SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE LADRILHOS HIDRÁULICOS, PRODUTOS DE CIMENTO, FIBROCIMENTO E ARTEFATOS DE CIMENTO ARMADO
DE CURITIBA E REGIÃO
   
   
   
   
     
 

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Folha de S.Paulo, 12 de julho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Ficha Limpa vingará neste ano, diz presidente do TSE
Para Ricardo Lewandowski, "fichas-sujas" estão com campanhas em risco

Ministro faz defesa de reforma que acabe com o "pluripartidarismo exacerbado" e proíba o financiamento privado

VALDO CRUZ
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ricardo Lewandowski avalia que um adiamento da Lei da Ficha Limpa seria uma "frustração" para a sociedade, mas diz ter "convicção de que a lei vingará" mesmo passando pelo crivo do Supremo Tribunal Federal e barrará os "fichas-sujas".

Em sua opinião, candidatos que conseguirem liminares para disputar a eleição estão com as campanhas em risco. "Aqueles que não tenham a ficha limpa farão a campanha por sua própria conta e risco." Lewandowski, 62, critica o curto espaço reservado para a campanha formal, que, para ele, deveria começar em janeiro. "Mas é preciso não admitir o uso da máquina."

Folha - O TSE ordenou que a Lei da Ficha Limpa vale neste ano, mas candidatos estão recorrendo ao STF. O sr. teme que ela não vingue?

Ricardo Lewandowski - As liminares concedidas estão previstas na Lei da Ficha Limpa, que prevê o efeito suspensivo. O TSE afirmou por expressiva maioria que a lei é constitucional, que se aplica a estas eleições e a fatos pretéritos. Eventualmente, um ou outro aspecto pode ser questionado no STF.

Há risco de "fichas-sujas" serem eleitos. Qual a mensagem que pode ser passada?

No cotidiano é assim. Alguém, com uma liminar, concorre, é eleito, depois o caso é julgado definitivamente e ele tem o diploma cassado. A mesma coisa pode ocorrer com aqueles que não tenham a ficha limpa. Podem obter uma liminar, mas farão sua campanha por sua própria conta e risco.

Sua expectativa é que a lei vingue ou teme que não?

Totalmente. Primeiro, foi uma lei com amplo respaldo popular, nasceu de uma iniciativa legislativa popular. O Congresso aprovou por uma votação maciça. Essa matéria foi examinada pelo plenário do TSE. Tenho a convicção de que vingará mesmo passando pelo crivo do STF.

É possível dizer que, mesmo com o efeito suspensivo, a hora deles vai chegar?

Vai chegar, sem dúvida. O candidato corre o risco, se não tiver sucesso na decisão final, de perder o mandato.

O sr. avalia, então, que será uma frustração para o eleitor a lei não vingar?

É possível que haja uma frustração da sociedade. Mas acho que a lei já vingou, está em plena vigência.

Concorda que houve antecipação da campanha?

Sempre houve a antecipação da campanha. O que houve foi uma exposição maior dessa antecipação por parte da mídia.

Há um vácuo legal no período de pré-campanha. Nele, a Justiça não pode aplicar punição prevista em época de campanha. Como lidar com isso?

Sou plenamente favorável a disciplinar esse período. Defendo a ideia de que [seja] no começo do ano eleitoral. A partir de janeiro, a campanha poderia ser deflagrada. Mas é preciso regulamentar. Não se pode admitir é o uso da maquina administrativa.

Irregularidades punidas até aqui perdem efeito legal ou podem ainda ser consideradas em processo mais à frente, diante de novas infrações?

Teoricamente eles podem ser invocados. Mas é preciso provar que realmente esses fatos tiveram o condão de desequilibrar a campanha.

Houve desequilíbrio?

Não posso me manifestar.

Avalia que Lula, tendo atuado em atos multados como campanha antecipada, agiu de forma republicana?

Não posso responder pelo presidente. Mas posso dizer é que, entre abril e maio, houve uma inflexão na jurisprudência da corte. Até então, entendia-se que só se configurava campanha antecipada se houvesse menção ao pleito, fosse nominado um candidato e houvesse pedido explícito de voto. A partir de abril/maio (...), determinados comportamentos passaram a ser sancionados.

Que outra iniciativa deveria ser tomada para outras eleições como avanço institucional na busca da moralidade?

Precisamos de uma reforma política mais ampla. Não digo a reforma do processo eleitoral, que precisa ser feita para diminuir o número de recursos. Muitas vezes um político é cassado e, em razão dessa multiplicidade do número de recursos, só sai quase ao término do mandato.

Como acabar com isso?

Isso está sendo providenciado pelo Congresso. Mas há uma reforma mais ampla tem de ser feita, a política. Deve-se discutir o pluripartidarismo exacerbado. Temos 27 partidos, número inusitado comparado a democracias mais avançadas. Precisamos meditar sobre a cláusula de barreira. O STF considerou inconstitucional a que existia, mas é preciso repensá-la.

O que mais?

Temos a questão do financiamento das campanhas. Tendo em conta as distorções que advieram do financiamento maciço do setor privado, e entendo que isso pode representar até um elemento perturbador e de corrupção mesmo das eleições, eu pendi no sentido de que deveríamos favorecer o financiamento público de campanha. Mas com a eleição americanas ocorreu um fenômeno novo, o financiamento feito gota a gota pelo eleitor, por meio da internet, do telefone.

O sr. disse que as grandes doações de empresas podem ser um fator perturbador e de até corrupção. O que fazer?

Poderíamos caminhar no sentido de permitir só doações de pessoas físicas, com limites, como existe hoje.

Mas o caixa dois não continuaria mesmo assim?

Estamos com mecanismos cada vez mais sofisticados para detectar o caixa dois.

Os senhores estão enfrentando debate sobre uma verticalização diferente, a questão da aparição de candidatos a presidente nas propagandas nos Estados. Ela é possível?

No que tange à verticalização na propaganda, houve uma primeira decisão tomada numa consulta do PPS, mas é possível que o TSE reveja a posição que tomou, em face a novos argumentos.

Leia a íntegra da entrevista

www.folha.com.br/po764775





IHU-Online, 11 de julho de 2010
O valor econômico do tempo livre
"O tempo da nossa vida é o bem mais precioso. Entender como o utilizamos, e o custo do seu desperdício, é essencial para começarmos a organizar as nossas atividades em torno à qualidade de vida, e atualizarmos as nossas contas", afirma o economista Ladislau Dowbor.

Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “Democracia Econômica”, “A Reprodução Social: propostas para uma gestão descentralizada”.

