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Agência Brasil, 31 de março
de 2010
PR: salário mínimo regional chegará a R$ 765.
Impacto será de R$ 150 mi O salário mínimo regional que o estado do Paraná pagará a
aproximadamente 350 mil trabalhadores vai variar entre R$ 663
e R$ 765 a partir de 1º de maio.
Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Instituto Paranaense
de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostra
que o reajuste entre 9,5% e 21,5% sobre os atuais valores - que
se situam entre R$ 605,52 a R$ 629,45 - trará um impacto
de R$ 150 milhões mensais na economia paranaense.
O novo salário serve como base para os segmentos que
não têm convenções coletivas de trabalho,
influenciando direta e indiretamente, conforme o levantamento,
1,2 milhão de trabalhadores.
Pela divisão de faixas, trabalhadores na agricultura,
que hoje recebem R$ 605,52, passam a receber R$ 663. Para trabalhadores
em serviços administrativos, domésticos e gerais,
vendedores e trabalhadores de reparação, o aumento é de
11,9%, passando de R$ 615,10 para R$ 688,50.
Trabalhadores na produção de bens e serviços
industriais deverão receber entre R$ 625,06 e R$ 714.
Técnicos de nível médio, que hoje recebem
R$ 629,45, passam a receber R$ 765.
De acordo com o governo paranaense, o maior valor do piso estadual
será 50% mais alto que o salário mínimo
nacional.
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Notícias
do TST, 30 de março de 2010
Simples adesão à greve não é falta
grave para justificar justa causa A simples adesão à greve, mesmo após a
recomendação do fim do movimento pelo sindicato
da categoria, não configura falta grave que justifique
a demissão por justa causa do trabalhador. Ao rejeitar
(não conhecer) recuso da Betin S/A, a Terceira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho manteve, na prática, decisão
anterior nesse sentido do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(MS). No caso, o autor da ação e mais centenas
de outros trabalhadores continuaram com a greve, mesmo após
a negociação do sindicato da categoria para o fim
do movimento. A empresa demitiu esses empregados sob a alegação
de “indisciplina” e “mau procedimento”,
pois a paralisação seria ilegal.
O TRT de Mato Grosso do Sul, ao analisar o recuso da empresa
contra decisão do juiz de primeiro grau, entendeu que
a paralisação foi “coletiva”, pois “a
insatisfação da categoria era manifesta, tanto
que, mesmo após a negociação realizada com
o sindicato, não houve chancela (autorização)
dos interessados em assembléia e centenas de trabalhadores
continuaram de braços cruzados.” Como não
haveria provas de que houve atos de depredação
do patrimônio da empresa, nem violência contra outros
trabalhadores, o TRT tomou como base para a sua decisão
a Súmula nº 316 do Supremo Tribunal Federal (STF),
que dispõe: “a simples adesão à greve
não constitui falta grave”.
O ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, relator
do processo na Terceira Turma do TST, ao analisar o agravo de
instrumento da empresa contra o julgamento regional, ressaltou
que seria necessário o reexame dos fatos referentes aos
alegados atos de indisciplina do trabalhador e a legalidade da
greve para uma possível modificação da decisão
contestada. De acordo com a Súmula 126 do TST, não
cabe análise de fatos e provas nessa fase do processo.
Assim, o relator não conheceu do agravo de instrumento
da empresa e, por isso, continuou valendo a decisão do
TRT contra a demissão por justa causa. (AIRR-80040-33.2008.5.24.0086)
(Augusto Fontenele)
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Notícias
do TST, 29 de março de 2010
Ser dirigente sindical não
garante estabilidade: sindicato tem que ter representatividade A eleição para dirigente sindical não garantiu
a estabilidade no emprego para um funcionário da Empresa
Municipal de Urbanização (Emurb), de São
Paulo. Desde a primeira instância, seu pedido foi julgado
improcedente, porque o sindicato pelo qual foi eleito não
tinha legitimidade para representar a categoria da empresa onde
trabalhava. Ao examinar o recurso do trabalhador, a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou seu apelo, ao não conhecer
dos embargos.
O trabalhador argumenta que tem direito à estabilidade
pelo simples fato de ter sido eleito dirigente sindical, sendo
irrelevante, no seu entender, que a entidade sindical não
fosse reconhecida ou mesmo que sua representação
não se tenha dado em relação aos empregados
da Emurb. Informa, ainda, que o registro regular do sindicato
no Ministério do Trabalho foi comprovado nos autos. Após
sua reclamação ter sido julgada improcedente no
juízo de primeiro grau, o sindicalista interpôs
recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP), que manteve a sentença.
De acordo com o TRT, a controvérsia foi solucionada sob
o ponto de vista da legitimidade do sindicato para representar
os interesses da categoria, e não em relação à existência
legal do sindicato. Destaca, ainda, que o posterior reconhecimento
da representatividade do sindicato não altera a situação
de que, na época da dispensa, em fevereiro de 1994, havia
decisão judicial contrária à legitimidade.
Assim, o trabalhador não estaria amparado pela estabilidade.
Nada mudou quando a Segunda Turma do TST analisou o recurso
de revista. O colegiado entendeu que o acórdão
regional não merecia reforma. Ressaltou, inclusive, que
a estabilidade provisória, prevista no artigo 543, parágrafo
3º, da CLT, refere-se a empregado que representa o sindicato
da respectiva categoria profissional, pois não tem em
vista a entidade em si mesma, levando em consideração
a representatividade de interesses coletivos da categoria.
Ao analisar os embargos do trabalhador, o relator, ministro
Vieira de Mello Filho, o fez sob a ótica da irregularidade
na representatividade sindical e os efeitos disso sobre a estabilidade,
conforme foi a decisão da Turma, e não somente
quanto ao reconhecimento da estabilidade de empregado eleito,
como são os julgados apresentados pelo sindicalista para
demonstrar a divergência jurisprudencial, não conseguindo,
assim, sequer ultrapassar a fase de conhecimento do recurso.
Nesse sentido, conclui o ministro Vieira de Mello que não
há elementos na decisão da Segunda Turma quanto à ilegitimidade
da entidade sindical ter decorrido do fato de o seu registro
no Ministério do Trabalho não ter sido requerido
até a dispensa do trabalhador. Segundo o relator, a questão é outra,
porque, de acordo com o TRT, o sindicato do qual ele era dirigente
sindical não representava os empregados da Emurb quando
foi ajuizada a ação. A SDI-1, então, acompanhou
o voto do ministro Vieira por unanimidade, não conhecendo
dos embargos. (E-RR - 517016-21.1998.5.02.5555 )
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Folha
de S.Paulo, 28 de março de
2010
País volta a ser oitava
maior economia
Após 11 anos, Brasil voltou ao posto que havia sido perdido
para a Rússia segundo ranking que considera PIBs em dólares
Crescimento ajuda a atrair mais investidores
e a elevar influência
geopolítica; dados foram compilados pela Economist Intelligence
Unit
ÉRICA FRAGA
ESPECIAL PARA A FOLHA
A recente crise mundial alçou o Brasil à condição
de oitava maior economia do mundo em 2009. É a primeira
vez desde 1998 que o pais ocupa essa posição no
ranking global com o PIB (Produto Interno Bruto) medido em dólares.
