Barbosa classifica
de “serviço diferenciado”.No Bradesco, o discurso é parecido. “Queremos
mais mercado”, diz o diretor do Departamento de Empréstimos
e Financiamentos, Nilton Pellegrino. O objetivo é aproveitar
que “não há cidadão no Brasil que
não queira ter imóvel próprio”.
As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo
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Congresso em Foco, 23 de fevereiro de
2010
TSE deverá mudar número
de deputados federais e estaduais
Na quarta-feira (24), tribunal realizará audiência
pública para discutir modificação que deverá fazer
com que estados como Rio de Janeiro e Paraíba percam dois
deputados e que o Pará tenha três parlamentares a
mais | Ministro Arnaldo Versiani, do TSE, propõe mudança
que fará com que Rio perca dois deputados e o Pará ganhe
três
Rudolfo Lago
As mudanças verificadas na população dos estados
brasileiros nos últimos anos deverão provocar uma
alteração importante na formação das
bancadas. O TSE publicou nesta quarta-feira (17) em seu site, a
minuta de uma resolução que redefine o número
de deputados federais e estaduais a partir das eleições
de outubro deste ano. De acordo com a minuta, de autoria do ministro
Arnaldo Versiani, para se readequadar aos atuais tamanhos das populações
estaduais, o Rio de Janeiro e a Paraíba passarão
a ter dois deputados federais a menos. Rio Grande do Sul, Paraná,
Maranhão, Goiás, Pernambuco e Piauí perderão
um deputado federal. Em contrapartida, a bancada do Pará passar
a ter três deputados a mais. Minas Gerais crescerá sua
bancada com mais dois. E Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará,
Bahia e Santa catarina terão, cada um, mais um parlamentar
na Câmara.As representações dos demais estados
(São Paulo, Espírito Santo, Alagoas, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Sergipe, Rondônia,
Tocantins, Acre, Amapá e Roraima) permanecem inalteradas.
Antes de fazer valer de fato a nova regra, o TSE quer discutí-la.
E, para isso, marcou uma audiência pública para
a próxima quarta-feira (24), a partir das 15h, no auditório
do tribunal. Também será discutida na mesma audiência
a possibilidade de voto para presidente da República do
eleitor em trânsito, ou seja, que não esteja na
sua cidade no dia da eleição.
Se o texto da minuta do TSE passar a valer, São Paulo
continuará tendo a maior bancada, com 70 deputados federais.
O número total de parlamentares na Câmara também
continuará o mesmo, 513. Minas Gerais passará a
ter 55 deputados, seguido do Rio (44), Bahia (40), Rio Grande
do Sul (30), Paraná (29), Pernambuco (24), Ceará (23),
Pará (20), Maranhão (17), Santa Catarina (17),
Goiás (16), Paraíba (10), Espírito Santo
(10), Piauí (9), Alagoas (9), Rio Grande do Norte (9),
Amazonas (9), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal,
Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima,
todos esses com oito deputados cada um.
A minuta também altera os tamanhos das Assembleias Legislativas
e da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No total,
serão 1.057 parlamentares, assim distribuídos:
São Paulo (94), Minas Gerais (79), Rio de Janeiro (68),
Bahia (64), Rio Grande do Sul (54), Paraná (53), Pernambuco
(48), Ceará (47), Pará (44), Maranhão (41),
Santa Catarina (41), Goiás (40), Paraíba (30),
Espírito Santo (30), Piauí (27), Alagoas (27),
Rio Grande do Norte (27), Amazonas (27), Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Distrito Federal, Sergipe, Rondônia, Tocantins,
Acre, Amapá e Roraima, todos esses com 24 deputados estaduais
ou distritais cada um.
Para o debate da próxima quarta-feira, estão convidados
representantes de partidos políticos, da Ordem dos Advogados
do Brasil e do Ministério Público. As mudanças
propostas por Versiani buscam adequar as bancadas ao que prevê o
artigo 45, parágrafo 1º da Constituição,
e a Lei Complementar 78/93, que disciplinam que a quantidade
de deputados federais deve ser proporcional à população
dos estados e do Distrito Federal, desde que a maior bancada
não ultrapasse o número de 70 deputados e a menor
não tenha menos que oito.A proposta de mudança
foi provocada por uma ação da Assembleia Legislativa
do Amazonas.
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FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de fevereiro de 2010 | Dinheiro
Infraestrutura vai investir R$
274 bi até 2013, diz BNDES
Cifra é 37% maior do que a do período entre 2005
e 2008, que antecedeu a crise | Segundo autor do estudo, investimento
produtivo é mais resiliente por ser de longo prazo; banco
não sabe qual será sua parte no total
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Os investimentos em infraestrutura previstos para o país
entre 2010 e 2013 superarão os realizados nos quatro anos
anteriores à crise (2005-2008), prevê o BNDES. Os
projetos para energia elétrica, portos, telefonia, estradas
e ferrovias chegarão a R$ 274 bilhões -37,3% a mais
que os R$ 199 bilhões investidos entre 2005 e 2008. Esse
valor equivale a 14,7% do Orçamento federal estimado para
este ano, de R$ 1,86 trilhão.
Entre as locomotivas do pacote, estão as hidrelétricas
de Santo Antônio e Jirau, cujas obras já foram iniciadas,
e a de Belo Monte, que vai a leilão para concessão
neste ano.
Também entraram na conta obras de saneamento, portos,
ferrovias (como o trem-bala, que ligará Rio e São
Paulo, com custo estimado em R$ 34,6 bilhões em dez anos)
e investimentos para ampliação da estrutura de
telecomunicações, englobando acesso a banda larga
e TV digital.
Muitos dos projetos estarão encampados pelo PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento), como alguns de portos,
energia e saneamento. O banco não soube informar quantos
são nem o valor de tais projetos.
O levantamento considera investimentos públicos e privados.
Foram computados projetos ainda não lançados, mas
que o banco, por sua proximidade com investidores e participação
na economia, consegue identificar.
Competitividade
Para Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento
econômico do BNDES e um dos responsáveis pelo levantamento,
o crescimento do investimento em infraestrutura é importante
e bem-vindo.
"Esse investimento traz maior competitividade ao sistema
e impulsiona outros projetos no país, em outras áreas."
Segundo o banco de fomento, não foi possível mapear
quanto desses R$ 274 bilhões sairá de seu cofre. "Quem
determinará isso serão os investidores. O BNDES
vai atender à medida que os pedidos chegarem." O
banco diz não saber, por exemplo, quanto será demandado
no projeto de Belo Monte. A iniciativa privada calcula em R$
30 bilhões o valor da usina, enquanto o governo federal
estima o projeto entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões.
O BNDES disse que não tem os dados referentes a 2009
e, por isso, não pôde avaliar o impacto dos piores
momentos da crise nas decisões de investimento na infraestrutura.
Mas não o considera relevante.
"Os investimentos em infraestrutura são mais resilientes à crise,
e percebemos que foram mantidos, de forma geral, porque são
de longo prazo."
Além disso, trata-se de decisões baseadas em contratos
firmados com o governo -como no caso do setor elétrico
e nas concessões de rodovias e saneamentos-, segundo Puga,
e por isso não podem ser postergadas nem suspensas.
No caso da telefonia, a dura concorrência impede que os
investidores deem passos para trás, sob pena de ficarem
tecnologicamente ultrapassados.
Embora considere os investimentos em infraestrutura resistentes à crise,
o banco diz que eles não estão livres de riscos,
diz o banco. Nos portos e nas rodovias, os projetos estão
condicionados à confiança dos investidores nas
regras de concessão pública. O governo prepara
um novo marco regulatório para os portos.
Já nas ferrovias e no saneamento, segundo o BNDES, o
fator crítico é a dependência do orçamento
fiscal. Na energia elétrica, o risco é o ritmo
de concessão de licenças ambientais, problema que
trouxe atraso às três grandes hidrelétricas
que entrarão em funcionamento nos próximos anos.