O tempo é o nosso principal recurso não renovável. O seu deperdício, por nós mesmos ou por terceiros, é monumental. Todos sabemos que time is money, mas poucos pensam no que estão comparando. O tempo é o tempo da nossa vida. Dinheiro perdido pode ser recuperado. Já a vida…

Keynes tinha uma visão muito simpática do amor pelo dinheiro: “O amor do dinheiro como posse – distintamente do amor do dinheiro como meio de obter os prazeres e realidades da vida – será reconhecido pelo que é, uma morbidez um pouco repugnante, uma destas propensões semi-criminais, semi-patológicas que entregamos com um tremor aos especialistas em doenças mentais”.[2]

Não que desconheçamos o valor econômico do tempo. O empresário calcula rigorosamente os tempos dos seus empregados, porque o tempo dos seus empregados é o seu dinheiro. Kuttner relata a visita que fez a um centro de tele-marketing, onde as moças têm direito a apenas dois segundos entre uma chamada e outra: passados os dois segundos, começam os descontos. O documentário The Corporation mostra empresas onde são registrados até centésimos de segundo das operações de costureiras para as grandes marcas. Ninguém marca em segundos o tempo que passamos na fila do banco.

Ao pensarmos o tempo livre como categoria econômica, entramos numa visão moderna da economia, porque centrada no resultado final, na qualidade de vida. Em termos econômicos, isto significa darmos valor tanto ao tempo que não é diretamente contratado por um empregador, – e que as empresas consideram gratuito pois não lhes custa – como ao tempo dedicado a atividades socialmente úteis mas que não entram no circuito monetário, como os cuidados com a família, o embelezamento dos nossos jardins, a arborização das nossas calçadas por vizinhos dedicados e assim por diante, porque o prazer da vida tem valor. Dormir bem também tem valor. É o nosso tempo.

Há uma dimensão surrealista nesta irracionalidade que envolve a má distribuição dos esforços. Uma parte da sociedade está desesperada por excesso de trabalho, e outra por não ter acesso ao emprego. Um mínimo de bom senso na distribuição de esforços constitui, neste sentido, um dos objetivos centrais da gestão social. Em termos de regulação da economia do tempo, chega-se à conclusão de que o mercado constitui um mecanismo estruturalmente insuficiente de alocação dos recursos do trabalho, exigindo soluções sistêmicas articuladas. Não há nada de novo nesta constatação. Mas na visão que aqui sugerimos, ao darmos um valor econômico ao tempo social, o desemprego deixará de ser visto apenas como situação de desespero lamentável, restrita aos pobres diabos que não conseguiram diplomas e “empregabilidade”, mas um custo para a sociedade: o valor do tempo desperdiçado pode ser muito maior do que o custo de medidas de organização que assegurem um trabalho útil para todos.[3]

Calcular o valor econômico do nosso tempo livre pode ter grandes impactos sobre a forma de organizarmos as decisões econômicas, e sobre a priorização dos investimentos, além de resolver o problema da inclusão no PIB de categorias não monetárias. A forma mais prática de explicitar a metodologia é aplicá-la a um caso concreto, a cidade de São Paulo.

O exemplo de São Paulo

São Paulo tem 11 milhões de habitantes. O PIB da cidade é de 320 bilhões de reais. Dividindo o PIB pela população temos uma PIB anual per capita de 29 mil reais. Para já, é um montante muito elevado. Mas o que nos interessa aqui é que a partir desta cifra podemos calcular o valor da hora per capita. Dividindo 29 mil reais por 8.760 horas, que é o número de horas num ano, teremos um valor de 3,30 reais. Este seria o valor médio da hora do paulistano, em termos gerais.[4]

Fixar um valor básico para o tempo do paulistano nos permite chegar a uma visão bastante mais realista das contas econômicas. Essencialmente, permite que se dê um equivalente valor a um conjunto de atividades que não contabilizamos simplesmente porque não custam dinheiro, ou não ocasionam registro de trocas monetárias. O que segue, é uma aplicação possível da metodologia para a cidade. Não se trata aqui de substituir o conceito de Produto Interno Bruto, e sim de dar visibilidade econômica ao conjunto de atividades não contabilizadas, pois são atividades que absorvem tempo, e ao dar uma equivalência valor à hora do paulistano, passamos a complementar o PIB.[5]

O custo do tempo no trânsito

É notório que o tempo perdido no transporte é um desperdício. Do ponto de vista do PIB, o fato de tantos serem obrigados a comprar carros e a utilizá-los em permanência – pela fragilidade dos serviços de transporte coletivo – aparece como conta positiva no cálculo do PIB, tanto pela produção de automóveis, como consumo de combustíveis, investimentos, acidentes e hospitalizações e assim por diante. Desde 2003 o Banco Mundial passou a descontar no cálculo da contribuição da produção automobilística para o PIB os custos gerados com saúde. No nosso caso, de forma mais ampla, consideraremos que os 6 milhões de pessoas que constituem a população economicamente ocupada da cidade são penalizadas ao perder tempo no transporte, em que nem descansam, nem produzem, nem investem (a não ser os raros que por exemplo aproveitam o trânsito parado para estudar idiomas e atividades semelhantes). Uma hora perdida por 6 milhões de ativos, são 6 milhões de horas perdidas. Se calcularmos o valor da hora perdida em 3,30 reais, são 19,8 milhões de reais perdidos por hora.

De acordo com as pesquisas do movimento Nossa São Paulo, o paulistano ativo médio perde por dia duas horas e quarenta minutos no trânsito. Isto significa um custo-tempo de 52,8 milhões de reais por dia, o que representaria a dimensão do prejuízo causado à cidade pela ineficácia das suas opções de transporte. Outra forma de considerar este cálculo está ligada à política de investimentos. Se São Paulo perde, arredondando, 20 milhões de reais por hora de tempo perdido no trânsito, isto significa que se investimentos no metrô e corredores de ônibus economizarem meia hora por dia do nosso tempo, são 10 milhões de reais ganhos por dia. Como um quilômetro de metrô custa 200 milhões de reais em valores aproximados, isto significa que no cálculo do retorno sobre o investimento devemos levar em conta não só o retorno pelos bilhetes que as pessoas irão pagar, mas também as economias difusas para toda a sociedade. Com 10 milhões economizados por dia, só isto já cobre um quilômetro de metrô a cada 20 dias.

Não incluir este cálculo na avaliação dos investimentos significa fazer um cálculo errado. Do ponto de vista microeconômico é até correto, pois quem fizer o investimento acha que o que lhe interessa é apenas o dinheiro dos bilhetes que vai entrar, e as economias realizadas pelo conjunto da população não enchem o seu bolso. Mas do ponto de vista da produtividade sistêmica do território, a racionalidade geral torna-se mais elevada, pois o fato das pessoas desperdiçarem menos tempo e dinheiro em transporte melhora a situação de todos. Contabilidade incompleta é contabilidade errada.

O custo do desemprego

Uma outra forma de aproveitar a equivalência valor do tempo, é a avaliação do desemprego. Em São Paulo temos uma população ativa da ordem de 6 milhões de pessoas, com um desemprego aberto de 7% (critério IBGE), e um desemprego que inclui o desemprego por desalento da ordem de 14% (critério DIEESE). Este segundo critério é sem dúvida mais realista para uma economia como a nossa. 14% de 6 milhões são 840 mil desempregados. Independentemente dos custos humanos que isto significa, podemos avaliar, em horas de trabalho perdidas, o que isto significa como perdas para a cidade. Se calcularmos as perdas diárias como representando 8 horas de potencial trabalho não realizado, temos uma perda diária de 6,72 milhões de horas. Isto multiplicado por R$3,30 representa R$22,2 milhões desperdiçados por dia.