A crise econômica no mundo desenvolvido, a fortaleza do
real e políticas anticíclicas bem sucedidas adotadas
pelo governo contribuíram para esse resultado. Mas por
trás da performance brasileira há também
deficiências, como uma economia ainda fechada, que se travestiram
de vantagem durante a crise, mas que no longo prazo tendem a
voltar a pesar negativamente na trajetória do país.
O desempenho da economia brasileira já havia sido favorável
entre 2007 e 2008, quando passou da décima à nona
posição no ranking mundial, deixando para trás
a Espanha e o Canadá, embora tenha sido ultrapassado pela
Rússia. Com esse movimento, o Brasil também passou
a ser a segunda maior economia das Américas, atrás
apenas dos Estados Unidos.
Ganhar posições no ranking de maiores economias é positivo
porque torna o país mais atrativo para investidores externos
e aumenta seu peso geopolítico. Mas desde que a mudança
seja sustentável; e, de preferência, se trouxer
chances de mais progresso no futuro.
Colocando o caso brasileiro em perspectiva histórica,
não se pode dizer que a melhoria registrada nos últimos
dois anos represente um fato inédito. Há décadas
o país oscila entre a oitava e a décima posição
(embora tenha estado pontualmente também em sétimo
e décimo terceiro lugares desde 1980).
O câmbio costumava ser fator primordial nas mudanças
do Brasil no ranking das maiores economias. Na última
vez em que havia ocupado a oitava posição, em 1998,
foi derrubado pela maxidesvalorização do real em
janeiro do ano seguinte, caindo para décimo lugar.
No ano passado a força do real também colaborou
para a melhoria relativa do Brasil. Prova disso é o fato
de que o tamanho da economia brasileira medido pela chamada paridade
do poder de compra (PPP) -que ajusta os valores absolutos do
PIB de acordo com o custo de vida em cada país -se manteve
na nona posição.
Mas não foi só o câmbio. Outros fatores
também ajudaram o Brasil, como o próprio desempenho
da economia e o fato de ser relativamente fechado.
ÉRICA FRAGA é editora sênior da consultoria
britânica Economist Intelligence Unit (EIU)
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Reporter Brasil,
27 de março de
2010
Metade dos ocupados tem jornada superior às
44 horas
De acordo com relatório global sobre jornada de trabalho
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), levantamentos
mais recentes (2005) mostram que referência de 40 horas semanais
vem predominando no mundo
Por Repórter Brasil Tem prevalecido, ao longo das últimas décadas,
a tendência de redução legal dos limites
da jornada de trabalho. De acordo com relatório global
sobre o tema apresentado nesta quinta-feira (25) pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT), levantamento mais recente (2005)
revela que o patamar de 40 horas semanais vem predominando no
mundo.
Apesar desta tendência, existem diferenças enormes
entre nações e continentes. A incidência
de longas jornadas (acima de 48 horas semanais) na Rússia,
Noruega e Holanda é de apenas 3,2%, 5,3% e 7%, respectivamente.
Na maioria dos países, contudo, a carga é bem
mais pesada. A porcentagem de empregados que trabalham mais de
48 horas por semana em países como Indonésia (51,2%),
Paquistão (44,4%, de acordo com dados de 2003) e Tailândia
(46,6%, em 2000).
"Isso confirma a visão amplamente compartilhada
de que jornadas de trabalho longas são comuns", confirma
o relatório intitulado Duração do trabalho
em todo o mundo: Tendências de jornadas de trabalho, legislação
e políticas numa perspectiva global comparada, lançado
originalmente em 2007 e traduzido agora para o Português.
Na América Latina, a jornada semanal com limite de 48
horas é a mais adotada. Dados de 2008 relativos ao Brasil
mostram que muita gente ainda enfrenta rotinas pesadas: mais
da metade da população (52,8%) trabalhava mais
de 44 horas semanais (referência legal): 33,7% na faixa
entre 44 horas e 48 horas e 19,1% encaravam jornada superior
a 48 horas semanais. Apenas 23,1% mantinham jornada inferior
a 35 horas por semana.
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o trabalho da OIT detectou, contudo, que a população
ocupada de 16 anos ou mais de idade no Brasil trabalhou uma jornada
média semanal de 40,8 horas, confirmando a tendência
mundial de redução gradual da jornada. Em 1996,
a jornada média do brasileiro era de 42,9 horas semanais.
Os empregados do setor privado com carteira de trabalho assinadas
formavam 33,2% dos ocupadas (31,9 milhões de trabalhadores
e trabalhadoras) em 2008, dos quais 58,6% (18,7 milhões)
trabalhavam mais de 40 horas semanais enquanto 41,4% permaneciam
40 horas ou menos na labuta.
No mundo todo, trabalhadores do setor terciário - especialmente
no segmentos de comércio, hotéis e restaurantes,
transporte e comunicações - enfrentam jornadas
médias mais longas. Para a OIT, isso se deve à falta
de fiscalização no âmbito do cumprimento
da legislação e ao fato de que a jornada longa é utilizada
para compensar a baixa produtividade e os baixo salários
(mais horas de trabalho para aumentar rendimentos).
Dados levantados pela OIT dão conta ainda, por exemplo,
da intensidade do trabalho em países expecíficos
como a China: 41% dos assalariados chineses fazem horas extras
(média de 8,6 horas por semana) e menos da metade (49%)
receberam o devido pagamento por essas horas extras no batente.
Apenas um quarto dos trabalhadores cumprem jornada de trabalho
de menos de 40 horas por semana.
Trabalho informal
Em todos os países em desenvolvimento, o trabalho informal
responde por pelo menos metade da ocupação. E cerca
de 60% dos que operam na informalidade trabalham por conta própria. "Enquanto
nos países industrializados uma grande parte dos trabalhadores
por conta própria trabalha jornadas muito prolongadas,
nos países em desenvolvimento as jornadas são mais
curtas (menos de 35 horas por semana)", destaca a publicação.
As jornadas longas de trabalho entre autônomos de países
desenvolvidos pode ser explicada por dois fatores. "O primeiro
concerne à natureza voluntária das jornadas longas:
como os autônomos tendem a usufruir de autonomia sobre
quando e de que forma o trabalho é realizado, a ‘falta
de utilidade' associada à jornada de trabalho pode ser
relativamente menor, fazendo, dessa forma, que jornadas longas
lhes sejam mais aceitáveis. O segundo diz respeito à instabilidade
de rendimento entre os autônomos: em face das grandes flutuações
em seus ganhos, eles se inclinam a trabalhar mais quando podem,
o que tende a tornar suas jornadas mais longas do que as dos
trabalhadores assalariados", acrescentam os autores do livro.
O relatório da OIT é a primeira análise
global comparativa sobre normas, políticas e horas habitualmente
trabalhadas com enfoque nos países em desenvolvimento.