Apesar dos riscos reconhecidos, os responsáveis pelo
estudo dizem acreditar que o nível de investimentos deverá crescer
além do previsto. "A metodologia é conservadora.
Trata-se de retrato do fim de 2009, e devem entrar novos projetos.
Em 2006, por exemplo, previmos crescimento de 11% e foram ainda
maiores", diz Puga.
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Vermelho, 21 de fevereiro de 2010
Empresa e Sindicato selam acordo por jornada de 40h no RS
Um fato inédito e que pode trazer repercussões positivas à campanha
nacional pela Redução da Jornada de Trabalho das
centrais sindicais foi vivenciado nesta semana em Santa Rosa (RS).
Na quarta-feira (17/2), ao final da tarde, reunidos em assembleia,
funcionários da Metalúrgica Jama, sob a tutela do
Sindicato dos Metalúrgicos, aceitaram proposta de redução
de jornada de trabalho, que passará das atuais 44 para 40
horas semanais, sem perda nos salário.
Com a decisão, o sindicato recua em uma ação
que movia contra a metalúrgica; e os trabalhadores, além
da carga horária menor - que pelo acordo é válida
por dois anos - receberão ainda 1,5% de aumento real nos
salários, sem qualquer interferência deste índice
nas negociações de dissídio coletivo, que
tem data-base fixada para o mês de maio. A Jama possui
mais de 150 empregados, e apenas dois dos 129 presentes na sessão
votaram contra a proposta.
A expectativa é que o acordo selado entre as partes comece
a vigorar a partir da próxima semana, quando todos os
ajustes estiverem pactuados. “Essa negociação é histórica
e pode ser um precedente para que outras empresas sigam o exemplo.
Nunca é demais ressaltar que a redução da
jornada de 44 para 40 horas semanais é uma bandeira de
luta dos sindicatos de trabalhadores de todo o país, e
em Santa Rosa estamos dando um passo à frente”,
ressaltou João Roque, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos,
entidade, que tem abrangência regional.
Em carta enviada ao presidente da Câmara dos Deputados,
Michel Temer (PMDB/SP), o Fórum das Centrais, formado
pelas seis centrais sindicais legalizadas no Brasil, destaca
que "a redução da jornada de trabalho está no
centro do debate sobre a geração de emprego e qualidade
de vida. A redução da jornada de trabalho, hoje,
tem a capacidade de se contrapor à posição
conservadora que impõe a desregulação do
trabalho, garantindo a inclusão social como questão
central".
Da redação, com Sindicato dos Metalúrgicos
- Santa Rosa/RS
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InfoMoney, 20 de fevereiro de 2010
Brasileiro com renda entre 5 e 10
mínimos é o mais
satisfeito com a vida
Brasileiros com renda familiar entre cinco e dez salários
mínimos são os mais satisfeitos com a vida que levam,
revelou uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, a
pedido do Diário do Comércio, com mais de 2 mil pessoas
neste mês.
De acordo com os dados, 87% dos brasileiros nesta faixa de renda
familiar estão no mínimo satisfeitos com a vida que
levam, proporção maior do que a da população
que ganha mais do que dez salários mínimos, na qual
83% estão no mínimo satisfeitos.
A proporção vai para 85% entre a população
que ganha entre dois e cinco salários mínimos como
renda familiar, para 79% entre os brasileiros que recebem entre
um e dois salários mínimos e para 72% entre aqueles
com renda até um mínimo.
Perfil dos satisfeitos
Quando analisado o sexo, os dados mostram que os homens estão
mais felizes com a vida que levam, com 83% que responderam estar
muito ou apenas satisfeitos. Entre as mulheres, a proporção
cai para 78%.
Em relação à idade, a população
entre 16 e 24 anos, entre 30 e 39 anos e entre 40 e 49 anos apresenta
o mesmo número de pessoas no mínimo satisfeitas
com a vida que levam, em uma proporção de 82%.
Aquelas entre 25 e 29 anos estão menos satisfeitas, com
76% que deram essa resposta, bem como aquelas com 50 anos ou
mais (79%).
Pessoas com Ensino Superior são as mais satisfeitas (86%),
enquanto aquelas com até a 4ª série e com
Ensino Médio são as menos satisfeitas, com 79%
de respostas cada grupo.
Os brasileiros mais felizes com a vida que levam estão
no Sudeste, onde 82% das pessoas disseram estar satisfeitas ou
muito satisfeitas, ante 80% no Norte/Centro-Oeste e no Nordeste
e 79% no Sul.
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Agência
Diap, 19 de fevereiro de 2010
Segundo Dieese, salário mínimo
deveria ser de mais de R$ 1.900 O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) estima em R$ 1.987,26 o salário
mínimo adequado, com base no maior valor apurado para
a cesta básica.
Este valor leva em consideração a determinação
constitucional que estabelece que o piso nacional deveria suprir
as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação,
moradia, saúde, educação, vestuário,
higiene, transporte, lazer e previdência.
Esse valor representa 3,90 vezes o mínimo em vigor em
janeiro (R$ 510).
Em dezembro, quando o salário mínimo era de R$
465, o menor salário deveria ser de R$ 1.995,91, ou R$
8,65 a mais do que no mês seguinte.
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Gazeta do Povo, 18 de fevereiro de 2010
Cimenteiras
Votorantim passa a ter 21% da Cimpor
Enquanto a CSN tenta convencer os acionistas da cimenteira portuguesa
Cimpor a aceitarem sua oferta de compra, suas rivais vão
ampliando a participação na companhia. Ontem, a
Votorantim anunciou a compra de mais 3,93% de ações
da portuguesa Cimpor, que pertenciam à Cinveste. Com a
nova fatia, a participação da Votorantim passa
a ser de 21,16% Anteriormente, a Votorantim tinha celebrado
acordo de acionistas com a Caixa Geral de Depósitos (CGD),
que possui 9,6% de participação na Cimpor, e conquistado
o direito a voto conjunto em determinadas matérias.
A outra brasileira na disputa, a Camargo Corrêa, já garantiu
uma fatia de cerca de 32% na Cimpor. Juntas, Votorantim e Camargo
detêm uma participação de mais de 50% na
cimenteira portuguesa, tornando cada vez mais difícil
o sucesso da oferta pública de aquisição
da CSN, que termina na próxima segunda-feira.
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Revista Época,
17 de fevereiro de 2010
André Singer: "O lulismo
pode durar 30 anos"
O cientista político e ex-porta-voz de Lula André Singer
acha "possível que estejamos assistindo a um realinhamento" do
eleitorado brasileiro, um encontro do "proletariado com carteira
de trabalho" com o "subproletariado", capaz de durar
30 anos. Veja a entrevista de Singer para Marina Sanches, da revista Época.
Autor de um artigo que causou grande repercussão nos
meios acadêmicos e políticos, o cientista político
e ex-porta-voz da Presidência André Singer diz que
as eleições presidenciais de 2010 serão
o grande teste de força do lulismo. Para Singer, o lulismo
alia um projeto de redistribuição de renda à manutenção
da ordem social, o que atraiu eleitores conservadores e de baixa
renda historicamente avessos ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Singer acompanhou Lula ao longo do primeiro mandato
e estudou o comportamento eleitoral brasileiro nas cinco últimas
eleições para presidente. Segundo ele, o lulismo
reorganizou o eleitorado brasileiro e poderá virar uma
força política hegemônica por décadas.
Época: Como o senhor define o lulismo?
André Singer: O lulismo é a execução
de um projeto político de redistribuição
de renda focado no setor mais pobre da população,
mas sem ameaça de ruptura da ordem, sem confrontação
política, sem radicalização, sem os componentes
clássicos das propostas de mudanças mais à esquerda.
Foi o que o governo Lula fez. A manutenção de uma
conduta de política macroeconômica mais conservadora,
com juros elevados, austeridade fiscal e câmbio flutuante,
foi o preço a pagar pela manutenção da ordem.