Do ponto de vista propositivo, quando se toma uma iniciativa de criação de serviços de manutenção urbana – saneamento básico, arborização, promoção de autoconstrução e reforma de habitações etc. – pago com salário mínimo, o custo de 22 milhões por dia se transforma em investimento na qualidade de vida urbana. Já dizia Celso Furtado que quando a produção de uma pessoa é zero, qualquer atividade é lucro. Na realidade, tomar consciência de que cada hora perdida de atividade representa um custo, facilita a compreensão e aceitação das políticas de garantia do emprego. Assim atribuir um valor equivalente à hora do paulistano permite avaliar melhor como estamos gastando o dinheiro. A organização do processo de garantia do emprego não representa hoje maiores mistérios, política implementada na Índia durante 10 anos no Estado de Maharashtra, com bons resultados, e que hoje está sendo estendida para todo o país.

Nem todos irão querer trabalhar por um salário mínimo. Mas muitos desempregados com boa formação – e são muitos mesmo – podem ser absorvidos na educação e na saúde, coisa que hoje gera protestos porque estaria “inchando a máquina pública”. Na realidade, o desempregado custa, e tomar consciência de que nos custa mais de 20 milhões de reais por dia poderia levar a cidade a ser mais ativa em termos de promoção de emprego.

A contribuição dos voluntários

Uma outra forma de aproveitar a equivalência valor do tempo é a avaliação do trabalho prestado por voluntários. Para muitos, trata-se de atividade pouco importante, “marginal” do ponto de vista econômico. O exemplo da Pastoral da Criança é neste sentido significativo. A Pastoral trabalha com 350 mil voluntários, e está na origem, nas regiões de atividade, de 50% da redução da mortalidade infantil e 80% da redução das hospitalizações. Em termos de contabilidade tradicional, esta atividade não é positiva: pelo contrário, ao reduzir o consumo de medicamentos, uso de ambulâncias e dias de hospitalização, reduz o PIB. E a atividade, como não é remunerada, não aparece no PIB como contribuição positiva. Se estimarmos o trabalho das voluntárias da Pastoral dedicado a crianças em 1 hora por dia, a R$3,30 a hora, podemos avaliar a contribuição da pastoral como equivalente a R$1.155.000 por dia.

Não temos estimativas do volume de horas de trabalho voluntário na cidade de São Paulo. Mas seguramente é muito significativo, e a sua avaliação através da equivalência hora permitiria ter uma aproximação muito mais realista do valor das atividades na cidade. De toda forma, este cálculo passará a equilibrar melhor as decisões políticas na cidade, inclusive porque o voluntariado se expande no país, com a expansão das organizações da sociedade civil que o utilizam intensamente.

A contribuição dos afazeres domésticos

Outro potencial importante da equivalência valor-hora encontra-se na sempre difícil avaliação do trabalho não remunerado nas famílias. No exemplo clássico, a pessoa que plantou, colheu e vendeu o pé de alface realizou uma atividade econômica, enquanto a pessoa que foi comprar na feira, transportou, lavou, preparou e serviu este mesmo alface não contribuiu para economia. Mais ainda, a pessoa que comprou, lavou, preparou e serviu este mesmo alface num restaurante contribui sim para economia. A dificuldade de se avaliar esta atividade é amplamente reconhecida. Mas avaliar o tempo de trabalho doméstico realizado nos domicílios é hoje uma tarefa relativamente simples, e familiar para os estatísticos que fazem, por exemplo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Não é complexo fazer um levantamento por amostragem de quanto tempo as mulheres gastam na sua segunda jornada.

A Síntese de Indicadores Sociais 1996-2006, do IBGE, comenta que “com relação à jornada média semanal despendida em afazeres domésticos, verifica-se que as mulheres trabalham mais que o dobro dos homens nessas atividades (24,8 horas).”[6] Se estimarmos – enquanto não se realiza a amostragem correspondente para São Paulo – que vale para a cidade de São Paulo a média brasileira, podemos calcular o valor desta contribuição. O cálculo é simples: dos 11 milhões de pessoas da cidade, subtraimos 2,7 milhões de pessoas de menos de 15 anos, e 1,3 milhões de pessoas de mais de 60 anos, restando 7 milhões de adultos em idade de trabalho. A metade desta população representa 3,5 milhões de mulheres (seria um pouco mais na realidade, pela presença maior da população feminina, mas isso não muda significativamente o cálculo) que despendem 24,8 horas semanais, três horas e meia por dia, em afazeres domésticos. Com o valor de R$3,30 por hora, 3,5 milhões de pessoas com trabalho de 3,5 horas por dia, são R$40,4 milhões de reais por dia. Como na família se come e se lava pratos inclusive aos domingos, multiplicando os R$40,4 por 365 dias, as mulheres da cidade de São Paulo contribuiriam com R$14,7 bilhões para a economia da cidade, a se acrescentar aos R$320 bilhões do PIB calculado pelo SEADE.

Perspectivas do valor equivalente do nosso tempo

Utilizar o valor equivalente da hora do nosso tempo pode ter outras utilizações. Por exemplo, perdemos tempo na fila do banco. Do ponto de vista do banco, a hora do funcionário é paga, a hora do cliente na fila é de graça. Portanto, compensa ter menos funcionários e mais filas. Na economia isto se chama externalização de custos. Há limites, evidentemente, e por vezes manifestações de indignação de clientes. Mas se os outros bancos adotam a mesma política, a maioria suspira de fila, ou contrata rapazes cuja profissão será ficar na fila. Não é complicado calcular, por agência, multiplicando as pessoas pelo tempo de espera, o valor perdido para todos, tempo em que não se descansa, e não se trabalha. E o rapaz fica na fila em vez de estudar, ou se divertir.

Um vetor semelhante de custos pode ser calculado a partir do tempo médio de espera pelo ônibus. Do ponto de vista da empresa transportadora, o ideal é ter um ônibus bem cheio, o que rentabiliza o trajeto. Portanto é bom demorar um pouco, para que o número de passageiros nos pontos aumente. O tempo médio perdido na espera pelo transporte coletivo pode ser calculado sem muita dificuldade, e multiplicado pelo valor equivalente da hora do paulistano. Ao se calcular a disponibilização de meios coletivos de transporte, a contabilidade correta exige portanto que se leve em consideração os custos sociais completos. Uma vez mais, o custo para o cidadão, em termos de tempo perdido, não sai do bolso da empresa, e o tempo ganho não o enche. A implicação evidente, é que não basta a soma do cálculo microeconômico das empresas, é preciso acrescentar a avaliação da produtividade sistêmica para a cidade no seu conjunto.