O trabalho utilizou basicamente três fontes: o banco de
dados da entidade sobre normas e condições de trabalho
com cobertura de mais de 100 países, um questionário
sobre a distribuição de horas trabalhadas por semana
e 15 estudos focados em países específicos.
A primeira Convenção da OIT foi sobre as Horas
de Trabalho (Indústria) é de 1919. Desde então,
a entidade emitiu 39 normas relacionadas ao tempo de trabalho,
entre as quais a da redução da jornada para 40
horas por semana, a do descanso semanal-mínimo de 1 dia
(24 horas consecutivas), a das férias anuais (mínimo
de 3 semanas) e a dos trabalhadores e trabalhadoras com responsabilidades
familiares.
A jornada de trabalho, enfatiza a OIT, "é uma dimensão
importante na qualidade de emprego, tendo repercussões
importantes na segurança e saúde do trabalhador,
na combinação entre a vida pessoal e familiar e
também na organização do trabalho dentro
da empresa".
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Notícias
do TST, 26 de março de 2010
Inválida cláusula coletiva que estabelece culpa recíproca
e redução de multa sobre o FGTS A pretensão de um sindicato de trabalhadores para que
seja determinada a liberação dos depósitos
do FGTS, com fundamento em norma coletiva que estabeleceu a rescisão
contratual por culpa recíproca, recebe mais uma decisão
desfavorável para se concretizar, quando a Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu do recurso
de revista.
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação,
Trabalho Temporário, Prestação de Serviços
e Serviços Terceirizáveis no Distrito Federal -
Sindiserviços/DF pleiteia o recebimento dos valores depositados
nas contas vinculadas dos membros da categoria profissional a
título de FGTS, acrescidos de indenização
de 20%.
A cláusula coletiva em questão estabelece a culpa
recíproca em caso de rescisão, com o pagamento
da multa sobre os depósitos de FGTS no percentual de apenas
20%, quando a lei estipula que, quando a rescisão ocorre
por parte do empregador, ele deve pagar a indenização
de 40%. O procedimento vem sendo utilizado nas situações
em que o trabalhador é contratado por empresa fornecedora
de mão de obra que é sucedida por outra, na prestação
do mesmo serviço, em processo licitatório, como
uma forma de incentivo aos empregados terceirizados, com o objetivo
de assegurar-lhes maior estabilidade no emprego.
O relator do recurso, ministro Vieira de Mello Filho, entende
que a cláusula de redução de multa não
tem validade e esclarece que, além do valor da indenização
ser um direito irrenunciável, a lei vigente, ou seja,
o artigo 18, parágrafo 2º, da Lei 8.036/90, “atribui à Justiça
do Trabalho a tarefa de aferir a ocorrência da culpa recíproca
na extinção do contrato de trabalho".
Para se caracterizar a culpa recíproca, é necessária
a verificação da prática simultânea,
por empregado e empregador, de infrações definidas
nos artigos 482 e 483 da CLT, conforme explica o ministro Vieira.
Algumas dessas infrações são insubordinação
ou embriaguez habitual, por parte do empregado, e rigor excessivo
ou falta de cumprimento de obrigações do contrato,
por parte do empregador.
O ministro Vieira de Mello considera que, com o pretexto de
dar maior estabilidade aos trabalhadores contratados por empresas
fornecedoras de mão de obra, os sindicatos das categorias
profissional e econômica pretenderam disciplinar a rescisão
contratual, em termos absolutamente distintos do que faz a lei,
e, ao fazê-lo, “suprimiram direitos fundamentais
dos trabalhadores”.
Em sua fundamentação, o relator afirma ser “totalmente
impróprio o tratamento distinto e a disciplinação
da matéria em termos contrários aos da lei, mediante
negociação coletiva, subvertendo-se e alterando-se
a qualificação de institutos jurídicos e
de conceitos eminentemente técnicos e reduzindo-se vantagem
pecuniária que constitui direito indisponível do
trabalhador”.
(RR - 84400-33.2006.5.10.0001)
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BLOG DO SAKAMOTO,
25 de março de
2010
Redução de jornada a 40 horas semanais beneficiaria
19 milhões no Brasil, diz OIT A redução da jornada para 40 horas semanais, como
defendem as centrais sindicais, atingiria diretamente um contingente
de 18,7 milhões de trabalhadores brasileiros. Os dados
estão presentes no livro “Duração
do trabalho em todo o mundo: Tendências de jornadas de
trabalho, legislação e políticas numa perspectiva
global comparada”, que está sendo lançado
pela Organização Internacional do Trabalho em um
debate na Universidade de Brasília, na manhã desta
quinta, aberto pela diretora da instituição no
Brasil, Laís Abramo. Em todo o mundo, cerca de 22% da
força de trabalho (cerca de 614 milhões) trabalham
mais de 48 horas semanais.
De acordo com a OIT, a categoria ocupacional que será mais
diretamente afetada por uma eventual redução da
jornada legal de trabalho para 40 horas semanais são os
empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada.
Eles compõem 33,2% das pessoas ocupadas no país,
ou seja, 31,9 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
Dentro desse grupo, 58,6% trabalhavam mais de 40 horas semanais
em 2008 enquanto 41,4% trabalhavam 40 horas ou menos por semana.
De autoria dos especialistas da OIT Sangheon Lee, Deirdre McCann
e Jon Messenger (este último esteve presente na UnB para
o lançamento da versão em português do livro),
apesar das diferenças regionais houve uma mudança
global em direção ao limite de 40 horas nas últimas
cinco décadas. Além disso, gênero e idade
parecem ser fatores importantes para determinar a duração
do trabalho. Os homens tendem a executar jornadas mais longas,
mas o tempo que a mulher dedica à família e às
responsabilidades domésticas restringe sua disponibilidade
para o trabalho remunerado. Os jovens e as pessoas em idade de
aposentar-se trabalham menos horas, resultado das insuficientes
oportunidades de trabalho para eles.
Algumas informações sobre o Brasil divulgadas
pela OIT:
- A população ocupada de 16 anos ou mais de idade
trabalhou uma jornada média semanal de 40,8 horas. Apesar
da média ser mais reduzida que o limite fixado na lei,
houve um contingente expressivo de ocupados cujas jornadas semanais
superavam este limite;
- Em 2008, 33,7% das pessoas trabalhavam uma jornada superior às
44 horas semanais e 19,1% trabalharam uma jornada superior a
48 horas, enquanto 23,1% trabalhavam menos de 35 horas por semana;
- A média de horas trabalhadas por semana pelos homens
era de 44 horas, quase oito a mais do que a jornada das mulheres,
de 36,4 horas. Além disso, a carga excessiva afeta mais
os homens do que as mulheres. Em 2008, 24,7% das mulheres e 40,5%
dos homens trabalhavam mais de 44 horas semanais;
- Apesar da jornada reduzida das mulheres, no conjunto das mulheres
brasileiras ocupadas, uma expressiva proporção
de 87,8% também realizava afazeres domésticos,
enquanto que entre os homens tal proporção expressivamente
inferior (46,5%). A média de horas dedicadas aos afazeres
domésticos foi de 18,3 pelas mulheres e de 4,3 pelos homens
ocupados, ou seja, 14 horas a menos. Somando, as horas trabalhadas
fora e em casa, as mulheres são mais exigidas;
- Entre 1992 e 2008 houve uma redução da média
de horas trabalhadas por semana de 42,8 horas para 40,9 horas.
