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Agência
Câmara, 31 de maio de 2010
Trabalho rejeita multa menor por
atraso na contribuição sindical
Paulo Rocha disse que a proposta seria um prêmio aos empregadores
inadimplentes.
A Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviço Público rejeitou na quarta-feira (26)
o Projeto de Lei 3791/08, do ex-deputado Waldir Neves, que reduz
de 10% para 2% a multa, nos 30 primeiros dias, pelo atraso no
pagamento da contribuição sindical. A regra atual,
prevista na Consolidação das Leis do Trabalho
(Decreto-Lei 5452/43), prevê a multa de 10%, com adicional
de 2% por mês subseqüente.
O relator, deputado Paulo Rocha (PT-PA), argumentou que essa
regra precisa vigorar até uma lei disciplinar a chamada
“contribuição negocial”, vinculada
ao exercício efetivo de negociação coletiva.
“Somente quando for aprovada lei sobre tal contribuição,
que substituirá a contribuição sindical,
será adequado mudar a sistemática atual de aplicação
das multas”, ressaltou.
Segundo ele, reduzir a multa por atraso no recolhimento da contribuição
sindical, neste momento, equivaleria a estimular o desrespeito
à legislação trabalhista, enfraquecer sua
fiscalização e premiar os empregadores inadimplentes.
Tramitação
A proposta ainda será analisada em caráter conclusivoRito
de tramitação pelo qual o projeto não precisa
ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo. O projeto perderá
esse caráter em duas situações: - se houver
parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse
rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos,
o projeto precisará ser votado pelo Plenário.
pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ).
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Consultor Jurídico,
30 de maio de 2010
Saúde do trabalhador
Transporte de amianto é
permitido se respeitar leis
Por Geiza Martins
Na legislação brasileira, não há
proibição efetiva para o transporte de amianto,
desde que sejam respeitadas as normas de segurança e
medicina do trabalho. Com esse entendimento, o juiz Fábio
Augusto Branda, da 2ª Vara do Trabalho de Guarujá,
cassou a liminar que impedia o transporte do mineral para o
Porto de Santos (SP) e considerou improcedente os pedidos feito
pelo Ministério Público do Trabalho. A decisão
autorizou as rés, Transportadora Cortês Ltda e
a Cortês Armazéns Gerais Ltda, a retomar as operações
de transporte de amianto crisotila no estado de São Paulo.
O MPT acusa a empresa de não cumprir as normas de segurança
e medicina do trabalho previstas na Consolidação
das Leis do Trabalho e também não apresenta um
plano de trabalho com vistas à proteção
dos trabalhadores envolvidos com o transporte do mineral. O
autor fez uma série de exigências relativas à
proteção e segurança dos trabalhadores
e pediu que a empresa indenizasse em R$ 3 milhões a Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea).
O juiz citou publicação do Instituto Nacional
do Câncer sobre amianto, em que consta que a exposição
ao mineral “está relacionada à ocorrência
de diversas patologias, malignas e não malignas”.
Mas a determinação foi, de fato, pela continuação
do trabalho.
A decisão se baseou no artigo 10 da Lei 9.055, que trata
da disciplina do transporte do amianto. Nele, consta apenas
que, em caso de acidente, o local “deve ser isolado, com
todo o material sendo reembalado dentro de normas de segurança,
sob a responsabilidade da empresa transportadora”.
Menciona a Convenção 162, da Organização
Internacional de Trabalho — promulgada pelo Decreto 126
de 1991. O artigo 3 fala apenas que a legislação
nacional “deve prescrever as medidas a serem tomadas para
prevenir e controlar riscos à saúde” e também
proteger os trabalhadores contra tais riscos.
“Diante dessas normas, só o laudo técnico
seria capaz de trazer elementos possíveis de verificar
o respeito a essas regras”, afirmou. De acordo com o juiz,
o laudo pericial do processo foi bastante minucioso e teve conclusão
clara de que os produtos estão embalados e não
criam riscos. “Os trabalhadores tinham ciência do
risco da exposição e faziam uso de equipamentos
de proteção”, destacou. O juizainda chamou
a atenção para um laudo técnico específico
que atesta a inexistência de partículas em suspensão
nos locais de trabalho vistoriados.
Quanto a competência da Justiça do Trabalho para
julgar esse tipo de causa, o juiz afirmou que o Súmula
736 do Supremo Tribunal Federal garante a legitimidade. “Compete
à Justiça do Trabalho julgar as ações
que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas
relativas à segurança, higiene e saúde
dos trabalhadores.
Uso em construção
No Brasil, ainda se discute o uso do amianto na construção
civil. Na União Europeia, há cinco anos o uso
do mineral é proibido. A discussão no continente
europeu, agora, é de que forma reparar as vítimas
da substância que, segundo estudos, causa problemas pulmonares
fatais, e como punir os responsáveis. Na Itália,
o Tribunal de Turim fez, no dia 17, a segunda audiência
de um processo contra os ex-dirigentes da Eternit italiana,
fabricante de produtos com amianto, o suíço Stephan
Schmidheiny e o belga Jean-Marie Louis de Cartier de Marchienne.
Eles respondem por desastre ambiental e omissão na segurança
dos trabalhadores.
No processo, que tramita na corte de Turim desde o ano passado
e teve apenas uma audiência, em dezembro, os empresários
são acusados de, mesmo depois de conhecer os efeitos
nocivos à saúde, não tomar medidas de segurança
para proteger os trabalhadores das fábricas e outras
pessoas que tinham contato com o pó do amianto, por exemplo,
as mulheres que lavavam os uniformes dos maridos operários.
As vítimas são estimadas em três mil pessoas
nas cidades de Casale Monferrato, Cavagnolo, Rubiera e Bagnoli,
onde, a partir da década de 1950, foram abertas fábricas
da Eternit.
De acordo com informações do jornal italiano
Corriere della Sera, dois ex-trabalhadores prestaram depoimento
nessa segunda. Um dos ex-operários contou que teve um
infarto e, por isso, acabou aposentado. Segundo os depoimentos,
nas fábricas, eles não tinham informações
sobre os riscos de lidar com amianto. Apesar disso, ficavam
doentes, recebiam visitas de médicos e eram submetidos
a exames de Raios X. Segundo um deles, na cidade de Rubiera,
que tem cerca de 14 mil habitantes, ninguém sabia dos
riscos do mineral e sempre que alguém morria de câncer
ou asbistose (doença pulmonar provocada pela inalação
do pó de amianto), a culpa era colocada no fumo.
A defesa dos executivos rejeita as acusações.
Os advogados de Jean-Marie Louis de Cartier de Marchienne afirmam
que ele nunca interferiu na parte operacional das fábricas
e que nunca foi responsável pela gestão da empresa
na Itália. Associações de defesa das supostas
vítimas do amianto protestam para que o processo contra
os executivos não sejam incluídos nas regras de
uma nova lei italiana de janeiro deste ano, que reduz os prazos
para a prescrição. O temor é de que, dado
o tamanho do processo e a quantidade de testemunhas, tanto de
acusação como de defesa, a punibilidade prescreva
antes da sua conclusão.
Amianto e a lei
O uso do amianto tem sido discutido pelo mundo há décadas,
desde que se começou a estudar os seus efeitos à
saúde das pessoas. Na Europa, em 1999, foi modificado
uma diretiva que trata de substâncias tóxicas para
proibir o uso de todo e qualquer tipo de amianto, inclusive
o crisotila, considerado inócuo por muitos cientistas.
A proibição passou a valer no dia 1º de janeiro
de 2005. Na Itália, a proibição chegou
por meio de lei em março de 1992. No país, empresas
especializadas trabalham com a reforma de casas construídas
com o uso do amianto.
No Brasil, o uso do amianto não foi proibido. Há
leis locais que impedem o uso do mineral e ações
que discutem a constitucionalidade destas normas no Supremo
Tribunal Federal. O governo brasileiro também tem evitado
se posicionar em convenções mundiais, como a 4ª
Conferência da Convenção de Roterdã
sobre Substâncias Químicas e Agrotóxicos,
que aconteceu em novembro do ano passado em Roma. A discussão
no Brasil coloca de cada lado empresas da construção
civil de peso: as que usam o amianto, que pregam pela sua liberação,
como a Eternit, no Brasil desde a década de 1940; e as
que aboliram o seu uso e pedem a proibição do
mineral no país, como a Brasilit. A crisotila, o chamado
amianto branco, encontra seus defensores reunidos em uma associação
brasileira.
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O Outro Lado
da Notícia, 29 de maio de 2010
Minha Casa, Minha Vida: um programa
contra o déficit habitacional
O Brasil só conheceu política habitacional a partir
de 1940, no governo Getúlio Vargas. As tentativas que se
seguiram foram marcadas por modelos estanques, a exemplo do Banco
Nacional de Habitação (BNH) e das Companhias de
Habitação (Cohabs). O Programa Minha Casa, Minha
Vida (MCMV), do Governo Lula, é visto com “bons olhos”
pelo professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília
(UnB), Márcio Buzar.
Ele aponta a aprovação do Estatuto das Cidades e
a criação do Ministério das Cidades como
dois importantes instrumentos para garantir o planejamento dos
centros urbanos e, principalmente, impedir que os municípios
cresçam acima de um milhão de habitantes, o que
produz problemas incontornáveis.
O programa MCMV, que incentiva a construção de
habitação de interesse social, adota vários
instrumentos para garantir o seu êxito, ou seja, a minimização
do problema de déficit habitacional no Brasil, que é
histórico e gigantesco. “O principal (instrumento)
é o financiamento com juros reduzidos a 6% ao ano, que
é mais ou menos o que dá para a classe baixa suportar”,
destaca Buzar, defendendo a tese de que os juros podem baixar
ainda mais.
“Tem que fazer gestões junto à Caixa para
baixar mais os juros, para utilizar os recursos do FGTS em maior
quantidade, que é mesmo para aplicar na habitação”,
propõe o professor.
Outro mecanismo importante utilizado no programa é a
desburocratização. “O Feirão da Caixa
é um sucesso”, diz o professor, lembrando um garoto-propaganda
da instituição. Ele ri com a comparação
e explica: “Inclui toda a cadeia – cartório,
construtora e o banco. São vários estímulos,
está mais fácil comprar de fato, principalmente
com relação aos juros, que anteriormente inviabilizavam
o pagamento”, anuncia.
Solução econômica e social
“E aquece a economia, porque a construção
civil é um dos setores que mais emprega”, complementa.
Por sinal, ele usa esse argumento para defender a manutenção
do programa mesmo com a mudança de governo, considerando
as eleições presidenciais deste ano.
“Tem que ser política de Estado e não de
governo para garantir a continuidade”, afirma, destacando
que “a habitação provou que, além
de amenizar o conflito social, contribui para aquecer economia
e como a maioria dos dirigentes olha mais o lado da economia,
isso representa um indicativo de que pode continuar.”
Lula investe seis vezes mais que FHC
Ele diz que os recursos aplicados no Programa MCMV, em dois
anos de execução, chegam a ser cinco ou seis vezes
maiores do que os gastos no setor nos sete, oito anos do Governo
de Fernando Henrique Cardoso.
Outro lado positivo do Programa, além de criar espaço
para gerar trabalho e movimentar a economia, é que a
Caixa exerce fiscalização nas construções,
exigindo das empresas cadastradas o cumprimento das normas técnicas
da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
“E a Caixa faz isso também por interesse, porque
sabe que o imóvel volta para ela se a pessoa não
pagar”, explica.
O professor Buzar destaca ainda, como outra grande vantagem
do programa, as condições adequadas de moradia
que representam essas construções. “É
positivo (o Programa) também sob o ponto de vista da
saúde. Mesmo que não tenha esgotamento sanitário,
tem fossas sépticas, que são obrigatórias,
e, dependendo da quantidade de unidades, essas exigências
vão aumentando.”
Na opinião de Buzar, um problema que persiste é
o da localização. “Os terrenos mais baratos
estão mais afastados, portanto persiste o problema de
deslocamento para o trabalho.” E lança mão
do exemplo de Brasília, lembrando que 80% dos empregos
estão concentrados no Plano Piloto.
“A solução é o governo descentralizar
as áreas de trabalho e outra alternativa é melhorar
os transportes, que devem ser de massa e com integração
- metrô, ônibus e outros meios - para viabilizar
o acesso”, sugere.
Problemas do crescimento
Buzar, defensor da tese de que as cidades não devem
crescer, alerta que cidades com mais de um milhão de
habitantes produzem problemas - com a ocupação
de áreas de proteção ambiental e lixões
- que impedem o desenvolvimento sustentável. “O
que se defende é que as cidades não podem passar
de um milhão de habitantes, acima disso surgem problemas
que não podem ser contornados. No Brasil esse número
está em torno de 20 a 30 cidades no universo de cinco
mil municípios. Para conter o crescimento das cidades,
deve-se praticar a descentralização”, avisa.
E aponta como exemplo de crescimento desordenado a cidade de
São Paulo, que é responsável por cerca
de 20% de toda a produção do Brasil. Por isso,
ele considera acertada a decisão do Governo Lula de construir
siderúrgicas em outros estados. Ele explica que cidades
que não têm indústrias e nem empresas ficam
estagnadas, enquanto umas poucas cidades concentram toda a produção
e os consequentes problemas.
“Existe a situação gravitacional das indústrias
secundárias e terciárias”, destaca, o que
contribui para um crescimento desordenado de cidades como São
Paulo. “(O Brasil) Tem tanta terra, não precisa
ter cidades adensadas”, afirma o professor.
E diz que a questão política é responsável
pela falta de planejamento que permite ocupações
irregulares nas cidades. E mais uma vez lança mão
do exemplo de Brasília. “Brasília é
o maior exemplo de ocupação irregular, porque
era tudo terra da União, era espaço reservado
para ocupações futuras”, diz, destacando
que as ocupações, que ocorreram por parte da classe
baixa e média, foram incentivadas por muitos governos.
