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Agência
Câmara, 30 de junho de 2010
Meio Ambiete vota relatório
contra o uso de amianto nesta quarta A Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável vota nesta
quarta-feira (30) o relatório final do grupo de trabalho
criado para analisar as implicações do uso do
amianto e seus efeitos sobre a saúde e o meio ambiente.
A reunião será às 10 horas, no plenário
2.
O relator do grupo e líder do PV, deputado Edson Duarte
(PV-BA), apresentou parecer favorável à eliminação
do amianto da cadeia produtiva brasileira. O relatório
propõe, entre outros pontos, a aprovação
de diversos projetos com esse objetivo, a destinação
de recursos para pesquisas de fibras alternativas e para o tratamento
de vítimas do amianto.
Fibra alternativa
A Associação Brasileira das Indústrias
e Distribuidoras de Produtos de Fibrocimento (Abifibro), entidade
que reúne as empresas fabricantes de fibrocimento sem
a adição do amianto, quer a substituição
do amianto no Brasil em um prazo determinado para a adequação
das empresas, uma vez que hoje já há substituto
para esse produto.
Segundo informou o presidente da Abifibro, João Carlos
Duarte Paes, o Brasil já conta com tecnologia aprovada
para o uso de fibras alternativas. “Essas fibras já
foram analisadas e aprovadas pelo Ministério da Saúde
e recomendadas para substituírem o amianto nos produtos
de fibrocimento, o que já vem ocorrendo.”
Contrários ao relatório
Representantes de trabalhadores da mina de amianto de Minaçu
(GO) já estiveram na Câmara para pedir a rejeição
do relatório.
O amianto é uma fibra encontrada em estado bruto na
natureza. Por ser resistente a altas temperaturas, foi muito
usado em pastilhas e lonas de freio, mas seu uso mais comum
é em telhados. Ao ser manipulado, o amianto solta fibras
no ar, que são absorvidas na respiração
e provocam doenças como a asbestose e o câncer
de pulmão.
Desde os anos 90, mais de 50 países já proibiram
o uso do amianto. O Brasil ainda permite o uso controlado do
mineral em telhas, caixas d’água, tubulações,
e outros produtos empregados na construção civil.
Mas quatro estados já proíbem a produção,
o transporte e o manuseio do amianto em seu território:
Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo.
Neste último, há um projeto de lei que pretende
eliminar o efeito da lei paulista.
Da Redação/ RCA
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BEM PARANÁ,
29 de junho de 2010 | Economia
Construção civil
Índice de evolução
da construção sobe em maio
produção do setor está mais vigorosa do que
o usual para o mês
Agência Estado A sondagem
da construção civil, realizada pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), mostra que em maio, o setor
registrou o 4º mês consecutivo de crescimento. Com
base em entrevistas a empresas do setor, a CNI calculou que
o indicador de evolução do nível de atividade
da construção subiu de 53,9 pontos em abril para
55,8 em maio. Pelos critérios da sondagem, pontuações
superiores a 50 mostram evolução ou expectativa
positiva, enquanto números inferiores a essa marca sinalizam
retração ou expectativa negativa.
A produção do setor está mais vigorosa
do que o usual para o mês. Essa é foi a conclusão
do cálculo específico da CNI para o nível
de atividade do mês em relação ao que é
padrão para a mesma época do ano. Por esse critério,
a nota para o mês de maio foi de 55,6, o que denota que
o nível de atividade está acima do usual para
o mês.
Os empresários do setor também estão mais
otimistas sobre o futuro. Segundo a CNI, a perspectiva para
os próximos seis meses ficou em 77,8 pontos, o que indica
que deve ocorrer aumento da atividade. A confiança está
se fortalecendo mais, principalmente, entre os dirigentes das
pequenas e médias empresas. Entre as construtoras de
pequeno porte, a expectativa para os próximos seis meses
subiu de 61,3 em maio para 64,2 em junho. Entre as médias
empresas, o índice de expectativa aumentou de 66,1 para
68,8. Entre as grandes construtoras, o otimismo caiu de 71,3
em maio para 69,9 em junho, embora ainda continue alto. Para
fazer a pesquisa, a CNI entrevistou 376 empresas, entre 31 de
maio e 22 de junho de 2010.
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O TEMPO, 28
de junho de 2010 | Economia
Carga pesada. Maioria dos assalariados desconhece o peso real
dos tributos sobre seus rendimentos
Impostos tomam 40% do que o trabalhador
brasileiro ganha
Estudo revela que quem ganha até R$ 5.000 paga 42,9% aos
cofres públicos
HELENICE LAGUARDIA Na época
da Inconfidência Mineira, o grande estopim da revolta
foi o fato de que a Coroa portuguesa cobrava um quinto de tudo
o que o brasileiro produzia, ou o equivalente a 20%, a título
de tributos. Centenas de anos se passaram, e a situação
do trabalhador só piora. Hoje, uma média de 40%
do seu salário é destinada a pagar tributos.
E a classe média é a mais penalizada. Segundo
levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT), quem ganha de R$ 1.000 a R$ 5.000 gasta 42,9% da renda
no pagamento de 61 impostos, taxas e contribuições
sobre o consumo, a renda e o patrimônio. São desde
os que vêm descontados na folha de pagamento até
os que estão embutidos em todos os produtos que compramos.
Já os que ganham até R$ 500 destinam 38% ao pagamento
de impostos e, os que estão na faixa de renda entre R$
5.000 e R$ 10 mil, 41,6% da renda.
Para a advogada tributarista Letícia Amaral, do IBPT,
o mais prejudicado é quem tem renda mensal de até
R$ 3.000. "Além de pagar sobre o consumo, ainda
paga sobre o patrimônio e a renda em geral", explicou.
A classe média, de acordo com a advogada, não
se beneficia das isenções que a classe mais baixa
tem. "Quem tem renda mediana já paga Imposto de
Renda, e quem tem renda alta paga até ó limite
(a alíquota máxima é de 27,5% sobre os
rendimentos), não importa se está recebendo R$
1 milhão ou mais", comparou.
Mesmo não estando na faixa de renda mais penalizada,
de acordo com os critérios do IBPT, o motorista de caminhão
Jeferson Souza, 23, ficou chocado ao saber quanto do seu salário
de R$ 679 vai para os impostos. Segundo o livro "Dedo na
Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo" (editora Record),
nessa faixa de até dois salários mínimos,
52,9% da renda paga tributos. "O governo tinha a obrigação
de contar para a gente, mas se o povo não cobrar, não
adianta", esbravejou o motorista.
Os patrões. Se os impostos pesam para os empregados,
não penalizam menos os empresários. A presidente
do Conselho do Comércio da Associação Comercial
de Minas Gerais (ACMinas), Cláudia Volpini, também
não vê lógica na carga tributária.
E ataca com um trocadilho. "Quem recebe, recebe muito
pouco. Quem paga, paga muito". Traduzindo em números,
a empresária informou que, para pagar um salário
de R$ 590, o empresário gasta R$ 1.200.
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Folha de S.Paulo,
27 de junho de 2010
Classes A e B financiam mais imóveis
Com juro e prazo favoráveis, cresce
uso de crédito em residência acima de R$ 500 mil;
cliente prefere manter aplicações
Financiamento para imóvel com valor acima de R$ 500 mil
na Cyrela, por exemplo, ficou dez vezes maior em 3 anos
CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO
Depois que a mulher engravidou, Renato Tomei, 35, piloto de
avião, precisava embarcar na compra de um apartamento
maior.
Aquele onde o casal morava tinha 100 m2, mas só uma suíte.
A ideia era encontrar um com mais quartos. O escolhido fica
em um condomínio no Brooklin, zona sul de São
Paulo. São 143 m2, no valor de R$ 800 mil. " Financiamos
R$ 400 mil em dez anos e a intenção era amortizar
essa dívida depois da venda do imóvel anterior,
avaliado em R$ 610 mil", afirma Tomei.
Mas os planos mudaram. "Com a boa taxa de juros que conseguimos
(9,7% ao ano), decidimos manter o financiamento e investir o
dinheiro da venda", revela o piloto. Esse tipo de decisão
tem se tornado mais comum entre os compradores de imóveis
acima de R$ 500 mil, de acordo com construtoras, imobiliárias
e bancos. Com juros menores e mais prazo para pagar, os consumidores
das classes A e B passam a enxergar o crédito imobiliário
como estratégia financeira.
MANTER APLICAÇÕES
" Esse tipo de crédito costumava ser atrelado à
necessidade, e não à oportunidade. Hoje, muitos
clientes nossos que podem comprar à vista imóveis
acima desse valor preferem manter as aplicações
e fazer um financiamento", diz Max Basile, superintendente
de produtos pessoa física do Citi.
A construtora Cyrela viu o volume de financiamentos desembolsado
na compra de imóveis acima de R$ 500 mil ficar quase
dez vezes maior entre 2006 e o ano passado: passou de R$ 65
milhões para R$ 700 milhões. Luis Largman, diretor
de relações com investidores da empresa, ressalta
que o Brasil "rompeu uma inércia em relação
ao financiamento imobiliário".
Ele aposta que o uso desse tipo de crédito continuará
crescendo nos próximos cinco anos, assim como os preços
e a quantidade de imóveis. "Há uma demanda
reprimida muito grande." Ainda no segmento de construção,
a Tecnisa diz que as vendas de imóveis acima de R$ 500
mil com financiamento bancário eram quase nulas há
três anos e hoje representam 90% dos negócios.
Na Brookfield, a fatia passou de 10% a 20% em 2008 para 60%
agora.
FINANCIAMENTO DIRETO
" Antigamente, as próprias construtoras tinham
de financiar os imóveis para conseguir vender porque
os bancos não faziam. Hoje, o financiamento direto não
é mais uma prática", diz Luiz Rogélio
Tolosa, diretor-executivo de relações institucionais
da Brookfield Incorporações.
Na Gafisa, o financiamento bancário, considerando todas
as faixas de preços de imóveis, passou de 16%
em 2005 para 82% em 2009. " As compras de unidades acima
de R$ 500 mil contribuíram para isso. Os clientes estão
bem mais confiantes. A economia está estabilizada, e
o emprego, crescendo", diz Duílio Calciolari, diretor
financeiro da empresa.
" Nesse cenário, a idade média do comprador
do imóvel nessa faixa de preço baixou de 40 a
45 anos para entre 30 e 35 anos. São jovens com maior
capacidade de endividamento", afirma Cyro Naufel, diretor
de atendimento da imobiliária Lopes.