Seria de grande utilidade avaliar pelo critério do valor do tempo a produtividade dos sistemas públicos ou privados que envolvem as burocracias em geral. Para determinados impostos, calcula-se o custo/benefício dos diferentes impostos. Alguns geram mais trabalho para a administração pública do que os recursos gerados. Mas é preciso incluir também os custos para o cidadão, em termos de tempo perdido. Se multiplicarmos o número de contribuintes, e o tempo de preenchimento ou de filas, pelo equivalente valor básico da hora do cidadão, teremos o custo social da cobrança calculado de maneira mais correta. Determinados documentos ou procedimentos burocráticos exigem horas de espera. Isto é um custo. Ao aplicarmos a contabilidade das horas perdidas, poderemos verificar melhor a produtividade de se comprar equipamento mais avançado para reduzir as filas, ou simplificar impostos.

Os exemplos podem evidentemente ser multiplicados. Quanto vale o tempo de espera nos serviços de saúde? Quanto vale o tempo perdido pelo cidadão, mas não pela empresa, ao discar dezenas de vezes para um número onde atende uma voz misteriosa que nos informa que “a sua ligação é muito importante para nós”. Importante para o misterioso “nós”, mas evidentemente um custo direto para o bolso do usuário. Quanto custa o serviço que solicitamos, e que será atendido “em horário comercial”, em que temos de ficar em casa esperando? Porque o tempo dos fornecedores não pode ser desperdiçado, o nosso sim. O telemarketing calcula os seus custos em termos de funcionários e de tarifas telefônicas. E o tempo perdido por milhões de potenciais clientes? Apenas uma proporção ínfima das chamadas resultará em venda, e por isso as chamadas devem ser aos milhões. Alguns minutos de milhões de pessoas representam um custo de tempo perdido – sem falar da irritação – muito significativo. Outras formas de publicidade, em particular o “spam”, representam mundialmente centenas de milhões de horas perdidas apagando bobagens, e sendo distraídos do que estamos fazendo, com perda de produtividade geral. O custo da saúde será mais completo ao incluirmos os dias perdidos de trabalho com doenças. Levar em conta este custo do tempo tornaria muito mais clara a produtividade de se investir na saúde preventiva.

Particular atenção deverá ser dada aos cálculos que realizamos sobre a redução da jornada de trabalho. Nos cálculos dos opositores, como consideram sem valor a hora fora do trabalho comercialmente remunerado, assegurar as quarenta horas semanais, e portanto dois dias plenos de descanso para os trabalhadores, representaria uma queda de produção. Naturalmente, porque não consideram como tendo valor o tempo passado com a família, o merecido descanso, o lazer. Na realidade, o cálculo que fazem é errado inclusive no plano estritamente microeconômico, pois onde foi introduzida, a redução da jornada expandiu outras atividades econômicas mais ligadas a lazer, cultura, esportes e semelhantes. Mas na metodologia que aqui focamos, aumentar o lazer não reduz a produção, pois passamos a calcular o valor da hora livre como valor também para a população.

Uma metodologia em definição

Optamos aqui pelo mais simples: o valor do PIB dividido pela população nos dá o PIB per capita anual. Dividindo este pelas horas do ano, obtemos o valor per capita da hora. Mas podemos pensar em contas diferentes. Steven Davis, nos Estados Unidos, partiu do valor médio do salário horário, descontados os impostos, e atribuiu este valor à hora de lazer, algo como 13,2 dólares. Um ganho de 5 horas de lazer por semana significaria 3.300 dólares por trabalhador e por ano.[7] O importante, em termos metodológicos, é a cifra ser claramente compreensível por não especialistas. O per capita anual é uma cifra compreensível e assimilada pelo grosso da população. O per capita por hora é igualmente transparente. Poderíamos utilizar como divisor apenas a população ativa em vez da população total, ou as horas médias de trabalho em vez das horas totais do ano – o que causa problemas porque estamos avaliando as horas totais, incluindo em particular o tempo livre. Isto não mudaria o sentido geral da avaliação, e apenas dificultaria a compreensão.

Por outro lado, a metodologia aponta para a importância de realizarmos regularmente pesquisas sobre o uso do tempo na sociedade. No plano internacional, são os estudos do time budget, que ainda falta introduzir no Brasil. Trata-se do nosso bem mais precioso, o tempo da nossa vida. Entender como o utilizamos, e o custo do seu desperdício, é essencial para começarmos a organizar as nossas atividades em torno à qualidade de vida, e atualizarmos as nossas contas.

Notas:

[1] Expandimos aqui uma categoria desenvolvida no capítulo A Economia do Tempo, no nosso ensaio Democracia Econômica, Ed. Vozes, Petrópolis 2009

[2] John Maynard Keynes – Economic Possibilites for our Grandchildren – (1930), in Essays in Persuasion, W.W. Norton, New York, London, 1963, p. 358 e ss. No original, “The love of money as a possession – as distinguished from the love of money as a means to the enjoyments and realities of life – will be recognised for what it is, a somewhat disgusting morbidity, one of those semi-criminal, semi-pathological propensities which one hands over with a shudder to the specialists in mental disease”. (p. 369).

[3] O clássico sobre o tema é o livro de Guy Aznar, Trabalhar menos para trabalharem todos – prefácio de André Gorz. Keynes já se insurgia contra “a enorme anomalia do desemprego num mundo cheio de necessidades”.

[4] Dados da Fundação Seade, www.seade.gov.br/produtos/perfil/perfil.php, Perfil Municipal, São Paulo.

[5] O próprio PIB está sendo reavaliado nos mais variados fóros. Sobre as insuficiências do PIB, ver o nosso O debate sobre o PIB: Estamos fazendo a conta errada, http://dowbor.org/09_pibestamosfazendoacontaerrada.doc

[6] Ver os dados na Sintese de Indicadores Sociais 1996-2006 do IBGE, gráfico 4.1, e páginas seguintes, doc. s.p. – O documento completo, Síntese de Indicadores Sociais 2007 – Uma análise das condições de vida da população brasileira 2007 – está disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2007/indic_sociais2007.pdf Sobre as tendências de desagregação da família, ver o nosso artigo Economia da Família, sob Artigos Online no site www.dowbor.org

[7] The Economist, February 4th 2006, p. 29





Gazeta do Povo, 10 de julho de 2010
Participação feminina
Número de candidatas mais que dobra, mas não atinge a cota legal
Lei exige que pelo menos 30% dos concorrentes à Câmara e à Assembleia sejam do sexo feminino. No Paraná, índice não é atingido pela maioria dos partidos

A participação feminina nas eleições deste ano para a Câmara dos Deputados e Assembleia Le­­gislativa mais que dobrou em relação a 2006 no Paraná. Neste ano, serão 65 candidatas ao cargo de deputado federal e 146 ao de parlamentar estadual. Em 2006, foram 26 mulheres concorrendo à Assembleia e outras 65 à Câmara.

Apesar desse crescimento, os números continuam abaixo do que exige a legislação eleitoral, que determina que cada partido ou coligação deve preencher no mínimo 30% e no máximo de 70% das vagas da chapa com candidaturas de cada sexo. Pela lei, deveriam ser 175 candidatas à Assembleia e 88 à Câmara. Os números contrastam com a participação feminina na eleição presidencial, na qual duas dos três principais candidatos são mulheres: Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV).