“Incentivaram e enriqueceram em cima dessas invasões”,
denuncia.
No caso de Rio de Janeiro, que vivenciou problemas de desmoronamentos
no último período chuvoso, a questão também
é política, analisa o professor. “As áreas
livres da cidade são lixões, proteção
de meio ambiente e são invadidas para fazer habitação,
o que não resolve o problema (de moradia) e cria dois,
três problemas a mais”, explica Buzar, dizendo que
tem que ter fiscalização.
“O estado é quem tinha que fiscalizar, mas essas
invasões “correm solto”, como as ocupações
de área de preservação, que vão
criar um sério problema de abastecimento de água
no futuro”, diz ele. A ocupação das fontes
e cabeceiras de rios – tornando as áreas impermeáveis
e poluídas - vai criar problema sério de água.
Estudos demonstram que em 40 anos Brasília não
terá onde buscar água para se abastecer. Recife
(PE) e São Luís (MA) são cidades que já
têm que buscar água em distâncias de mais
de 100 quilômetros, o que eleva o custo e aumenta a conta
da água do consumidor.
Começo de tudo
Como não podia deixar de ser, o professor começou
a entrevista fazendo um levantamento do problema habitacional
no Brasil, o que nos levou ao período dos cortiços.
“O problema habitacional do Brasil vem do século
19, com os cortiços. Havia concentração
urbana com o êxodo rural, mas não havia política
habitacional. Os trabalhadores queriam morar próximo
ao trabalho, mas as áreas eram as mais caras.”
O Cortiço, retratado no romance do mesmo nome de autoria
de Aluísio de Azevedo publicado em 1890, é precursor
das favelas. Os quartos e outros compartimentos de grandes casarões
eram loteados entre várias famílias, em geral
famílias numerosas, migrantes do Nordeste que iam ‘tentar
a vida’ nas grandes cidades.
Até a década de 1940 o Brasil viveu esse problema
sem política habitacional. No Governo de Getúlio
Vargas, começou-se a discutir o assunto, mas já
com várias dificuldades, lembra Buzar, citando os exemplos
de criação do Banco Nacional de Habitação
(BNH) e das Companhias de Habitação (Cohabs).
Segundo ele, o modelo financeiro da época inviabilizou
a política habitacional. Hoje você sabe o valor
da primeira e da última prestação. Antigamente,
você tinha aumento de 5% no salário e de até
50% na prestação, diz, lembrando que esse problema
persistiu mesmo com o fim do BNH e a transferência da
responsabilidade de financiamento da casa própria para
a Caixa Econômica com recursos do FGTS (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço), apontado como exemplo mais permanente
de política habitacional.
“A Caixa tem interesses, como qualquer banco comercial,
de manter seus ativos e lucratividade. E esse foi o problema
ao longo dos anos. O banco mantinha mais o financiamento da
classe média porque os juros eram altos – de 10
a 12% ao ano. Em 25 anos, você pagava 400 mil por um imóvel
que custava 50 mil”, conta Buzar. E não tinha o
SAC, que é o sistema de amortização. Os
juros baixos e o SAC são apontados como as vantagens
do programa de financiamento atual – o MCMV.
Para o professor Buzar, é importante destacar também,
como componentes importantes no planejamento das cidades, o
Estatuto da Cidade e o Ministério das Cidades. Ele se
derrama em elogios aos dois, destacando que somente com planejamento
é possível fazer crescer as cidades, evitando
problemas futuros.
“O Estatuto trata de todas as questões das cidades,
como ela deve crescer e quais os instrumentos para a sustentabilidade
do crescimento. O Ministério das Cidades vem para emplacar
essas orientações”, explica. “Hoje
os municípios têm que ter plano diretor para garantir
espaço para área industrial, residencial, comércio,
de preservação ambiental; e para acessar recursos
do governo federal, o que é uma forma de organizar.”
Buzar, que também defende a permanência do Ministério
na estrutura de governo, diz que ele organiza o programa completo
para as cidades com planejamento das fases das intervenções
e a distribuição de verbas para os municípios.
Segundo ele, com isso está superada a fase em que se
fazia o asfalto e no dia seguinte quebrava o asfalto para fazer
esgotamento. “Jogava-se dinheiro fora”, diz, lamentando
que seja “um pouco tarde para cidades como Rio e São
Paulo, que já não permitem o planejamento.”
De Brasília, Márcia Xavier
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Agência
Câmara, 28 de maio de 2010
Seguridade aprova licença-paternidade
de 15 dias
Projeto beneficia pais biológicos e adotivos. Texto aprovado
também garante estabilidade de 30 dias no emprego após
o término da licença.
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou
na quarta-feira (26) o Projeto de Lei 3935/08, do Senado, que
aumenta de 5 para 15 dias consecutivos a licença-paternidade,
beneficiando tanto o pai biológico quanto o adotivo.
O benefício valerá para os trabalhadores regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT -
Decreto Lei 5.452/43). O projeto também garante ao pai
estabilidade de 30 dias no emprego após o término
da licença-paternidade.
A relatora, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), recomendou
a aprovação da proposta. O aumento da licença,
segundo ela, representa um avanço em relação
ao prazo atual, apesar de não ser o ideal. “A licença-paternidade
é de fundamental importância para aumentar o contato
direto entre pai e filho nos primeiros dias de vida da criança
e para que o pai dê mais apoio à mãe nos
cuidados com o bebê e nas tarefas domésticas”,
disse a deputada.
Segundo o projeto, se a licença-paternidade for solicitada
durante as férias, ela só será contada
a partir do primeiro dia útil após o término
das férias. Se o pedido de licença for feito nos
primeiros 15 dias de férias, no entanto, prevalecerá
a licença-paternidade e as férias começarão
a ser contadas depois do fim da licença.
Em relação ao pai adotivo, o texto concede a
licença mediante a simples comunicação
do fato, acompanhada da certidão de nascimento ou de
documento oficial de adoção, independentemente
da idade do adotado.
Projetos rejeitados
Por recomendação da relatora, a comissão
rejeitou os PLs 4853/09 e 4913/09, que tramitam em conjunto
com o projeto do Senado. O PL 4853/09 fixa em 30 dias consecutivos
o prazo da licença-paternidade, com validade também
para o pai adotante.
Já o PL 4913/09 institui a licença-adoção,
estendendo a licença-maternidade da trabalhadora adotante,
prevista na CLT, para o trabalhador do sexo masculino que venha
a adotar. Além disso, institui o salário-adoção
entre os benefícios da Previdência Social.
Na opinião de Elcione Barbalho, essa última proposta
trata de forma desigual os filhos biológicos e os adotados.
“A proposição mantém a licença-paternidade
por 5 dias no caso de nascimento do filho do trabalhador e prevê
uma licença-adoção que pode variar de 30
a 180 dias, a partir da apresentação do termo
judicial de guarda para fins de adoção”,
explicou.
Tramitação
Os projetos, que tramitam em caráter conclusivoRito
de tramitação pelo qual o projeto não precisa
ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo. O projeto perderá
esse caráter em duas situações: - se houver
parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse
rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos,
o projeto precisará ser votado pelo Plenário.,
ainda serão analisados pelas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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O ESTADO DO
PARANÁ, 27 de maio de 2010 | Economia
Crise “engoliu” 800
mil empregos no Paraná, segundo IBGE
Helio Miguel O Paraná
fechou o ano de 2008 como o Estado com o quinto maior número
de empresas e de pessoal ocupado no País, mas com média
salarial abaixo da nacional, conforme dados divulgados ontem
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), referentes ao Cadastro Central de Empresas (Cempre).
No ano em que a crise explodiu no Brasil, o Paraná tinha
376,3 mil empresas e 2,9 milhões de trabalhadores, que
receberam, em média, o equivalente a 3,1 salários
mínimos por mês. A massa salarial paga no ano chegou
a R$ 38,6 bilhões. |
Os números também mostraram que, do pessoal ocupado,
2,4 milhões de pessoas eram empregadas formais ou ao
menos trabalhavam dentro das empresas, com algum outro tipo
de vínculo. Já o País encerrou 2008 com
4,6 milhões de empresas e outras organizações
ativas, que juntas empregaram 44,6 milhões de pessoas,
sendo 38,4 milhões empregadas formais. A remuneração
média ficou em 3,4 salários mínimos mensais.
No âmbito nacional é possível verificar
o impacto da crise nas empresas e no emprego, em 2008 (não
foram fornececidos dados estaduais de anos anteriores). Segundo
a pesquisa, de 2006 para 2007 foram gerados 2,7 milhões
de empregos nas empresas pesquisadas, com alta de 9% no período.
Já no ano de referência da pesquisa (2008) a geração
foi de 1,9 milhão de vagas, com aumento de 5,7% ante
o ano anterior.
De acordo com os dados do IBGE, a indústria e o comércio
foram os setores com os melhores números, no Paraná,
em 2008. O número de trabalhadores nas quase 175.971
empresas comerciais do Estado chegou a 749.444, contra 661.743
pessoas ocupadas nas 38.831 indústrias. O segmento industrial,
porém, pagou mais e melhor que o comercial: foram, respectivamente,
R$ 9,1 bilhões em salários e 2,9 salários
mínimos, em média, contra R$ 5,56 bilhões
e 2,1 salários mínimos.
Capitais
O IBGE também apontou os dados das capitais dos estados
brasileiros. Se o Paraná teve números inferiores
aos do Rio Grande do Sul, Curitiba, por sua vez, superou Porto
Alegre e ficou entre os quatro municípios com os melhores
números. A capital paranaense fechou 2008 com 91.691
empresas ativas, que pagaram quase R$ 17 bilhões a 892.509
trabalhadores ocupados. A média das remunerações
ficou em 4,2 salários mínimos.
Em Curitiba, o maior número de empresas, em 2008, estavam
no ramo do comércio (37.648). O setor empregou 191.216
pessoas, pagando a elas R$ 1,825 bilhões. A média
dos pagamentos ficou em 2,5 salários mínimos.
A maior massa salarial, no entanto, ficou com a administração
pública. Os 117 órgãos ou empresas do setor
pagaram R$ 4,215 bilhões em salários a 92.010
empregados. Cada um recebeu, em média, 8,9 salários
mínimos mensais.
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Valor Econômico,
26 de maio de 2010
Empresários burlam a lei
e ignoram os sindicatos nas negociações coletivas
Ainda que a Constituição estabeleça ser
obrigatória a participação dos sindicatos
nas negociações, as empresas têm utilizado
o artigo 617 da CLT para derrubar a exigência. Segundo
o dispositivo, cabe à empresa notificar o sindicato para
que ele assuma a direção da negociação
coletiva
Grandes companhias encontraram uma espécie de atalho
na legislação trabalhista para negociar diretamente
com os trabalhadores quando os sindicatos que representam a
categoria se recusam a dialogar.
Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST),
de março deste ano, validou um acordo coletivo fechado
pela Gerdau diretamente com os empregados, após o Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração
Mineral de Congonhas (MG) ter se oposto à negociação.
Há decisões semelhantes que já favoreceram,
por exemplo, um banco do Sul do país e um hospital de
Belo Horizonte.
Ainda que a Constituição Federal estabeleça
ser obrigatória a participação dos sindicatos
nas negociações, as empresas têm utilizado
o artigo 617 da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) para derrubar a exigência. Segundo o dispositivo,
cabe à empresa notificar o sindicato para que ele assuma
a direção da negociação.
Se em oito dias não houver retorno, deve fazer a mesma
coisa com a Federação à qual o sindicato
faz parte, que também terá oito dias para se manifestar.
Caso não haja manifestação comprovada das
entidades, a empresa deve formar uma comissão composta
por empregados para negociar diretamente em assembléia-geral.
Acordo coletivo
No caso da Gerdau, a Seção de Dissídios
coletivos (SDC) do TST validou o acordo coletivo 2008/2009 realizado
diretamente com os empregados, mas anulou algumas cláusulas
existentes por considerá-las ilegais.
O relator, ministro Mauricio Godinho Delgado, foi contrário
à negociação por entender que só
poderia ser admitida em casos excepcionais, como abuso de poder
do sindicato. No entanto, a maioria dos ministros foi favorável
à manutenção.
As decisões são polêmicas. De um lado,
advogados de empresas argumentam que nem todos os sindicatos
estão realmente comprometidos com as categorias que representam
e, por isso, a alternativa encontrada na CLT seria uma forma
de contornar essa situação.
De outro, advogados dos sindicatos afirmam que os próprios
trabalhadores perdem com isso, pois eles não teriam liberdade
suficiente e estabilidade para negociarem.
Estabilidade
O advogado do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de Extração Mineral de Congonhas, José
Carlos Gobbi, diz que a decisão favorável à
Gerdau é prejudicial aos próprios trabalhadores,
pois os empregados da comissão de negociação
não têm estabilidade garantida. Por isso, estariam
sujeitos a pressões.
Além do mais, afirma que a comissão não
seria legítima, pois a escolha de seus membros é
feita pela própria empresa. Procurada pelo Valor, a assessoria
de imprensa da Gerdau informou que a empresa não se manifestaria
sobre o tema.
Para o advogado de empresas e professor Túlio de Oliveira
Massoni, do Mascaro & Nascimento Advogados, esses procedimentos
são consequência do modelo sindical implantado
no país. "Essa obrigatoriedade ao representar os
trabalhadores incentiva a existência de um sindicalismo
desvinculado das bases", afirma.
Em razão do descompasso entre sindicatos e empresas,
negociações têm sido emperradas, segundo
os advogados Otavio Alfieri Albrecht e Mayra Palópoli,
do Palópoli Advogados. Fato que moveu Albrecht a fazer
um estudo sobre o tema, baseado em algumas decisões do
TST. Entre as decisões, foram validadas negociações
que envolvem desde alterações na jornada de trabalho,
auxílio-alimentação a até mesmo
na redução de adicional de periculosidade.