Diante desse projeto, a camada de baixa renda, cerca de metade
do eleitorado, começou a se realinhar em direção
ao presidente.
Época: Quando isso aconteceu?
Singer: Em 2006. Houve um realinhamento eleitoral, um deslocamento
grande de eleitores que ocorre a cada tantas décadas.
A matriz desse tipo de estudo é americana. Lá,
eles acham que aconteceu um realinhamento eleitoral em 1932,
quando (Franklin) Roosevelt ganhou a eleição presidencial.
Ele puxou uma base social de trabalhadores para o Partido Democrata
que não havia antes. Aqui, em 2006 a camada de baixíssima
renda da população, que sempre tinha votado contra
o Lula, votou a favor dele. A diferença entre 2002 e 2006
foi que Lula perdeu base na classe média, seu eleitorado
tradicional, e ganhou base entre os eleitores de baixa renda.
Época: O lulismo pode sobreviver sem o Lula? Não é preciso
uma liderança carismática à frente desse
projeto político?
Singer: No lulismo existe um elemento de carisma, mas isso não é o
mais importante. A importância do carisma é maior
nas regiões menos urbanizadas do país, onde se
tende a atribuir a capacidade de execução de um
projeto a características especiais da liderança.
Em regiões urbanizadas existe uma adesão mais racional
ao programa político. Se minha análise estiver
correta, o lulismo sobreviverá sem o Lula. Uma hipótese é que
o lulismo vá desaguar no PT. Essa camada social que aderiu
ao Lula pode lentamente começar a votar nos candidatos
do PT a prefeito, governador, senador. Vejo indícios de
que isso começou a ocorrer nas eleições
municipais de 2008. O PT foi mal nas capitais, mas foi bem nas
regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre,
Belo Horizonte. Isso pode sinalizar que o voto da camada de menor
renda da sociedade está caminhando para o PT.
Época: Dilma Rousseff será a herdeira do lulismo?
O que acontecerá em 2010?
Singer: Mantidas as condições atuais, a tendência é que, à medida
que ficar claro para o eleitor que a Dilma é a candidata
de continuidade do lulismo, ela aumentará suas intenções
de voto com chances consideráveis de ganhar a eleição.
Época: Se o lulismo desaguar no PT, o partido terá de
abrir mão de bandeiras históricas de esquerda?
Singer: O PT poderá ser uma fusão de duas forças,
o petismo e o lulismo, que têm projetos com pontos de contato
e diferenças. O PT continua sendo o partido do proletariado
organizado, sindicalizado, com carteira de trabalho assinada.
Pode vir a ser também o partido do subproletariado. Quando
a gente vê a força do PT na periferia de São
Paulo pode ser a expressão da confluência dessas
duas forças.
Época: Se essa convergência ocorrer, haverá uma
hegemonia do PT?
Singer: Pode ser. É possível que estejamos assistindo
a um realinhamento como foi na época do Roosevelt, que
trouxe segmentos da classe trabalhadora para o Partido Democrata
por cerca de 30 anos.
Época: Essa camada que era anti-Lula, antiesquerda e
a favor da ordem não teria dificuldades em se associar
ao PT?
Singer: Com adaptações de parte a parte parece
possível, mas será um processo lento. Não é tão
simples porque o PT tem formação ideológica
de esquerda e, embora tenha se transformado, mantém a
identidade de um partido de esquerda. O PT é herdeiro
de uma tradição de crítica ao populismo.
Se o partido vier a ser caudatário desse movimento, vai
haver o encontro de águas bem diferentes.
Época: O que aproxima o lulismo do populismo de Getúlio
Vargas?
Singer: Em ambos há uma política de governo voltada
para os setores de menor renda. Mas há uma diferença
importante. Getúlio Vargas, ao fazer a CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho), criou direitos para o setor urbano da
classe trabalhadora, em um país predominantemente rural.
Deixou de fora um vasto setor da classe trabalhadora que foi
incorporado agora.
Época: O lulismo pode prejudicar as instituições
democráticas?
Singer: O presidente Lula tomou uma decisão fundamental
ao não aceitar a proposta do terceiro mandato. Colocou
um ponto final nessa questão. O Brasil sai desse processo
com instituições democráticas fortalecidas.
Há problemas na política partidária, cada
vez mais pragmática e menos programática. Isso
cria a sensação de que a política diz respeito
aos políticos, e não à sociedade.
Época: Lula e o PT, em sua estratégia eleitoral,
fizeram uma guinada ao centro. A política econômica
ortodoxa não tem a ver com esse caminho que o partido
já vinha tomando antes de chegar ao poder?
Singer: O PT foi se institucionalizando, mas a ida ao centro é relativa
se você olhar o aspecto programático. O partido
manteve um programa com mudanças relativamente pequenas.
E é isso que faz com que o PT mantenha a identidade de
esquerda. Onde houve mudança foi na política de
alianças do PT. Antes ele recusava alianças até o
ponto de, em 1989, não querer o apoio do PMDB no segundo
turno, sem contrapartida. Hoje o PT dá prioridade à aliança
com o PMDB. Isso é compreensível do ponto de vista
eleitoral, por causa do tempo de televisão, do tamanho
do PMDB. Mas é também um problema porque não
se sabe qual é a base programática dessa aliança.
Época: Com Dilma na Presidência, crescem as chances
de o PT aplicar um programa de governo mais à esquerda?
Singer: Depende da política de alianças. Se você tiver
um vice-presidente como o Henrique Meirelles (presidente do Banco
Central), as probabilidades caem muito. Mas o sentimento do PT é ter
um governo mais à esquerda.
Época: A emergência dos pobres significará a
marginalização da classe média?
Singer: A entrada em cena dessa força nova tirou a centralidade
das decisões políticas da classe média.
Se o lulismo se consolidar, teremos o setor de baixa renda em
um campo político e a classe média tradicional
em outro. A nova classe média é dúvida.
A oposição em 2010 vai fazer tudo para não
se isolar dos eleitores de baixa renda. Vai tentar a mágica
de convencer os lulistas de que seu candidato é melhor
para dar continuidade ao projeto do que a candidata da situação.
Quem é
André Singer é jornalista e professor do Departamento
de Ciência Política da Universidade de São
Paulo. Tem 51 anos, é casado e pai de duas filhas
O que fez
Foi porta-voz da Presidência da República entre
2003 e 2007 e secretário de Imprensa de 2005 a 2007
O que publicou
É
autor de Esquerda e direita no eleitorado brasileiro (Edusp,
2000) e de O PT (Publifolha, 2009) e organizador de Sem medo
de ser feliz: cenas de campanha (Scritta, 1990).
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Vermelho, 16 de fevereiro de 2010
Dieese derruba argumento da Fiesp
contra redução
da jornada
A Proposta de Emenda Constitucional 231/95, que prevê a redução
da jornada de 44 para 40 horas semanais causou pânico no
meio empresarial. No mesmo dia, quarta-feira (9), em que as seis
centrais se reuniram com o presidente do Congresso, Michel Temer,
os empresários tomaram a frente para impedir qualquer mudança
nas leis trabalhistas.
No dia seguinte, a Federação e o Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp e a Ciesp ) divulgaram uma
nota oficial posicionando-se contra a proposta argumentando que “a
redução obrigatória da jornada de trabalho
não é boa para o trabalhador, nem para o empresário
e, muito menos, para o Brasil”.
A posição do presidente da federação
patronal, Paulo SKaf, corresponde à resistência
histórica dos capitalistas à medida e já era
esperada. Em 2009, no início da crise econômica
mundial ele propôs que os trabalhadores assinassem acordos
com redução de jornada e redução
de salário como forma de saída para crise, admitindo
implicitamente que a diminuição do tempo de trabalho
era necessário para preservar o nível de emprego.