Apenas o PV e a coligação Para­­­ná Mais Forte (PMN, PHS,PSDC e PTC) cumpriram essa distribuição nas chapas para a Câmara Federal e a Assembleia no estado.

Dados da Justiça Eleitoral mostram que há partidos que não chegam nem mesmo a ter uma única candidata mulher. É o caso dos “nanicos” PCB e PRTB na disputa pela Câmara Federal. O PRTB terá três candidatos para deputado federal e o PCB, dois. Na briga pela Assembleia, o PCB também não terá candidatas. Serão cinco homens na chapa. O PTdoB segue a mesma linha e não terá concorrentes mulheres disputando uma cadeira no Legislativo Estadual.

Coligação com maior número de candidatos inscritos para deputado estadual até agora, o chapão PSDB-PP-DEM-PTB-PRB tem apenas 23,47% de concorrentes do sexo feminino. Na coligação União Pelo Paraná (PDT, PMDB, PT, PR e PCdoB), apenas 20,8% dos que disputam uma vaga na Assembleia são mulheres.

Sem punição

Apesar de determinar uma cota mínima para mulheres, a Lei Eleitoral não prevê sanções para os partidos e coligações que não cumprirem essa regra. O especialista em Direito Eleitoral Gui­­lherme Gonçalves explica que ainda não existem decisões judiciais para embasar essa questão. Na avaliação dele, caso os partidos não consigam ter o número de mulheres necessário para respeitar o porcentual determinado pela lei, deveriam ser retiradas candidaturas de homens até atingir a proporcionalidade determinada pela regra eleitoral.

A interpretação, no entanto, é polêmica. O assessor jurídico do PDT, Adalberto Grein, diz que há um entendimento de que os partidos devem reservar as proporções determinadas pela Justiça eleitoral, mas não necessariamente tenham que preencher essas vagas. O advogado do PSDB no Paraná, Ivan Bonilha, também defende essa interpretação. Segundo ele, a retirada de candidaturas masculinas para respeitar a proporcionalidade caracterizaria “uma discriminação às avessas”.

Além de não haver uma sanção prevista para os partidos que não cumprem a proporcionalidade, os dirigentes eleitorais também reclamam que há uma dificuldade em conseguir atrair as mulheres para a disputa eleitoral. “Temos o PSDB Mulher, que está estruturado em todo o estado. Mas, mesmo assim, temos dificuldades de atrair candidaturas femininas”, diz o presidente do PSDB no Paraná, deputado Valdir Rossoni.

Na avaliação da cientista política Luciana Veiga, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ainda faltam incentivos dos partidos à participação feminina na vida política. Para ela, a distribuição das vagas entre os sexos é importante, mas não é o bastante. “A cota é boa, mas ela não é suficiente se não for acompanhada da intenção do partido de preparar a mulher para a disputa”, diz. Luciana cita como exemplos desse “preparo” a colocação de mulheres na direção do partido ou a concessão de secretarias importantes nos governos em que a legenda comandar.




FOLHA DE SÃO PAULO, 09 de julho de 2010 | Poder
SAIBA MAIS
Coeficiente define número de eleitos por coligação
DE SÃO PAULO

As eleições para as Casas Legislativas são chamadas proporcionais porque o número de eleitos de cada partido depende da "fatia" de votos que as agremiações partidárias conseguirem nas urnas.

A base para definir a composição das bancadas é o coeficiente eleitoral. Esse cálculo obedece à seguinte regra: 1) divide-se o número de todos os votos válidos (dados aos candidatos e às coligações) pela quantidade de vagas; 2) o resultado é o coeficiente eleitoral; 3) para chegar ao número de cadeiras de cada partido ou coligação deve-se somar todos os votos obtidos pelos candidatos da aliança e dividir pelo coeficiente.

Assim, são comuns casos de candidatos "puxadores de votos" que conseguem turbinar a votação das legendas e promovem a eleição de políticos com baixíssimo resultado nas urnas.

Um dos "puxadores de votos" mais célebres foi o deputado federal Enéas Carneiro, que morreu vítima de leucemia em 2007.

Em 2002, ele obteve 1,5 milhão de votos e fez com que o partido "nanico" Prona conseguisse seis cadeiras na Câmara Federal.

Um dos beneficiados pela expressiva votação de Enéas, o advogado Ildeu Araújo, recebeu apenas 382 votos naquela eleição.




Folha de S.Paulo, 8 de julho de 2010
Camargo investe R$ 14 bi em cimento
Grupo anuncia expansão no Brasil e no exterior até 2014 e pretende ficar entre as dez cimenteiras do mundo | Novo programa de investimento prevê expansões, novas fábricas e aquisições, sobretudo na África

DE SÃO PAULO

O Grupo Camargo Corrêa anunciou um megaplano de investimento na operação de cimentos até 2014.

O pacote envolve aporte de R$ 14 bilhões nos próximos quatro anos, o que já inclui os R$ 3,5 bilhões gastos na aquisição de 33% do capital da Cimpor (Cimenteira de Portugal), operação realizada no início do ano.

O programa de investimento representa nova escala nas apostas do grupo nesse negócio. De 2005 a 2009, os investimentos da divisão de cimentos foram de R$ 810 milhões.

O plano inclui expansão das unidades atuais, construção de novas fábricas (inclusive no Norte do país) e aquisição de marcas no Brasil e, principalmente, na África. O objetivo estratégico do grupo é preparar a companhia para ser uma das dez maiores cimenteiras do mundo. Hoje, está entre as 20.

O anúncio é uma resposta da Camargo Corrêa ao plano de investimento da líder Votorantim, que anunciou a construção de oito fábricas no Brasil.

No Brasil, a previsão de crescimento no consumo de cimento (de 7% no início do ano) já foi revista para 15%, ou o consumo de 57 milhões de toneladas neste ano. Só a divisão de cimentos da Camargo Corrêa receberá mais da metade dos investimentos previstos pelo grupo, cifra de R$ 27 bilhões.

A decisão foi aprovada no Conselho de Administração do grupo CC e baseou-se na perspectiva de abertura e crescimento do mercado africano e no novo ciclo de crescimento do Brasil.

"O grupo olha tudo o que vai acontecer no Brasil. E chegamos à conclusão de que o crescimento obtido até agora ocupou toda a infraestrutura disponível. O crescimento do país precisará necessariamente de uma nova infraestrutura", diz José Édison Barros Franco, presidente do Conselho da Camargo Corrêa Cimentos.

EXPANSÃO

A atividade de cimentos do grupo, terceira no Brasil com a marca Cauê e primeira no ranking na Argentina com a Loma Negra, elevará a capacidade de produção para 28 milhões de toneladas por ano. Hoje, as 16 fábricas em operação no Brasil e na Argentina têm potencial para 15 milhões de toneladas.

Em vendas efetivas, a Camargo crê que o crescimento esperado seja suficiente para dobrar o volume de cimento vendido pelo grupo no mundo, de 11 milhões para 22 milhões de toneladas.

Essa previsão, entretanto, não considera ainda a produção e a venda da Cimpor (Cimenteira de Portugal). Até setembro, o Grupo Camargo Corrêa, responsável pela compra das ações, deverá transferir os ativos para a subsidiária de cimentos.