A redução mais significativa foi entre a população
ocupada com jornada de trabalho semanal acima de 44 horas, de
43,3% em 1992 para 33,9% em 2008.
A OIT propõe que os acordos de tempo de trabalho decente
devem atender a cinco critérios: favorecer a saúde
e a segurança no trabalho, ser compatíveis com
a vida famíliar, promover a igualdade de gênero,
reforçar a produtividade e facilitar a escolha e influência
do trabalhador no seu total de horas de trabalho.
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Agência Câmara, 24 de março
de 2010
Empregador poderá ficar obrigado
a pagar vale-transporte integral
Hoje o empregador pode descontar até 6% do salário
do funcionário para custear parte do gasto com transporte.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6851/10, do Senado, que
torna obrigatório o pagamento integral do vale-transporte
pelo empregador. Pela legislação atual (Lei 7418/85),
o empregador pode descontar até 6% do salário básico
de seus empregados como participação nos gastos com
transporte. O projeto modifica essa lei para atribuir os custos
exclusivamente ao contratante.
O autor do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS), destaca que
a legislação tem regras confusas sobre a participação
do trabalhador. Ele argumenta que, em alguns casos, quando o
salário é um pouco maior, o valor do vale-transporte
pode ser descontado integralmente do salário do empregado.
Para ele, a proposta confere tratamento isonômico ao benefício.
Tramitação
O projeto, que tramtia em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo.
O projeto perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito
assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto
precisará ser votado pelo Plenário., será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Notícias
do TST, 23 de março de 2010
Sem negociação coletiva, base de cálculo
de adicional de insalubridade é o salário-mínimo Até que legislação específica ou
negociação coletiva da categoria disponham em sentido
contrário, a base de cálculo do adicional de insalubridade é o
salário-mínimo. Essa é a conclusão
do ministro Guilherme Caputo Bastos, relator de um recurso de
embargos de um grupo de empregados da Companhia Riograndense
de Saneamento (Corsan), após análise das decisões
do Supremo Tribunal Federal quanto ao assunto. Os trabalhadores
defendiam a aplicação do salário profissional
previsto para o cargo inicial de suas carreiras como base de
cálculo do adicional.
A Seção I Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho, após constatar
a divergência de jurisprudência quanto ao tema, devido à decisão
da Terceira Turma pela adoção do salário
profissional para o cálculo do adicional, conheceu dos
embargos do grupo de empregados da Corsan, mas negou-lhes provimento,
mantendo a decisão da Oitava Turma pela aplicação
do salário- mínimo como base de cálculo.
Em sua fundamentação, o ministro Caputo destacou
que, em 5/2/09, a SDI-1 ratificou o entendimento pela permanência
da utilização do salário- mínimo
como base de cálculo do adicional de insalubridade, salvo
quando se trata do salário profissional em sentido estrito. “A
solução para a controvérsia não poderia
ser outra”, avalia o ministro, diante da necessidade de
adequação jurisdicional ao teor da Súmula
Vinculante nº 4, do STF.
No caso em julgamento, destaca o relator, não se discute
o salário profissional strictu sensu. O ministro esclarece
que o salário profissional “é o piso remuneratório
devido ao integrante de uma profissão regulamentada por
lei, como, por exemplo, o salário profissional de engenheiro
e de médico”. Neste tipo de salário não
se considera a categoria do trabalhador, mas sim sua profissão.
Outra coisa é o salário normativo, “piso
remuneratório de integrante de categoria profissional,
que pode ser formada por empregados de diversas profissões,
num setor comum de atividade econômica, cujo sindicato
de classe o tenha acertado em instrumento normativo”, ressalta
o ministro Caputo Bastos.
O relator destaca, ainda, que não há informação,
no processo dos empregados da Corsan, de negociação
coletiva que estabeleça a base de cálculo do adicional
de insalubridade. A adoção do salário-mínimo,
determinada pela Oitava Turma, então, deverá ser
mantida “até que sobrevenha legislação
específica, dispondo em outro sentido, ou até que
as categorias interessadas se componham em negociação
coletiva para estabelecer a base de cálculo aplicável
ao adicional’, conclui o ministro Caputo Bastos. Diante
dessas considerações, a SDI-1 seguiu o voto do
ministro relator, negando provimento ao embargos. E-RR - 24300-26.2008.5.04.0352
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JORNAL DE ANGOLA,
22 de março de
2010
Organização internacional
do trabalho alerta sobre o aumento do desemprego A Organização Internacional do Trabalho (OIT)
calculou uma perda de 16 milhões de postos de trabalho
em todo mundo por causa da crise mundial, sendo a maior parte
(12 milhões) nos países desenvolvidos. Os especialistas
garantem que este ano é o pior em temros de destruição
de empregos nos Estados Unidos e na Zona Euro.
O levantamento, que considera o período entre o primeiro
e o terceiro trimestre de 2009, não leva em conta os resultados
da Índia e da China já que a OIT alega que “esses
países não forneceram estatísticas recentes” sobre
o mercado de trabalho. Mas é seguro que na Índia,
China e outros países asiáticos o emprego precário
cresceu nos últimos dois anos. O estudo é uma compilação
de dados de 56 países, que representam 70 por cento do
PIB mundial, segundo a Organização Internacional
do Trabalho.
A pesquisa aponta que a eliminação de empregos
ocorreu de maneira desigual e, dessa forma, a região do
Pacífico sofreu menos do que a Europa e o continente americano,
tendo os países em desenvolvimento sofrido menos em comparação
com os desenvolvidos.
Mesmo dentro do continente americano houve diferenças:
na América Latina, o impacto da crise mundial foi menor
do que nos EUA. Um dos países latino-americanos mais prejudicado
foi justamente o México, onde se perderam mais de 80 mil
postos de trabalho somente no sector agrícola.
O país é um dos maiores parceiros comerciais dos
EUA no sub-continente. Por sector, a OIT detectou que a indústria
foi a mais afectada, onde houve o encerramento de 9,4 milhões
de vagas, com destaque para os subsectores automobilístico
e de autopeças, metalúrgico, de produtos de informática
e electrónica.
Na construção civil, a organização
contabilizou a perda de 3,3 milhões de empregos, sendo
mais de um milhão somente nos EUA, e quase 630 mil em
Espanha.
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Folha de S.Paulo,
21 de março de
2010
PLÍNIO FRAGA
Lula é o Plano Real de Dilma?