O que ele e outros capitalistas não admitem de maneira
alguma é a redução dos gordos lucros das
empresas.
O Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos), que estuda o tema há algum
tempo, lançou nesta quinta-feira uma nota à imprensa
que derruba o falso argumento de que a redução
não é boa para os trabalhadores e para o Brasil.
Segundo o texto, a proposta de redução da jornada
para 40 horas semanais, associada à coibição
das horas extras, pode gerar mais de 2,5 milhões de postos
de trabalho. O custo do trabalho no Brasil é baixíssimo
em comparação com outros países e o impacto
da medida sobre os custos totais da indúsria seria inferior
a 2%. Ideólogos a soldo do capital estão utilizando
conceitos e argumentos falsos para se opor à redução
do tempo de trabalho, como é o caso dos "encargos
sociais", que representariam 102% do salário, que
a nota do Dieese desmascara.
Os efeitos sobre a economia serão amplamente benéfico,
segundo o órgão. "A combinação
de todos os fatores desencadeados pela redução
de jornada, sem redução de salários, provoca
a geração de um círculo virtuoso na economia,
combinando a ampliação do emprego, o aumento do
consumo interno, a elevação dos níveis de
produtividade do trabalho, a melhoria da competitividade do setor
produtivo, a redução dos acidentes e doenças
do trabalho, a maior qualificação do trabalhador,
a elevação da arrecadação tributária,
enfim um maior crescimento econômico com melhoria da distribuição
de renda".
Acesse
o documento na íntegra
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Força
Sindical, 15 de fevereiro de 2010
Força Sindical faz consulta sobre proposta de redução
para 42 horas
A Força Sindical está fazendo uma consulta com as
entidades filiadas sobre a proposta apresentada pelo presidente
da Câmara Federal, Michel Temer (PMDB/SP), sobre a redução
da jornada para 42 horas.
A central quer saber sobre a viabilidade da proposta na sua
base. "A proposta me sensibilizou, já que conseguimos
avançar na negociação da redução
da jornada com ganhos para os trabalhadores", afirma o presidente
da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
E acrescenta: "Acredito que com esta proposta conseguiremos
marcar a data da votação no plenário, e
com certeza conseguiremos aprová-la rapidamente no Congresso".Vale
destacar que as centrais sindicais estão realizando uma
vigília no Congresso para sensibilizar os parlamentares
a votarem a proposta de redução da jornada.
Sindicalistas da Força Sindical, por exemplo, fizeram
na última semana um bloco de Carnaval no Congresso.
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Folha de S.Paulo, 14 de fevereiro de 2010
Alta rotatividade também é motivo
para sobra de vagas no mercado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A alta rotatividade da mão de obra no Brasil é apontada
como outro importante fator para a sobra de vagas no mercado
de trabalho formal, diz o Ministério do Trabalho. Em 2009,
16,2 milhões de trabalhadores foram contratados pelas
empresas, mas outros 15,2 milhões de profissionais foram
demitidos. A explicação é que o "giro" excessivo
acaba criando desajustes no mercado. "O governo está preparando
um diagnóstico sobre a questão da alta rotatividade
para tentar resolver essas distorções", diz
Rodolfo Torelly, diretor do ministério.
Ele aponta ainda questões como a localização
do trabalhador e o perfil específico procurado pela empresa
como outros elementos que pesam no momento da seleção. "Mas,
no geral, há necessidade de mais qualificação",
acrescentou. Ele diz ainda que as vagas que sobram no Sine podem
ser preenchidas de outras formas. Essas informações,
no entanto, não são capturadas pela rede pública
de agências de emprego e ficam de fora das estatísticas
do governo. "Há outros instrumentos: tem o parente
que indica alguém para a empresa, tem jornal, tem até a
tabuleta na porta da fábrica."
Com base nas informações consolidadas sobre o
comportamento do mercado e a sobra de vagas, o Ministério
do Trabalho deverá orientar o foco de suas políticas
públicas de emprego. "Estamos agora cruzando as informações
sobre os Estados, para ver onde há mais necessidade de
qualificação e em que áreas", diz o
ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
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Brasília
Confidencial, 13 de fevereiro de 2010
Dieese afirma que redução da jornada não
prejudica empresas
A nota do Dieese afirma também que a redução
do expediente de trabalho contribui para a qualificação
do trabalhador, atendendo a uma crescente demanda do setor produtivo
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) divulgou, nesta sexta-feira (12),
nota em que defende a aprovação, pelo Congresso,
da proposta de emenda à Constituição que
reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.
Ao contrário do que o empresariado sustenta e em sintonia
com o que argumentam as centrais sindicais, o Dieese afirma que
a redução da jornada não aumentará o
custo total da produção nem prejudicará a
competitividade das empresas.
"O custo com salários no Brasil é muito baixo
quando comparado com o de outros países. Assim, a redução
da jornada de trabalho não traria prejuízos às
empresas brasileiras".
Pelos cálculos do Dieese, o custo horário da mão
de obra manufatureira no Brasil é inferior a US$ 6, enquanto
na Alemanha é de quase US$ 38 e no Reino Unido é de
quase US$ 30.
"O peso dos salários no custo total de produção
no Brasil é baixo, em torno de 22%. Uma redução
de 9,09% na jornada representaria um aumento no custo total da
produção de apenas 1,99%".
O Dieese recomenda que, junto com a redução da
jornada, seja aprovada medida que coíba e limite a utilização
de horas extras.
"O fim das horas extras teria um potencial para gerar cerca
de 1 milhão de postos de trabalho".
A nota do Dieese afirma também que a redução
do expediente de trabalho contribui para a qualificação
do trabalhador, atendendo a uma crescente demanda do setor produtivo.
"A redução da jornada de trabalho liberaria
mais horas para que o trabalhador tivesse melhores condições
de se qualificar. Além disso, os trabalhadores dedicarão
mais tempo para o convívio familiar, o estudo, o lazer
e o descanso, melhorando a qualidade de vida".
O Dieese conclui a nota prevendo que a redução
da jornada "provocaria a geração de um círculo
virtuoso na economia", com ampliação do emprego,
aumento do consumo interno e melhoria da competitividade do setor
produtivo.
"Enfim, um maior crescimento econômico com melhora
da distribuição de renda".
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Valor Econômico,
12 de fevereiro de 2010
Plano Nacional de Banda Larga chega ao presidente Lula
O Plano Nacional de Banda Larga que chega hoje ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva deverá prever metas
de melhoria constante da qualidade, além da expansão
da oferta do serviço. O projeto impõe como condição às
empresas participantes aumentar a velocidade de acesso em 10%
ao ano, sem elevar o preço. De início, conforme
a proposta, a velocidade será de 1 megabit por segundo
para o provedor e 512 kbps para o usuário.
Consta da proposta, também, a restauração
da Telebrás como empresa que administrará a infraestrutura
de fibras ópticas de posse da União para a expansão
da oferta da banda larga dos atuais 19% para 68% até 2014.
Há diferentes propostas para a atuação
da estatal, que poderá ter maior ou menor presença
na oferta do serviço ao usuário. O presidente
decidirá qual o modelo que deve vigorar. Pelo plano,
a oferta direta do acesso ao usuário no rol de atuações
da Telebrás será de até R$ 35 ao mês
para velocidade mínima.
Nos últimos dias, o grupo de trabalho composto por César
Alvarez, assessor especial da Presidência, Erenice Guerra,
secretária-executiva da Casa Civil, e Rogério
Santanna, secretário de Logística e Tecnologia
da Informação do Ministério do Planejamento,
recebeu representantes da sociedade civil, operadoras de telefonia,
provedores de acesso e “lan houses”. As “lan
houses” foram as últimas empresas envolvidas a
se manifestar sobre o plano, ontem, em Brasília.
Os provedores de acesso locais e empresas que poderão
desenvolver produtos e serviços para o setor também
devem ter estímulos específicos no governo federal.