Franco explica que o plano de investimento da Cimpor ainda não foi definido. O assunto é discutido entre os acionistas.

(AGNALDO BRITO)




Valor Econômico, 7 de julho de 2010
De olho no caixa, centrais correm atrás dos sindicatos
Dos 9,1 mil sindicatos brasileiros, mais de 63% estão ligados formalmente a alguma central sindical e outros 2,8 mil sindicatos aguardam na fila das centrais o reconhecimento do governo, enquanto o número de sindicatos independentes diminui rapidamente. Em dezembro de 2008, menos da metade dos sindicatos eram filiados às centrais - cerca de 47%. Desde o fim de 2008, por exemplo, a Força Sindical filiou quase um sindicato por dia, enquanto a UGT tem hoje 1.047 entidades na fila de reconhecimento do Ministério, e a CUT pode chegar a 2 mil sindicatos filiados até o fim deste ano.

As seis centrais sindicais reconhecidas pelo governo estão travando uma verdadeira guerra para pôr sua bandeira em velhos e novos sindicatos. Quanto mais entidades e mais trabalhadores representados, maior é o repasse de dinheiro oriundo do imposto sindical que elas recebem do Ministério do Trabalho. Para ganhar mais, as centrais avançam sobre sindicatos que já existem - independentes ou que pertencem à outras centrais - ou criam outros em categorias já representadas, aproveitando brechas na legislação trabalhista. Em jogo, a divisão do imposto sindical, cuja parcela destinada às centrais deve superar R$ 100 milhões este ano.

O número de sindicatos independentes no país diminui velozmente. Dos cerca de quatro mil que permaneciam distantes das centrais em janeiro do ano passado, mais de 800 já preencheram a ficha de filiação e iniciaram pagamento mensal às seis centrais. Levantamento realizado pelo Valor em março apontava que o dinheiro oriundo dos repasses federais representava cerca de 80% do orçamento das centrais. De lá para cá, as entidades aumentaram o número de associados - que precisam pagar cotas mensais -, mas a fatia do imposto sindical continua ocupando o mesmo espaço. Em algumas, como a Força Sindical, dona do segundo maior orçamento entre as centrais, o imposto sindical representa quase 100% das receitas disponíveis - mais de R$ 30 milhões. A Força, no entanto, não diminui o ritmo: é a central que mais sindicatos filiou de dezembro de 2008 até o mês passado, 450, quase um por dia.

Para aumentar o total de sindicatos filiados, algumas centrais desenvolveram equipes regionais, treinadas nas sedes nacionais. Essas equipes contactam os sindicatos independentes com kits e apresentações sobre as entidades. Algumas oferecem "presentes", segundo constatado pelo Valor.

A NCST realizou reunião segunda-feira em sua sede nacional, em Brasília, para discutir as diferentes formas de abordagem. "Trata-se de um trabalho muito importante para nós", diz José Calixto, presidente da NCST. A central fechou 2009 com 6,7% de representatividade, o que permitiu o repasse federal desse ano - que deve atingir mais de R$ 10 milhões -, mas não garante o imposto sindical no ano que vem, quando o mínimo exigido pelo governo será elevado a 7%.

"Estamos com tempo de vida contado. Ou aumento o número de sindicatos ou desapareço", diz Calixto, que vai se reunir com as centrais junto ao Ministério para debater os critérios. "Mas não tem muito jeito. Nós todos concordamos em 2008 com as regras do governo. Resta trabalhar sobre os independentes para ampliar a filiação".

Os 666 sindicatos registrados pela UGT no Ministério do Trabalho em dezembro do ano passado davam à entidade a quarta colocação em representatividade - 7,2%, segundo os critérios do Ministério - e terceiro maior repasse do imposto sindical - R$ 13,7 milhões. Ao Valor, o presidente da entidade, Ricardo Patah, que também preside o sindicato dos comerciários de São Paulo, afirmou que a central espera receber 30% mais em 2010. Nos primeiros cinco meses do ano, a UGT já registrou 101 sindicatos, mas conta com um trunfo: é a central com maior número de sindicatos na fila do Ministério esperando a formalização - 1.047. "Temos 60 pessoas trabalhando no Brasil inteiro que levam a mensagem da UGT, carregando material que produzimos e apresentando nossas práticas", diz Patah. Todo tipo de sindicato é abordado? "Não, apenas os independentes, mas claro que muitos outros, ligados a diferentes centrais, vem nos procurar", afirma.

A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), com 281 sindicatos formalizados e 5% de representatividade, no fim de 2009, aposta na realização de seu congresso nacional, em dezembro desse ano, para agilizar a filiação.

Até o mês passado, a central já ampliara sua base em 47 sindicatos, além de outros 190 na fila. "Mas em dezembro teremos um boom de filiação porque para votar e ocupar cargos na direção da entidade, pontos definidos no congresso, os sindicatos precisam estar com pagamentos em dia na central, assim todos acertam suas pendências antes", diz Antônio Neto, presidente da CGTB, que avisou que a entidade está preparada para ingressar no Ministério tão logo a situação dos sindicatos com a central se normalizem.

As duas maiores centrais sindicais do país, CUT e Força Sindical, respondem, juntas, por cerca de 3,3 mil sindicatos. Número igual de entidades permanecem independentes, mas outras 980 aguardam por formalização entre as duas. Com crescimento mais acelerado, de 47,4% entre dezembro de 2008 e junho de 2010, a Força aposta na fatia de sindicatos que permanecem independentes. Segundo João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força, há membros da entidade espalhados no país que abordam os sindicatos independentes. "Mas quando ouvimos que há alguém desgostoso com uma central, entramos em campo com nosso trabalho de apresentação", diz.

Para Juruna, CUT e Força contam principalmente com seu tamanho como poder de atração. As visitas ao site da Força refletem esse pensamento, avalia Juruna. De acordo com ele, a página da central na internet recebeu em média 60 mil acessos mensais no ano passado. No primeiro semestre de 2010, a média subiu 40%.

Com cerca de 500 sindicatos regularizados no governo a mais que a Força, a CUT, dona da maior fatia do imposto sindical e líder no número de sindicatos filiados, é a que apresenta crescimento mais lento. Enquanto as outras cinco entidades reconhecidas pelo governo apresentaram altas próximas a 50% no número de sindicatos filiados entre o fim de 2008 e o mês passado, a CUT ampliou sua base em apenas 12,6%. Por outro lado, se repetir o desempenho de formalização registrado no primeiro semestre, a CUT fechará o ano com 2 mil sindicatos formalizados no governo, com expectativa de receber mais de R$ 31 milhões do imposto sindical ao longo do ano.




O ESTADO DO PARANÁ, 06 de julho de 2010 | Economia
Salário mínimo deveria ter sido de R$ 2.092,36 em junho
Pelo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.092,36 em junho, para ele suprir suas necessidades básicas e da família. A constatação é feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada pela instituição em 17 capitais do País.