Acordos anulados
Há casos, no entanto, em que os acordos foram anulados
pela Justiça por não seguirem exatamente as exigências
da CLT. A advogada Mayra recomenda que a empresa siga todos
requisitos. "É essencial a formação
da comissão de empregados e a comprovação
de que o grupo representa a categoria", diz.
O TST anulou recentemente o acordo da Ferrovia Centro-Atlântica,
do grupo Vale, e um acordo da Braskem com seus respectivos empregados.
No caso da Braskem, os ministros entenderam que a empresa não
seguiu todos os critérios da CLT na negociação.
Para o advogado Antônio Carlos Porto Júnior, que
defendeu um trabalhador contra a empresa, não houve recusa
do sindicato em negociar, mas uma discordância relativa
à proposta. A assessoria de imprensa da Braskem não
retornou até o fechamento da reportagem.
Coação aos trabalhadores
No caso da Centro-Atlântica, os ministros do TST aceitaram
o recurso do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias
dos Estados da Bahia e Sergipe (Sindiferro). Para a Corte, não
foi comprovada a recusa do sindicato em dialogar.
O coordenador-geral do Sindiferro, Paulino Rodrigues de Moura,
diz que houve coação aos trabalhadores na aprovação
do acordo, fato denunciado ao Ministério Público
do Trabalho.
A assessoria de imprensa da ferrovia informou que cumprirá
a decisão do TST e reitera que "sempre busca a participação
dos sindicatos dos trabalhadores quando há negociação
de direitos dos empregados em que a legislação
impõe participação".
(Fonte: Valor Econômico)
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TST, 25 de maio
de 2010
Trabalhador que sofreu lesão
em uma das mãos será indenizado
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
recurso em que uma indústria paranaense, fabricante de
papelão, tentou se isentar do pagamento de indenização
por danos materiais e morais devidos a um empregado que machucou
a mão direita gravemente, ao realizar a limpeza de uma
máquina desfibradora de madeira.
O empregado trabalhou na empresa de 1989 a 2000, exercendo
as funções de servente e operador de desfibrador
e o acidente ocorreu em 1990. Já no final do seu turno
de trabalho, quando ele estava retirando excessos de raspas
de madeira no interior da prensa, que fizera a máquina
a parar de funcionar, ela estava ligada e acabou prendendo sua
a mão. Segundo a empresa, o acidente ocorreu por culpa
dele que antes de começar a limpeza deveria ter desligado
o equipamento.
Inconformada com a decisão regional que manteve a sentença
a responsabilizando por negligência e imprudência,
em razão de não ter orientado corretamente o empregado
a respeito dos procedimentos para a limpeza da máquina,
a empresa recorreu à instância superior, sustentando
a culpa do trabalhador no sinistro. Argumentou que o acórdão
regional fundamentou a decisão em hipotética falha
de segurança do equipamento, sem que houvesse qualquer
comprovação.
Analisado na Terceira Turma do TST pelo ministro Horácio
Senna Pires, o recurso foi rejeitado, porque não conseguiu
demonstrar desacerto na decisão regional. O empregado
já trabalhava mais de dez anos nas funções
de servente e desfibrador quando o acidente ocorreu, ressaltou
o relator, acrescentando que o que ficou comprovado foi que
a “empresa não adotou medidas preventivas necessárias
às normas de segurança do trabalho”.
O relator destacou que a lesão sofrida pelo empregado
foi considerada permanente, ou seja, ele não poderá
usar mais uma das mãos para a atividade laboral, do que
se deduz que “a cada não utilização
a dor íntima que sente será lembrada”, devendo-se
levar em conta ainda que a sua imagem perante a terceiros foi
afetada.
Ao final, ficou mantida a condenação que impôs
à empresa pagar ao empregado R$ 25 mil por danos morais
e pensão mensal, por indenização de danos
materiais no “valor correspondente ao salário mensal
auferido na data da rescisão contratual, multiplicado
pelo número de meses faltantes, inclusive 13º salário,
para completar 65 anos de idade – quando se daria sua
aposentadoria voluntária.” Seu voto rejeitando
(não conhecendo) o recurso de revista da empresa foi
aprovado por unanimidade na Terceira Turma. (RR-9950600-06.2006.5.09.0018)
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Gazeta do Povo,
24 de maio de 2010
Trabalho
FAT deverá ter rombo bilionário
em 3 anos
Alta rotatividade dos trabalhadores aumenta
os gastos do Fundo com o seguro-desemprego
São Paulo - O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT),
de onde saem recursos para pagar benefícios como o seguro-desemprego,
caminha para um déficit cada vez maior. Os dados são
do Ministério do Trabalho, com base numa projeção
do fundo até 2013. Segundo a estimativa, de 2010 a 2013,
o déficit operacional do FAT deve aumentar 1.309,3%.
O rombo daqui a três anos chegará a R$ 1,561 bilhão.
O principal problema, segundo conselheiros e representantes
de empregadores e empregados ouvidos pela reportagem, é
a dificuldade para obter recursos para a qualificação
de mão de obra.
Com a previsão de crescimento anual do Produto Interno
Bruto (PIB) na casa dos 5% para os próximos anos, a geração
de empregos deve continuar em expansão. Sem qualificação,
a rotatividade dos trabalhadores será cada vez maior.
Como consequência, crescerá o número de
pedidos de seguro-desemprego, o que irá aumentar
as despesas e piorar as contas do FAT.
Um dos pontos que tem alarmado os conselheiros do FAT é
o fato de os pedidos de seguro-desemprego não
pararem de crescer, apesar do aumento de vagas geradas, explica
Luigi Nese, presidente do Conselho Deliberativo do FAT (Codefat),
que administra o Fundo. “Isso vem sendo percebido há
mais de 10 anos, mas agora vem acontecendo de forma exponencial”,
diz.
De 2010 a 2013, as despesas com o pagamento do seguro-desemprego,
de acordo com o Ministério do Trabalho,
vão crescer 45%. O abono salarial, outra despesa bancada
pelo Fundo, poderá dobrar de tamanho no mesmo
período.
Membro do Codefat que representa a Força Sindical, Sérgio
Luiz Leite alerta para o desencontro entre receita e despesa.
“Cerca de 40% da mão de obra no Brasil se movimenta
todo ano de um emprego para outro. E neste meio tempo,
utiliza o seguro-desemprego”, explica.
Recursos em falta
No Orçamento Geral da União (OGU) deste ano ficou
definido um total de R$ 226 milhões de recursos para
qualificação, menos que os R$ 300 milhões
do ano passado e infinitamente inferior aos cerca de R$ 1 bilhão
pedidos pelo Codefat.
Quintino Marques, representante da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) no Codefat, diz que nas próximas
reuniões os conselheiros deverão discutir
formas de restringir o giro da mão de obra. Um dos caminhos,
segundo Marques, seria conseguir que o Congresso ratifique a
Convenção 158 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que acaba com as demissões arbitrárias
e obriga os patrões a justificá-las.
Divergência
Há uma compreensão divergente entre o que o ministro
Carlos Lupi, do Trabalho, entende sobre as despesas
do FAT e a opinião dos técnicos da pasta e parte
dos conselheiros.
Quem convive com o ministro no Codefat diz que, para ele, o
repasse de 40% do orçamento do Fundo para os cofres do
BNDES, como prevê a Constituição, não
equivale a despesa, mas sim a um empréstimo. Daí
o fato de o ministério informar, em nota, que entre os
exercícios financeiros de 2010 e 2013 “projeta-se
que o Fundo continue apresentando resultados econômicos
superavitários”.
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Folha de S.Paulo,
23 de maio de 2010
Lula negocia para assumir a ONU
ou o Banco Mundial
Líderes de França, Espanha
e Portugal apoiam indicação do brasileiro
Tanto o petista como o chanceler Celso Amorim já tocaram
no tema com outros líderes mundiais e diplomatas próximos
KENNEDY ALENCAR
DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou articulações
com outros líderes mundiais para definir seu futuro após
deixar o cargo. Gostaria de virar secretário-geral de
uma renovada Organização das Nações
Unidas ou de presidir o Banco Mundial. A Folha apurou que Lula
já tratou dos dois temas com outros presidentes e primeiros-ministros.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
também fala com diplomatas estrangeiros.
A avaliação de Lula, Amorim e alguns líderes
mundiais é que o brasileiro conquistou cacife político
que o credencia a assumir um posto internacional de relevo.
Não interessaria a Lula virar secretário-geral
da ONU no atual formato, muito dependente dos EUA e dos outros
vencedores da Segunda Guerra Mundial -Reino Unido, França,
Rússia e China.
Mas, se for aprovada uma reforma da ONU, a começar pelo
Conselho de Segurança, Lula trabalhará para disputar
a secretaria-geral.
O Brasil, hoje membro rotativo do CS, quer uma cadeira permanente.
O obstáculo é que essa mudança dificultaria
o poder deliberativo do órgão, pois seria preciso
buscar consenso entre mais países.
Lula defende ainda mais poder para a FAO (Organização
da ONU para a Agricultura e Alimentação), que
considera pouco aparelhada para combater a miséria na
África. Na Europa, três líderes endossam
a postulação de Lula para secretário-geral:
o presidente de governo da Espanha, José Luis Rodríguez
Zapatero, o premiê de Portugal, José Sócrates,
e o presidente da França, Nicolas Sarkozy.
" Lula tem capital político tão importante
no mundo que seria um grande desperdício não aproveitá-lo",
disse o premiê de Portugal. Das potências emergentes,
ele conta com a simpatia do premiê Manmohan Singh (Índia).
Diversos presidentes da América do Sul já sugeriram
a Lula seguir esse caminho, de Hugo Chávez (Venezuela)
a Cristina Kirchner (Argentina). Chávez disse à
Folha que, se Lula quiser ser candidato a secretário-geral,
terá o seu "apoio entusiasmado".
Há atritos na relação entre o Brasil e
os EUA, mas, na opinião do governo brasileiro, eles poderiam
ser superados para o petista ir para a ONU ou o Banco Mundial.
" Se a ONU continuar assim, vamos ter problemas sérios",
disse Lula na quarta sobre a articulação dos EUA
para aprovar sanções contra o Irã: "É
preciso mudar, mas quem já está sentado na cadeira
não quer mudar".
O Itamaraty acha que o presidente Barack Obama teria, no mínimo,
disposição de conversar sobre o tema. Existem
óbices, no entanto, para que Lula ocupe essas posições.
O atual secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, tem mandato
até o final de 2011 e pode ser reconduzido.
Do ponto de vista de Lula, a presidência do Banco Mundial
permitiria o financiamento de projetos nos países pobres.
Ele já disse que montará um instituto no Brasil,
a exemplo de seu antecessor. Empresários brasileiros
procuram um prédio na zona sul de São Paulo para
ser a sede.
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Congresso em
Foco, 22 de maio de 2010
Ficha limpa não combate a
corrupção
“A desigualdade econômica
proporciona o campo fértil da corrupção,
que está profundamente enraizada na sociedade. Não
se combate a corrupção de forma normativa”
José Rodrigues Filho *
Embora o projeto ficha limpa seja uma grande denúncia
contra a corrupção no Brasil, que está
no rol dos países mais corruptos do mundo, seu efeito
para combatê-la é mínimo, conforme estudos
que consideram que não se combate corrupção
de forma normativa. A sociedade está tão desenganada
e desesperada com a corrupção e outros males sociais
que deu, mais uma vez, a prova de sua força e capacidade.
Espera-se que doravante o parlamento responda sempre ao clamor
social, evitando tamanho sacrifício e desespero.
Os estudos de corrupção ainda são limitados
e quase inexistentes no Brasil, embora o campo seja bastante
fértil. Mesmo assim, a corrupção vem sendo
estudada do ponto de vista cultural, econômico e institucional.
Por se tratar de um tema complexo, que envolve diversas variáveis,
seria necessário o desenvolvimento de pesquisas para
elucidar os fortes determinantes de corrupção
neste país.
Do ponto de vista cultural, tem sido dito que o sangue corrupto
corre nas nossas veias, daí ser necessária uma
lei que possa evitar que o eleitor brasileiro vote num político
corrupto. É verdade que alguns votam no “rouba,
mas faz”. Por outro lado, em vários países,
sobretudo na Europa, um político corrupto jamais seria
candidato. A cultura da sociedade europeia não aceita
esse tipo de comportamento. Similarmente, existem muitos brasileiros
honestos contrários ao comportamento “rouba, mas
faz”. O exemplo foi o sacrifício de milhares de
pessoas que foram à praça pública assinar
e abonar documentos pedindo mudanças. Mesmo assim, vale
a pena analisar a corrupção sob a perspectiva
econômica, por mais que sejamos favoráveis ao projeto
acima mencionado.
Nesse caso, as raízes da corrupção estão
na distribuição desigual de recursos na sociedade
e no sistema legal. A desigualdade econômica proporciona
o campo fértil da corrupção, que está
profundamente enraizada na sociedade, sendo dificilmente eliminada,
mas que pode ser atenuada através de duas forças:
crescimento econômico e um sistema legal justo. Um sistema
legal injusto é o determinante-chave da corrupção.
Alguns estudos mostram que a corrupção é
quase inexistente em países desenvolvidos e mais igualitários,
a exemplo das nações escandinavas (Dinamarca,
Finlândia, Noruega e Suécia). Quando a corrupção
se torna generalizada na sociedade, as pessoas não desejam
condená-la como imoral, visto que a desonestidade é
o único caminho de se alcançar o que se quer.