As grandes empresas do setor receberam bem o projeto final.
Alexandre Annenberg, diretor-executivo da Associação
Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), reconhece que havia
uma expectativa mais tensa das empresas, de atuação única
do governo federal, mas, durante as discussões, ficou
a sensação de que as empresas terão seu
papel no plano.
As teles deverão ser autorizadas a participar do plano,
contanto que aceitem suas condições, conforme
aprovado pelo presidente. Porém, onde não houve
interesse das empresas em prover o acesso ao usuário,
a Telebrás deverá assumir esse papel. O valor
de R$ 35, tido como meta para oferta do acesso à banda
larga na velocidade mínima aos brasileiros inclui todos
os impostos cobrados atualmente do setor, que são principalmente
estaduais. Se houver negociação para isenção
de ICMS e outros encargos locais, esse valor cairia em um quarto,
para R$ 26 ao mês.
As informações são do jornal Valor Econômico
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de fevereiro de
2010 | Economia
Cresce distribuição
de renda no Brasil
Pesquisa da FGV revela que o conjunto das classes A e B foi o que
mais aumentou em 2009, enquanto a C terminou o ano com retração
Rio de Janeiro - O conjunto das classes A e B foi o mais atingido
pela crise econômica inicialmente, mas também foi
o que mais cresceu no ano passado, terminando o ano 2% superior
a dezembro de 2008, de acordo com o economista-chefe do Centro
de Políticas Sociais da Fundação Getúlio
Vargas (CPS-FGV), Marcelo Neri. A classe C terminou o ano com
redução de 0,4% ante dezembro de 2008. A classe
D aumentou 1,4% e a classe E caiu 1,5% no período.
Neri vê tendência ao crescimento e melhor distribuição
de renda este ano. ''Existe uma certa tendência à expansão
porque acho que os empresários superestimaram a crise
antes'', afirmou. Ele também argumentou que a base do
ano passado é baixa, o que ajuda a ter resultados estatísticos
melhores este ano. Além disso, lembrou tem eleições
e existe um ciclo político que em anos eleitorais faz
a renda aumentar e a distribuição de renda melhorar.
Por outro lado, Neri considerou preocupante a perda de 415 mil
empregos no Brasil em dezembro registrados pelo Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do
Trabalho e entende que isso deve ter tido efeitos negativos na
renda em janeiro deste ano, assim como, comparou, a queda de
emprego em dezembro de 2008 fez a crise atingir em cheio os bolsos
dos brasileiros em janeiro de 2009. ''O começo do ano é mais
delicado por causa da perda de emprego em dezembro'', disse.
Em 2009, segundo o economista, a crise se deu em janeiro e a
partir daí o ano mostrou recuperação. Em
janeiro do ano passado, todas as classes de renda pioraram significativamente
em relação a dezembro nas seis principais regiões
metropolitanas do Brasil. O conjunto das classes A e B caiu 2,7%.
A classe C diminuiu 2,2%. E as classes mais baixas aumentaram:
a classe D subiu 3,0% e a classe E, 6,7%. Os dados foram elaborados
pela FGV com base na pesquisa mensal de emprego do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois de
janeiro, porém, o ano foi de recuperação
e terminou relativamente bem em relação a outros
países.
''A crise no Brasil não foi tsunami nem marolinha, foi
uma ressaca pesada em janeiro com recomposição
depois''. Ele avalia que a crise econômica no Brasil já acabou,
a não ser que haja um movimento de ''W'', de volta a uma
nova crise, mas que considera que não é a tendência.
De acordo com Neri, a crise representou uma parada súbita
em um movimento muito positivo de redução da pobreza
e aumento da classe média verificado entre 2003 e 2008.
Se o ritmo daquele período se repetir entre 2010 e 2014,
a classe E, a mais pobre, cairia pela metade e a classe AB teria
um aumento de 50%. ''Este é um cenário muito auspicioso,
otimista'', disse ele, observando que a questão é saber
se o ritmo de 2003 a 2008 será mantido. O cenário
para 2014 foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE.
Adriana Chiarini
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 10 de fevereiro de 2010
Pelo País:
Piso no Paraná é o maior entre salários mínimos
regionais
São cinco os Estados que têm a política. No
Paraná, o valor é de R$ 605,52 para trabalhador rural
e de R$ 610,12 para empregado doméstico, do comércio
e de serviços -projeto de lei prevê reajuste de 9,5%
a 21,5%. No Rio Grande do Sul, o valor é de R$ 511,29, e,
em Santa Catarina, R$ 587. No Rio, a Assembleia Legislativa aprovou
aumento para R$ 581,88, mas enquanto não entra em vigor,
continua a ser de R$ 512.
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Agência Câmara,
9 de fevereiro de 2010
Projeto define prazo para prescrição de indenização
trabalhista
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6476/09, do deputado Carlos
Bezerra (PMDB-MT), que estabelece em dez anos o prazo de prescrição
para o pedido de indenização civil referente a acidente
de trabalho. O período deverá ser contado a partir
do exame pericial que comprovar a enfermidade.
"Muitas lesões ou enfermidades laborais apenas são
verificadas muito tempo após a exposição
do trabalhador aos diversos fatores de risco decorrentes do desempenho
da relação de emprego", diz o parlamentar.
A proposta dá maior clareza à legislação,
uma vez que, segundo o deputado, há uma indefinição
sobre o tema no Código Civil (Lei 10.406/02). O código
determina a prescrição em três anos para
a pretensão de reparação civil - natureza
da indenização por acidente de trabalho. Em outro
artigo, no entanto, o mesmo código prevê a prescrição
em dez anos quando a lei não tenha fixado prazo menor.
"Além de ampliar o prazo de prescrição, é importante
fixar o termo inicial de sua fluência, que deve se dar
a partir da inequívoca constatação da enfermidade
ou da incapacidade laboral mediante exame pericial", afirma
Carlos Bezerra.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ).
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JusBrasil, 8 de fevereiro de 2010
Empregador não pode interferir no processo de eleição
da CIPA A empresa Refrigerantes Convenção Rio LTDA comprometeu-se
a não mais interferir no processo de eleição
da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
-CIPA, bem como no cumprimento dos mandatos dos membros eleitos.
O compromisso foi assumido, nesta semana, após representantes
da empresa firmarem Termo de Ajustamento de Conduta perante o
Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro.
Segundo o procurador do Trabalho Marco Antônio Costa Prado,
a investigação foi iniciada após o MPT receber
cópia de sentença judicial proferida pelo Juízo
da 68ª Vara do Trabalho, informando que a empresa promovia
demissões com o intuito de retaliar ações
políticas dos empregados ligados à CIPA. Além
disso, a empresa inviabilizava as inscrições dos
interessados em integrar a comissão, concedendo-lhes férias
durante o período eletivo ou impedindo-os de entrar nas
dependências da empresa.
Em caso de descumprimento do TAC, a empresa estará sujeita
ao pagamento de R$ 50 mil por cada eleição em que
for constatada a interferência do empregador.
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Gazeta do Povo, 7 de fevereiro de 2010
Relações Internacionais
China x EUA, a nova polarização
do poder
Bom desempenho na saída da crise tornou Pequim mais confiante
para falar alto também em questões diplomáticas
A ameaça do Google de sair da China após ataques
a seus sistemas pode se revelar um episódio comparável
ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria,
em 1914, estopim da Primeira Guerra Mundial. A afirmação,
do editor da revista americana Fortune Adam Lashinsky,
soa exagerada, mas dá uma ideia da preocupação
trazida pela nova reação chinesa às costumeiras
críticas ocidentais.
Aparentemente, EUA e China trarão cada vez mais suas
diferenças políticas para a arena econômica.