Com base no maior valor apurado para a cesta em junho, de R$ 249,06, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ser 4,10 vezes superior ao piso em vigor no período, de R$ 510.

Em maio, o piso mínimo era estimado em R$ 2.157,88 (4,23 vezes o menor salário legal). Em junho de 2009, correspondia a R$ 2 046,99, ou seja, 4,40 vezes o valor então vigente, de R$ 465,00

O Dieese informou também que, para adquirir a cesta básica em junho, o trabalhador que ganha salário mínimo precisou cumprir, na média das 17 capitais pesquisadas, jornada de 94 horas e 56 minutos, tempo menor que o exigido em maio (97 horas e 39 minutos). Em junho de 2009, a mesma compra comprometia jornada bem inferior, de 90 horas e 14 minutos.





O ESTADO DO PARANÁ, 05 de julho de 2010 | Economia
Centrais querem mínimo de R$ 570 em 2011

As centrais sindicais já começaram a pressionar o Congresso e o governo federal para garantir um salário mínimo de R$ 570 no ano que vem. Como a decisão tem de ser tomada agora, em ano eleitoral, a tendência é que o governo ceda a mais essa pressão, assim como aconteceu recentemente no embate em torno da elevação das aposentadorias com benefícios acima do mínimo. O Ministério do Planejamento propõe que o mínimo seja elevado dos atuais R$ 510 para R$ 535,91. O relator do Orçamento, senador Tião Viana (PT-AC), propõe R$ 550.

A guerra em torno do novo mínimo está sendo travada na Comissão Mista de Orçamento, que corre para aprovar até o dia 16, quando começa o recesso parlamentar, o texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Viana, que é candidato ao governo do Acre, apresentou uma proposta alternativa para minimizar o desgaste criado com a posição defendida pelo Planejamento, que não prevê aumento acima da inflação em 2011.

O relator quer que o cálculo do mínimo considere a média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008 e de 2009, mais o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos últimos 12 meses, e não apenas o PIB de 2009, como quer a equipe econômica do presidente Lula. O cálculo de Viana eleva o mínimo para R$ 550 - um aumento real de 2,46%. Pela proposta do Planejamento, ao considerar o PIB negativo de 0,2% apurado em 2009, o salário mínimo ficaria em R$ 535,91. A reivindicação das centrais, que eleva o mínimo para R$ 570, leva em conta a projeção de crescimento neste ano, que pode ficar entre 7% e 7,5%.




Gazeta do Povo, 4 de julho de 2010
Tecnologia aplicada
Construtoras inovam e reduzem ciclo da obra
Avanços na gestão e no desenvolvimento de novos produtos têm reduzido custos e dado fôlego para enfrentar o “apagão de mão de obra”

São Paulo - Interessadas em aproveitar ao máximo o bom momento econômico, as construtoras têm apostado em novos processos para reduzir custo, acelerando o ciclo produtivo para ganhar escala sem perder em qualidade. O desenvolvimento de novas tecnologias nessa área ganhou força no segundo semestre do ano passado com a maior demanda gerada pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Com isso, algumas empresas já conseguiram reduzir seu ciclo de produção quase pela metade.

Com um déficit habitacional estimado em 5,5 milhões de moradias – pelos cálculos do Sinduscon e da FGV – e o respaldo do programa habitacional do governo, que na segunda etapa tem como meta a construção de mais 2 milhões de casas entre 2011 e 2014, as construtoras buscam soluções que sejam eficientes para reduzir prazos e necessidade de mão de obra.

Para o sócio-diretor da BKO Engenharia, Maurício Bianchi, a evolução da indústria começa pela gestão. “Estamos mais produtivos, reduzindo desperdícios e adotando critérios de desempenho. O Brasil deve se orgulhar, pois, mesmo sem investir na pesquisa e desenvolvimento, não perde para ninguém em termos de construção.”

Bianchi observa que, na BKO, por exemplo, o tempo de construção de um metro quadrado, que em média demorava 42 horas quinze anos atrás, hoje chega a menos de 36 horas. Essa redução, além de representar um retorno mais rápido do investimento para as construtoras, significa menor dependência da mão de obra e ganho de produtividade.

Nova roupagem

Entre os processos construtivos que ganharam uma “roupagem diferente” do padrão e contribuem para acelerar o ciclo da obra, há paredes pré-moldadas, paredes de concreto moldadas no local, telhados tradicionais montados sobre estruturas metálicas leves e paredes secas tipo drywall. Os especialistas também chamam a atenção para os aditivos desenvolvidos ao longo das últimas três décadas, que não apenas melhoraram a aplicação do concreto, mas trouxeram um conforto enorme para o usuário final, com melhores características térmicas e acústicas.

O departamento de inovação tecnológica da Direcional Engenharia trabalhou com o fornecedor por 18 meses para montar uma forma de alumínio com características específicas. Em um projeto de casas populares tradicional, construído a partir do método de alvenaria estrutural, o prazo médio de execução da Direcional para 500 unidades é de 14 meses. Com o processo de forma de alumínio e parede de concreto, o prazo de execução cai para três meses. “Estudamos os produtos de alguns fornecedores internacionais, em particular dos Estados Unidos e Colômbia, mas pela qualidade do fornecedor nacional e pela facilidade de aquisição, fechamos parceira com uma indústria carioca”, informa Daniel Amaral, diretor financeiro da Direcional.

A Rodobens Negócios Imo­biliários, que opera no segmento econômico no interior, conseguiu reduzir de 12 meses para 7 meses o ciclo de construção de habitações de 40 e 50 metros quadrados sem aumentar o custo de unidade. O grupo ainda espera reduzir para 5 meses esse ciclo até o final do ano. Ao mesmo tempo, a empresa manteve o custo de administração de obras por empreendimento entre R$ 70 mil e R$ 100 mil por mês. Para o presidente da companhia, Eduardo Gorayeb, a evolução do sistema construtivo é um dos caminhos possíveis para driblar a alta nos insumos.

Menos operários

A industrialização do processo construtivo, segundo Amaral, representa ainda uma das opções para se enfrentar o “apagão de mão de obra”. “Com o processo de formas de alumínio e paredes de concreto, temos uma redução de 40% a 45% no número total de operários no canteiro”. Mais importante que a redução absoluta, ressalta o executivo, é a menor dependência de profissionais especializados. No processo tradicional, a relação de serventes (assistentes) para profissionais especializados (eletricistas, pintor, encarregado, mestre) é de aproximadamente 1-1. Com o processo de forma de alumínio, essa relação fica de 1-6, sendo quatro profissionais especializados e 24 montadores – serventes que receberam treinamento.




Congresso em Foco, 3 de julho de 2010
Onze opções para a Presidência da República
Mesmo polarizada entre Dilma Rousseff e José Serra, sucessão de Lula é neste momento disputada por outros nove candidatos. Os partidos, porém, ainda têm até segunda-feira (5) para oficialmente registrar as candidaturas

Rodolfo Torres e Mário Coelho

Concluídas na quarta-feira (30) as convenções partidárias, onze são os nomes que postulam o cargo mais importante do país nas próximas eleições de outubro. Apesar da disputa polarizada entre Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB, esta será a eleição com mais candidatos desde 1989, o primeiro pleito presidencial após o fim da ditadura militar e a redemocratização do país.