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O Estado de
S.Paulo, 26 de junho de 2010
Relatório pede o banimento
de todo o tipo de amianto
O Brasil deverá dar o primeiro passo para banir definitivamente
o amianto crisotila. O Estado teve acesso ao dossiê preparado
pelo Grupo de Trabalho do Amianto, da Comissão de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara
dos Deputados, que propõe o banimento de todas as formas
de amianto em todo o território nacional e será
apresentado para votação na quarta-feira.
a contramão, há um projeto de lei na Assembleia
Legislativa de São Paulo, do deputado Waldir Agnello
(PTB-SP), que pretende anular o efeito da lei estadual 12.684/2007,
que proíbe a produção, transporte e manuseio
do amianto no Estado. A reportagem tentou ouvi-lo, mas não
obteve retorno.
O dossiê, cujo relator é o deputado federal Edson
Duarte (PV-BA), levou dois anos para ser concluído e
reúne, em 683 páginas, informações
sobre a cadeia de produção do mineral no Brasil.
Foram visitadas fábricas, minas desativadas e em operação
e realizadas entrevistas com trabalhadores, médicos e
executivos da indústria.
O relatório sugere a desativação da única
mina de amianto ainda em operação no Brasil, localizada
em Minaçu (GO). Entre outros pontos, propõe a
inclusão da substância na lista de substâncias
cancerígenas e a criação de uma política
de incentivo às indústrias que atuam com amianto
para que façam a transição para outra tecnologia.
Também critica a atual posição do governo
federal em relação à continuidade do uso
da substância.
"O atual governo tomou posição pelo "uso
controlado do amianto". A postura é constrangedora
diante das demais nações, uma vez que vai em direção
contrária à onda mundial, que é pelo banimento
do amianto (...) É vexatório saber que, ao tempo
que o mundo inteiro fecha as portas ao amianto, o Brasil continua
levando a fibra aos trabalhadores pobres de outros países",
diz o relatório.
Cerco
Fibra natural muito utilizada na fabricação de
telhas, caixas d"água e pastilhas de freio para
carros, o amianto crisotila é a única variedade
do mineral cuja exploração ainda é permitida
no Brasil, de modo controlado. A substância, no entanto,
já foi banida em 58 países e hoje há cerca
de 70 projetos de lei, nas três esferas, que sugerem seu
banimento. A exposição ao amianto está
ligada a doenças como câncer de pulmão,
asbestose (fibrose pulmonar) e males gastrointestinais. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) reconhece o potencial carcinogênico
do amianto. Segundo a OMS, o modo mais eficiente de controlar
essas doenças é interromper o uso do mineral.
Além disso, dados da Organização Mundial
do Trabalho (OIT) apontam que, por ano, 100 mil trabalhadores
morrem em decorrência à exposição
ao amianto, em todo o mundo.
Hoje a indústria do amianto movimenta R$ 2,6 bilhões/ano
no Brasil e emprega cerca de 170 mil trabalhadores, em todos
os elos da cadeia, sendo 600 na mineração. A produção
anual é da ordem de 300 mil toneladas, e 53% desse volume
é exportado para países onde a substância
é permitida, como Índia, Tailândia e países
africanos.
"O grande argumento a favor do amianto é de que
seu banimento pode provocar a perda de empregos. Mas isso é
uma balela", afirma João Carlos Duarte Paes, presidente
da Associação Brasileira das Indústrias
e Distribuidores de Produtos de Fibrocimento (Abifibro). Segundo
ele, o banimento do amianto geraria perda de empregos apenas
na mineração, pois as indústrias poderiam
se adaptar a tecnologias substitutas, como a fibra de polipropileno,
em menos de seis meses. "Hoje 80% das empresas no Brasil
já produzem fibrocimento (usado para fazer telhas) sem
amianto. Manter o uso do crisotila não faz sentido. É
um prejuízo à saúde da população."
Países que baniram
África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina,
Austrália, Áustria, Bahrein, Bélgica, Brunei,
Bulgária, Burkina Faso, Chile, Chipre, Cingapura, Coreia
do Sul, Croácia, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes,
Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia,
Finlândia, França, Gabão, Grã-Bretanha
(Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte, País de
Gales)Grécia, Holanda, Honduras, Hungria, Irlanda, Islândia,
Itália, Japão, Jordânia, Kuwait, Letônia,
Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Nova
Caledônia, Nova Zelândia, Omã, Polônia,
Portugal, Principado de Mônaco, Qatar, República
Checa, Romênia, Ruanda, Seychelles, Suécia, Suíça,
Taiwan e Uruguai.
Estados que baniram
São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco
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O Estado de
S.Paulo, 25 de junho de 2010
Centrais sindicais devem se unir
por salário mais elevado no 2º semestre Ideia
é obter maior poder de barganha, já que pelo menos
105 negociações salariais devem ocorrer no segundo
semestre - entre setembro e novembro. As principais categorias
com data-base são os bancários, comerciários,
petroleiros, comunicações e transportes
As centrais sindicais querem unificar a campasnha salarial para
barganhar reajustes mais elevados para os trabalhadores no segundo
semestre. Pelo menos 105 negociações salariais
deverão ocorrer em todo o País nos próximos
seis meses, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
As principais categorias com data-base são os bancários,
comerciários, petroleiros, comunicações
e transportes.
Somente no estado de São Paulo, a Central Única
dos Trabalhadores (CUT) deve mediar acordos de 38 categorias,
que representam 1,5 milhão de trabalhadores. Com a expectativa
de crescimento econômico superior a 6% ao ano e concessão
de elevados aumentos salariais pelo Governo aos servidores públicos,
os trabalhadores da iniciativa privada esperam conseguir das
empresas aumentos bem acima da inflação.
O problema, no entanto, é que reajustes acima da inflação
estimulam o consumo e podem fazer com que o Banco Central (BC)
eleve ainda mais os juros para desacelerar a economia brasileira.
O diretor do Dieese Clemente Ganz afirmou que, em 2009, o reajuste
dos trabalhadores ficou, em média, 2% acima da inflação.
Para o segundo semestre, existem sindicais que já pensam
em um aumento de, pelo menos, 5% acima da inflação.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, destacou ao
Estado que a organização do movimento pode garantir
um acordo mais vantajoso com as empresas. Segundo ele, como
as empresas lucraram no passado, poderão também
conceder aumentos mais expressivos de salários.
"As empresas estão lucrando mais e, por isso, podem
dar um reajuste maior do que em 2009?, afirmou Lupi.
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O ESTADO DO
PARANÁ, 24 de junho de 2010 | Economia
Um terço da população
brasileira ainda tem fome
Newton Almeida Mesmo com
a distribuição de mais de R$ 1,2 bilhão
para 12,6 milhões de famílias no País,
através do programa Bolsa Família, mais de um
terço da população brasileira encontra
dificuldades para colocar alimentos na mesa.
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)
2008/09 do IBGE, 35,5%, do total de entrevistados declararam
que falta comida no prato durante o mês. Segundo a pesquisa,
falta alimento frequentemente para 9,2% das famílias
brasileiras.
No Paraná, onde, segundo o Ministério do Desenvolvimento
Social (MDS), em junho 480.867 famílias receberam R$
38,9 milhões do Bolsa Família, a realidade não
é tão diferente. Segundo a pesquisa do IBGE, 27,4%
das famílias paranaenses declararam encontrar dificuldades
para comprar os alimentos.
A pesquisa revela que houve uma melhora nos índices
do Paraná, na comparação com o último
levantamento realizado entre 2002 e 2003, quando 34,43% dos
entrevistados paranaenses declararam que os alimentos são
normalmente ou às vezes insuficiente. Na ocasião
8,62% dos paranaenses entrevistados afirmaram que o alimento
é normalmente insuficiente.
Para o coordenador do curso de economia da Universidade Positivo,
Jackson Bittencourt, os números divulgados pelo IBGE
revelam um percentual aproximado da população
que se encontra em miséria absoluta. “É
lamentável que, no estado que é o principal exportador
de grãos do País há famílias passando
fome”, comenta.
Uma das explicações para o pífio avanço
paranaense no combate à fome, segundo Bittencourt, é
o crescimento econômico praticamente estático do
Estado na última década.
“O Paraná manteve a média de praticamente
6% de participação no PIB nacional desde a implementação
do Plano Real”, afirma. Para mudar o quadro, o professor
diz que é preciso aplicar uma dinâmica de crescimento
mais forte e mais significativo.
Na avaliação de Bittencourt, faltam políticas
públicas de geração renda mínima
no Paraná. “Tem que haver um aumento no crescimento
econômico, que possibilite a geração de
atividades, sejam elas formais ou não”, afirma.
Bittencourt acredita que é fundamental focar as ações
de fomento à economia nas regiões mais pobres
do Estado. Ele lembra que a região do centro sul do Paraná
e do Vale da Ribeira mantém níveis de pobreza
comparáveis com as regiões mais necessitadas do
nordeste brasileiro.
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Agência
Senado, 23 de junho de 2010
Serys defende redução
do uso do amianto na indústria até sua completa
extinção A senadora Serys Slhessarenko
(PT-MT) defendeu em Plenário, nesta terça-feira
(22), projeto de sua autoria que propõe a redução
da produção, comercialização e uso
industrial do amianto e sua extinção gradativa
em até dez anos após a implantação
da lei com o objetivo de salvaguardar a saúde do trabalhador
e de seus familiares.
Serys informou que 100 mil mortes são causadas anualmente
pela inalação de amianto em todo o mundo, acrescentando
que 50 países já eliminaram o uso desta fibra
mineral. Entre as doenças associadas ao amianto, estão
a asbestose ou fibrose pulmonar, a mesotelioma de pleura e o
câncer de pulmão, juntamente com outros tipos de
câncer.
- Essas enfermidades podem demorar décadas após
a exposição ao asbesto para se manifestar, levando
com assustadora frequência à invalidez para o trabalho
e à morte - explicou a senadora, pedindo a aprovação
de seu projeto.
Serys informou que grupo de trabalho instituído pela
Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
da Câmara dos Deputados aprovou seu relatório final,
elaborado pelo deputado Edson Duarte (PV-BA), propondo a eliminação
do amianto da cadeia produtiva. O assunto também foi
tema de audiência pública na Assembleia Legislativa
do Rio de Janeiro, na segunda-feira (21), com a presença
do ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.