Para alguns, a solução para a malversação
de recursos públicos, por exemplo, é colocar os
políticos corruptos na cadeia. Porém, se forem
colocados na cadeia, outros os substituirão. O sistema
legal não resolve a questão da corrupção,
sobretudo se tal sistema for injusto. Para alguns, o sistema
legal pode ser justo e eficiente. Porém, é mais
fácil tornar a Justiça mais eficiente por meio
do aumento do número de julgamentos realizados em menor
tempo, de mais juízes ou do melhor desempenho da força
policial do que se tendo um sistema legal mais justo.
Se é punido rápida e exemplarmente o ladrão
de galinha, responsável por um pequeno crime, e não
se punem os poderosos, responsáveis pela grande roubalheira,
o sistema legal é injusto e fortalece a corrupção
e as desigualdades. Historicamente, no campo político,
poucos foram condenados neste país. Isto gera a falta
de confiança da sociedade, que é um dos fatores
principais da corrupção. Na discussão do
projeto ficha limpa, o Senado Federal cobrou a responsabilidade
do sistema judiciário. Foi uma cobrança muito
oportuna.
Felizmente, a sociedade brasileira começa a vivenciar
novos tempos, ao ver o sistema legal punir, nos últimos
meses, a classe política, responsável por atos
corruptos. A confiança no sistema legal começa
a aumentar e, em consequência, os corruptos vão
começar a pensar se vale a pena praticá-la. Em
não praticando a corrupção, mais recursos
serão revertidos em beneficio da sociedade, diminuindo
as desigualdades.
A escolha de candidatos deve ser função dos partidos
políticos e dos eleitores. Repassar essa função
para o sistema legal não parece ser um bom caminho, pois
quanto mais regulada for uma sociedade, maior será a
corrupção. Se os partidos políticos permitem
candidatos corruptos, estão reforçando a corrupção
no país. A sociedade deve lutar por mais justiça
social e equidade e por um sistema legal mais justo. Esses são
os caminhos mais adequados para se combater a corrupção.
* Professor da Universidade Federal da Paraíba.
Foi pesquisador nas universidades de Harvard e Johns Hopkins
(USA)
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BEM PARANÁ,
21 de maio de 2010 | Economia
Ipea
Brasil pode ser a quinta economia
do mundo O Brasil deve aproveitar a oportunidade de
transição da economia para um desenvolvimento
que prioriza a sustentabilidade para se tornar uma liderança
mundial, segundo o presidente do Instituto de Política
Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. Ontem, ele
participou, no Rio, do 22º Fórum Nacional, promovido
pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Ele [o Brasil] tem as condições concretas
para construir, neste século, um protagonismo inédito
do ponto de vista da concepção de um desenvolvimento
que não seja apenas econômico e social, mas que
tenha capacidade de sustentar do ponto de vista da reprodução
humana e do bem-estar social”, afirmou o presidente do
Ipea. Pochmann disse à Agência Brasil que há
uma convergência nacional, “e até internacional”,
de que chegou o momento brasileiro.
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Agência
Câmara, 20 de maio de 2010
Adiada discussão de relatório
contra o uso do amianto
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
adiou, por falta de acordo, a votação do relatório
final do grupo de trabalho criado para analisar as implicações
do uso do amianto e seus efeitos sobre a saúde e o meio
ambiente.
O relatório final, elaborado pelo deputado Edson Duarte
(PV-BA), que é líder do PV, é favorável
à eliminação do amianto da cadeia produtiva
brasileira. O relatório propõe, entre outros pontos,
a aprovação de diversos projetos com esse objetivo,
a destinação de recursos para pesquisas de fibras
alternativas e para o tratamento de vítimas do amianto.
O relatório foi retirado de pauta por sugestão
do deputado João Oliveira (DEM-TO). O texto é
resultado do trabalho de um grupo de deputados da subcomissão
que, por dois anos, visitou minas de amianto desativadas do
Brasil e a única ainda em funcionamento, em Minaçu,
Goiás. Os deputados entrevistaram técnicos, especialistas,
autoridades, empresários, trabalhadores do setor e visitaram
empresas que usam amianto e outras que o substituíram
por fibras alternativas.
Trabalhadores são contrários
Um grupo de funcionários que representa os 571 trabalhadores
da mina de amianto de Minaçu veio à Câmara
pedir a rejeição do relatório. O presidente
do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração
de Metais de Minaçu, Adelman Araújo Filho, classifica
o relatório de mentiroso e afirma que os deputados visitaram
a mina não relataram o que viram. "Nós trabalhamos
com índice zero de doença. Nosso índice
de poluição é 20 vezes menor do que a legislação
brasileira determina. Eles não levaram isso em consideração,
não respeitaram a posição dos trabalhadores
nem das comunidades que vivem nas cidades e municípios
aonde tem atividade com amianto." Adelman afirma que há
quase 30 anos não são registradas doenças
provocadas por amianto na região.
A coordenadora do grupo de trabalho, deputada Rebecca Garcia
(PP-AM), afirma que há dois anos o grupo vem trabalhando
nesse assunto e que todos os aspectos foram analisados. "O
relatório está compilando uma posição
que foi obtida pelo grupo de trabalho. É uma opinião
que foi aprovada pelo grupo de trabalho, que nos fez entender
que a fibra é prejudicial. Nós sabemos que os
trabalhos são importantes para as famílias que
vivem e dependem dessa indústria do amianto."
Projeto em tramitação
O relatório, se aprovado, vai se configurar como a posição
oficial da Comissão de Meio Ambiente em relação
ao assunto, mas o relatório não tem força
de lei. Na Câmara, atualmente, está em tramitação
projeto (PL 6111/02) do deputado Antônio Carlos Mendes
Thame (PSDB-SP) que proíbe o uso de amianto em materiais
de fricção e outros componentes automotivos. A
proposta está para ser votada na Comissão de Seguridade
Social e Família.
O amianto é uma fibra encontrada em estado bruto na
natureza. Por ser resistente a altas temperaturas, foi muito
usado em pastilhas e lonas de freio, mas seu uso mais comum
é em telhados. Ao ser manipulado, o amianto solta fibras
no ar, que são absorvidas na respiração
e provocam doenças como a asbestose e o câncer
de pulmão. O amianto é proibido na maioria dos
países da Europa desde os anos 90 e ainda é usado
no Brasil em telhas, caixas d’água, tubulações,
e outros produtos empregados na construção civil.
Matéria atualizada às 15h57.
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FOLHA DE LONDRINA,
19 de maio de 2010 | Cidades
SEU DIREITO - SINDICATOS
Como é feito o enquadramento
sindical no caso de terceirização?
Conforme disposto no artigo 581, parágrafo 2º da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o enquadramento
sindical do empregado é feito pela atividade preponderante
da empresa, exceto quando se trata de categoria profissional
diferenciada. Esta é formada por empregados que exerçam
profissões ou funções diferenciadas por
força de estatuto profissional ou em decorrência
de condições de vida singulares - artigo 511,
parágrafo 3º da CLT.
Diante disso, o enquadramento sindical é feito segundo
a atividade preponderante do empregador independentemente das
funções exercidas pelo funcionário. Todavia,
as normas coletivas alcançam apenas as partes diretamente
envolvidas na sua pactuação; não abrangem
terceiros alheios à sua formação negocial.
Ao contrário disso, no caso da terceirização,
o Tribunal Superior do Trabalho entendeu que ainda que o empregado
esteja vinculado a uma empresa prestadora de serviços,
mas exerça função ligada à atividade
fim da empresa tomadora de serviços, inclusive ao lado
dos empregados desta, o instrumento coletivo aplicável
será aquele firmado pela empresa tomadora.
Com isso, o Tribunal Superior do Trabalho leva em consideração
o exercício das atividades desempenhadas pelo funcionário,
ou seja, ainda que tenha sido contratado por uma empresa prestadora
de serviço que mantém instrumento coletivo firmado,
a prova que o seu empregado exercia atividades relacionadas
com a atividade fim da empresa tomadora de serviços,
é suficiente para que lhe seja aplicado o instrumento
coletivo da empresa tomadora de serviço, afastando, assim,
o enquadramento sindical da empresa prestadora de serviço.
Ana Paula Araujo Leal, advogada (Londrina)
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Agência
Diap, 18 de maio de 2010
Centrais sindicais convocam movimento
sindical e trabalhadores à Conclat
"É do interesse dos trabalhadores e trabalhadoras,
assim como da maioria do povo e daqueles que aspiram uma sociedade
justa, fraterna e democrática, que este processo de formulação
envolva e mobilize milhões de brasileiros"
Em manifesto "ao movimento sindical e à classe
trabalhadora", os presidentes de cinco das seis centrais
sindicais brasileiras reforçaram a mobilização
para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).
O encontro está marcado para 1º de junho, às
10 horas, no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu,
em São Paulo.
Aas centrais enfatiza a necessidade de o sindicalismo e os
trabalhadores lançarem uma plataforma de lutas à
vista das eleições 2010.
Segundo o texto, a Conclat, ao reunir "dezenas de milhares
de dirigentes e ativistas sindicais", terá condições
e legitimidade "para discutir e deliberar sobre um projeto
nacional de desenvolvimento para o País".
Sobre a mobilização, o manifesto registra que
"é fundamental que, desde já, sejam organizadas
representativas caravanas sindicais de todos os estados e regiões
do Brasil, com trabalhadores do campo e da cidade, da ativa
e aposentados, jovens, mulheres e homens".
O objetivo é que a Conclat "seja uma massiva demonstração
da diversidade brasileira e da determinação da
classe trabalhadora". (Fonte:
Portal Vermelho)
Leia baixo a integra do manifesto das centrais:
Ao movimento sindical e à classe
trabalhadora brasileira
Companheiras e companheiros,
As eleições gerais de 2010 serão um momento
decisivo para o País e para a democracia que estamos
construindo, pois se realizarão num quadro político
singular, caracterizado pelo crescimento sustentado da economia,
pelo regime de amplas liberdades democráticas e pela
afirmação do papel propositivo do movimento sindical
e da classe trabalhadora, possibilitado por um largo processo
de unidade de ação entre as centrais sindicais.
A campanha eleitoral será marcada pela acirrada disputa
entre distintos e divergentes projetos políticos e de
desenvolvimento para o País nos próximos anos.
As diferentes candidaturas apresentarão à sociedade
e ao debate político suas propostas e programas de governo.
É do interesse dos trabalhadores e trabalhadoras, assim
como da maioria do povo e daqueles que aspiram uma sociedade
justa, fraterna e democrática, que este processo de formulação
envolva e mobilize milhões de brasileiros.
Partindo desta premissa, as centrais sindicais CUT, Força
Sindical, CTB, Nova Central e CGTB realizarão no dia
1º de junho de 2010, no Estádio do Pacaembu, em
São Paulo - SP, a Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora para, numa grande Assembléia, reunir dezenas
de milhares de dirigentes e ativistas sindicais para discutir
e deliberar sobre um projeto nacional de desenvolvimento para
o País, iniciativa inédita e histórica
que marcará a trajetória do movimento sindical
através da afirmação do protagonismo e
da unidade dos trabalhadores.
Convocamos, portanto, o conjunto do movimento sindical brasileiro
para se fazer presente em São Paulo no dia 1º de
junho. É fundamental que, desde já, sejam organizadas
representativas caravanas sindicais de todos os Estados e regiões
do Brasil, com trabalhadores do campo e da cidade, da ativa
e aposentados, jovens, mulheres e homens, para que nossa Conferência
seja uma massiva demonstração da diversidade brasileira
e da determinação da classe trabalhadora.
Contando com a presença de todos e todas, enviamos nossas
saudações sindicais.
- Viva a unidade dos trabalhadores!
- Todos à Conferência Nacional da Classe Trabalhadora
- Assembléia 1º de junho!
Central Única dos Trabalhadores
Artur Henrique da Silva
Presidente
Força Sindical
Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil
Wagner Gomes
Presidente
Nova Central Sindical dos Trabalhadores
José Calixto Ramos
Presidente
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
Antônio Neto
Presidente
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InfoMoney, 17
de maio de 2010 Renda
média do trabalho cresceu 17,1% entre 2004 e 2008 no Brasil
A renda média do trabalho no Brasil cresceu 17,1%
entre 2004 e 2008. Isso é o que aponta o Ipea (Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada), com o estudo intitulado
“A evolução recente dos rendimentos do trabalho
e o papel do salário mínimo”, que foi divulgado
nesta quinta-feira (13).
Em 2004, o rendimento médio do trabalho era de R$ 850,93.
Já em 2008, esse número cresceu para R$ 996,45.
Ao levarmos em conta o período de 2002 e 2008, a renda
apresentou um crescimento de 7,6%.
De acordo com o Ipea, os trabalhadores com menores salários
apresentaram um crescimento acima da média no período.
O instituto ressalta ainda que o salário mínimo,
junto com o crescimento econômico, foi o principal agente
que induziu esta dinâmica do mercado, uma vez que apresentou
aumento real de 36,93% no período, passando de R$ 303
em 2002 para R$ 415 em 2008.
Diferenças históricas
Chama a atenção a relação entre
trabalhadores do sexo masculino e feminino. O estudo constatou
um aumento de 9,25% entre 2002 e 2008, e uma elevação
de 18,95% entre 2004 e o ano retrasado, no que diz respeito
à situação das mulheres.
O salário médio dos homens em 2008 era de R$
1.130,25, enquanto que o das mulheres era de R$ 801,63, o que
mostra que, apesar do avanço, elas continuam a ganhar
menos. Entre os quatro anos em questão, o crescimento
do salário médio masculino foi de 16,82% e, desde
2002, foi de 7,75%.
Carteira assinada
Entre 2002 e 2008, o rendimento médio dos trabalhadores
com carteira assinada (alta de 3,08%) e por conta própria
(alta de 5,41%) obteve uma evolução mais fraca
do que o dos profissionais sem carteira assinada (alta de 10,07%).Os
funcionários públicos apresentaram o maior crescimento
no período, de 11,20%. O salário médio
destes também foi o maior, de R$ 1.759,16.