O atrito pela venda de armas “made in USA” a Taiwan,
a briga cambial e a ojeriza chinesa ao encontro de
um presidente americano com o dalai-lama são fatos recorrentes
na História. O que mudou é que
agora a China mostra estar disposta a ameaçar acordos
comerciais – ainda que benéficos a ela – para
defender o status quo de seu regime autoritário, as execuções
e prisões de opositores, a censura explícita, entre
outros detalhes espinhosos que permeiam a identidade chinesa
desde a revolução de 1949. Após
a resposta da China à crise econômica, muito mais
rápida que a americana, o país está mais
confiante para também erguer a voz na diplomacia.
“A questão é maior do que uma disputa de
câmbio ou um caso de espionagem comercial. É sobre
uma China confiante que cada vez mais quer confrontar, reagir
e desafiar os EUA, que por sua vez parece
cada vez mais fraco e inseguro”, diz Lashinsky.
Por outro lado, a China se parece cada vez mais com
os EUA. As inéditas retaliações comerciais
ameaçadas por Pequim como resposta ao negócio de
US$ 6,4 bilhões em venda de armas americanas
a Taiwan mimetizam hábitos ocidentais. E, assim
como os EUA jogam para a plateia no caso do câmbio, a China
agrada sua população ao desafiar os padrões
ocidentais de pensamento.
Essas ideias são tratadas no livro que está para
ser lançado The End of the Free Market: Who Wins the War
between States and Corporations? (O fim do
livre mercado: quem ganha a guerra entre Estados e companhias,
em tradução livre), de Ian Bremmer, consultor da
Erasia Group.
Batalha cambial
Talvez o problema mais sério na relação
do mundo com a China, ainda que não novo, seja a desvalorização
artificial do yuan (estimada entre 25% a 40%) como estratégia
competitiva de exportação. Analistas temem que
o endurecimento de Washington pela correção cambial
resulte numa recusa ainda mais teimosa. “Há a possibilidade
plausível de que a China reconheça que precisa
permitir que sua moeda reflita o mercado. Mas, se houver pressão
explícita muito forte, fica mais difícil
tomar esse passo”, afirma Roy.
As rusgas parecem desnecessárias quando se observa a
interdependência das duas economias. “Hoje não
tem como falar em China sem Estados Unidos nem o contrário,
no campo econômico ou no estratégico”, diz
a professora de relações internacionais da Universidade
do Estado de São Paulo (Unesp) Cristina Pecequilo.
Mas, como ela frisa, a forte pressão exercida sobre o
governo americano por grupos defensores dos direitos humanos
pesa muito na popularidade de Barack Obama. Para eles,
o país que é o paladino da democracia
no mundo não pode negociar livremente com outro em que
a oposição ao governo é sufocada.
Futuro
Ainda que diferente de todas as outras, a atual crise aberta
dentro do “G2” (como é chamada a dobradinha
dos gigantes) é considerada passageira. “Os
chineses estão reagindo mais firmemente, mas não
de uma forma que ameace a relação entre os países”,
acredita o professor Stapleton Roy, diretor do Instituto
Kissinger para a China e os EUA do Woodrow Wilson Center.
Em opinião publicada sobre o tema, a revista Economist
sugere que o ideal seria aproveitar a pressão do momento
para cobrar da China uma postura diante dos grandes problemas
globais, como o clima, condizente com seu tamanho e
com resultados de longo-prazo.
G2 abalado
As rusgas diplomáticas entre Estados Unidos e China se
multiplicaram nas últimas semanas:
Google
Em janeiro, o Google ameaçou encerrar suas operações
na China em decorrência do crescente ataque de hackers
a seu serviço de buscas, e acabou colocando a questão
delicada da censura chinesa à internet na jogada.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou
a falta de liberdade, o que foi rechaçado por Pequim.
Armas para Taiwan
Há uma semana o Pentágono enviou ao Congresso
uma proposta de venda de armas para Taiwan no valor de US$ 6,4
bilhões.
Para a China, que considera a ilha de Formosa uma “província
rebelde” apesar da separação entre os Estados
em 1949, o negócio representa interferência em questões
internas.
Dalai-lama
Nesta semana, a Casa Branca confirmou um encontro entre o presidente
Obama e o líder espiritual do Tibete para fevereiro. A
China reagiu, já que considera o religioso exilado uma
ameça desde a anexação do Tibete, em 1959,
e das revoltas decorrentes.
Apoio ao Irã
Os EUA insistem para que Pequim use sua força na Ásia
e pressione os aiatolás para encerrar o programa nuclear.
A China prefere o diálogo a impor mais sanções.
Yuan artificial
Obama pressiona a China para que permita que sua moeda flutue,
acusando o país de comprar dólares para valorizá-lo,
consequentemente desvalorizando o yuan.
Fonte: Da Redação
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Valor Econômico,
6 de fevereiro de 2010
Consolidação das Leis Sociais chegará ao
Congresso em duas etapas Por Paulo de Tarso Lyra,
No Valor Econômico
A Consolidação das Leis Sociais, uma das principais
bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
garantir a manutenção de seus programas sociais
no futuro e alavancar a candidatura presidencial da chefe da
Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, será feita em dois
momentos para incorporar programas governamentais que não
têm, ainda, status de lei, segundo apurou o Valor.
Na primeira etapa, no início de março, será encaminhado
ao Congresso Nacional um anteprojeto com os programas sociais
criados por meio de portarias ou decretos, como Territórios
da Cidadania, Programa de Aquisição de Alimentos
ou Farmácia Popular, para que eles se tornem lei federal.
Assim que esses programas forem transformados em lei pelo Congresso,
virá a segunda etapa: o Governo reunirá, em uma única
Lei, nos moldes da Consolidação das Leis Trabalhistas
de Getúlio Vargas, toda a legislação social
e os programas do Executivo criados a partir de 2003, inclusive
o principal deles, o Bolsa Família.
"Queremos consolidar os programas sociais de reconhecido êxito,
que já são patrimônio da sociedade",
disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência,
Luiz Dulci, escolhido para coordenar a tarefa.
"É fundamental que se transformem em lei tornando-se
política de Estado, ganhando com isso maior estabilidade"
Para ele, a transformação dos programas sociais
em lei única não significa que não possam
ser extintos ou aperfeiçoados a qualquer tempo. A única
diferença é que a mudança impedirá que
sejam abolidos simplesmente por vias administrativas.
Dificilmente a votação da CLS no Congresso será concluída
em 2010. A segunda etapa, por exemplo, só deve começar
depois de outubro. "Não importa se a CLS não
for aprovada esse ano", disse um ministro que integra o
núcleo central do Governo.
"Já teremos um discurso político para enfrentar
a oposição". Se a oposição barrar
a tramitação no Congresso, diz o ministro, o Governo
a acusará de ser contrária à continuação
das conquistas sociais do Governo Lula.
Pelas estimativas do grupo interministerial, existem mais de
cem programas sociais em execução no âmbito
do Governo Federal.
Muitos deles, no entanto, ainda são projetos-piloto,
estão em fase experimental ou ainda não têm
uma avaliação precisa sobre os resultados. Estes
ficam de fora dessa primeira etapa da Consolidação.
Para tentar diminuir o mal estar que a iniciativa poderá causar
no Congresso, auxiliares do presidente lembram que, ao propor
a transformação dos programas em lei, o Governo
inclui o Congresso Nacional no debate.
Pessoas próximas a Lula, contudo, alimentam a disputa
eleitoral, desafiando a oposição a mostrar-se contrária
aos programas sociais em pleno ano eleitoral.
O temor maior desse grupo é a mobilização
de políticos da base na tentativa de mais coisas além
do "limite razoável" para um discurso pronto
junto ao eleitorado.
Apesar de a CLS ser a etapa mais visível do trabalho
a ser realizado pelo grupo interministerial coordenado por Dulci,
esta não será a única missão.
Os ministros também querem transformar em lei os mecanismos
de participação social na elaboração
de políticas públicas - Conselhos, Conferências
e Ouvidorias - e criar metas e indicadores sociais para o país.