A senadora disse que o Brasil perdeu a chance de banir a utilização
do amianto em 1995, quando aprovou a Lei 9.055/95, devido ao
forte lobby promovido pelas empresas interessadas em manter
sua utilização. Essa lei "disciplina a extração,
industrialização, utilização, comercialização
e transporte do asbesto/amianto e dos produtos que o contenham,
bem como das fibras naturais e artificiais, de qualquer origem,
utilizadas para o mesmo fim e dá outras providências".
Na ocasião, o lobby teria levado a crer que o uso da
variedade crisotila (amianto branco) seria menos danoso à
saúde do trabalhador, hipótese desmentida por
estudos posteriores, acrescentou a senadora.
Serys afirmou que a saúde e a vida do trabalhador são
postas em risco devido a falhas na legislação.
De acordo com a parlamentar, há uma "margem probabilística"
de acidente de trabalho com riscos à saúde do
trabalhador que pode ser reduzida pela legislação,
mas não eliminada, especialmente no caso do amianto.
As próprias estatísticas mostram, apontou a senadora,
que o amianto é o agente ocupacional que, individualmente,
mais gerou vítimas fatais.
O projeto de Serys (PLS 30/09) aguarda designação
de relator na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), e que deve ser examinado também
pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).
Da Redação / Agência
Senado
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Folha de S.Paulo,
22 de junho de 2010
JUSTIÇA ELEITORAL
Tribunal de Contas entrega ao TSE
lista com 4.922 fichas sujas
DE BRASÍLIA - O TCU (Tribunal de Contas da União)
entregou ontem uma lista de 4.922 "fichas sujas" ao
TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São gestores públicos
que tiveram as contas rejeitadas por irregularidade insanável
em decisão irrecorrível no tribunal nos últimos
8 anos.
Mas a decisão se esses prefeitos, secretários
e dirigentes de órgãos e autarquias públicas
poderão concorrer este ano será dada pelos juízes
eleitorais, analisando caso a caso, segundo o presidente do
TSE, Ricardo Lewandowski.
Conforme a Folha antecipou, a mudança em artigo específico
da lei das inelegibilidades, promovida pelos autores do projeto
Ficha Limpa, poderá causar dúvidas na exclusão
de quem for punido por irregularidades em contas.
Pela lei antiga, a condenação dos Tribunais de
Contas era suficiente para causar a inelegibilidade. Agora,
a lei fala que é necessário uma condenação
por improbidade, que é dada pela Justiça em processo
distinto do TCU. Para alguns procuradores, a lista do TCU se
tornou inócua.
O presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, disse que a nova redação
não muda a função do TCU de enviar os que
estão com irregularidades insanáveis. Para ele,
a lei poderá ser aplicada e impedir que os condenados
concorram.
Para Lewandowski, os que estão com contas irregulares,
mesmo se concorrerem, poderão ter mandatos cassados depois,
caso o entendimento dos tribunais seja diferente. A lista está
disponível no site do TCU (www.tcu.gov.br).
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Folha de S.Paulo,
21 de junho de 2010
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Estudo vê padrão em
voto para presidente desde 89
Peso de máquinas eleitorais explica alianças polêmicas
de Serra e Dilma | Quando Collor chegou ao Palácio do Planalto
com vitória sobre Lula, votação em grotões
e periferias foi decisiva
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
O mapa das últimas cinco eleições presidenciais
mostra que é impossível chegar ao Planalto sem
as máquinas que controlam os votos dos grotões
e das periferias das grandes metrópoles.
A conclusão está em estudo coordenado pelo cientista
político Cesar Romero, da PUC-Rio. Ele constatou semelhanças
geográficas na votação de todos os vencedores,
de Fernando Collor, em 1989, a Lula, em 2006.
"Cada eleição tem sua história, mas
as estratégias vitoriosas são sempre parecidas.
Ganharam os que foram mais pragmáticos", afirma.
A análise dos resultados por microrregião brasileira
mostra que todos os eleitos conseguiram conquistar os grotões,
dominados por oligarquias locais, e as periferias urbanas, com
forte presença de líderes populistas e pastores
pentecostais.
Para Romero, a constatação obriga os candidatos
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a abraçar
o pragmatismo e buscar aliados malvistos pela opinião
pública e por seus próprios partidos.
"Por saber disso, os dois têm adotado a mesma tática",
analisa. "Esta será uma disputa sem ideologia, de
máquina contra máquina."
Como exemplos, ele cita a aproximação de Serra
com o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) e a de Dilma com os
senadores José Sarney e Renan Calheiros (PMDB), além
do esforço dos dois candidatos para fechar alianças
no mundo evangélico.
Os mapas eleitorais de Lula mostram a importância dessas
alianças. Após três derrotas, ele se elegeu
em 2002 ao se aliar a ex-adversários e aumentar sua votação
em grotões e periferias.
Com o peso das máquinas, a discussão programática
fica restrita ao eleitorado de classe média das grandes
cidades. É apenas lá, segundo o estudo, que o
debate ideológico terá alguma relevância
na campanha.
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IHU-Online,
20 de junho de 2010
Uma nova Revolução
Industrial
"Alguma coisa tem de ser mudada na maneira como se usa energia.
E não só nos EUA, mas no mundo", escreve Marcelo
Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth
College, em Hanover (EUA), em artigo publicado no jornal Folha
de S. Paulo, 20-06-2010.
Eis o artigo.
Na semana passada, um sombrio presidente Obama falou ao povo
americano da Casa Branca. "É inaceitável
não fazermos nada", afirmou. Seu discurso tinha
o tom de um grito de guerra, se não na intensidade da
sua voz (ele nunca perde a linha), ao menos na mensagem. Na
quarta, a empresa petroleira BP criou um fundo de US$ 20 bilhões
para ressarcir a população costeira que sofre
com os milhões de galões de petróleo que
cobrem suas praias e destroem seu ganha-pão.
Imagine algo semelhante ocorrendo no Brasil: a costa de Campos
até Angra coberta por uma enorme mancha negra; ninguém
vai à praia, os pescadores não pescam. As garantias
oferecidas pela BP contra esse tipo de desastre, "estamos
preparados para algo muito pior", não funcionaram.
Parece ser bem mais fácil escavar um poço submarino
a 1.500 m de profundidade do que saber como extirpar o seu vazamento.
É tudo uma questão de prioridade corporativa.
A exploração do petróleo se dá em
lugares cada vez mais remotos. Veja os 50 bilhões de
barris na costa do Rio enterrados sob um densa camada de sal
e a 2.200 m de profundidade. Será que seremos capazes
de deter um vazamento?
Obama lembrou aos americanos que seu país consome em
torno de 20% do petróleo mundial, enquanto suas reservas
são de apenas 2%. Não é necessário
ser um estrategista para ver que isso é um problema sério:
se uma nação precisa de um recurso para sobreviver,
vai fazer de tudo para obtê-lo.
Daí as guerras com tanques e bancos, as quase mil bases
militares no estrangeiro, os tentáculos espalhados pelo
mundo tentando controlar uma situação muito instável.
Somando-se a isso o fato de que as maiores reservas de petróleo
estão em países hostis aos EUA (e, claro, essa
antipatia é consequência, ao menos em parte, da
política externa invasiva dos americanos), a situação
torna-se explosiva.
Alguma coisa tem de mudar.
Precisamos embarcar numa nova Revolução Industrial.
A era dos combustíveis fosseis está acabando.
As companhias petroleiras têm uma excelente oportunidade
para mudar sua imagem e tomar a dianteira, sendo os grandes
instigadores da mudança. Existe muito dinheiro para ser
feito numa economia verde.
À medida que a população mundial cresce,
e um número cada vez maior de pessoas entra para a classe
média, o apetite por energia só vai aumentar.
Com isso, aumentará também o lucro das empresas
que produzem e fornecem essa energia.
Uma super-rede, capaz de integrar fontes diferentes (sol, ventos,
biomassa) e de transportar essa energia por enormes distâncias,
o treinamento de mão de obra especializada, a formação
de mais engenheiros e cientistas, a implantação
de incentivos fiscais que motivem as pessoas e empresas a adotar
tecnologias alternativas -essas são condições
necessárias para que a nova revolução tome
rumo. Necessárias, mas não suficientes.
As pessoas precisam se convencer disso. Olho para meu filho
de quatro anos com um misto de otimismo e desespero. Sonho com
um novo mundo, no qual interagimos com a natureza para preservá-la.
Essa guerra é entre nosso passado e nosso futuro. E o
fato é que só pode ser lutada no presente.
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Conjur, 19 de
junho de 2010
Intimidade
Vínculo empregatício
precisa de subordinação
Por Mariana Ghirello "Eu
amo nosso presente, você todo, você todo é
lindo, bonito, gostoso, adorável, carinhoso, ótimo
parceiro — pra tudo — tudo em você é
perfeito, adoro te afagar, beijar, abraçar, te agradar,
você é o único para quem eu disse 'eu te
amo', eu te adoro, meu homem bonito, você é lindo,
você é o máximo."
Esse é um dos bilhetes enviados pela autora de processo
de reconhecimento de vínculo empregatício ao réu
na ação. Ao analisar a prova anexada ao processo
pelo reclamado, a 8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
de São Paulo (TRT-2) concluiu que é preciso haver
uma relação de subordinação para
que seja caracterizado o vínculo empregatício.
A corte também negou o pedido de registro em carteira
de trabalho e demais verbas.
De acordo com os autos, uma mulher entrou na Justiça
para requerer os direitos trabalhistas contra o homem que teria
sido seu chefe. Ela alegou que trabalhou para ele, na função
de assessora, recebendo o salário mensal de R$ 3 mil.
Diante das provas apresentadas pelo acusado, ela disse que a
foto em que os dois aparecem juntos tratava-se de uma "brincadeira".
Em seu depoimento, disse que não foi namorada do reclamado.
O homem, em sua defesa, afirmou que alugou uma sala para ela,
que pagava o aluguel como taróloga. Porém, negou
que ela tenha sido sua funcionária.
O juiz Sergio Pinto Martins, relator do processo, destacou
que no caso "o conjunto da prova existente nos autos não
evidencia brincadeira entre as partes". O juiz aponta que
no caso não há como comprovar que existiu um vínculo
empregatício, porque "estão ausentes os requisitos
dos artigos 2º e 3º da CLT para a configuração
do vínculo de emprego entre as partes". O primeiro
caracteriza sobre o empregador, e o segundo, o empregado.
"Não havia entre as partes subordinação,
mas uma relação afetiva", escreveu o em seu
voto.