O Ipea atestou que os trabalhadores que possuíam até
quatro anos de escolaridade apresentaram maior crescimento (12,39%)
entre 2002 e 2008, ao passo que aqueles que possuíam
Ensino Superior mostraram uma queda de 12,76% nos rendimentos.
Em relação à faixa etária, foram
os trabalhadores mais jovens (até 24 anos) e os mais
velhos (acima de 55 anos) que obtiveram um crescimento de renda
acima da média nacional, com 15,24% e 14,04%, respectivamente,
desde 2002.
Regiões
A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento
salarial, alcançando quase 20% de alta entre 2002 e 2008,
porém ainda permanece como a região onde os rendimentos
são os mais baixos, com R$ 646,97.
O Sudeste, que sempre apresentou as maiores médias da
renda do trabalho, com R$ 1.136,61 em 2008, foi ultrapassado
pela região Centro-Oeste do País, com R$ 1.216,51
há dois anos. Segundo o Ipea, o salto é resultado
da intensificação salarial dos funcionários
públicos.
Frente ao Centro-Oeste, o bloco liderado por São Paulo
e companhia atingiu uma alta de apenas 2% nos anos em questão,
enquanto o atual líder apresentou elevação
de 16,27%. No que toca as regiões Norte e Sul, a primeira
atestou uma média de rendimento de R$ 808,95, enquanto
a segunda, de R$ 1.121,51.
Fonte: InfoMoney
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Folha de S.Paulo,
16 de maio de 2010 Benefício
social reduz atividade rural no NE Trabalhadores
optam por não ter carteira assinada a fim de manter Bolsa
Família e aposentadoria especial antecipada
Fazendas de café na Bahia, que usam o emprego intensivo,
abandonam a produção e acabam transformadas em pasto
FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A BREJÕES (BA)
A falta de mão de obra rural no Nordeste passou a contribuir
para o fim de algumas atividades que usam o emprego intensivo
na região. Muitos trabalhadores estão optando
por não ter registro em carteira a fim de manter benefícios
sociais como o Bolsa Família e a aposentadoria especial
antecipada. O fato ocorre pelo menos desde 2007.
Em Brejões (281 km ao sul de Salvador), grandes fazendas
abandonaram nos últimos três anos a produção
do café, tradicional no sul do Estado, e passaram a criar
gado. Propriedades que antes tinham até 800 mil pés
de café e empregavam mais de 170 pessoas na safra estão
virando pastos, geridos por menos de dez pessoas cada uma.
A falta de mão de obra rural em Brejões e em
outras regiões de plantio de café e de diferentes
culturas no Nordeste é crônica, afirma João
Lopes Araújo, vice-presidente da Associação
Comercial da Bahia. Basicamente, eles temem perder, ao terem
a carteira assinada, o Bolsa Família ou a aposentadoria
especial antecipada (aos 55 anos para as mulheres e 60 para
homens).
No caso da aposentadoria antecipada, o registro em carteira
tiraria o trabalhador da condição de "segurado
especial", tornando-o "assalariado rural". Com
isso, ele seria obrigado a contribuir por 13 anos ou a trabalhar
mais cinco anos. No caso do Bolsa Família, os beneficiários
não perderiam necessariamente o dinheiro (pois trabalham
apenas alguns meses na safra). Mesmo assim, preferem não
correr o risco.
Esse é o caso de Juceli de Jesus Alves, 47, que trabalhava
sem registro em uma fazenda da região na semana passada.
Ela diz estar "com medo" de ser registrada e perder
os R$ 134 por mês que recebe do Bolsa Família (ela
tem nove filhos, dois deles de sete e cinco anos). Juceli diz
que optou pelo registro em 2009, mas não sabe se o fará
neste ano. "É melhor contar com o certo [o Bolsa
Família] do que com o incerto."
Sem registro, os trabalhadores ganham entre R$ 4 e R$ 5,50
por caixa de café colhido. Registrados, ganhariam um
salário mínimo (R$ 510). O mesmo se dá
com as pessoas chegando perto da idade de se aposentar.
Pé de café vira tronco
Na semana passada, Raimundo Moreira de Souza, 56, empilhava
com dois ajudantes troncos que antes eram pés de café
naquela que foi uma das maiores fazendas da região. A
terra vai virar pasto. E o antigo cafezal, queimar nas caldeiras
de um curtume. Souza nunca teve a carteira assinada e não
a quer. Quer se aposentar aos 60 anos pelo regime especial da
Previdência, ganhando um salário mínimo
por mês.
Ele diz que a irmã, hoje com 55 anos, teve a carteira
assinada há dois anos e perdeu a oportunidade de se aposentar
aos 55. Agora, terá de completar 60 antes de pedir a
aposentadoria. Souza diz que chegou a levar em seu caminhão
para essa mesma fazenda até 60 pessoas ao dia na época
da safra para colher o café. "Hoje, estamos destruindo
o que levamos mais de 30 anos para plantar", diz.
Em uma das maiores fazendas ainda ativas em Brejões,
a Campo Grande, o cafeicultor André Araújo diz
ter diminuído o número de "covas" (pés
de café) de 1 milhão para 700 mil nos últimos
anos por causa da falta de mão de obra. Enquanto precisa
de até 200 pessoas para cada safra, ele consegue contratar
no máximo 70 com a carteira assinada.
O resultado é que mais de 40% do café não
é colhido no pé por falta de tempo. Acaba catado
depois no chão. A saca do "riado" (colhido
no solo) vale R$ 200, ante R$ 290 do "mole" (tirado
do pé na hora certa). A Folha já havia constatado
o problema em Brejões e em outras regiões em 2007.
Na época, fazendas ainda tentavam sobreviver contratando
ilegais. Após multas e o aumento da fiscalização
do Ministério do Trabalho, muitas desistiram da atividade.
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Congresso em
Foco, 15 de maio de 2010 TSE
condena sindicato por ato contra Serra Mário
Coelho
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nancy Andrighi
aplicou multa de R$ 7 mil ao Sindicato dos Professores do Ensino
Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) por fazer propaganda
eleitoral negativa contra a pré-candidatura de José
Serra (PSDB) à presidência da República. A
ação foi movida pelos tucanos e pelo DEM contra
a entidade. Também foi multada a integrante do Apeoesp
Maria Izabel Azevedo Noronha. Cabe recurso à decisão.
De acordo com o TSE, a representação dos dois
partidos afirmava que, em 26 de março, o sindicato estacionou
caminhão de som em frente ao Palácio dos Bandeirantes,
sede do governo paulista, e promoveu um ato, durante a greve
dos professores, contra José Serra. A intenção,
segundo as legendas, era atingir sua imagem como pré-candidato
a presidente da República. No evento, Maria Izabel Noronha
teria, em discurso, feito ataques à eventual candidatura
de Serra. Na ação, os advogados afirmam que Serra,
que ainda ocupava o cargo de governador, "foi ofendido
de forma grosseira".
Na defesa, o sindicato argumentou que a assembleia em frente
à sede do governo paulista foi convocada para discutir
os rumos do movimento grevista e não para fazer comício
eleitoral. De acordo com o sindicato, as manifestações
que ocorreram no evento estão amparadas pela Constituição
e não podem ser classificadas como um ato político-partidário
ou de propaganda antecipada. Afirma ainda a entidade que o ato
não teve potencial para influir na vontade do eleitor.
A ministra, no entanto, não entendeu desta forma. Para
ela, o direito dos sindicatos de se manifestarem sobre aspectos
da política nacional (artigo 9º da Constituição)
não pode ser extrapolado, a ponto de se confundir a liberdade
de expressão e a livre manifestação do
pensamento, garantidas pela Constituição, “com
a interferência negativa na imagem de homem público”.
“O conteúdo das declarações não
deixa dúvida de que não se tratou de temas de
interesse da categoria - professores da rede pública
-, ou mesmo de questões nacionais de interesse político-comunitário”,
ressalta a ministra.
Irritação
O tucano José Serra, após participar de um encontro
na Associação Comercial do Rio de Janeiro, demonstrou
irritação após ser questionado por uma
jornalista sobre a possibilidade de seu governo, caso eleito,
promover privatizações. Segundo o portal UOL,
a repórter perguntou a Serra se “Banco do Brasil,
Caixa Econômica Federal e Petrobras estão livres
de privatizações?”. Ele respondeu irritado:
“Onde você ouviu isso? Claro que sim. De que jornal
você é?”. A profissional respondeu que trabalha
na Radiobras (atual Empresa Brasil de Comunicação,
empresa estatal). “Então informe isso aos seus
patrões”, completou Serra.
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VERMELHO, 14
de maio de 2010 | Geral Copa-2014
vai gerar R$ 183 bi para a economia, prevê estudo
A Copa do Mundo de 2014 vai gerar R$ 183 bilhões
para a economia brasileira, num período de dez anos, a
partir de 2010 e até 2019, entre impactos diretos –
investimentos em infraestrutura, turismo, empregos, impostos,
consumo – e indiretos, que é a recirculação
de todo esse dinheiro no país, o que representa 0,4% do
Produto Interno Bruto (PIB) acumulado no mesmo período,
segundo estudo realizado por uma consultoria para o Ministério
do Esporte.
Os dados foram apresentados no Encontro Técnico de Segurança
para a Copa de 2014, que começou na última segunda-feira
(10), em Brasília e vai até sexta-feira. Segundo
esse estudo, somente em infraestrutura os investimentos projetados
chegam a R$ 33 bilhões, incluindo estádios, mobilidade
urbana, portos, aeroportos, telecomunicações, energia,
segurança, saúde e hotelaria. Isso equivale ao custo
de construção de 24 mil quilômetros de estradas
pavimentadas.
Na parte de turismo, a previsão é de que 600
mil turistas estrangeiros assistam à Copa no Brasil e
que 3 milhões de turistas nacionais se desloquem internamente,
o que terá um impacto na economia de R$ 9 bilhões.
No consumo, haverá também um fluxo de R$ 5 bilhões,
causado pelas obras, que vão gerar empregos e, por consequência
uma massa salarial, entre trabalhadores permanentes e temporários.
Somados, esses impactos devem incrementar o PIB em R$ 47,9 bilhões.
Um dado comparativo levantado pelos autores do estudo é
que os R$ 5 bilhões a serem injetados no consumo pela
renda gerada por esses trabalhadores equivale a 1,3 ano de venda
de geladeiras no Brasil ou 7,2 milhões de aparelhos.
A expectativa, segundo o estudo é de que a Copa crie
mais de 700 mil empregos entre permanentes e temporários.
Sobre a arrecadação de tributos, a estimativa
é de sejam arrecadados R$ 17 bilhões, o que representa
mais de 30 vezes os R$ 500 milhões em isenções
fiscais que serão concedidas à Federação
Internacional de Futebol (Fifa) e empresas por ela contratadas
para a realização do Mundial. Somente em tributos
federais serão arrecadados com a Copa R$ 11 bilhões,
um saldo de R$ 3,5 bilhões em relação aos
investimentos federais na realização do campeonato.
Os impactos indiretos da Copa na economia do país com
a recirculação do dinheiro são calculados
pelo estudo em R$ 136 bilhões, até 2019, cinco
anos depois da Copa. Um impacto pós-Copa, impossível
de dimensionar financeiramente transforma-se em turismo futuro.
Além disso, as obras que modernizarão estádios
nas 12 cidades-sedes também geram riqueza e impacto no
PIB. Este valor, somado aos R$ 47 bilhões dos impactos
diretos, leva aos R$ 183 milhões que o estudo calcula
que a Copa vai gerar para o país.
O estudo menciona ainda os benefícios “intangíveis”
da Copa de 2014 para o Brasil: visibilidade internacional, consolidação
da imagem do país no exterior pela capacidade de organizar
um evento desse porte, maior exposição de produtos
e serviços para o mundo e maior aproveitamento do potencial
turístico, principalmente com a divulgação
de atrações regionais. Na parte de infraestrutura,
esses benefícios serão as grandes obras de mobilidade
urbana, portos e aeroportos, que melhorarão a qualidade
de vida da população.
O estudo conclui que a Copa também vai fortalecimento
o orgulho nacional, como ocorreu nos países anfitriões
das últimas edições. As 12 cidades-sedes
da Copa de 2014 são: Belo Horizonte, Brasília,
Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Natal, Manaus, Porto Alegre,
Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Fonte: Agência Brasil
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Gazeta do Povo,
13 de maio de 2010 Projeto
Aposentados que voltam à
ativa poderão sacar FGTS O Senado aprovou ontem
um projeto que permite aos trabalhadores aposentados que voltarem
a trabalhar o saque dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS). De acordo com o texto, as retiradas
poderão ser feitas a cada 12 meses ou quando o contrato
for rescindido. A mesma proposta também reduz de 70 para
65 anos a idade para que esses trabalhadores possam utilizar
os recursos do Fundo. As duas medidas foram aprovadas pela Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, em caráter terminativo,
seguindo direto para a Câmara dos Deputados, caso não
haja recurso ao plenário da Casa.
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Agência
Câmara, 12 de maio de 2010 Jornada:
sindicatos aceitam proposta intermediária de Temer
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer, recebeu
nesta terça-feira representantes das centrais sindicais,
acompanhados pelos deputados Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e
Dagoberto (PDT-MS). O grupo informou ao presidente que os sindicatos
de trabalhadores concordaram com a proposta intermediária
apresentada por Temer que poderia resultar em consenso a votação
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
231/95.
A proposta em tramitação prevê a redução
da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Com
discordância entre sindicalistas e empresários, o
presidente da Câmara sugeriu a redução gradual
da jornada: 43 horas semanais em 2011 e 42 em 2012. Não
haveria aumento no valor da hora extra.