RIO DE JANEIRO - Desde a redemocratização, quem liderava
as pesquisas seis meses antes do pleito tornou-se presidente -com
uma exceção, claro, a confirmar a regra. Em 1989,
Collor já liderava as pesquisas a seis meses da eleição
com vantagem superior a 30 pontos. A seis meses da eleição
de 1994, Lula tinha 16 pontos sobre FHC (37% a 21%). Em período
próximo em 1998, FHC estava 16 pontos à frente de
Lula (41% a 25%).
A seis meses da eleição de 2002, Lula estava sete
pontos à frente de Serra e 11 de Ciro (29% x 22% x 18%).
Faltando os mesmos seis meses para o pleito em 2006, Lula livrava
uma vantagem de 19 pontos sobre Alckmin (42% a 23%). A exceção
de 1994 -na qual FHC reverteu vantagem de Lula, que chegou a
26 pontos- é justificada porque houve uma radical mudança
político-econômica do país com o lançamento
do Plano Real.
Segundo pesquisa Ibope desta semana, repetindo tendência
anteriormente apontada pelo Datafolha, José Serra (PSDB)
tem 35% das intenções de voto contra 30% de Dilma
Rousseff (PT), 11% de Ciro Gomes (PSB) e 6% de Marina Silva (PV).
A seguir a série histórica, Serra tem mais chances
de ser eleito? Ou 2010 tem algum ponto de semelhança com
1994?
Serra tem hoje a menor vantagem entre os candidatos que já lideraram
as pesquisas a seis meses antes do pleito, estando mesmo no limite
do empate técnico. Serra vem numa linha descendente; Dilma
numa linha ascendente. O Plano Real atingiu 80% de aprovação
em setembro de 1994, seu ápice. No Ibope da semana passada,
a aprovação a Lula foi a 83%.
Em 1994, FHC começou a crescer a cinco meses da eleição
e o fez por quatro meses seguidos, indo de 17% para 45%. A três
meses da eleição, já havia superado Lula.
Há um ano, Dilma tinha 8% dos votos. Hoje tem quase três
vezes mais. Lula é o Plano Real de Dilma?
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Agência Câmara, 20 de março
de 2010
44h: “argumentos dos empresários não são
corretos”, diz Lupi
"
A quase totalidade dos países do mundo desenvolvido, grupo
no qual o Brasil pretende estar, utiliza carga horária de
trabalho de 36, 37 horas. Então, quando dizem que em nenhum
lugar do mundo se aplica esse tipo de escala, não faz sentido",
diz ministro do Trabalho, Carlos Lupi
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi afirmou, na última
quarta-feira (17), que o debate sobre a redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas (PEC 231/95) não
tem sido tratado com sinceridade por parte do empresariado. De
acordo com o ministro, boa parte dos argumentos dos empresários
não são corretos, entre eles o de que a redução
da jornada levaria as empresas à falência.
"A quase totalidade dos países do mundo desenvolvido,
grupo no qual o Brasil pretende estar, utiliza carga horária
de trabalho de 36, 37 horas. Então, quando dizem que em
nenhum lugar do mundo se aplica esse tipo de escala, não
faz sentido. Quanto ao argumento de que empresas vão quebrar
por causa disso, sabemos que esse também não é verdade",
disse Lupi durante audiência pública na Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados para discutir as metas
e programas do ministério para 2010.
Lupi lembrou que os empregados gastam entre uma a duas horas
para ir ao local de trabalho e outro tanto para voltar para casa. "Por
que o Brasil não pode evoluir?", questionou o ministro.
Juros altos
As declarações foram aplaudidas pelo deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) que também pediu ao ministro
que utilize sua voz no governo para tentar impedir uma nova escalada
no valor dos juros no País.
O deputado criticou a política de juros adotada pelo
Banco Central. "O Henrique Meirelles [presidente do BC]
vai aumentar outra vez os juros para beneficiar banqueiros e,
logo em seguida, vai sair para ser candidato. Não podemos
concordar com isso, ministro", disse o deputado.
Carlos Lupi respondeu que não pode criticar outro setor
do Governo como ministro, mas disse que não vê realmente
sentido em ampliar outra vez a taxa de juros.
"A minha opinião de cidadão é de que
os juros altos prejudicam o Brasil. Podem gerar dinheiro para
a especulação, podem ampliar os lucros dos bancos,
mas não geram nenhum emprego", afirmou. Ele ressaltou
que é preciso valorizar a indústria nacional, que
emprega, ao invés dos especuladores.
Licença-maternidade
Na audiência, a deputada Emilia Fernandes (PT/RS) afirmou
que o ministério precisa priorizar políticas para
as mulheres. A parlamentar pediu maior empenho do ministério
na aprovação da licença-maternidade de 180
dias (PEC 30/07) para as trabalhadoras do setor privado.
"Estamos pedindo o mínimo. Na Suécia, por
exemplo, o período é de um ano e, além disso,
eles não falam licença-maternidade, pois ela pode
ser repartida entre a mãe e o pai. O importante é que
haja sempre um dos pais com a criança durante esse período-chave
que é o primeiro ano na vida", disse.
O ministro afirmou que a ampliação da licença é uma
das prioridades do ministério, junto com a diminuição
da carga horária de trabalho. "Temos nos esforçado
muito para diminuir o hiato entre a renda dos homens e das mulheres
em nosso País", afirmou.
ProJovem
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que precisa da ajuda
de deputados e de senadores para assegurar as verbas do Programa
Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). Destinado aos
jovens desempregados de 18 a 29 anos, o ProJovem Trabalhador
tem como objetivo a preparação para o mercado de
trabalho e em ocupações alternativas geradoras
de renda. O jovem participante desta modalidade poderá receber
um máximo de seis auxílios financeiros de R$ 100.
Lupi lembrou que o Orçamento de 2009 previa R$ 1 bilhão
para a qualificação profissional, mas apenas R$
400 milhões foram liberados em virtude de cortes e contingenciamentos.
Ele ressaltou que o ProJovem tem grande relevância na área
social, pois 90% dos jovens que frequentam os cursos do programa
são de famílias que ganham menos de um salário
mínimo.
As declarações foram em resposta aos deputados
Manato (PDT/ES) e Manuela D'Ávila (PCdoB/RS), que pediram
prioridade aos programas de qualificação como o
ProJovem.
"No meu estado, mais de 8 mil estudantes foram qualificados
com o ProJovem. Todos os municípios do Espírito
Santo com mais de 20 mil habitantes tiveram esse benefício,
qualificando, estimulando e mudando a mentalidade deles para
permitir o crescimento pessoal e do País também",
disse Manato.
Royalties do petróleo
O ministro criticou a aprovação, pela Câmara,
dos novos critérios de distribuição dos
royalties para exploração de petróleo (substitutivo
ao PL 5.938/09, do Executivo). Segundo Lupi, essa discussão
não ocorre da maneira correta, pois essa não é uma
luta entre a Federação e o estado do Rio de Janeiro.
"Não sou candidato a nada, mas não posso
ficar contra o estado que me acolheu, assim como acolheu também
1 milhão de mineiros e 2 milhões de nordestinos",
disse.