Martins aponta que os documentos apresentados pela defesa "demonstram
de forma cristalina a existência de uma relação
amorosa". E ainda que "os bilhetes indicam a existência
de 'muita intimidade' amorosa entre a autora e o réu.
O conteúdo dos bilhetes denotam a profunda intimidade
que existia entre os litigantes".
Para o relator, as provas apresentadas pela autora não
foram suficientes para provar o que ela pretendia. "Em
que pesem os depoimentos das testemunhas da autora, não
se extraem argumentos fortes e capazes de modificar a sentença
recorrida", afirma. Ele explica que os relatos apenas esclarecem
a relação que os dois tinham, e que "o fato
de as duas testemunhas afirmarem que a reclamante era a única
empregada do reclamado não corroboram as assertivas da
autora".
"Só não posso quebrar o carinho e o amor
que tenho por você, mesmo assim continuo te amando muito",
diz o trecho de bilhete extraído da decisão. Segundo
o relator, "as provas dos autos não favorecem a
autora. Os depoimentos das testemunhas trazidas se apresentaram
frágeis. Além do mais, o reclamado demonstrou
documentalmente, por ocasião de sua defesa, que a relação
existente não era de trabalho".
Assim, diante dos bilhetes e fotos, o juiz considerou que as
provas apresentadas pela autora eram frágeis e não
poderiam servir para reconhecer o vínculo trabalhista.
"Considerando-se a prova documental trazida pelo réu,
mantenho a decisão de origem que não reconheceu
a relação de emprego entre as partes."
Por fim, o juiz negou provimento ao recurso da mulher e manteve
o valor arbitrado para efeito do cálculo das custas.
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BEM PARANÁ,
18 de junho de 2010 | Economia
Aids: OIT adota normas para trabalhadores
A Organização Internacional do Trabalho
(OIT) adotou ontem a primeira norma trabalhista internacional
sobre a Aids, com o objetivo de melhorar as condições
dos soropositivos, particularmente nos países em desenvolvimento
onde, segundo a entidade, a discriminação persiste.“Essa
recomendação constituirá o primeiro instrumento
de direitos humanos sobre HIV/Aids no mundo do trabalho”,
afirmou a diretora do programa da OIT sobre o tema, Sophia Kisting.
Trata-se de fomentar a integração dos soropositivos
no trabalho e de proibir práticas discriminatórias
durante a contratação. Cerca de 33,4 milhões
de pessoas são soropositivas e, a cada ano, aparecem
2,7 milhões de novos casos de infecção
por HIV, segundo a ONUAIDS, cujos últimos dados são
do ano 2008.
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Folha de S.Paulo,
17 de junho de 2010
VAIVÉM
Votorantim e chineses criam projeto
de R$ 3,2 bi em MG
MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@uol.com.br
O governo de Minas Gerais assinou ontem com a Sul América
Metais, empresa do grupo Votorantim em associação
com os chineses da Honbridge Holdings, os protocolos para a instalação,
no norte do Estado, de um projeto que investirá R$ 3,2
bilhões em minério de baixo teor.
O norte mineiro, uma das regiões mais pobres do Estado,
desponta como o novo fronte da mineração, já
que praticamente não há mais área para
novos negócios com minério de ferro nobre no chamado
Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais.
Esse é o segundo projeto anunciado na região
norte mineira, que tem um dos mais baixos IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano) do país.
A participação dos chineses nesse novo negócio
será fundamental para a extração do minério
de baixo teor, disse o diretor da Votorantim Novos Negócios,
Haroldo Fleischfresser. Segundo ele, o projeto "inovador"
e "muito ambicioso" vai demandar capital e tecnologia
de ponta.
"O minério da região é de baixo teor,
em torno de 20% [percentual de ferro retirado na extração],
por isso trata-se de um projeto muito inovador. Nenhuma empresa
no Brasil lavra minério desse teor. Então, é
um grande desafio que vai exigir capital e tecnologia."
Ele completou: "Como sabemos, a China é um grande
consumidor de minério de ferro, compra muito do Brasil
e é justamente o país que tem a tecnologia para
fazer tal lavra. Então, nossa parceria com os consórcios
chineses, liderados pela Honbridge, é justamente para
termos capital e tecnologia".
O projeto da Sul América Metais a ser implantado para
operar a partir de 2014 na cidade de Grão Mogol inclui
mina de ferro, planta de beneficiamento e mineroduto. Vai gerar
1.800 empregos.
Confinamento São Paulo tinha 342,3 mil animais confinados
em 2009, mostra censo da Assocon (entidade que reúne
os confinadores) divulgado ontem na Feicorte. A maioria dos
animais pertence à raça nelore (36,4%) e anelorados
(36,0%).
Localização A maior concentração
está em Araçatuba, que detém 40% do rebanho.
A pesquisa apurou que 66% dos confinamentos são administrados
pelos donos das fazendas. Já 19% deles contam com um
gerente.
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Folha de S.Paulo,
16 de junho de 2010
"Minha Casa" dobra valor
de terrenos em periferias
Construções ganham impulso
com programa e alta da renda e do crédito | Para se adequarem
aos valores do Minha Casa, construtoras procuram áreas
afastadas e de grandes proporções
PEDRO SOARES
DO RIO
Programa federal de habitação popular, o Minha Casa,
Minha Vida acirrou a disputa de construtoras por terrenos em periferias
e fez até dobrar os preços em áreas no entorno
de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília
e Fortaleza.
Segundo Daniel Ruman, presidente da construtora Bairro Novo
(braço popular da Odebrecht), há três anos
a empreiteira comprava terrenos nessas regiões a R$ 10
o metro quadrado. Hoje, não saem por menos de R$ 20.
"Não havia concorrência nem interesse por
esses terrenos. Agora, existe", afirma.
Outras regiões se valorizaram ainda mais, diz, mas elas
nem sequer são olhadas pela Bairro Novo. É o caso
de São Paulo, onde Ruman diz ser impossível comprar
terrenos por menos de R$ 20 o m2.
"Nosso modelo de negócio só é rentável
até esse limite."
A Bairro Novo é a maior empreendedora do Minha Casa,
Minha Vida, programa que concede subsídios para compra
de imóvel à baixa renda (até seis salários
mínimos) e condições facilitadas de financiamento
pela Caixa Econômica Federal.
A construtora só incorpora terrenos com ao menos 200
mil metros quadrados para a construção de 2.500
unidades, em média.
"Por isso temos de ir para regiões mais afastadas.
Mesmo nas periferias do Rio e de São Paulo, não
achamos nada desse tamanho nem pelo preço que queremos."
Segundo Rogério Chor, presidente da Ademi (Associação
dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), os
terrenos no subúrbio carioca já valorizaram 20%
desde 2006, quando começou a retomada das construções
na região.
Em São Paulo, o preço dos imóveis prontos
subiu, em média, 27% em dois anos.
RENDA
As construções nas periferias e nas cidades do
entorno das capitais, diz Chor, tiveram um primeiro impulso
com a alta da renda -que fez renascer uma classe média
baixa emergente- e a ampliação do crédito
imobiliário dos bancos privados.
A tendência, porém, ganhou ainda mais fôlego
com o Minha Casa, Minha Vida.
A julgar pelo avanço de 51% na concessão de crédito
à habitação em abril, ainda há muito
espaço para a expansão de lançamentos imobiliários
e a consequente valorização dos terrenos.
Para Marco Adnet, diretor da Rossi, há "uma clara
valorização" de áreas nos subúrbios,
movimento que ganhou força com o programa federal de
habitação.
PADRONIZAÇÃO
Segundo Alexandre Calazans, da Living (braço popular
da Cyrela), os empreendimentos do programa só são
viáveis com construções de edifícios
padronizados (o que permite custo menor) e em grandes terrenos.
"O retorno nessas construções é menor,
por isso é preciso ter volume", diz Chor.
Para Romário Fonseca, gerente da corretora Lopes, o
programa federal atrai moradores de áreas invadidas e
com posse irregular da terra.
"Começam a surgir grandes empreendimentos às
margens de favelas. Com o subsídio do programa, elas
podem sonhar em sair das comunidades."
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O ESTADO DO
PARANÁ, 15 de junho de 2010 | Economia
Sindicatos ameaçam greve
contra reformas na Espanha
Os principais sindicatos da Espanha convocarão uma
greve geral contra o plano do governo de reformar as leis trabalhistas,
afirmou hoje Fernando Lezcano, porta-voz do Comisiones Obreras,
o maior sindicato do país. "As datas (para a greve)
serão decididas amanhã", informou.
Na quarta-feira, o governo espanhol deve decretar uma reforma
nas leis trabalhistas do país. Após meses de negociações,
sindicatos e empregadores não chegaram a um acordo para
propor mudanças sobre o tema. "A proposta por decreto
merece nossa rejeição", disse Lezcano. Há
uma forte divisão no país entre empregados e empregadores
sobre os contratos inflexíveis de longo prazo ou contratos
mais curtos e flexíveis. Essa divisão e a falta
de mudanças na legislação trabalhista é
apontada como parcialmente culpada pelo alto desemprego no país
europeu.
O governo afirmou que, para dar mais incentivo à criação
de contratos de longo prazo, planeja limitar os contratos mais
curtos. Além disso, pretende tornar as demissões
mais simples e baratas. O desemprego na Espanha atingiu 20%
em meio à crise no setor de construção,
um dos que mais empregam no país.
Instituições como o Fundo Monetário Internacional
(FMI) afirmam que é preciso que a Espanha realize uma
reforma radical em sua legislação trabalhista.
Segundo o FMI, isso é necessário para gerar mais
crescimento na Espanha e reduzir o nível historicamente
alto de desemprego. Na semana passada, os funcionários
do setor público espanhol fizeram um dia de greve, em
resposta às medidas de austeridade anunciadas pelo governo
e contra as mudanças trabalhistas. O governo estimou
que apenas 12% dos funcionários públicos cruzaram
os braços, enquanto o sindicato Comisiones Obreras afirmou
que 75% não trabalharam. As informações
são da Dow Jones.