Michel Temer lembrou que, na reunião desta terça-feira,
pediu aos líderes partidários a indicação
de PECs consideradas prioritárias pelas bancadas. Após
receber as indicações, o presidente determinará
quais irão para a pauta do plenário. "Sugiro
que vocês procurem os líderes e informem sobre
o consenso. Caso eles considerem que é viável
apoiar a PEC 231/05, deverão indicá-la até
amanhã, às 18 horas", disse.
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O ESTADO DO
PARANÁ, 11 de maio de 2010 | Economia
Brasileiro não sabe quanto
paga de imposto, diz Fiesp
O brasileiro pode não perceber, mas paga cerca de
55% de imposto na compra de uma máquina de lavar roupa
e desembolsa mais 32,25% pelo sabão em pó. O simples
ato de acender uma luz já representa transferência
de 39,25% do valor pago para os cofres do governo. E o sonho da
casa própria chega a custar quase o dobro por causa das
mais variadas taxas e impostos que são cobrados no valor
final.
A falta de informação do contribuinte aparece numa
pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp) ao instituto Ipsos. Foram
entrevistadas mil pessoas em 70 cidades espalhadas pelo Brasil.
Os resultados não chegaram a surpreender a Fiesp. A sondagem
mostrou que a maioria da população tem conhecimento
de que paga impostos sobre produtos de consumo doméstico.
No entanto, não faz a menor ideia de quanto paga de tributos
sobre cada mercadoria ou serviço.
Não se trata de mero descaso. O consumidor desconhece
o tamanho da "mordida" porque a cobrança do
Leão é feita de forma indireta e disfarçada.
O valor dos chamados tributos invisíveis, que representam
mais de 40% da carga tributária no País, já
vem embutido no preço final das mercadorias.
"Não podemos culpar o cidadão de ignorância
nem de falta de atenção, porque não contam
para ele quanto cobram de imposto", diz o diretor do departamento
de pesquisas e estudos econômicos da Fiesp, Paulo Francini.
Para ele, o sistema fere o conceito de cidadania. "Só
pode reclamar pelos seus direitos quem tem consciência
dos deveres que está praticando", diz.
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Agência
Câmara, 10 de maio de 2010 Projeto
amplia formas de pagamento de indenização trabalhista
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6940/10, do deputado
Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que permite que o pagamento
de indenização ao trabalhador demitido sem justa
causa seja feito também por meio de cheque administrativo.
Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho
(Decreto-lei 5.452/43) prevê apenas duas formas de pagamento:
dinheiro e cheque visado.
Tanto o cheque visado quanto o administrativo garantem ao portador
o recebimento da quantia devida. A principal diferença
é que, enquanto o cheque visado pertence ao correntista,
o administrativo é emitido pelo próprio banco.
O objetivo da proposta, segundo Mendes Thame, é ampliar
o leque de opções para que o empregador possa
honrar seu compromisso com o empregado, no caso de estar enfrentando
dificuldades para obter um cheque visado. Ele ressalta que o
cheque administrativo é uma alternativa que "garante
o pagamento rápido, eficaz e seguro das verbas rescisórias
devidas ao trabalhador".
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de
tramitação pelo qual o projeto não precisa
ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo. O projeto perderá
esse caráter em duas situações: - se houver
parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse
rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos,
o projeto precisará ser votado pelo Plenário.,
será analisado pelas comissões de Trabalho, de
Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Blog O Outro
Lado da Notícia, 9 de junho de 2010
Como o brasileiro se vê. No
Brasil, rico não é rico e pobre não é
pobre Comportamento: pesquisa
mostra que maioria da "classe A" e da "classe E"
se autodefinem como de classe média Por
Adriana Mattos,
No Valor Econômico A forma como o brasileiro
vê a si mesmo, em termos de posição na pirâmide
socioeconômica, condiz pouco com a realidade. Em sua maioria,
os ricos no país não acreditam que são
realmente ricos. A maior parte dos pobres creem que pertencem,
no pior dos cenários, à classe média baixa.
Essas conclusões fazem parte de um estudo inédito
de 60 páginas, realizado por um grupo de grandes empresas
de consumo e pelas consultorias Accenture e Plano CDE, e obtido
com exclusividade pelo Valor.
Com uma série de detalhes sobre incoerências na
autoanálise do brasileiro, o levantamento será
tema de uma mesa-redonda no dia 24, em São Paulo, entre
CEOs de companhias como Unilever, Pepsico, grupo Fleury (medicina
diagnóstica) e Living Construtora, empresa da Cyrela.
Fica claro no estudo como as imagens criadas se confundem e
se distorcem. Um entre cada dois brasileiros ouvidos que pertecem
à classe A se autoavalia como consumidor de classe média
ou classe emergente. Ainda nesse grupo de endinheirados, 2%
cre que é pobre, ou seja, faria parte da classe E - que
pelo estudo ganha até R$ 600 por mês. Os ricos
que se consideram classe média alta são 35% da
amostra - algo como um em cada três.
Um dado em especial chama a atenção dos consultores.
Metade dos entrevistados que efetivamente pertencem à
classe C não acredita que faz parte dessa imensa e crescente
classe média brasileira. Nesse caso, há uma espécie
de diminuição de posto: 9% imagina que é
pobre e 37%, classe média baixa. Ainda há 1% que
pensa ser rico - mesmo não embolsando mais que R$ 3 mil
ao mês.
Para se chegar a esse resultado, os consultores primeiramente
questionaram os entrevistados - foram 1,6 mil pessoas ouvidas
- para descobrir em que posição da pirâmide
social estavam. Com base na renda familiar, perguntavam em que
classe acreditavam pertencer.
Essa imagem refletida se distorce por razões culturais
e comportamentais, afirmam economistas e estudiosos. "Há
um aspecto altamente subjetivo que pesa nessa análise",
diz Teutly Correia, líder da Accenture para a área
de consumo e manufatura na América Latina
"No caso dos mais abastados, existe um fator aspiracional
que pode deturpar a autoanálise", completa ele.
O rico que viaja com frequência e conhece a classe média
americana acredita que tem muito menos recursos e bens do que
esse americano de alto padrão. "Por isso, o rico
brasileiro não acha que é rico", afirma.
É o que os economistas têm chamado, um tanto ironicamente,
de "complexo de inferioridade pós-globalização".
A análise desse grupo já tem sido alvo de debates
entre os economistas e estudiosos da área. "Nesse
espelho em que o brasileiro de classe alta se olha, ao fundo
está escrito ‘made in USA'", brinca Marcelo
Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais vinculado
ao Ibre/FGV. "Para ele, ter que vender um carro importado
e comprar um nacional, por exemplo, é perder padrão
de vida".
É uma forma de pensar exatamente oposta àquela
da base da pirâmide. Entre os pobres ouvidos na pesquisa,
mais da metade (53%) acredita ser classe média ou média
baixa. Ou seja, ele sempre acha que está melhor do que
a sua classificação indica. Acesso à estudo
tem peso nisso. "Pessoas das classes D e E com fundamental
completo têm maior probabilidade de se autodefinirem de
classe média baixa", informa o estudo.
De acordo com especialistas em consumo e renda, esse grupo
entende que está mais acima na pirâmide também
porque ele se baliza pelo ambiente onde vive. "Se a família
possui filhos que conseguem ir à faculdade ou adquire
um carro, ainda que em parcelas a perder de vista, ela passa
a crer que já é classe média," diz
André Torreta, autor do livro "Mergulho Na Base
Da Pirâmide" (editora Saraiva).
"Pode até ser que essa família realmente
tenha se tornado classe média por causa dessas conquistas.
Mas o que importa sempre é a percepção.
Ela vê o vizinho ao lado sem nada disso e acredita que
está melhor e subiu de vida", afirma.
Essas percepções se formaram num período
de forte migração de classes. Dados da FGV, com
base em números da Pnad/IBGE, mostram que a classe E
diminuiu de tamanho, passou de 28% para 15,3% da população
entre 2003 e 2008.
Nesse mesmo período, a classe C passou de 37,6% para
pouco mais de 50% do total de brasileiros em idade ativa - o
que equivale a cerca de 80 milhões de pessoas em 2008,
com base na Pnad daquele ano. Já entre brasileiros da
classe alta, a ampliação do bolo foi mais lenta.
Passou de 7,6% do total para 10,6% entre 2003 e 2008.
Metodologia
Testar hipóteses que orientam a lógica das classes
nas camadas sociais. Com esse objetivo em mente, as consultorias
Accenture, Plano CDE e Tendências, ao lado da FGV, decidiram
investir num modelo de análise próprio. Com o
apoio de empresas da área de consumo, criaram o projeto
Emerging Ideas, que planeja avaliar o que se passa pela cabeça
do consumidor de classe média.
A primeira parte desse trabalho, que o "Valor" publica
hoje, contou com análise quantitativa de dados fornecidos
por 1,6 mil entrevistados em duas cidades, São Paulo
e Recife. Questionários foram aplicados em consumidores
de todas as classes sociais nas ruas das cidades.
A divisão de classes em cada município (com base
em dados da Pnad/IBGE) se refletiu no conjunto da amostra de
entrevistados. Foram ouvidas pessoas de 20 a 65 anos e a amostragem
também seguiu a divisão de idade e sexo que há
nas cidades.
No relatório, os pesquisadores definiram como consumidores
de classe A aqueles que recebem acima de R$ 6 mil ao mês
e os valores decrescem até a classe E, com renda de até
R$ 600. A aplicação dos questionários aconteceu
em janeiro e fevereiro de 2010.
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Folha de S.Paulo,
8 de maio de 2010 Teles
querem que a Telebrás não tenha regalia na banda
larga Em reunião com
a Casa Civil, empresas cobram do governo regras iguais para a
prestação do serviço
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião realizada ontem com a ministra da Casa Civil,
Erenice Guerra, os presidentes das empresas de telefonia fixa
e de celular cobraram do governo que a estatal Telebrás
não tenha privilégios para oferecer o serviço
de banda larga em relação à concorrência
privada. Diante do pedido de isonomia, a ministra respondeu
que ""isonomia é tratar desigualmente os desiguais".
O diálogo foi relatado à Folha por um dos executivos
presentes à reunião.
O Planalto convocou os presidentes das teles para apresentar
as linhas gerais do Plano Nacional de Banda Larga, que já
havia sido apresentado à imprensa dois dias antes. A
ministra chegou para o encontro carregando um exemplar do jornal
"Correio Braziliense", que reproduzia na primeira
página a nota do Sinditelebrasil -sindicato que representa
as operadoras de telefonia fixa e celular- contra a atuação
da Telebrás como prestadora de serviço de internet,
inclusive a usuários finais.
Segundo relato de executivos que participaram da reunião,
o governo deixou claro que não abre mão do papel
da Telebrás como operadora do Plano Nacional de Banda
Larga. Durante a reunião, o secretário de Logística
e Tecnologia da Informação do Ministério
do Planejamento, Rogério Santanna, foi apresentado oficialmente
aos presidentes das teles como o futuro presidente da estatal
Telebrás.
Depois da exibição dos slides sobre os pontos
principais do plano, abriu-se tempo para perguntas dos executivos.
A primeira, feita pelo presidente da Telefônica, Antônio
Carlos Valente, resumiu a preocupação das empresas
com a futura atuação da Telebrás.
Como o plano da banda larga pública prevê que a
Telebrás usará as fibras ópticas da Petrobras,
Valente perguntou como será a relação comercial
entre as duas estatais e se a Petrobras fará licitação
pública para vender o acesso à sua rede, pois
tem ações em Bolsa.
Segundo a Folha apurou, a pergunta ficou sem uma resposta efetiva.
Na saída do encontro, questionado sobre se temia a competição
com a Telebrás, Valente disse que não,""desde
que a Telebrás siga as boas práticas de mercado"
que regem as empresas privadas, principalmente as que têm
ações negociadas em Bolsa, numa referência
indireta à Petrobras.
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DIÁRIO
POPULAR, 07 de maio de 2010 | Economia
Empresas não têm repassado
ganhos de produtividade a trabalhador Brasília
– A recuperação econômica, em curso
no Brasil desde o ano passado, vem ocorrendo sem o repasse dos
ganhos de produtividade para os salários, afirmou ontem
o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), Marcio Pochmann.
“Isso não permite sustentação da
trajetória que o Brasil vem apresentando no período
recente de ampliação da massa de rendimentos do
trabalho na renda nacional”, disse. Segundo estudo apresentado
por Pochmann, no biênio 2008/2009, o peso do trabalho
na renda nacional, de 43,5% no período, aumentou 9,5%
em relação aos anos de 1999 e 2000 (40%).
Para ele, dois fatores contribuem para que as empresas não
repassem o aumento dos ganhos de produtividade para os salários
dos trabalhadores. Um deles é a valorização
do real, o que reduz as exportações brasileiras.
“A valorização cambial implica uma pressão
de custos para as empresas, ou seja, torna mais difícil
colocar os produtos no mercado internacional. As empresas evitam,
ao máximo, o repasse de produtividade para os salários,
para compensar”. O outro motivo é o aumento da
taxa básica de juros, a Selic, que “desacelera
o nível de atividade e compromete as decisões
voltadas para os investimentos”.
Apesar dessa perspectiva de menor participação
do salário na renda total do país, Pochmann lembra
que a situação já foi pior. “O bom
sinal para o Brasil é que, na primeira década
deste século, os salários passaram a recuperar
sua participação na renda nacional, depois de
40 anos em que os salários perdiam participação,
uma vez que a renda da propriedade e dos lucros e juros cresciam
mais que os salários”.
Segundo o estudo, houve queda de 29,3% na participação
do rendimento do trabalho na renda nacional, na comparação
entre os biênios 1959/1960 (56,6% de representatividade)
e 1999/2000. Pochmann acrescentou que o Brasil ainda tem longo
um caminho para alcançar os países desenvolvidos,
onde os salários representam mais de dois terços
do total da renda.