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Gazeta do Povo,
19 de março de
2010
Trabalho
80% das categorias têm aumento real nos salários
Resultado é referente às negociações
do ano passado, quando a economia brasileira encolheu. Para 2010,
a expectativa é de que os números sejam os melhores
das últimas três décadas
Oito em cada dez categorias profissionais conseguiram aumentos
reais de salário em 2009, na contramão do desempenho
da economia, que encolheu pela primeira vez em 17 anos. Para os
trabalhadores, foi o terceiro melhor resultado das negociações
salariais desde 1996, início da série histórica
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). Incluindo na conta os profissionais que conseguiram reajustes
iguais à variação dos preços, quase
93% das campanhas salariais do ano passado terminaram com a reposição
da inflação, informou ontem o Dieese.
Um desempenho que, para especialistas, reforça as chances
de que 2010 seja o melhor ano para o mercado de trabalho brasileiro
nas últimas três décadas, com geração
recorde de empregos e aumentos salariais ainda mais generosos. “Se
ao longo dos próximos meses as expectativas favoráveis
que os indicadores econômicos vêm revelando se confirmarem, é razoável
supor um ano ainda mais positivo para a negociação
coletiva de salários”, afirma o documento do Dieese.
Anselmo Santos, professor de Economia do Trabalho da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que o primeiro passo para
isso já foi dado – trata-se do vigoroso aumento
do salário mínimo. Em janeiro, ele subiu de R$
465 para R$ 510, com aumento nominal de 9,7%. Descontando-se
a inflação medida pelo Índice Nacional de
Preços ao Consumidor (INPC), o reajuste real chega a 4,4%.
O novo patamar do benefício, explica o economista, deve
influenciar boa parte das campanhas deste ano, em especial as
de categorias com salários mais próximos do mínimo.
“A expectativa é que as negociações
reflitam também o crescimento do mercado formal de trabalho,
que tende a ficar em pelo menos 2 milhões de novos empregos.
Some-se a isso uma inflação relativamente baixa,
um crescimento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) e o
fato de que estamos em ano eleitoral, e o resultado é que
2010 tende a ser a melhor temporada para o mercado de trabalho
dos últimos 30 anos”, diz Santos. A previsão
atual do mercado financeiro é que o PIB avance cerca de
5,5% e que a inflação termine o ano próxima
de 5%, pouco acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central
(4,5%).
No balanço das negociações divulgado ontem,
que compilou os resultados de quase 700 negociações
coletivas, o Dieese destacou o apoio dado pelos sindicatos a “iniciativas
governamentais de caráter anticíclico como fator
importante para a rápida recuperação da
economia nacional, em grande parte respaldada pelo crescimento
do consumo interno”.
2º semestre
O melhor momento para as negociações, por sinal,
foi no segundo semestre, quando os indicadores econômicos
já evidenciavam o bom desempenho do mercado doméstico.
Prova disso é que mais de 90% das categorias com data-base
entre setembro e novembro conseguiram aumento real. Durante a
maior parte do primeiro semestre, esse índice ficou abaixo
de 75% – na data-base de fevereiro, por exemplo, apenas
62% dos profissionais tiveram reajuste superior à inflação.
Outra questão importante, afirmou o Dieese, foi o comportamento
dos preços – que em 2009 avançaram 4,11%,
segundo o INPC, indicador usado como referência pelos sindicatos. “A
negociação do porcentual de reajuste é facilitada
em momentos nos quais não há risco de descontrole
inflacionário”, diz o documento. A série
do Dieese (veja quadro ao lado) mostra que, no período
2001-2003, em que a inflação ficou sempre próxima
ou acima de 10%, nem metade das categorias profissionais conseguiam
reajuste real.
Regiões
No Sul, desempenho é ainda melhor
Os trabalhadores do Sul foram os que mais tiveram ganho real
em 2009. Cerca de 85% das categorias profissionais da região
conseguiram tal benefício. O pior desempenho foi o da
Região Norte do país. Embora 74% dos trabalhadores
tenham obtido aumento acima da inflação, um índice
razoável, 15% dos nortistas não tiveram nem sequer
a reposição da variação dos preços.
A pesquisa não dividiu os dados por estado, mas, segundo
o economista Cid Cordeiro, do escritório paranaense do
Dieese, “o comportamento do Paraná não foi
diferente do nacional”. Dados preliminares divulgados na
semana passada mostram que a média de aumento real de
todas as categorias no segundo semestre do ano passado ficou
entre 1% e 2% no Paraná. Os funcionários do polo
automotivo da Grande Curitiba, por exemplo, conseguiram reajuste
de 3,8% acima da inflação, o maior em cinco anos – um
ganho que acabou forçando renegociações
em São Paulo, onde os sindicatos haviam concordado com
reajustes menores. (FJ)
Negociação avança no setor de serviços
Maior gerador de empregos em 2009, o setor de serviços
foi também um dos responsáveis pelo grande número
de negociações coletivas encerradas com aumento
real de salário. As campanhas salariais do setor não
são tão fortes quanto as da indústria e
do comércio, mas a melhora significativa que elas tiveram
no ano passado acabou por influenciar o resultado geral.
Em 2008, apenas 59% das negociações dos profissionais
de serviços culminaram em ganho real; no ano passado,
o índice subiu para 70%. Esse resultado contrabalançou
o recuo observado na indústria, setor em que a proporção
de categorias beneficiadas por reajuste real segue alta, mas
caiu de 87,5% para 84,8% entre 2008 e 2009. No comércio,
por sua vez, o índice se manteve no patamar de 87,5% no
ano passado.
Divisões
Das 692 negociações acompanhadas pelo Dieese em
todo o país, 336 (49%) são da indústria,
252 (36%) de serviços e 104 (15%) do comércio.
(FJ)
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O ESTADO DO PARANÁ, 18 de março
de 2010 | Economia
CNC: total de famílias endividadas
sobe e atinge 63% A Confederação Nacional do Comércio (CNC)
divulgou hoje pesquisa que mostra que o nível de endividamento
dos consumidores aumentou em março. De acordo com a Pesquisa
de Endividamento e Inadimplência ao Consumidor (Peic),
houve "manutenção da tendência de alta" do
endividamento em março, quando o porcentual de famílias
endividadas chegou a 63%, ante 61,8% em fevereiro. Em janeiro,
era de 61,2%. Os dados do levantamento são coletados em
todas as capitais do País e no Distrito Federal, ouvindo
17.800 consumidores.
O porcentual de famílias que declararam que não
terão condições de pagar as dívidas
permaneceu praticamente estável, passando de 8,6% em fevereiro
para 8,7% em março, patamar considerado favorável
pela CNC. Segundo os economistas da CNC, o pequeno aumento ocorrido
nesse indicador de fevereiro para março, após uma
queda expressiva de janeiro (10,2%) para fevereiro, "acompanha
um aumento do custo de vida ocorrido no início deste ano".
Eles acrescentam que "a manutenção das condições
favoráveis de acesso ao crédito, do mercado de
trabalho e renda impediu uma deterioração significativa
da inadimplência".