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FETRACONSPAR,
14 de junho de 2010 | Eventos
Eleições Sindicais
SINTRACIMENTO visita a FETRACONSPAR
No início da manhã desta segunda-feira (14/06) o
Presidente da FETRACONSPAR e Secretário Regional da CNTI
– Sr. GERALDO RAMTHUN recebeu o Sr. EDUARDO RODRIGUES -
Presidente em Exercício do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Ladrilhos Hidráulicos, Produtos
de Cimento, Fibrocimento e Artefatos de Cimento Armado de Curitiba
e Região – SINTRACIMENTO, na sede da Federação,
para discutir encaminhamentos referentes às Eleições
Sindicais do SINTRACIMENTO, que ocorrerão nos dias 17 e
18 do corrente (quinta e sexta-feira).
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El País,
13 de junho de 2010
Greves sacodem a ''fábrica
do mundo''
Uma onda de greves que exigem melhores salários e condições
trabalhistas agita o leste da China. Os trabalhadores pedem a
criação de sindicatos independentes. É o
fim de uma época de ouro? Uma onda de greves para pedir
aumentos salariais e melhores condições de trabalho
se estendeu nos últimos dias em empresas estrangeiras em
diferentes províncias da China, em um movimento que levou
analistas e investidores a se interrogarem sobre a continuidade
do país asiático como fábrica do mundo.
As mobilizações, que afetaram empresas como a
automobilística japonesa Honda, se encadearam devido
ao que parece ser um efeito dominó após os aumentos
salariais ocorridos em outras empresas nas quais foram registradas
greves reivindicativas.
Os protestos se multiplicaram depois que a taiwanesa Foxcom
incrementou em 67% o salário de suas várias centenas
de milhares de trabalhadores na China e depois que uma das filiais
da Honda aumentou em 24% para dar fim a uma greve. A Foxcom,
que fabrica os telefones iPhone e os computadores iPad da Apple,
reagiu dessa forma ao escândalo que surgiu após
o suicídio de 11 de seus empregados – 10 deles
na cidade sulina de Shenzhen –, segundo ativistas trabalhistas
por causa das duras condições de vida em suas
indústrias.
A onda de mobilizações representa um desafio
para o governo, já que se por um lado ele se comprometeu
a reduzir as fortes diferenças sociais criadas pelo processo
de desenvolvimento econômico posto em marcha há
30 anos, por outro teme que derivem em instabilidade social,
desemboquem em abaixo-assinados de sindicatos que possam desafiar
o partido, elevem o preço da mão de obra e diminuam
a rentabilidade das empresas na China. Isso poderia levar os
investidores a olhar para outros países.
As greves se intensificaram nesta semana, principalmente no
fabricante taiwanês de material esportivo Smartball, na
província sulina de Jiangxi; na empresa taiwanesa do
setor de borrachas KOK, em Jiangsu, e na empresa japonesa de
máquinas de costura Brother, em Xian, onde 900 trabalhadores
paralisaram a produção em duas plantas.
As manifestações afetaram milhares de pessoas
e em geral foram pacíficas. No entanto, cerca de 50 grevistas
da KOK ficaram feridos na quarta-feira na província costeira
de Jiangsu, quando as forças de segurança tentaram
impedir que protestassem nas ruas. Os trabalhadores exigiam
compensações por causa das altas temperaturas,
um seguro completo, ajudas para alojamento e que o trabalho
aos sábados seja voluntário. "Temos que trabalhar
a 40 ou 50 graus e eles se negam a fazer alguma coisa para solucionar
isso", queixava-se um dos operários ao jornal de
Hong Kong South China Morning Post.
A maioria das paralisações foi suspensa depois
de negociações. Não é o caso da
Honda. O grupo japonês disse nesta sexta-feira que duas
de suas plantas de montagem no sul da China voltaram a funcionar,
após a paralisação intermitente das últimas
semanas por causa das greves nas filiais de transmissão
e de tubos de escapamento. Mas acrescentou que o protesto mantido
pelos empregados de sua subsidiária Honda Lock, em Guangdong,
que produz fechaduras, não foi resolvido. Várias
centenas de operários da empresa, que emprega 1.500 pessoas,
se concentraram nesta sexta-feira às portas da fábrica.
A Honda ofereceu um aumento de 100 yuanes (12 euros) por mês
sobre um salário de cerca de 1.700 yuanes (206 euros),
enquanto os empregados pedem um salário superior a 2.000
yuanes.
Os trabalhadores da Honda Lock exigem também a criação
de sindicatos independentes, algo tabu neste país, onde
eles estão proibidos. As associações de
defesa dos direitos trabalhistas existentes na China estão
ligadas ao Partido Comunista e atuam normalmente, a serviço
dos empresários.
As paralisações que foram registradas nas três
filiais da Honda e em outras empresas de capital estrangeiro
põem de manifesto a crescente concentração
dos trabalhadores chineses sobre seus direitos, diante do rápido
progresso que o país experimentou. Especialmente em um
momento em que a crise econômica parece ter ficado para
trás na terceira economia do mundo, e algumas fábricas
têm dificuldades para encontrar trabalhadores.
O governo está fazendo grandes investimentos no interior
e no oeste da China e está incentivando as empresas a
se instalarem nessas regiões. Isso provocou que, devido
às crescentes oportunidades de trabalho, muitos emigrantes
chineses preferem ficar perto de casa – onde os custos
de vida são menores – se os salários nas
fábricas das províncias mais industrializadas
da costa e do sul do país não são suficientemente
atrativos.
De volta a Taiwan
O governo de Shenzhen, cidade da província de Guangdong,
fronteiriça com Hong Kong, anunciou nesta semana que
aumentaria o salário mínimo em 16% até
situá-lo em 1.100 yuanes (133 euros). A medida ocorre
ao calor da onda de paralisações que se estendeu
nos últimos meses por fábricas estrangeiras de
várias cidades chinesas e por causa da polêmica
dos suicídios registrados na companhia taiwanesa Foxcom.
As autoridades de Pequim se apressaram a negar que os crescentes
custos trabalhistas vão marcar o início do fim
da fábrica do mundo. Lu Kejian, diretor do departamento
da Ásia no Ministério do Comércio, disse
na quinta-feira passada que a China continua tendo vantagens
competitivas frente a seus vizinhos. Segundo Lu, a política
do governo de incentivar o consumo é uma nova razão
para investir e estar presente na China.
No entanto, Terry Gou, presidente da Foxcom, indicou que o
grupo poderia transferir algumas de suas fábricas para
Taiwan por causa das cada vez menores diferenças de custos
trabalhistas.
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IHU-Online,
12 de junho de 2010
É o fim do modelo chinês?
No dia 23 de janeiro, Max Xiangqian, um operário chinês
de 19 anos, foi encontrado morto em um complexo industrial localizado
na cidade de Longhua, em Taiwan. Xiangqian trabalhava 11 horas
por dia na fábrica da Foxconn, maior fornecedora terceirizada
do mundo de produtos eletrônicos, conhecida por confeccionar
equipamentos para gigantes como Apple, Dell, HP e Nintendo.
A reportagem é de Amauri Segalla e publicada pela Dinheiro
O rapaz ganhava US$ 1 por hora, não podia falar durante
o expediente e, enquanto permanecia na empresa, tinha permissão
para ir ao banheiro apenas por três vezes. Depois dele,
outros 11 operários da Foxconn também morreram.
Todos se mataram. Um dos suicidas deixou uma carta para a família.
Disse que não via futuro no que fazia e que estava condenado
a passar o resto da vida como escravo.
Por fim, escreveu que preferia a morte a esse sacrilégio.
A onda de suicídios em uma empresa que, sob todos os
aspectos, é o símbolo acabado do modelo que levou
a China a se tornar a potência mundial do século
XXI suscita uma discussão. Até que ponto as tragédias
podem significar o fim de uma era – a do crescimento econômico
baseado na exploração da mão de obra barata,
maltratada e conformada?
A China se tornou sinônimo de pujança nos últimos
anos, graças sobretudo a esse modelo. Um funcionário
fabril chinês recebe, em média, US$ 130 por mês.
É metade do que um profissional do mesmo nível
embolsa na Índia e um quarto dos ganhos de brasileiros
que batem cartão em plantas industriais. Em termos de
jornada, nada se compara ao ritmo asiático.
Como na China as leis trabalhistas são apenas produto
da ficção, ignoradas pela maioria das companhias,
os empregados se sujeitam a todo tipo de abuso. Após
os suicídios da Foxconn, familiares dos funcionários
que morreram foram às ruas protestar e apresentaram os
fatos: expediente de no mínimo dez horas, sete dias por
semana e com direito a apenas cinco dias de folga por ano.
Na lógica capitalista, esse modelo gera uma competição
desigual. As empresas chinesas têm os maiores índices
de produtividade do planeta e cobram pouco por isso. Resultado:
não há uma grande corporação global
que não contrate fornecedores baseados na China. A Foxconn
fabrica, por exemplo, o novo iPhone, lançado pela Apple
na semana passada, e o videogame Wii, sucesso global da Nintendo.
Diante da pressão internacional (Steve Jobs, dono da
Apple, disse que está preocupado com o impacto que o
caso pode provocar na imagem da empresa), a Foxconn anunciou
de imediato um aumento de 70% nos salários de seus empregados.
Segundo analistas, a elevação dos contracheques
na China vai causar uma alta de preços global.
De camisetas a smarthphones, tudo deve ficar mais caro. “Por
um longo período, a China foi uma âncora para a
deflação global”, afirmou Dong Tao, economista
do Credit Suisse. “A China industrial ajudou muitas companhias
globais a reduzirem os custos e preços.” Se essa
era acabar, que impacto terá no consumo planetário?
Até que ponto isso vai afetar, digamos, as vendas de
iPhones, que correm o risco de ficar mais caros? A própria
China, que é o canhão econômico destes novos
tempos em que os países desenvolvidos enfrentam uma crise
financeira sem precedentes, não pode submergir se tiver
de ficar igual a todo mundo – ou seja, fabricar produtos
com custos equivalentes aos de qualquer outro lugar?
A China possui essencialmente duas vantagens competitivas:
além da produtividade alta e barata das empresas, o país
desvaloriza artificialmente sua moeda, de modo que os produtos
locais fiquem mais baratos e as exportações aumentem.
Será possível resistir se essa equação
for desfeita?
A história demonstra que os grandes modelos econômicos
em geral se impõem por meio de uma série de equívocos
e depois sofrem o que se pode chamar de aperfeiçoamento.
No século XIX, a Revolução Industrial provocou
uma ruptura. O fim do trabalho artesanal, substituído
pelo fabril, levou uma multidão de crianças às
fábricas – e elas, que trabalhavam 15 horas por
dia, ajudaram a tornar a Inglaterra um império planetário.