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Notícias
do TST, 6 de maio de 2010 Sindicato
responde a pedido de indenização a terceiros durante
greve
A Justiça do Trabalho pode julgar ação
com pedido de indenização por dano moral decorrente
da conduta de sindicato durante o exercício do direito
de greve. Se antes a Constituição limitava a competência
desta Justiça Especializada para conciliar e julgar os
dissídios individuais e coletivos entre empregado e empregador,
a Emenda Constitucional nº 45/2004 trouxe novas atribuições.
Depois de refletir sobre o alcance dessas atribuições,
é que a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
concluiu que o texto constitucional autoriza a Justiça
do Trabalho a apreciar casos assim. Como explicou o relator
e presidente do colegiado, ministro Aloysio Corrêa da
Veiga, não são mais os sujeitos da relação
jurídica (patrão e trabalhador) que definem a
competência da Justiça do Trabalho, mas as ações
que envolvam a relação de trabalho.
O relator destacou que o artigo 114 da Constituição
estabelece que a Justiça do Trabalho está pronta
para dirimir conflitos da relação de trabalho,
além de outras situações. No inciso II,
em particular, trata das “ações que envolvam
o exercício do direito de greve”, o que, para o
ministro Aloysio, demonstra a clara intenção do
legislador de contemplar todos os movimentos e atitudes que
levem à greve, aconteçam na greve ou resultem
dela.
No processo em discussão, trabalhadores apresentaram
ação de reparação de danos a terceiros
contra o Sindicato dos Trabalhadores em Educação
na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina
(SINTE/SC), com o argumento de que sofreram cárcere privado
e constrangimento ilegal durante uma greve deflagrada pela entidade
sindical. Os autores contaram, entre outros detalhes, que ficaram
impedidos de sair de uma secretaria por várias horas.
Em primeira instância, o sindicato foi condenado ao pagamento
de indenização por dano moral aos trabalhadores.
No entanto, o Tribunal do Trabalho catarinense (12ª Região)
entendeu que a Justiça do Trabalho era incompetente para
analisar a matéria, pois a controvérsia não
tratava de relação de trabalho nem dano moral
ou patrimonial decorrente de uma relação de trabalho,
mas sim de pedido de indenização por danos morais
oriundo de fatos ligados ao direito de greve. O Regional ainda
determinou a remessa do processo à Justiça Estadual.
Durante o julgamento do recurso de revista na Turma, o relator
defendeu que o artigo 114, II, da CF reconhece a capacidade
da Justiça do Trabalho para processar e julgar os atos
que se desenrolaram durante a greve, diferentemente do entendimento
adotado pelo TRT. Para o ministro Aloysio, a Justiça
do Trabalho poderá esclarecer se houve abuso do direito
de greve, se foram desrespeitados os comandos da Lei nº
7.783/89 (que trata do tema) ou se o sindicato impediu, de fato,
a saída dos trabalhadores do prédio.
Por essas razões, à unanimidade, a Sexta Turma
afastou a declaração de incompetência da
Justiça do Trabalho para examinar a questão. O
relator também aceitou a sugestão do ministro
Maurício Godinho Delgado no sentido de devolver o processo
ao Tribunal Regional para que a matéria de fundo possa
ser apreciada em grau de recurso. (RR-333000-76.2008.5.12.0001)
(Lilian Fonseca)
|
Agência
Diap, 5 de maio de 2010 Duas
informações relevantes para o movimento sindical
explorar e vibrar Por Marcos
Verlaine*
Duas informações que teriam tudo para os setores
organizados da sociedade ir para a rua e "bater bumbo",
a fim de publicizar, como chama a atenção João
Franzin, da Agência Sindical, um crítico, e, com
razão, de nossa imprensa sindical.
A primeira, mais recente, dá conta que a indústria
praticamente zerou os efeitos da crise, segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com este
dado na mão e na cabeça, as entidades que têm
data-base de maio em diante precisam buscar negociações
salariais mais amplas e vantajosas, já que superamos
a crise.
O economista do IBGE, André Macedo, diz em matéria
veiculada pela Agência Estado, nesta terça-feira
(4), que "a indústria praticamente eliminou os efeitos
da crise observados nos últimos três meses de 2008".
Em fevereiro de 2010, a indústria ainda operava em patamar
2,8% inferior ao recorde de setembro de 2008. Segundo Macedo,
os dados de março mostram "um perfil generalizado
de crescimento e recuperação da atividade industrial".
Prevendo esta melhora nos índices econômicos,
o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos) fez um balanço das negociações
salariais de 2009 e com base nas previsões bastante positivas
para a economia orienta que "os sindicatos devem se preparar
para negociar CCTs mais amplas".
Redução da extrema pobreza
A outra, que passou "despercebida" pela imprensa,
dá conta que os índices de extrema pobreza no
Brasil foram reduzidos - entre 1990 e 2008 - de 25,6% para 4,8%,
uma drástica redução de 81%. Esta informação
foi veiculada há pouco mais de um mês.
O movimento sindical tem relação com este importante
fato social. Um dos fatores que fez a extrema pobreza diminuir
tem relação com o salário mínimo
e sua política de atualização e recuperação
de valores, cuja proposta originária é das centrais
sindicais.
Na matéria veiculada no site do Ministério do
Desenvolvimento Social (MDS), que o DIAP reproduziu em 26 de
março, sob o título "Ipea: Brasil supera
meta de reduzir extrema pobreza. Índice é agora
4,8%" há mais informações importantes
deste importante passo dado pelo País.
O relatório do Ipea informa ainda que "a pobreza
extrema no Brasil, hoje, é menos de um quinto da pobreza
extrema de 1990. A desigualdade caiu bastante e pode cair ainda
mais". E acrescenta: "Se o ritmo da redução
se mantiver nos próximos anos, a pobreza extrema será
erradicada do Brasil por volta de 2014".
É ou não para o movimento sindical "bater
bumbo" sobre estes dois fatos sociais, cuja repercussão
é extremamente positiva sob todos os aspectos?
(*) Analista político e assessor
parlamentar do Diap
|
FOLHA DE LONDRINA,
04 de maio de 2010 | Opinião
Guerra Silenciosa - Acidente de
trabalho mata 3 mil por ano no País Estatística
reflete a falta de cuidado com a saúde e a segurança
dos funcionários; auditor compara a situação
a conflito armado Cerca de 3 mil brasileiros morrem
por ano vítimas de acidente de trabalho. Levando em consideração
o número de mortos e de afastamentos por problemas de
saúde, o prejuízo para o País alcança
a cifra de R$ 21 bilhões anuais. As estatísticas
são do Sistema de Mortalidade (SIM), do Ministério
do Trabalho e do Emprego.
Ainda de acordo com o SIM, somente no Paraná foram registrados
320 acidentes em 2008. O setor campeão no número
de desastres relacionados ao trabalho é a construção
civil, que responde por 30% das ocorrências. Na regional
paranaense do Ministério Público do Trabalho (MPT-PR),
por exemplo, estão em andamento quase mil investigações
relacionadas ao tema.
Esta é a realidade do País quando o assunto é
segurança e saúde do trabalhador. Para o auditor
fiscal do Ministério da Trabalho e do Emprego Sérgio
Silveira de Barros, vivemos uma verdadeira ''guerra silenciosa.''
''Os três mil trabalhadores que perdemos por ano é
a quantidade de pessoas que os americanos perderam em guerra
no Iraque. Nossos homens e mulheres estão indo produzir
e não guerrear'', afirma Barros, que participou recentemente
em Londrina da mesa redonda ''Panorama da Política Nacional
de Segurança e Saúde do Trabalhador''.
Segundo ele, grande parte do empresariado não tem uma
visão estratégica para lidar com o problema. ''A
sociedade tem que se rebelar contra esse marasmo, que acaba
lesionando um conjunto de trabalhadores. As escolas e universidades
deveriam discutir o assunto'', defende.
Por que os acidentes de trabalho e as doenças
ocupacionais ainda matam tanta gente?
Nós temos um índice altíssimo de óbitos
motivados pelo trabalho. São cerca de 3 mil mortes por
ano. Há uma carência de visão estratégica
por parte do empresariado. Os setores que sofrem são
a construção civil, a movimentação
e armazenagem de cargas e os de exportação. A
segurança e a saúde no trabalho têm um impacto
econômico sobre o custo da produção e sobre
os custos sociais para o País. Além de outros,
como custos previdenciários com afastamentos, auxílio-doença,
pensões por morte.
Falta conscientização por parte dos empresários?
As empresas têm que olhar os quesitos segurança
e saúde da mesma forma como olham a produção,
a comercialização, o marketing. Segurança
no trabalho tem que ser uma função empresarial,
elencada como uma das mais importantes no processo produtivo.
Percebemos que empresas de porte grande têm os programas
de segurança do trabalho, mas muitas vezes não
há uma aplicação na realidade. Há
uma dissociação entre a formatação
dos programas e a execução desses programas. As
micro e pequenas empresas, que contratam 70% da força
de trabalho, são fragilizadas duplamente: por uma questão
cultural, que dissocia a segurança da produção,
e por carência financeira.
E como reverter isso?
A sociedade precisa desenvolver um programa de conscientização
a partir do governo, dos sindicatos patronais e dos sindicatos
dos trabalhadores. A sociedade tem que se rebelar contra esse
marasmo, que acaba lesionando um conjunto de trabalhadores.
E qual papel a sociedade civil pode exercer na luta
por mais garantias de segurança e de saúde para
o trabalhador?
Seria interessante que as escolas e as universidades trabalhassem
a segurança e a prevenção em um conceito
amplo. Todos os cursos deveriam discutir esse tema, inclusive
nos ensinos fundamental e médio.
Nós estamos vivendo uma guerra silenciosa. Os 3 mil
trabalhadores que perdemos por ano é a quantidade de
pessoas que os americanos perderam em guerra no Iraque. Nossos
homens e mulheres estão indo para o trabalho para produzir
e não para guerrear.
E qual o custo que as mortes e o alto número
de trabalhadores incapacitados geram para o País?
Estima-se que o País perde cerca de R$ 21 bilhões
por ano com as mortes, multas, processos judiciais, afastamentos,
remédios, hospitais. Essa cifra diz respeito somente
à economia formal, ou seja, aos trabalhadores com carteira
assinada. Se nós considerarmos também quem trabalha
na informalidade, que seria mais de 50% da força de trabalho,
esse número pode ser dobrado, chegando a R$ 50 bilhões.
A Usina de Itaipu custou em torno de R$ 10 bilhões e
somente na economia formal nós estamos perdendo duas
Itaipus por ano.
Existem trabalhadores que abusam ou utilizam de forma
incorreta os atestados médicos?
Já foi muito pior. Nós tínhamos um verdadeiro
comércio persa de atestados de saúde ocupacional.
Existe a exigência de exame médico admissional,
periódico, mudança de função, retorno
ao trabalho e demissional. Os trabalhadores têm que se
submeter periodicamente a uma análise de sua saúde
por estarem em ambientes agressivos e perigosos. Antigamente,
nos anos 1980, havia um mercado de comercialização
de atestado. Muitas vezes o trabalhador nem era examinado e
já surgia um atestado. Hoje com o Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional houve uma melhora
substancial nessa questão. Os trabalhadores devem ser
examinados periodicamente e deve-se verificar o impacto dos
agentes de risco do local do trabalho.
No caso dos atestados para afastamento no trabalho, quando
houver dúvida da procedência e da veracidade do
documento, sugiro que a empresa conte com um médico que
possa questionar o emissor. Os médicos das empresas podem
verificar a classificação da patologia, o tempo
de afastamento. Mas a empresa não pode desprezar o atestado.
Falta uma política de prevenção
das LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), que consistem na
primeira causa de afastamento no trabalho?
Nós temos uma norma de ergonomia que é a NR17
(Norma Regulamentadora, que estabelece parâmetros que
permitam a adaptação das condições
de trabalho às características psicofisiológicas
dos trabalhadores). Mas no meu entendimento ela é muito
seca. Faltam elementos que nos possibilitem obrigar as empresas
a implantarem mecanismos adicionais. Ela está sendo complementada
com anexos. A norma não prevê a questão
da rotatividade funcional, que é uma estratégia
defensiva, ginástica laboral, mix de produção.
As empresas conscientes adotam esses instrumentos.
Falta cultura de prevenção nas micro e pequenas
empresas
Tínhamos um verdadeiro comércio persa de atestados
Paula Costa Bonini
Reportagem Local
|
Gazeta do Povo,
3 de maio de 2010 Trabalho
Salários já pressionam
inflação Com
escassez de mão de obra, remuneração dos
profissionais vem subindo rapidamente, o que ajuda a aquecer o
consumo
A pressão por reajustes de salários, principalmente
nos setores onde há escassez de mão de obra, começa
a ter efeito sobre a inflação, cuja alta já
levou o Banco Central a iniciar um novo ciclo de aperto monetário.
Na última quarta-feira, a taxa de juros básica da
economia (Selic) aumentou 0,75 ponto porcentual, para 9,5% ao
ano.
Para os economistas, se o crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2010 for acima de 6%, a inflação deverá
ser pressionada também pela falta de pessoal qualificado.
Em setores com gargalos de escassez de mão de obra, como
construção civil, alguns segmentos da indústria
e serviços, os salários vêm subindo rapidamente
acima da produtividade. Nessa situação, os aumentos
mais expressivos de custos tendem a ser repassados para os preços.
“O mercado de trabalho atual é um componente importante
da inflação. Há um forte ritmo de contratações,
o desemprego de março foi o mais baixo da série
histórica, e os salários, inclusive o mínimo,
estão subindo acima da inflação, o que
ajuda a estimular ainda mais a demanda de consumo”, lembra
Tatiana Pinheiro, economista do Santander.