A realização de conferências sociais é uma
das principais marcas da era Lula. Muitas delas geraram polêmica,
como o documento final com as teses aprovadas nas Conferências
da Saúde, das Mulheres e dos Direitos Humanos.
Após uma crise entre os ministros dos Direitos Humanos,
Paulo Vanucchi e da Defesa, Nelson Jobim, o presidente Lula teve
de suprimir a expressão "repressão política" no
texto que afirmava que a "Comissão da Verdade será composta
de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazo
definidos, para examinar as violações de direitos
humanos" praticadas no período que abrange a Lei
de Anistia.
Mesmo assim, foram mantidos temas delicados, como a discussão
sobre a legalização do aborto, a possibilidade
de cerceamento da imprensa e a obrigação de negociação
prévia nos casos de conflitos agrários.
Outro encontro que gerou críticas ao Governo foi a Conferência
Nacional de Comunicação. Os empresários
ligados à Associação Nacional dos Jornais
(ANJ) e Associação Brasileira das Emissoras de
Rádio e Televisão (Abert) retiraram-se da Conferência
reclamando que a condução dos debates favorecia
o cerceamento da liberdade de imprensa.
Para Dulci, a realização de Conferências
e Conselhos está amplamente apoiada na Constituição
Federal de 1988 e é um hábito que precede o Governo
do PT, embora tenha ganho status maior durante o mandato de Lula.
"Elas são importantes para ouvirmos as demandas
da sociedade, mas não são impositivas e não
substituem a tarefa do Executivo de elaborar as políticas
públicas".
Embora não haja uma definição ainda, a
ideia é que as conferências passem a acontecer regularmente,
com intervalos que podem ser, por exemplo, de dois em dois anos.
Os conselhos já têm hoje um prazo menor entre uma
reunião e outra - normalmente elas acontecem mensalmente
ou a cada dois meses.
A terceira e última missão do grupo coordenado
por Dulci é estabelecer metas e indicadores sociais a
serem perseguidos pelos governos em todos os níveis da
administração pública - federal, estadual
ou municipal.
De todos os outros objetivos, esse ponto é o que está em
um estágio mais embrionário e não há um
consenso interno no Governo sobre como ele poderá ser
concretizado.
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Agência
Diap, 5 de fevereiro de 2010
PLS 23: trabalhador poderá faltar um dia por ano sem redução
de salário A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal
aprovou e está em análise na Comissão de
Assuntos Sociais uma proposta que permite ao trabalhador faltar
um dia de serviço ao ano sem que haja redução
de salário.
Trata-se do PLS 23/03, do senador Paulo Paim (PT/RS), que atende
a uma antiga e legítima reivindicação da
classe trabalhadora - o direito de tratar de assuntos pessoais
sem a necessidade de se justificar perante seu chefe ou qualquer
outra pessoa.
O direito de faltar a um dia de serviço, no prazo de
doze meses, poderá ser estendido para o acompanhamento
de atividade escolar de seu dependente. Nos dois casos, os termos
e as condições para a ausência ao serviço
serão fixados por acordo ou convenção coletiva
de trabalho.
De antemão, o projeto estabelece que a falta ao trabalho
para participar de atividade escolar dos dependentes matriculados
no ensino fundamental ou médio deverá ser atestada
a presença pela administração escolar e
ser requerida com, pelo menos, 30 dias de antecedência.
Acordo coletivo ou convenção de trabalho poderá ampliar
o período de ausência ao trabalho para tratamento
de assuntos pessoais. Os críticos de plantão podem
alegar o aumento dos custos econômicos para a dispensa
do trabalhador.
No entanto, os benefícios sociais do projeto superam
o custo financeiro já que as medidas terão um impacto
maior no bem-estar do trabalhador, que exercerá suas funções
com maior motivação, e no de seus filhos, que terão
um maior incentivo para o aprendizado.
Na Comissão de Assuntos Sociais a relatora é a
senadora Ideli Salvati (PT/SC).
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Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro de 2010
CIMENTO
Votorantim adquire 17% do capital da portuguesa Cimpor
DA REDAÇÃO
Ú
ltima a entrar publicamente na disputa, a Votorantim saiu na frente
das rivais CSN e Camargo Corrêa ao adquirir, do grupo francês
Lafarge, 17,3% do capital da cimenteira portuguesa Cimpor. Também
fechou acordo com o banco CGD, que também é acionista
da Cimpor, em que se comprometem a não elevar substancialmente
a participação na empresa.
Para fechar o negócio, a Votorantim disse que a francesa,
a maior cimenteira mundial, vai receber ativos seus no Brasil,
sem revelar quais. Segundo a Lafarge, isso depende de alguns
fatores, como a valorização das ações
da Cimpor por causa da oferta pública feita pela CSN.
A CSN, assim como a Camargo Corrêa, disse que continua
interessada na Cimpor -o conselho da empresa portuguesa recomendou
que os acionistas não aceitem a proposta da CSN.
Com o acordo feito com o CGD, a Votorantim e o bancos detêm
juntos aproximadamente 27% do capital da Cimpor, o que os torna
os principais acionistas da companhia. Elas disseram que não "podem
ir além dos 32%", o que as obrigaria a fazer uma
oferta pública.
O CGD disse que um dos motivos do acordo é a manutenção
da "independência empresarial" da Cimpor.
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GAZETA DO POVO,
03 de fevereiro de 2010 | Imóveis
Construção civil
Mercado qualifica para garantir mão
de obra
Cursos oferecidos por várias entidades intensificam a capacitação
para a construção civil que mantém a demanda
em alta
Em ano de mercado aquecido para a construção civil,
uma das principais preocupações dos construtores é garantir
mão de obra capacitada. As vagas no setor vêm
aumentando desde o fim do ano passado no Paraná, de acordo
com dados da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego
e Promoção Social (Setp). Em 1.º de fevereiro,
havia 1.100 vagas para os diversos cargos da construção
civil em todo o estado, mais da metade na capital.
“Os lançamentos em todo o estado confirmam o bom
momento do setor, mas também revelam que será preciso
um grande esforço para capacitar a mão
de obra. Não acreditamos em um apagão, mas é preciso
ampliar a qualificação”,
analisa o vice-presidente do Sindicato da Indústria da
Construção Civil no Estado do Paraná, Normando
Baú.
A entidade, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (Senai), iniciará na próxima semana
a oferta de cursos gratuitos nas mais diversas áreas da
construção. “Não falta apenas um tipo
de mão de obra, será preciso realizar treinamentos
em todas as áreas. As novas tecnologias de construção
exigem pessoas com mais conhecimento. Construir não é mais
uma atividade artesanal”, ressalta Baú.
O primeiro curso da parceria é o de Leitura e Interpretação
de Projetos, que está com inscrições abertas
e terá início na próxima segunda-feira.
As aulas serão noturnas na sede do Senai Construção
Civil, no bairro Parolin, em Curitiba. Serão 40 horas
de curso, em turmas de 20 alunos. “O foco são os
trabalhadores que atuam na construção civil. É muito
importante que os empresários incentivem seus
funcionários a participar deste curso, que divulguem em
suas obras para que todos possam se inscrever”, destaca
a coordenadora do Serviço Social do Sindicato
da Indústria da Construção Civil
no Estado do Paraná (Seconci-PR), Lia Márcia
Batista.
Ela explica que este curso era um dos principais pedidos dos
empresários, por ser básico e importante
para o bom andamento da obra. “O conteúdo passa
pelo entendimento dos tipos de planta, focando na terminologia
usada nos projetos”, diz.
Serão oferecidos gratuitamente também, mas ainda
sem data definida, os cursos de Auxiliar de Manutenção
Predial e Serviços Elétricos, Oficinas
de Matemática nas Obras, Educação Orçamentária
e Inglês Básico.
Haverá ainda dois cursos que incluirão a participação
da família dos trabalhadores: Inclusão Digital
e Cozinha Brasil, que incentiva e orienta a alimentação
saudável.