Entre os endividados, o tipo de dívida mais comum é o
cartão de crédito (72,5%), seguido de carnês
(27,4%), financiamento de carro (12,5%) e crédito pessoal
(10,2%).
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Notícias do TST, 17 de março de 2010
Trabalho em ambiente artificialmente
frio dá direito a intervalo
para recuperação térmica
Por considerar equivalentes os conceitos de câmara frigorífica
e ambiente artificialmente frio, a Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho deu provimento ao recurso de revista de ex-funcionário
da Marfrig Frigoríficos, que buscava receber o intervalo
de vinte minutos para recuperação térmica.
O ex-funcionário era auxiliar geral no setor de limpeza
industrial da empresa, cujo ambiente era artificialmente frio (temperatura
inferior a 12°C). Diante disso, ele requereu horas extras pela
não concessão do intervalo de vinte minutos para
recuperação térmica, disposto no artigo 253
da CLT.
O dispositivo da CLT estabeleceu o direito a um intervalo de
vinte minutos para os empregados que trabalham no interior das
câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias
do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois
de uma hora e quarenta minutos de trabalho contínuo. Além
disso, o parágrafo único classificou como ambiente
artificialmente frio aquele que fosse inferior a 15º (quinze
graus) - nas primeira, segunda e terceira zonas climáticas
do mapa oficial do Ministério do Trabalho, Industria e
Comercio-, inferior a 12º (doze graus) - na quarta zona
- , e inferior a 10º (dez graus) -na quinta, sexta e sétima
zonas.
O juiz de primeiro grau concedeu as horas extras ao trabalhador.
Diante disso, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho
da 24ª Região (MS), que reformou a sentença
e retirou da condenação o direito. Para o TRT,
o empregado não atendeu aos dois requisitos do dispositivo:
não trabalhava em câmaras frigoríficas e
tampouco fazia a movimentação de cargas.
Com isso, o ex-funcionário interpôs recurso de
revista ao TST, alegando o direito de receber o benefício.
O relator do processo na Quarta Turma, ministro Barros Levenhagen,
explicou que a interpretação sistemática
do caput e do parágrafo único do artigo 253 da
CLT leva à conclusão de que o legislador equiparou
o trabalho prestado em câmaras frigoríficas e o
trabalho em ambiente artificialmente frio. Isso para beneficiar
com o intervalo de vinte minutos os empregados que trabalharam
nos dois locais.
Segundo o ministro, se não houvesse essa correlação,
não haveria motivo para se acrescentar o parágrafo único
ao caput do artigo 253. Diante disso, e registrado que o ex-funcionário
trabalhou em ambiente artificialmente frio - cuja temperatura
era inferior a 12°C-, o relator concluiu pelo direito ao
intervalo de vinte minutos de repouso depois de uma hora e quarenta
minutos de trabalho contínuo. O ministro ainda apresentou
decisões do TST nesse mesmo sentido.
Com esses fundamentos, a Quarta Turma, por unanimidade, deu
provimento ao recurso de revista do trabalhador e restabeleceu
a sentença nesse aspecto. (RR-70000-59.2008.5.24.0096)
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Agência Senado, 16 de março
de 2010
Tempo de estágio poderá contar
para a aposentadoria A Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ) pode decidir nesta quarta-feira (17) se deve
passar a constar da Constituição federal norma
que assegura a inclusão de período de estágio
e de estudos custeados por bolsas na contagem de tempo necessário à concessão
da aposentadoria e demais benefícios previdenciários.
A medida já consta de legislação infraconstitucional,
a qual determina que, para fazer jus à contagem de tempo,
estagiários e bolsistas devem contribuir para a Previdência
Social como segurados facultativos.
A constitucionalização do direito está sendo
sugerida por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
16/04, apresentada pelo senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS).
Ele argumenta que há incertezas quanto ao futuro das reformas
previdenciárias, o que pode levar a retrocessos com relação
ao direito hoje assegurado. O relator, senador Alvaro Dias (PSDB-PR),
recomenda em seu voto a aprovação da matéria.
"Na situação atual, nada impede que uma medida
provisória ou um projeto de lei qualquer venha a tornar
letra morta esse direito, em nome da redução do
déficit previdenciário", argumenta o relator.
Se a previsão do benefício estiver no texto constitucional,
observa Alvaro Dias, qualquer tentativa de modificação
exigirá quórum qualificado. Dessa maneira, conforme
o senador, será possível evitar "mudanças
açodadas e insegurança jurídica" para
os contribuintes estagiários e bolsistas.
O direito facultativo de contribuição para estagiários
e bolsistas, como meio de acesso aos benefícios previdenciários,
está previsto no texto da Lei 8.212/1991, que dispõe
sobre a organização da Seguridade Social.
Depois do exame pela CCJ, a proposta seguirá a Plenário,
para votação em dois turnos.
Gorette Brandão / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
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Correio Braziliense,
15 de março
de 2010
Contratar terceirizado já não é unanimidade
entre empresas
Fetiche empresarial nos anos 90, a contratação
de trabalhadores terceirizados, ppção barata no
gerenciamento de recursos humanos, não é mais unanimidade.
Embora empresas e governos ainda utilizem a ferramenta em larga
escala, em alguns segmentos recrutar mão de obra avulsa é coisa
do passado.
O fenômeno, advertem os especialistas, é tímido
e localizado, mas indica uma mudança de postura significativa
de parte dos empregadores. Sindicatos cobram agora a regulamentação
de novas leis para acabar de vez com os abusos.
Recentemente, a Vivo decidiu incorporar ao quadro próprio
todos os atendentes terceirizados das lojas. Foram efetivados
2,1 mil trabalhadores em 131 postos de atendimento localizados
em 16 estados. No Distrito Federal, 374 pessoas que atuam na
linha de frente de vendas em 12 lojas e dois quiosques, em Brasília
e Luziânia, foram beneficiadas. As contratações
abrangem também as regiões Centro-Oeste e Norte,
além dos estados do Rio de Janeiro, do Espírito
Santo, da Bahia e de Sergipe. A ação dá continuidade
ao processo iniciado em setembro de 2009, quando 2,5 mil profissionais
em São Paulo e na Região Sul foram efetivados.
Com isso, o efetivo de colaboradores diretos da operadora de
telefonia saltou de 10,5 mil para 12,6 mil.
A vida de Andréa Amaura Araújo mudou radicalmente.
Ex-terceirizada, ela passou a fazer parte do quadro da Vivo.
A nova funcionária comemora o aumento de salário
e o plano de saúde, que foi estendido ao marido e aos
três filhos. “Tomara que não aconteça
nada, mas me sinto aliviada de saber que, se precisar de alguma
coisa, todos nós agora temos cobertura”, afirma.
Outros benefícios também estão no pacote. “Agora
posso concorrer às vagas que surgem no recrutamento interno
e crescer na empresa”, completa.