A relação mais direta de salário e inflação
é algo novo na história recente de estabilidade
da economia brasileira. Desde 1994, quando foi lançado
o Plano Real, os picos inflacionários tiveram como causa
principalmente a variação do câmbio e a
alta dos preços das commodities, como a que ocorreu em
2008. A perspectiva de forte crescimento nos próximos
dois anos vai fazer com que os dados de emprego, assim como
os de consumo, indiquem o provável comportamento da inflação,
como já ocorre em países desenvolvidos, como os
Estados Unidos.
Trata-se de um “problema bom”, já que o
aumento da renda e do emprego melhoram as condições
de vida da população e refletem o próprio
desenvolvimento econômico do país. “A questão
é que em um ambiente de demanda forte os empresários
também têm mais facilidade para repasses dos aumentos
dos custos para os preços, o que gera mais inflação”,
acrescenta Regis Bonelli, economista do Instituto Brasileiro
de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getulio
Vargas (FGV).
Tatiana Pinheiro ressalta que o aumento da renda ocorre em
meio a um forte aquecimento da economia, com juros mais baixos,
crédito em alta e a indústria operando muito próxima
da capacidade. Embora os investimentos em ampliação
da capacidade estejam ocorrendo, eles têm um tempo maior
de maturação. “Dentro de dois, três
meses, a indústria já estará operando no
limite”, diz.
O aquecimento no mercado de trabalho pode resultar em pressão
inflacionária por meio de dois mecanismos: aumento do
custo de produção (que pode ser repassado ao preço
pago pelo consumidor) e o crescimento do consumo por parte dos
trabalhadores em função do aumento de seus salários,
explica Marcio Cruz, do Departamento de Economia da Universidade
Federal do Paraná (UFPR). Mas ele alerta que o quanto
isso representará nos preços dos bens para o consumidor
dependerá fundamentalmente de como se comporta a oferta
de cada setor. “Nesse caso, fatores como a concorrência
e o nível de capacidade ociosa serão importantes”,
diz.
A questão da mão de obra já começa
a aparecer, por exemplo, na inflação dos serviços,
lembra André Loes, economista chefe do HSBC. No Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os serviços
(como cabeleireiro, conserto de automóvel, aluguel, mensalidades
escolares) acumulam alta de 6,92% nos 12 meses até março.
Disputa
A procura por profissionais vem inflando salários e
aumentando a competição entre as empresas. Em
uma proposta de troca de emprego é comum a remuneração
subir entre 20% e 30%.
Em setores com fortes gargalos de mão de obra, como
a construção civil, o reajuste salarial ganhou
velocidade nos últimos meses – somente em Curitiba,
há mestre de obras ganhando R$ 5,5 mil e engenheiros
com remuneração de R$ 12 mil – e deve ser
fonte de muita discussão até junho, data-base
da categoria. A previsão é de que o Índice
Nacional da Construção Civil (INCC) suba entre
1% e 2% acima da inflação.
As pressões são mais evidentes na construção
civil, mas também começam a aparecer em outros
setores, como as transportadoras. Faltam caminhoneiros, ajudantes
e conferentes de cargas. “Se tivéssemos uma oferta
de profissionais 10% maior, eles seriam contratados imediatamente.
Os salários vêm se distanciando do piso, com reflexo
no preço do frete”, afirma Luiz Carlos Podzwato,
superintendente do Sindicato das Transportadoras
de Cargas do Paraná (Setcepar). A alta dos custos do
transporte tem um efeito em cadeia sobre vários segmentos
da economia. O frete para carga fracionada e para transporte
urbano, por exemplo, subiu cerca de 18% no início de
ano, segundo ele também como forma de recuperar os preços
que foram reduzidos durante a crise.
Déficit
Na área de tecnologia, a previsão é de
um déficit de 140 mil profissionais no país. Segundo
o presidente da indiana Wipro no Brasil, Fernando Estrázulas,
de forma geral os preços dos serviços de TI já
começam a ser impactados pelo aumento dos salários.
“A mão de obra tem peso considerável nos
custos do setor”, afirma. A empresa tem 100 vagas abertas
no momento em Curitiba, desde nível secundário
até superior. Para driblar a escassez de mão de
obra, a Wipro tem investido em treinamento e na capacitação
de talentos, alguns deles buscados no próprio mercado.
“A dificuldade que o setor vive é boa, reflexo
do aumento dos negócios. É mil vezes melhor ter
esse tipo de problema do que a falta de demanda”, afirma.
Para ele, a questão de como cada empresa vai lidar com
esse gargalo vai se tornar um diferencial competitivo nos próximos
anos.
Segundo um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (Ipea), somente o Paraná deverá
fechar 2010 sem conseguir preencher 18,4 mil vagas qualificadas.
Trata-se do pior índice do país.
Reajuste
Ganhos devem superar os de 2009
Em tempos de economia aquecida, também há previsão
de reajustes de salários acima da inflação.
Os ganhos reais devem superar o recorde atingido em 2009. No
ano passado, segundo levantamento do Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
o equivalente a 79,9% dos acordos e convenções
coletivas tiveram reajuste real. “A expectativa é
de que esse porcentual seja superado esse ano. Em 2009, mesmo
com a crise, a maior parte das categorias conquistou ganhos
reais, mas a diferença é que esse ganho foi menor
do que em 2008. Para esse ano, também esperamos que os
porcentuais dos reajustes reais sejam maiores”, afirma
Sandro Silva, analista do Dieese no Paraná. Esse movimento
deve ganhar fôlego nos próximos meses, data-base
de categorias de peso, como metalúrgicos, petroleiros
e bancários.
Silva, no entanto, rechaça a análise de que a
alta dos salários pode impactar a inflação.
“É preciso lembrar que o emprego e renda vêm
crescendo desde 2004 sem gerar pressões inflacionárias”,
afirma.
Aperto monetário
Ciclo de alta do juro vai até o fim do ano
No mercado é dado como certo que o ciclo de alta da
taxa básica de juros (Selic), iniciado na última
quarta-feira, deve se estender pelo menos até outubro.
As previsões são de que os juros – hoje
em 9,5% – encerrem o ano próximos de 12%. Mas,
mesmo com a elevação, a inflação
deve fechar o ano acima do centro da meta estipulada pelo governo,
de 4,5%. “O Banco Central está mirando a inflação
de 2011, já que os efeitos do reajuste só devem
ser sentidos daqui a seis, nove meses, na economia real”,
lembra Tatiana Pinheiro, economista do Santander. Para a maior
parte dos analistas de mercado, a decisão de aumentar
a Selic foi acertada para conter um provável superaquecimento
da economia. Para o professor do Departamento de Economia da
Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcio Cruz, a
decisão, embora técnica, guarda também
relação com o ano eleitoral. De acordo com ele,
é preciso considerar que a decisão de não
aumentar a taxa poderia provocar incertezas em relação
ao compromisso do BC com o cumprimento da meta. Da mesma forma,
um aperto mais forte agora pode evitar que a autoridade monetária
tenha que atuar mais agressivamente próximo das eleições.
A inflação do primeiro trimestre medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que
serve de referência para o regime de metas, ficou em 2,06%,
bem acima do que previa o mercado (1,5%) e da registrada no
mesmo período do ano passado (1,23%). Nos últimos
12 meses, o indicador ficou em 5,17%, maior do que os 4,83%
na mesma base de comparação. “A demanda
está rolando a bases anuais de 10%, acima do crescimento
da produção”, diz Regis Bonelli, economista
do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação
Getulio Vargas (FGV).
Os analistas consideram que consumo, salários e utilização
da capacidade pela indústria vão continuar em
alta, pressionando a inflação nos próximos
meses. No primeiro trimestre, alimentos e bebidas e serviços
como educação lideraram os reajustes. Mas como
a inflação dos alimentos nos últimos meses
foi provocada por fatores climáticos, ela não
deve sofrer altas fortes nos próximos meses, mesmo com
a subida dos preços de algumas commodities. “As
cotações não vão ganhar fôlego
significativo, já que a economia mundial, mesmo em recuperação,
não gerará uma demanda tão forte”,
afirma Tatiana Pinheiro, analista do Santander.
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Folha de S.Paulo,
2 de maio de 2010
VINICIUS TORRES FREIRE Salários
fracos e dívida bruta --------------------------------------------------------------------------------
Em São Paulo, crescimento da massa salarial é
um quarto da média nacional; dívida bruta do país
começa a cair rápido
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O EMPREGO e o salário não se recuperam tão
bem em São Paulo como noutras partes do país.
O mercado de trabalho paulista parece mais fraco que o da média
nacional, ao menos segundo as estatísticas disponíveis.
Na média nacional, a massa dos rendimentos cresceu 5,2%
em março, segundo dados do IBGE divulgados na quinta-feira.
Isto é, a soma dos rendimentos do trabalho de março
foi esse tanto maior que faz 12 meses.
Na região metropolitana de São Paulo, o crescimento
da massa salarial foi um quarto disso: 1,3%. O avanço
da massa salarial em São Paulo perde para os de Recife
(15,7%), Salvador (4,3%), Belo Horizonte (12,4%), Rio de Janeiro
(7,5%) e Porto Alegre (7%). São Paulo puxou a média
nacional para baixo. Faz um ano, as coisas não eram assim.
Em março de 2009, o avanço da massa salarial em
12 meses havia sido de 5,8% na média nacional. Em São
Paulo, de 6,2%. Em março de 2008, a expansão da
massa salarial havia sido outra vez de 5,8%. Em São Paulo,
de 5,9%, praticamente a mesma coisa.
Ainda segundo a pesquisa de emprego do IBGE, o salário
médio caiu nos últimos três meses, sempre
na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Caiu 1% em janeiro, 2,6% em fevereiro, 4,5% em março.
Na média nacional, a média dos salários
caiu 0,4% em janeiro, mas subiu 0,9% em fevereiro e aumentou
ainda 1,5% em março. Sim, parece que São Paulo
está criando empregos, mas com salários menores.
Nos dados do Ministério do Trabalho, isso fica aparente.
Trata-se dos números do Caged, a respeito do saldo de
empregos formais (contratações menos demissões).
O Caged não é uma pesquisa, mas um registro do
emprego com carteira assinada. Nos últimos 12 meses,
o número de empregos formais cresceu 5,16% no Estado
de São Paulo, ante 5,35% da média nacional. No
primeiro trimestre deste ano, o crescimento do emprego com carteira
assinada na região metropolitana de São Paulo
também acompanhou o das demais metrópoles.
Dívida do governo
Muito se falou, após a crise, que a dívida bruta
do setor público no Brasil havia crescido muito. Em geral,
no Brasil se acompanha a dívida líquida (a dívida
bruta menos os haveres dos governos). Em março, a dívida
líquida era equivalente a 42,4% do PIB. No mesmo mês,
a dívida bruta era de 60,4%. A dívida bruta subiu
porque o governo tomou empréstimos no mercado para injetar
dinheiro em bancos públicos, o grosso no BNDES, de modo
a sustentar a continuidade do investimento e evitar recessão
mais feia. Esses empréstimos aparecem apenas na dívida
bruta.
Mas o pessoal do mercado começou a dizer que esse aumento
era preocupante, embora a dívida líquida permanecesse
comportada. Mas essa dívida que o governo fez tem muita
chance de ser paga. São empréstimos do BNDES,
de baixíssima inadimplência. E a dívida
bruta já tombou: de 63,1% para 60,4% do PIB, de fevereiro
para março, segundo lembram os economistas do Bradesco.
Começa a voltar para um nível anterior ao da crise
(em dezembro de 2008, era de 56,3% do PIB). O mercado exagerou.
vinit uol.com.br
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Agência
Diap, 1º de maio de 2010 Taxa
assistencial: de onde vem a resistência na Comissão
de Trabalho É provável que o projeto
(PL PL 6.708/09), do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta
a cobrança, pelos sindicatos, da taxa assistencial, retorne
à pauta da Comissão de Trabalho na próxima
quarta-feira (5), depois da vista coletiva.
Entendimento com deputado Vicentinho (PT/SP) permitiu que a
matéria seguisse o curso normal do debate já que
ele havia pedido vista e depois a retirou, a fim de votar o
projeto no colegiado. A cobrança da taxa e seu percentual
não é propriamente um consenso no movimento sindical.
Excessos do Ministério Público do Trabalho, que
fiscaliza a cobrança pelos sindicatos e muitas vezes
impõe limitações absurdas em razão,
por outro lado, dos percentuais extorsivos cobrados por muitos
sindicatos dos trabalhadores fez com que o senador Paulo Paim
(PT/RS) apresentasse o projeto, por demanda do Fórum
Sindical dos Trabalhadores (FST).
Feito este breve esclarecimento é importante destacar
que o projeto não é do PT, embora tenha sido apresentado
por um senador petista aliado do movimento sindical na Casa
e no Congresso.
Foco de resistência na Comissão de Trabalho
O pedido de vista da deputada Andreia Zito (PSDB/RJ) explicitou
um foco de resistência, na Comissão, que o movimento
sindical precisará tratar até a votação
da matéria na próxima quarta-feira (5).
Em matéria publicada na última sexta-feira (30),
sob o título "1º de maio amargo: projeto do
PT prejudica trabalhadores ao criar contribuição
obrigatória" vê-se claramente que é
necessário esclarecer alguns mal entendidos acerca deste
problema.
No texto percebe-se que talvez a deputada tucana esteja mal
informada acerca da cobrança da taxa: "A cobrança
não é só ilegal, como também é
injusta, porque imputa ao trabalhador um desconto em sua renda
para destinar dinheiro aos sindicatos, quando grande parte não
quer ser sindicalizado", diz a parlamentar.
Diante deste fato é importante que as lideranças
sindicais, sobretudo as do Rio de Janeiro, procurem a deputada
para mostrar-lhe o outro lado do problema, a fim de possibilitar
a votação da proposta no colegiado.
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