Cinco candidatos já se apresentaram em outros pleitos ao eleitorado. São eles: José Maria Eymael (PSDC), José Serra (PSDB), Levy Fidélix (PRTB), Rui Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU).

Os outros são novatos em disputas ao Planalto, como Dilma Rousseff (PT); Ivan Pinheiro (PCB); Marina Silva (PV); Oscar Silva (PHS); e Plínio de Arruda Sampaio (Psol). Dilma, que desponta como favorita nas pesquisas, mais do que isso, é novata em eleições. Ela nunca disputou um cargo eletivo.

Possível desistência

Embora ratificados pelas convenções partidárias, ainda é possível que nem todos venham a disputar a eleição. Os partidos têm até segunda-feira (5) para registrar oficialmente as candidaturas. Até o fechamento desta reportagem, a única candidata registrada era Marina Silva, do PV. E um candidato inicial, Mário de Oliveira, do PTdoB, havia desistido (o partido resolveu aderir à candidatura de José Serra). E há a possibilidade de que o mesmo venha a acontecer com Américo de Souza, do PSL. Na noite de sexta-feira, a executiva nacional do partido estava reunida. A tendência, de acordo com partidários ouvidos pelo site, é que o empresário desistisse de concorrer ao Planalto.

Porém, até o fechamento desta matéria, a decisão não havia sido divulgada. A intenção de desistir deve-se especialmente às questões regionais. Em Minas Gerais, por exemplo, o PSL faz parte de uma ampla aliança com o PSDB, que pretende eleger Antônio Anastasia como governador.

O Tribunal Superior Eleitoral definiu que, se houver numa coligação estadual, partidos que apoiam candidatos à Presidência diferentes, eles não poderão aparecer na propoaganda eleitoral da coligação. Assim, se continuasse com a candidatura de Américo, o partido forçaria a coligação a não apresentar imagens de José Serra durante a campanha. Além disso, o PSL ficaria forçado a ter um voo solo na disputa proporcional, o que prejudicaria suas já pequenas chances de eleger deputados. O TSE criou uma seção em site em que o leitor pode acompanhar o registro das candidaturas.




Agência Câmara, 2 de julho de 2010
Gravidez poderá interromper contagem de prazo de aviso prévio
Hoje, a Constituição já proíbe a demissão sem justa causa desde a confirmação da gravidez da empregada até cinco meses após o parto.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 7158/10, do Senado, que interrompe a contagem do prazo de aviso prévio em caso de gravidez. A proposta altera a Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei 5.452/43) para estabelecer que a empregada gestante demitida só será efetivamente dispensada após o fim da licença-maternidade.

Pelo projeto, a gravidez interrompe também o chamado aviso prévio indenizado. Este caso ocorre quando uma empresa demite a empregada sem justa causa e não quer que ela trabalhe durante o período do aviso prévio, que normalmente é de 30 dias. O empregador, nesse caso, é obrigado a pagar à empregada o equivalente a um mês de remuneração. De acordo com a proposta, a empregada manteria o vínculo empregatício até o fim da licença-maternidade também nessa situação.

Hoje, a Constituição já estabelece que qualquer empregada não pode ser demitida sem justa causa desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Segundo o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), autor do projeto de lei, a norma constitucional, associada a súmulas do Tribunal Superior do Trabalho, já levam à conclusão de que a gravidez deve interromper a contagem do prazo de aviso prévio. O senador argumenta, no entanto, que a regra deve estar explícita em lei para que o direito das empregadas não seja questionado.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; Trabalho, de Administração e Serviço Público; e Constituição e Justiça e de Cidadania.




GAZETA DO POVO, 01 de julho de 2010 | Vida & Cidadania
Sucessão estadual
Paraná terá 7 candidatos, mas eleição será polarizada
Osmar e Richa tendem a dominar a disputa pelo governo do estado, reproduzindo no Paraná as alianças e a concorrência acirrada entre Dilma e Serra no cenário nacional

O Paraná terá pelo menos sete candidatos ao governo do estado na disputa eleitoral deste ano. Além de PDT e PSDB, partidos menores como o PV, PSol, PSTU, PRTB e PCB também lançaram candidaturas próprias ao Palácio Iguaçu. Até o fechamento desta edição, ainda não havia uma definição do PPS em relação à disputa estadual – o partido, que deixou para realizar a sua convenção no último dia permitido pela legislação eleitoral, tinha sinalizado para a possibilidade de lançar o ex-deputado federal Rubens Bueno ao governo do estado caso PDT e PSDB lançassem candidatura própria, como de fato ocorreu.

Embora haja ao menos sete nomes na disputa pelo Palácio Iguaçu, a eleição estadual deverá ficar polarizada entre o senador Osmar Dias, do PDT, e o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, do PSDB. Os dois vão representar no Paraná a polarização da disputa nacional: que tem a petista Dilma Rousseff de um lado e o tucano José Serra do outro.

Além de representarem no estado os dois principais candidatos à Presidência, Osmar e Richa têm a favor deles as coligações que conseguiram formar para a eleição. “Uma disputa estadual exige muita força financeira e estrutura partidária. Então, a disputa deve se concentrar entre eles dois [Osmar e Richa]”, comenta o professor de Direito Constitucional e Ciência Política Carlos Luiz Strapazzon, da UniCuritiba.

Preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dar palanque no Paraná para Dilma, Osmar conseguiu impor sua exigência de ser o único candidato da base lulista na disputa pelo Palácio Iguaçu. Isso significou o apoio do PT e do PMDB – e a consequente desistência do governador Orlando Pessuti (PMDB) de concorrer ao Palácio Iguaçu.

Refletindo o cenário nacional, Richa fechou aliança com o DEM. Mas os tucanos também contarão com o apoio do PSB, que no cenário nacional apoia Dilma, mas no Paraná está ligado ao grupo de Richa após herdar, com Luciano Ducci, o comando de Curitiba – isso ocorreu quando o tucano deixou a prefeitura da capital para concorrer ao governo do estado. Outra legenda que até recentemente estava na base de Lula e que agora estará ao lado dos tucanos na disputa estadual é o PP, que indicou o deputado federal Ricardo Barros para disputar uma das vagas ao Senado na chapa tucana.

Agora oficialmente em palanques opostos, Osmar e Richa estiveram próximos de disputar essa eleição em uma mesma aliança, com o tucano como candidato ao governo e o pedetista concorrendo à reeleição para senador. O PSDB chegou a apresentar uma proposta de aliança formal ao PDT. A oferta previa que, além de uma vaga na disputa ao Senado o partido também teria o direito de indicar o nome do vice de Richa.

A carta que Osmar enviou à cúpula nacional do PDT consultando sobre a possibilidade de fechar esse acordo com os tucanos chegou a ser lida durante a convenção estadual do PSDB – o que foi interpretado como um sinal de que a oferta seria aceita pelo pedetista. O comando nacional do PDT, no entanto, vetou o acordo.