Ao mesmo tempo, a Revolução Industrial estimulou
o surgimento do movimento operário e com ele a luta pelos
direitos dos trabalhadores. Num certo sentido, a China passa
pelo mesmo processo. Pela primeira vez, funcionários
tiveram a coragem de ir às ruas exigir melhores condições
de trabalho. Não se trata de uma revolução
em um país que pode ser chamado de tudo, menos de democrático?
Toda mudança tem um preço alto e só o futuro
dirá quem vai pagar a conta das transformações
em curso na China: se apenas o país asiático ou
o mundo inteiro.
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FOLHA DE LONDRINA,
11 de junho de 2010 | Economia
Paraná bate recorde em acidentes
de trabalho
Em dois anos número de casos teve aumento de 52%; fruto
da retomada da economia e da redução da fiscalização
das condições de trabalho Curitiba - O número
de acidentes de trabalho no Paraná teve um aumento de
52% entre 2006 e 2008 e passou de 37.574 para 57.057. Um dos
motivos da elevação do número de acidentes
é uma mudança no sistema de apuração
dos dados que começou a levar em conta outros acidentes
além dos notificados pelas empresas. Paralelamente a
isso, o número de acidentes tem crescido, fruto da retomada
da economia e da redução da fiscalização
das condições de trabalho.
Os números estão sendo apresentados na 13 Feira
de Saúde, Segurança do Trabalho e Emergência,
que se encerra hoje em Curitiba. De acordo com Alexandre Gusmão,
editor do Anuário Brasileiro de Proteção
e coordenador do evento, economia em crescimento eleva a probabilidade
de acidentes, pois entra no mercado de trabalho uma quantidade
maior de profissionais despreparados e sem conhecimento sobre
os riscos ocupacionais. No Paraná, os acidentes vêm
crescendo desde 2001, quando foram registrados 23.231 acidentes.
Na indústria de transformação do Estado
130.997 trabalhadores foram vítimas de acidentes de trabalho
entre 2000 e 2008, segundo informações da Previdência
Social. O setor é o maior causador de acidentes, mas
é também o que mais emprega. Em 2008, atuavam
na área 576.695 funcionários, ano no qual foram
registrados 23.876 acidentes de trabalho. Entre 1990 e 2008
morreram em acidentes de trabalho no Paraná 5.229 trabalhadores
e ocorreram 647.355 acidentes de trabalho.
Apesar dos acidentes típicos de trabalho serem lesões
com corte, quedas e mutilações, atualmente, tem
sido muito mais comuns as doenças como LER/DORT, o estresse,
a depressão e o câncer ocupacional.
Para facilitar a identificação das doenças
relacionadas ao trabalho, a Previdência Social criou um
estudo epidemiológico que associa profissão com
doença. É um banco de dados que mostra que algumas
doenças estão ligadas a algumas profissões.
Com isso, as empresas vão ter que provar e documentar
que fazem a prevenção, disse Gusmão. Hoje,
de 1,5% a 6% aplicados sobre a folha de pagamento vão
para o seguro de acidente de trabalho. Quando mais risco a empresa
apresenta, mais elevado é o percentual.
Produtos expostos
Os novos produtos que estão no mercado para segurança
e prevenção são mais confortáveis,
leves e com design mais avançado. Gusmão lembra
que os equipamentos de proteção individual (EPI)
antes eram incômodos, pesados e desconfortáveis.
Hoje, já existem protetores auriculares de silicone,
óculos de proteção mais leves e com design
diferenciado e palmilhas antibacterianas para calçados
de trabalho. Em locais com mais de mil funcionários,
a legislação também exige que tenham desfibriladores,
utilizados para restabelecer os batimentos cardíacos.
O equipamento está à venda na feira.
A feira ainda apresenta instrumentos para medir ruídos
ou gases. Estes últimos podem evitar mortes em locais
confinados com possibilidade de falta de oxigênio como
bueiros de rua, no setor de mineração e em silos.
O evento é voltado para médicos, técnicos
e engenheiros de segurança no trabalho, além de
pessoas que trabalham com situações de emergência.
Uma das simulações realizadas ontem à tarde
foi o transbordo de material inflamável depois de ter
colidido com um carro.
A feira conta com 60 expositores de produtos, serviços
e tecnologias, sendo 20 do Paraná. A previsão
é receber um total de 10 mil visitantes.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
|
Valor Econômico,
10 de junho de 2010
Centrais querem se reaproximar do
meio acadêmico O Dieese não quis divulgar
o lançamento de sua escola de ensino superior por avaliar
que o tratamento poderia ser "politizado", uma vez
que o órgão é mantido por sete centrais
sindicais - cinco delas favoráveis à campanha
Dilma Rousseff (PT), uma delas ligada ao PSTU e outra à
União Geral dos Trabalhadores (UGT), ligada ao PPS, que
apoia a pré-candidatura de José Serra (PSDB).
Como pano de fundo, há um projeto maior tocado pelas
centrais: se reaproximar da academia.
O movimento sindical perdeu o diálogo que tinha com as
universidades e os professores", diz Ricardo Patah, presidente
da UGT. Para lançar livro e DVD sobre os cem anos do
sindicalismo no Brasil, a UGT promoveu, em maio, seminário
na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap),
em São Paulo. Patah conta que a intermediação
do evento foi feita pelo ex-governador do Estado, Claudio Lembo
(DEM). "O Lembo contou que ouviu do reitor da Faap um alerta.
O reitor temia que os sindicalistas pudessem causar uma algazarra
no anfiteatro da faculdade."
Ontem, no lançamento da Escola do Dieese, o secretário
de política sindical da CUT, Vagner Freitas, disse que
a "luta sindical se faz no dia a dia, mas não vai
sair do lugar se não for acompanhada de formação
intelectual". O secretário-geral da Força
Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, acha
que a relação entre membros do movimento sindical
e pesquisadores e professores da USP e da Unicamp, nos anos
70 e 80, deve ser reforçada. Na aula inaugural da Escola
do Dieese, o pesquisador Renato Janine Ribeiro, da USP, avaliou
o momento como "um marco na história do sindicalismo".
|
O Globo, 9 de
junho de 2010
Ibope vê chance de decisão
no 1º turno
O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, afirmou ontem
que a eleição presidencial pode ser decidida ainda
no primeiro turno, tanto em favor da candidata Dilma Rousseff
(PT) quanto de José Serra (PSDB), que apresentaram empate,
com 37% das intenções de voto cada, em pesquisa
encomendada ao instituto pela Rede Globo e pelo jornal "O
Estado de S.Paulo", divulgada semana passada.
Na avaliação de Montenegro, a candidata do PV, a
senadora Marina Silva, que apareceu com 9%, será decisiva
para a realização de um segundo turno.
Marina é uma boa candidata, uma pessoa diferente. Não
sei se vai ter estrutura, tempo de TV, para chegar perto dos
primeiros. Pode ser surpresa. Ela pode crescer com a ajuda da
internet, da juventude, de uma série de coisas.
Certamente vai ter papel importante, podendo levar a eleição
para um segundo turno. Caso fique estacionada ou caia um pouco,
as pessoas tendem a aplicar voto útil ou tentar resolver
a eleição logo. Esta eleição pode
sim ser decidida no primeiro turno, para um lado ou para o outro.
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O ESTADO DO
PARANÁ, 08 de junho de 2010 | Economia
Salário mínimo deveria
ser de R$ 2.157,88
Redação O salário
mínimo do trabalhador do País deveria ter sido
de R$ 2.157,88 em maio para que ele suprisse suas necessidades
básicas e da família, conforme estudo divulgado
ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A constatação
foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional
da Cesta Básica do mês passado, realizada pela
instituição em 17 capitais do Brasil.
Com base no maior valor apurado para a cesta no período,
de R$ 256,86, em Porto Alegre, e levando em consideração
o preceito constitucional que estabelece que o salário
mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas
familiares com alimentação, moradia, saúde,
transportes, educação, vestuário, higiene,
lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo
deveria ter sido 4 23 vezes maior que o piso vigente no Brasil,
de R$ 510.
Em relação a abril, o salário mínimo
necessário para o trabalhador diminuiu em quase R$ 100,00,
já que no mês passado seu valor era calculado em
R$ 2.257,52. Em maio de 2009, o mínimo necessário
ficava em R$ 2.045,06, ou seja, 4,40 vezes o mínimo de
então (de R$ 465,00).
O Dieese também informou que o tempo médio de
trabalho necessário para que o brasileiro que ganha salário
mínimo pudesse adquirir, em maio de 2010, o conjunto
de bens essenciais diminuiu, na comparação com
o mês anterior.
Na média das 17 cidades pesquisadas pela instituição,
o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou
cumprir uma jornada de 97 horas e 39 minutos para realizar a
mesma compra que, em abril, exigia a execução
de 98 horas e 44 minutos. Em maio de 2009, a mesma compra também
necessitava a realização de uma jornada maior,
de 98 horas e 35 minutos.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho , 07 de junho de 2010
Assédio moral leva empresa
a ser condenada em R$ 30 mil por dano moral
Quando o empregador age de forma agressiva, desrespeitosa e
discriminatória com o empregado, causando-lhe humilhação
e constrangimento, dor íntima e baixa estima, ferindo
a sua honra e dignidade, configura-se o assédio moral.
Foi esse o motivo que levou uma empresa mineira do setor de
indústria e comércio a ser condenada ao pagamento
de R$ 30 mil por dano moral por assédio moral a um empregado
que se sentiu ofendido com as agressões sofridas no trabalho.
A empresa considerou excessivo o valor da condenação
imposto pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG) e interpôs recurso ao Tribunal Superior do Trabalho,
na expectativa de que fosse reduzido. A indenização
foi fixada de acordo com as peculiaridades do caso concreto
e em observância ao princípio da razoabilidade
e da proporcionalidade ao dano sofrido, declarou o ministro
João Batista Brito Pereira, que analisou o recurso da
empresa na Quinta TST.
O relator transcreveu em seu voto parte do acordo regional em
que ressalta que a indenização trabalhista é
devida por “causa do dano, da dor interior, que se mistura
e infunde na vítima a sensação de perseguição”.
A Quinta Turma aprovou unanimemente a decisão do relator
de não conhecer (rejeitar) o apelo da empresa, uma vez
que ele não conseguiu demonstrar que a decisão
regional ofendeu aos artigos 5º, inc. X, da Constituição
e 944 do Código Civil, como sustentou. (RR-90100-73.2007.5.03.0025)
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IHU-Online,
6 de junho de 2010
Pesquisa de opinião. Os números
e o que eles não dizem
Pesquisa de opinião é cheia
de armadilhas: por exemplo, entre gente simples, ser de direita
pode ser entendido como 'ser direito'.