No ano passado, a parceria Sinduscon/Senai capacitou
400 pessoas nos cursos gratuitos. De acordo com Baú, este
ano a intenção é treinar pelo
menos 600 pessoas.
O Senai é responsável ainda pela qualificação
profissional por meio do Plano Setorial de Qualificação
e Inserção Profissional para os Beneficiários
do Programa Bolsa Família (Planseq), que desde
o ano passado oferece cursos para pintor, armador e montador,
carpinteiro, azulejista, encanador, mestre de obras, auxiliar
de escritório, eletricista, pedreiro, reparador, almoxarife,
gesseiro, desenhista, projetista e operador de trator. Segundo
o Senai, a meta é treinar ao menos 2 mil beneficiários
paranaenses este ano.
Investimento
Quem pretende investir em um curso para entrar no mercado da
construção civil pode procurar o Senai que, a partir
do próximo mês, terá os cursos de carpinteiro,
instalador de drywall, instalador hidráulico e operador
de elevador de obras. O valor dos cursos variam de R$ 100 a R$
500.
A qualificação tem reflexo no salário.
O piso da categoria vai de R$ 793 para serventes a R$ 1.482 para
mestres de obra, conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção Civil
de Curitiba e Região Metropolitana
(Sintracon). Profissionais como pedreiro, carpinteiro,
encanador, eletricista e azulejista ganham no mínimo R$
1.053, mas podem chegar a R$ 2.000, dependendo do conhecimento
do profissional, explica o presidente do Sintracon, Domingos
de Oliveira Davide.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae/PR) tem uma área voltada para
pequenos empresários e profissionais autônomos
da construção civil. O consultor
desta área no Sebrae/PR,
Pedro Cesar Rychov, informa que os profissionais como
instaladores elétricos, hidráulicos
e montadores de gesso poderão se inscrever em cursos em
parceria com a Universidade Tecnológica Federal
do Paraná (UTFPR), a partir de março. Os valores
não estão definidos e a expectativa é treinar
ao menos 300 profissionais este ano.
Serviço:
Cursos Sinduscon/Senai – telefone (41) 3051-4300 ou email
seconci@sindusconpr.com.br
Cursos Senai – telefone (41) 3271-7777 ou no site www.pr.senai.br
Cursos Sebrae – telefone (41) 3330-5739 ou no site www.sebraepr.com.br
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Folha de S.Paulo, 2 de fevereiro de 2010
VINICIUS TORRES FREIRE
FHC privatiza, Lula conglomera
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Em três anos, governo muda o padrão de propriedade
da grande empresa, com apoio do BNDES e da crise financeira
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NEM TODA fusão & aquisição tem o dedo
do governo Lula. Algumas são feitas a braçadas,
outras à boca miúda, algumas levam só a
benção estatal. Algumas das principais personagens
desses grandes negócios são proprietários
do que antes eram apenas empreiteiras gigantes, agora conglomerados
diversificados (Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez).
Os grandes empreiteiros conversam muito bem com Lula, em pessoa.
Outra parte do jogo é armada por Luciano Coutinho, do
BNDES, que anunciou o projeto das "campeãs" e "multinacionais" brasileiras
e o implementou com eficácia, em tempo escasso -o economista
assumiu o banco faz menos de três anos.
O contexto histórico deu o resto do impulso à criação
de "chaebol" coreanos ou "keiretsu" japoneses à moda
brasileira (ou se trata de algo como a criação
de conglomerados americanos e alemães na virada do século
19 para o 20?). A crise financeira descapitalizou ou quebrou
empresas no Brasil e lá fora. O mundo rico (a contragosto)
e o Brasil (com gosto) convocaram o Estado para resolver a lambança.
O relativo sucesso do Brasil na crise reforçou os vetores
ativistas do governo.
O BNDES terá R$ 180 bilhões do Tesouro no biênio
2009-10. Ajudou a concentrar o negócio de carnes na mão
do JBS; o de frango, suínos e derivados na mão
da Perdigão-Sadia (a Perdigão já era "semiestatal");
a telefonia nacional na mão da Oi; boa parte do negócio
de celulose na mão da Votorantim-Aracruz.
O comentário vem a propósito da simpatia do governo
pelo desejo da Camargo Corrêa de açambarcar um terço
da distribuição de eletricidade no Brasil, embora
tal negócio seja ainda incipiente. Além da Camargo,
a Odebrecht também gostaria de levar a Brasiliana (Eletropaulo
e AES), hoje de BNDES e AES; pode ser que tente levar a Duke
no Brasil. E a Cemig sempre sonhou em ser grande consolidadora
do setor.
Com a Odebrecht, a Petrobras forma um grande elo da ciranda
de fusões & aquisições do período
Lula 2. Sócias na Braskem, que engoliu a Quattor, Petrobras
e Odebrecht quase monopolizaram e verticalizaram a petroquímica
no Brasil. Por falar nisso, a Braskem comprou ontem as petroquímicas
muito mal das pernas da Sunoco, nos EUA.
Odebrecht e Petrobras estão preocupadas com o movimento
anunciado ontem pela Cosan, que fundiu seus negócios de
etanol e postos com a Shell (lembre-se que a Cosan comprara os
postos Esso no Brasil).
A Petrobras quer ter pelo menos um quinto do negócio
do álcool no Brasil. Está procurando mais usinas
para comprar, uma meia dúzia. A Odebrecht tem a ETH Bionergia,
que está acabando de comprar a Brenco (também de
etanol, com apoio e sociedade do BNDES).
A consolidação não acabou -as alcooleiras
estão mal das pernas, endividadas. Os estrangeiros estão
chegando, na contramão das "múltis brasileiras".
A múlti francesa do agronegócio Louis Dreyfuss
levou a Santelisa, a segunda do etanol (a primeira é a
Cosan). A múlti americana de commodities Bunge vendeu
seu negócio de fertilizantes para a Vale (outra "semiestatal")
a fim de se concentrar no etanol.
O que falta? Farmacêuticas, siderurgia? Quem dá mais?
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O ESTADO DO PARANÁ,
01 de fevereiro de 2010 | Economia
Brasil criará 1,5 milhão
de empregos em 2010
Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em entrevista
exclusiva à Agência Brasil, em Davos, na Suíça,
que acredita que o Brasil vai criar neste ano 1,5 milhão
de empregos. O ministro participou do Fórum Econômico
Mundial.
"
Em 2009, o mundo perdeu 27 milhões de empregos. Portanto,
houve um aumento do desemprego no mundo. E o Brasil, em ano de
crise, foi um dos poucos países que criou novos empregos.
E será um dos países que mais vão gerar
emprego em 2010. Com esse crescimento que vamos ter [a previsão
do ministro é de um crescimento acima de 5%], vamos criar
mais de um 1,5 milhão de empregos em 2010."
Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
participaram no fórum de um debate sobre a economia brasileira.
No painel Brazil: What is Next? (Brasil: o que Vem pela Frente?),
apresentaram para empresários e investidores uma análise
macroeconômica do país, sobre o crescimento do emprego
e o aumento da renda e do consumo.
Em entrevista logo após o encontro, Mantega comentou
também a reação dos estrangeiros. Disse
que o Brasil é alvo do interesse de vários empreendedores
de todo mundo.
"Não faltarão investidores indo para o Brasil
porque o país demonstra, cada vez mais, que reúne
condições muito atraentes. É um pais seguro,
sólido, que cresce de forma sustentável e oferece
oportunidades para todos e também para os estrangeiros."
Mantega falou ainda sobre o fim da redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis,
eletrodomésticos e materiais de construção.
Permanecem apenas os incentivos fiscais para os investimentos.
O ministro disse que vê uma recuperação
sólida da economia brasileira e acredita não ser
mais necessária a isenção tributária
para incentivar o consumo. "A economia brasileira caminha
com as próprias permas", destacou Mantega.
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