Eis o artigo
A concepção de que se deve ao carisma de Lula
o crescimento das opções em favor da candidata
do PT à Presidência da República, Dilma
Rousseff, no confronto com José Serra, do PSDB, é
explicação pobre e insuficiente. Lula tem popularidade
e não carisma. Carisma não se transfere, pondera
Max Weber, em sua análise dos tipos de dominação.
É um atributo pessoal e histórico de que pouquíssimos
são dotados.
Na história política do Brasil, apenas dois governantes
foram dotados de carisma: o imperador dom Pedro II e o presidente
Getúlio Vargas. Ambos assumiram impessoalidade do poder
e governaram conscientes do mandato da história, personificando
acima dos interesses pessoais e partidários o destino
do País.
Carisma, portanto, é dom que se afirma até mesmo
acima da impopularidade. Popularidade nem sempre é indício
de carisma, do mesmo modo que a capacidade de induzir aplausos
nem sempre é indício de competência. É
nessa perspectiva que se impõe a compreensão do
que representam 70% de apreciação positiva de
um presidente que não foi eleito com essa proporção
de votos nem os teria hoje. Lula é admirado muito mais
pelo que não fez e todos temiam que fizesse do que por
aquilo que tem feito em seu governo. É aplaudido mais
pelo fato de legar ao seu sucessor o mesmo Brasil do antecessor
do que por legar a quem vier depois dele um Brasil diferente.
Pesquisa de opinião pública tem armadilhas de
linguagem, que não raro geram respostas diferentes das
perguntas feitas. Em pesquisa recente, mais da metade dos que
optam por Serra se disse de direita. Para pessoas simples, como
tenho verificado, é de direita quem é direito,
sem conteúdos ideológicos. Essa afirmação
deveria ser interpretada à luz de que, desde muito antes
de Lula chegar à Presidência, o PT trabalhou e
difundiu intensamente a concepção, infundada aliás,
de que o PT e Lula eram de esquerda e o PSDB e seus aliados
eram de direita.
Na armadilha do conceito, muita gente se entende como de direita
porque discorda do PT e está descontente com seu governo.
Do mesmo modo que Lula, temendo a identificação
de seu governo com o radicalismo de esquerda, tem afirmado que
não é de esquerda, é apenas um sindicalista.
Durante anos os constituintes do PT, apesar de sua origem em
grupos conservadores, como os religiosos, e de direita, como
o sindicalismo corporativo, esforçaram-se para fazê-lo
aceito como partido de esquerda, que só o era em face
do regime militar, claramente a sua direita.
A popularidade eleitoral de Dilma, portanto, tem outra explicação.
Originária dos bastidores do governo Lula, completamente
desconhecida, não tinha como ascender eleitoralmente
em tão curto prazo se uma poderosa força externa
a sua biografia não viesse em seu socorro. Foi esse o
meio de "fabricá-la" como candidata e dar-lhe
a visibilidade que tem como sombra de Lula. Dilma foi recurso
para preencher o vazio em que o mensalão lançara
o PT, estigmatizando seus nomes mais prováveis à
sucessão presidencial.
Muito antes da eleição de Lula, o PT já
havia criado uma poderosa máquina de poder, baseada na
lealdade religiosa dos grupos de base que o esvaziaram como
partido para transformá-lo em seita. No poder, esse exército
de adeptos recrutados nas igrejas, nos sindicatos e nas universidades
tratou de montar a máquina da permanência e do
continuísmo, a estratégia da estagnação
política, econômica e social. É o retrocesso
desse autoritarismo e não o carisma de Lula que move
para cima a candidata do lulismo.
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Gazeta do Povo,
5 de junho de 2010
Pressão popular
Lula sanciona Ficha Limpa, mas Justiça
decidirá se vale para 2010
Emenda aprovada no Senado gera dúvidas
se a proposta atinge apenas quem for condenado a partir de agora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem,
sem vetos, o projeto Ficha Limpa que proíbe a candidatura
dos políticos com condenação judicial por
crimes graves. A lei deve ser publicada no Diário Oficial
da União da próxima segunda-feira. O texto final
do projeto aprovado pelo Senado gerou dúvidas se a lei
só valerá para candidatos que forem condenados a
partir de agora ou se inclui também quem já tem
as condenações previstas no texto. Também
há dúvidas se a lei sancionada ontem já valerá
para as próximas eleições. As divergências
devem ser resolvidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e
pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ficha Limpa é resultado de um projeto de iniciativa
popular, apresentado na Câmara Federal em setembro do
ano passado, com o apoio de cerca de 2 milhões de assinaturas.
Superadas a aprovação no Congresso e a sanção
presidencial, agora resta o debate sobre as divergências
de validade. Uma emenda de redação, apresentada
pelo senador Francisco Dorneles (PP-RJ) e aprovada no Senado,
provocou polêmica sobre a abrangência da nova lei
e sua validade para as eleições de outubro. Os
senadores substituíram a frase “os que tenham sido
condenados” por “os que forem condenados”.
Há interpretações de que a nova lei só
valerá para condenações futuras. O presidente
do TSE, Ricardo Lewandowski, entende que a lei abrange apenas
os condenados entre a publicação da sanção
(o que ocorrerá na segunda-feira) e o registro das candidaturas,
no dia 5 de julho.
A Advocacia-Geral da União (AGU) recomendou ao presidente
a sanção da lei, sem vetos. Sobre a polêmica
da emenda de redação, a AGU disse que, nesses
casos, deve ser ouvida a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado. Segundo a AGU, a CCJ aprovou
a emenda, considerando que não modifica o espírito
da proposta. A AGU concordou com essa posição
e concluiu que não havia inconstitucionalidade quanto
à iniciativa popular da proposta, nem quanto à
competência do Congresso Nacional e da União para
legislar sobre direito eleitoral, como prevê a Constituição.
Integrante do Movimento Ficha Limpa, o presidente do Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante,
comemorou a sanção do Ficha Limpa sem vetos pelo
presidente Lula.
“O recado foi dado pelos eleitores: basta de corrupção,
de usar os mandatos como instrumento de impunidade. Basta de
tratar a politica como negócio privado. É uma
vitória da sociedade, um grito de independência
pela ética na política”, disse Ophir.
Ele diz que não há porque questionar a aplicação
da nova lei nas eleições deste ano. Cavalcante
afirma que há o exemplo da própria lei de inelegibilidades
de 1990, aprovada em maio e que vigorou nas eleições
do mesmo ano.
Ophir também descarta a interpretação
dada por juristas por causa da alteração do tempo
verbal feita pelo Senado no projeto aprovado pela Câmara.
“É uma interpretação absurda e como
todo absurdo, deve ser afastada. O entendimento é o de
que ainda não temos candidatura, elas só serão
formalizadas depois. Abrange todos os que estão com condenações
em processo em curso.”
Especialistas em legislação eleitoral entendem
que, como a lei foi sancionada antes do dia 9 de junho, data
de início das convenções partidárias
para escolha dos candidatos nas eleições de outubro,
as regras poderão ser aplicadas neste ano. Alguns reconhecem,
no entanto, que os prejudicados pela lei poderão recorrer
à Justiça. A Constituição estabelece
que as normas eleitorais têm de ser aprovadas pelo menos
um ano antes do pleito.
Pela legislação atual, são considerados
inelegíveis apenas os candidatos com condenação
transitada em julgado (definitiva). A Lei Ficha Limpa veda a
concessão do registro eleitoral aos condenados na Justiça
por crimes graves, em instância colegiada (decisões
tomadas por mais de um juiz). Estão incluídos,
por exemplo, cassação de mandato, crimes contra
a vida, tráfico de drogas e improbidade administrativa.
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Vermelho, 4
de junho de 2010
Unidade das Centrais foi a palavra
chave da Conclat
O movimento sindical brasileiro, após 29 anos da realização
da 1º Conferência Nacional da Classe trabalhadora,
proporcionou, no dia 1º de junho, em São Paulo, uma
demonstração de força e poder com a união
da classe trabalhadora, que se reuniu no estádio do Pacaembu
visando à construção de uma agenda da classe
trabalhadora para um projeto nacional de desenvolvimento com soberania
e valorização do trabalho. Segundo o deputado
federal Vicentinho – PT/SP, o momento é de aprovar
uma pauta de reivindicações elaboradas por diversas
correntes de luta popular. “A unidade é a coisa
mais importante neste momento, só assim a classe trabalhadora
poderá conquistar a ampliação de seus direitos”,
ressalta.
Para o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) o momento é
especial, pois esta Conclat recria um evento que deu impulso
a um projeto que levou um operário a presidência
do Brasil. “Agora passados quase três décadas,
os trabalhadores novamente se reúnem para contribuir
para esta nova etapa do Brasil e oferecer propostas para a construção
de um Brasil para os brasileiros”, diz.
O presidente da UBES, Yann Evanovick, destacou a importância
das centrais sindicais e como a união das forças
em prol da luta classista está representada nesta demonstração
do poder de sua mobilização. “Com a realização
deste evento, as centrais sindicais cumprem um importante papel
para a luta da classe trabalhadora, principalmente, ao apresentar
propostas importantes que serão entregues aos presidenciáveis,
ainda mais porque este é um ano eleitoral e é
preciso que os trabalhadores e jovens permaneçam unidos,
pois mesmo que governo Lula tenha criado mais de 600 mil empregos
diretos para a juventude, este ainda é um número
insuficiente”, destaca Yann, que conclui: “Então
precisamos dar continuidade nessa política e, principalmente,
temos que conseguir embutir no patronato a necessidade da importância
de dar oportunidade para a juventude”.
Alberto Broch, presidente da CONTAG enfatizou sobre a contribuição
que este documento aprovado durante a Conferência trará
para a luta dos trabalhadores do campo. “Nos não
temos dúvida do quanto a aprovação deste
documento beneficiará a luta pela reforma agrária
e a agricultura familiar. Só com o fortalecimento desta
união entre os trabalhadores e trabalhadoras do campo
e da cidade poderemos começar a quebrar a espinha do
latifúndio.
O papel da CTB na construção da Conclat
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadas do Brasil foi a entidade
que propôs a unidade das centrais sindicais para a realização
da Conclat.
Como explicou o senador Inácio Arruda – PcdoB-CE,
“todo o sistema que tem um máquina muito sofisticada,
muito avançada, precisa de uma parte chamada inteligência
do sistema. Esta parte é onde dá a liga do sistema.
Sem esta peça nada funciona e a CTB trabalhou como a
liga que permitiu que esse conjunto de centrais sindicais fizesse
esse debate político mais conseqüente formando a
unidade das centrais. A CTB é isso uma central que luta
com inteligência e firmeza para unir todos os trabalhadores
de todas as correntes”.
“A CTB está de parabéns, pois apesar do
pouco tempo de existência já é a terceira
maior central sindical do país. Os dirigentes que estão
a frente da Central tem um histórico de serem os dirigentes
que mais primam pela unidade”, conclui Yann Evanovick,
presidente da UBES.
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Consultor Jurídico,
3 de junho de 2010
Dia do Trabalho
Reunião de sindicalistas
não é propaganda eleitoral
A representação do DEM contra o presidente da República
e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi considerada improcedente
pelo ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral.
Os democratas apontavam propaganda eleitoral antecipada, em favor
da pré-candidata, Dilma Rousseff, durante evento organizado
pelo sindicato em comemoração ao Dia do Trabalho.
Dilma Rousseff era apontada apenas como beneficiária da
propaganda eleitoral extemporânea que, segundo o ministro,
não ficou demonstrada e, portanto, retirou Dilma do processo.
Henrique Neves entendeu que "a mera realização
de um evento ou de uma reunião entre sindicalistas não
caracteriza, por si, propaganda eleitoral. Se, eventualmente,
algum dos presentes desvirtua o propósito do encontro,
não são seus organizadores que devem responder
pelo desvirtuamento, mas quem se aproveitou da oportunidade
para ferir a legislação eleitoral". Julgou,
assim, improcedente a representação com relação
ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Segundo o DEM, em seu discurso, o presidente Lula "além
de proferir palavras de cunho eminentemente eleitoral, comparando
o atual governo com a gestão passada, fez várias
referências ao nome da segunda representada [Dilma Rousseff],
com o fim exclusivo de projetar a sua pré-candidatura
à presidência da República". O DEM
informou que Dilma estava presente à solenidade.
O episódio teria se configurado como propaganda eleitoral
extemporânea, segundo o DEM. A Lei 9.504/97 (Lei das Eleições)
estabelece que a propaganda eleitoral começa no dia 6
de julho do ano da eleição. Quem desrespeitar
essa determinação está sujeito a multa,
que pode variar entre R$ 5 mil e R$ 25 mil.
O DEM afirmava também que, "além de parcialmente
custeado com recursos oriundos de estatais federais", o
evento também foi "custeado pelo Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, entidade que, a teor das Leis 9.096/95 (Lei dos Partidos
Políticos) e 9.504/97 (Lei das Eleições),
não pode financiar, ainda que indiretamente, campanhas
eleitorais, uma vez que arrecada e movimenta contribuição
sindical de natureza obrigatória".
O partido informava ainda que a solenidade tinha sido transmitida
ao vivo pela NBR, que integra a estatal Empresa Brasil de Comunicação.
De acordo com o DEM, a NBR é uma "emissora [de TV]
que noticia os atos e políticas do governo federal e
transmite ao vivo os principais eventos governamentais por mais
de mil emissoras em todo o país, públicas e privadas,
fato que potencializa, e muito, o vilipêndio à
legislação eleitoral e acentua o tão indesejado
desequilíbrio dos pleitos eleitorais".
Defesa
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirmou que o evento
não violou a lei. Defendeu-se, dizendo que ao sindicato
cabe apenas organizar e convidar pessoas para participar de
palestras, reuniões, assembleias e atos com os trabalhadores,
sem interferir nos pronunciamentos.
Dilma Rousseff disse tratar-se de "evento destinado aos
filiados e com potencial propagandístico restrito aos
que voluntariamente se dirigem ao local por identidade temática,
ideológica e profissional". Ela afirmou, ainda,
não ter o prévio conhecimento do discurso.
Em sua defesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
por intermédio da Advocacia-Geral da União, afirmou
que não existiu prova de propaganda eleitoral antecipada,
não havendo os requisitos cumulativos para a caracterização
de tal propaganda, "muito menos a responsabilidade".
Improcedência
Ao decidir o ministro ressaltou que o DEM não apresentou
mídia comprovando a transmissão do evento pela
NBR. Portanto, esse argumento usado pelo partido foi descartado
pelo ministro.
Pelo áudio que recebeu, Henrique Neves concluiu que
não houve interação dos acusados com os
manifestantes e nem apologia a Dilma Rousseff. "Ainda que
a representada tenha sido citada nominalmente várias
vezes, em todas o foi apenas na forma vocativa, tal como ocorreu
como outros presentes (Luiz Marinho, Marta, Vicentinho, etc.),
sem que qualquer comentário sobre sua capacidade ou méritos
fosse realizado", escreveu o ministro.
Como foi trazido aos autos apenas o áudio do discurso,
o ministro Henrique Neves afirmou não ser possível
verificar outros elementos que visualmente pudessem comprovar
a prática de propaganda eleitoral antecipada. Com informações
da Assessoria de Imprensa do TSE.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho, 02 de junho de 2010
Aviso de eleição após
prazo legal não tira estabilidade de dirigente sindical
A comunicação para a empresa da escolha de trabalhador
como dirigente sindical em prazo superior ao período
de 24 horas previsto na CLT (art. 543) não extingue o
direito à estabilidade legal do ocupante do cargo. Com
esse entendimento, a Seção I Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) rejeitou (não conheceu)
recurso da Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos
S.A contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
Primeira Região (RJ) desfavorável à empresa.
De acordo com o processo, a eleição do diretor
do sindicato ocorreu em 22 de maio e a comunicação
do fato, em 24 de maio, 48 horas depois do prazo estabelecido
pela CLT, e a dispensa do empregado se deu dois anos depois.
Ao confirmar entendimento do juízo de primeiro grau,
o TRT o fez sob o fundamento de que o TST “já firmou
entendimento (...) de que é indispensável a comunicação
pela entidade sindical, ao empregador, na forma do art. 543,
§ 5º, da CLT”.
Ao julgar novo recurso da Roche, o ministro Lelio Bentes Côrrea,
relator do processo na SDI-1, confirmou o julgamento do TRT
e citou decisões anteriores da Subseção
especializada em que a simples “irregularidade do cumprimento
do prazo” não impediu o reconhecimento da estabilidade
sindical, quando constatado que foi atingida a finalidade da
lei: impedir que o empregador seja surpreendido ao tentar despedir
o empregado.
Para o ministro, se, no caso, a própria empresa admite
que tomou ciência da eleição do sindicato
em 26/5/1995, e o dirigente foi dispensado do emprego em 23/5/1997,
ela “teve ciência da eleição do reclamante
antes da data da rescisão do contrato de trabalho, ainda
que fora do prazo estabelecido no artigo 543 da CLT, atingindo-se,
assim, a finalidade da exigência legal.” (RR-721340-83.2006.5.12.0035)
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G1, 1 de
junho de 2010
Portaria do MTE proíbe
empresas de exigirem teste de HIV do trabalhador
O Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi publicou, nesta
segunda-feira (31), portaria que proíbe as empresas de
exigirem do trabalhador a realização do teste
de HIV para contratação.
De acordo com a portaria, o teste de HIV não é
permitido, de forma direta e indireta, em exames médicos
para admissão, mudança de função,
avaliação periódica, retorno, demissão
ou outros ligados à relação de emprego.
O advogado trabalhista Alan Balaban Sasson afirma que a prática
de pedir o exame é discriminatória e, por isso,
já é proibida pela Constituição
Federal, porém, a portaria enfatiza essa proibição.
"O ministério demonstra que está de olho
na questão", diz. Segundo ele, a medida aumenta
a fiscalização do ministério nas empresas
em relação ao assunto.
Portaria
A portaria é a 1.246, de 28 de maio de 2010, e foi publicada
no Diário Oficial da União desta segunda. O texto
toma como base a Lei 9.029, de 13 de abril de 1995, que proíbe
a adoção de qualquer prática discriminatória
e limitativa para o acesso ou manutenção do emprego.
A portaria estimula que trabalhadores, quando necessário,
façam o teste sem vínculo com o trabalho e resguardem
a privacidade em relação ao resultado.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA No- 1.246, DE 28 DE MAIO DE
2010
(DOU - 31.05.2010 - seção 1 - Pág. 89)
O MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso das atribuições
que lhe confere o inciso II do Parágrafo único
do art. 87 da Constituição Federal;
Considerando que a Convenção da Organização
Internacional do Trabalho - OIT nº 111, promulgada pelo
Decreto nº 62.150, de
19 de janeiro de 1968, proibe todo tipo de discriminação
no emprego ou profissão;
Considerando que a Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995,
proibe a adoção de qualquer prática discriminatória
e limitativa para efeito de acesso à relação
de emprego ou a sua manutenção;
Considerando o previsto na ação programática
constante do item j do Objetivo Estratégico VI do Eixo
Orientador III do Programa
Nacional de Direitos Humanos, aprovado pelo Decreto nº
7.037, de 22 de dezembro de 2009;
Considerando que a Portaria Interministerial nº 869, de
12 de agosto de 1992, proibe, no âmbito do Serviço
Público Federal, a
exigência de teste para detecção do vírus
de imunodeficiência adquirida - HIV, tanto nos exames
pré-admissionais quanto nos exames periódicos
de saúde; e
Considerando que a Resolução nº 1.665 do
Conselho Federal de Medicina, de 7 de maio de 2003, veda a realização
compulsória de sorologia para o - HIV, resolve:
Art.1º Orientar as empresas e os trabalhadores em relação
à testagem relacionada ao vírus da imunodeficiência
adquirida - HIV.
Art. 2º. Não será permitida, de forma direta
ou indireta, nos exames médicos por ocasião da
admissão, mudança de função, avaliação
periódica, retorno, demissão ou outros ligados
à relação de emprego, a testagem do trabalhador
quanto ao HIV.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo
não obsta que campanhas ou programas de prevenção
da saúde estimulem os trabalhadores a conhecer seu estado
sorológico quanto ao HIV por meio de orientações
e exames comprovadamente voluntários, sem vínculo
com a relação de trabalho e sempre resguardada
a privacidade quanto ao conhecimento dos resultados.
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
CARLOS ROBERTO LUPI
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