Além de dar mais motivação aos funcionários
e garantir melhor atendimento aos clientes, uma das razões
que levaram a operadora a adotar essa estratégia, segundo
o presidente da Vivo, Roberto Lima, é que a empresa também
ganha com a mudança. Isso porque, se no quadro de terceirizados
a rotatividade (turn over) é de 6% ao mês, no quadro
efetivo, essa taxa cai para 2% ao mês, explica o executivo. “É a
mesma coisa de jogar 72% da sua verba de treinamento fora. Tem
que treinar todo mundo de novo. Quando você tem funcionários
efetivos, de cara você já tem um ganho muito grande,
pois o turn over se divide por três”, reforça.
Custo
Denise Motta Dau, secretária nacional de organização
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), explica que
decisões judiciais contrárias às empresas
e aos governos, uma enxurrada de ações trabalhistas
movidas por terceirizados insatisfeitos e questões relacionadas à qualidade
do serviço prestado estão levando os patrões
a perceberem que a terceirização não é o
melhor caminho. “Mesmo assim, a tendência mais geral
do mercado de trabalho é a terceirização
como uma opção em reduzir custos com recursos humanos”,
contrapõe.
Os sindicatos iniciaram no fim do ano passado um movimento conjunto
de pressão ao Congresso Nacional para tentar aprovar leis
que normatizam a atividade no Brasil. Dois projetos de lei estão
na Câmara dos Deputados. Um deles, amplamente favorável
ao trabalhador, é atacado pelos empregadores. O outro,
apoiado pelo setor produtivo, abre brechas para uma flexibilização
ainda maior. Uma terceira proposta, enviada pelo Ministério
do Trabalho à Casa Civil, garante direitos iguais a terceirizados
e efetivos. O acordo coletivo do terceirizado, por exemplo, terá de
ser o mesmo dos trabalhadores contratados diretamente pela empresa.
O texto implementa a responsabilidade solidária. “As
prestadoras vão à falência ou desaparecem
e o empregado não tem a quem acionar. A proposta muda
isso”, resume Denise.
Terceirizar serviços é uma prática que
ganhou força no país a partir dos anos 1990, com
o avanço do ideário neoliberal sobre a lógica
dos negócios. No setor público, por exemplo, há experiências
bem e mal sucedidas nos três níveis de governo (estaduais,
municipais e federal).
O aumento da concorrência entre as firmas prestadoras,
no entanto, distorceu o mercado.
Na guerra para vencer licitações, as terceirizadoras
reduziram ao máximo os preços para arrematar bons
contratos, e nessa redução quem mais perdeu foram
os trabalhadores, que tiveram seus salários achatados
e seus benefícios praticamente extintos. “As empresas
prestadoras acabam se utilizando do menor custo possível
para conseguir oferecer um contrato que seja interessante para
a tomadora. A segunda questão é a da gestão,
que fica bastante compartimentada”, diz Denise. A Justiça
está abarrotada de processos. O Tribunal Superior do Trabalho
(TST) chegou a editar uma súmula específica (1)
para tentar colocar ordem na terceirização.
Desterceirização
A Claro nunca teve funcionários terceirizados nas lojas,
afirma Soraia Tupinambá, diretora da empresa no Centro-Oeste.
São 2,9 mil trabalhadores em 79 lojas espalhadas no país. “Sempre
foi assim, desde a primeira loja”, resume. Segundo a executiva,
ao adotar essa estratégia, recruta-se funcionários
mais qualificados, pois os benefícios oferecidos são
maiores e eles têm direito a um plano de carreira. Até parte
do call center da operadora é próprio, diz a executiva. “Investimento
em atendimento é fundamental”, observa Soraia.
Para Roni de Oliveira Franco, sócio da Trevisan Outsourcing,
a substituição de terceirizados verificada no setor
público e em parte da iniciativa privada não significa
uma “desterceirização”, mas sim o fim
de alocação de mão de obra para a realização
de tarefas das chamadas atividades- fim — que tem sido
alvo de ações na Justiça do Trabalho, com
decisão quase sempre favorável ao trabalhador.
O especialista explica que em outros países não
há esse tipo de restrição. “O Brasil é o
quinto país em terceirização do mundo”,
reforça Franco.
1 - Está na lei
A súmula 331 baixada pelo Tribunal Superior do Trabalho
(TST) é a lei mais moderna e atual em uso toda vez que
há quebra de contratos entre empresas terceirizadoras
e contratantes públicos ou privados. A interpretação
do texto é amplamente favorável ao trabalhador.
Conforme a súmula, “o inadimplemento das obrigações
trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade
subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas
obrigações”.
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Folha de S.Paulo,
14 de março de
2010
Aposentado eleva seus benefícios e ameaça
INSS
Cerca de 40 mil ações de aposentados que seguem na
ativa pedem revisão do benefício
Onda de "desaposentadoria" no país pressiona contas
da Previdência; cerca de 1,6 milhão de aposentados
podem solicitar a revisão
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma onda de ações judiciais contra o INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social) invadiu os tribunais do país
para garantir aos aposentados o direito de se desaposentar. No
ano passado, esse tipo de causa chegou a representar, só em
São Paulo, mais de 40% dos processos distribuídos
nas varas previdenciárias do Estado.
A "desaposentação", como está sendo
chamada, permite a quem permaneceu trabalhando após se
aposentar renunciar ao benefício que recebe para obter
um novo benefício de maior valor. Com a permanência
na atividade, o aposentado continua contribuindo para a Previdência
e consegue reduzir o impacto negativo do chamado fator previdenciário,
mecanismo que reduz o valor dos benefícios de quem se
aposenta mais cedo, premiando quem passa mais tempo no mercado.
Especialistas ouvidos pela Folha estimam que 40 mil ações
sobre "desaposentação" já estejam
em análise no Judiciário. O Ministério da
Previdência calcula que exista atualmente 1,6 milhão
de aposentados no mercado de trabalho contribuindo para o INSS.
Em tese, esse é o universo de trabalhadores que poderiam
pedir a "desaposentação".
Os gastos com sentenças judiciais têm sido uma
preocupação crescente do Ministério da Previdência.
Neste ano, o governo deverá desembolsar o valor recorde
de R$ 7,1 bilhões com o pagamento de todos os tipos de
ações que o INSS perdeu na Justiça.
No STJ (Superior Tribunal de Justiça), já há tendência
favorável aos aposentados nos casos de "desaposentação",
apesar de ainda não existir jurisprudência sobre
o assunto. Entre os juízes de primeira e segunda instâncias,
as decisões têm sido diversas.
" A "desaposentação" é um
fato, não tem jeito. Há um movimento bastante grande
dessas ações nas varas previdenciárias e
será crescente. É atualmente a ação
que tem a perspectiva mais promissora na Previdência",
afirma Marcus Orione, professor de direito da USP e juiz federal
da 1ª Vara Previdenciária de São Paulo.
Proibido x permitido
Para se desaposentar, o trabalhador precisa recorrer à Justiça,
pois a legislação não prevê o procedimento. "O
que não é proibido pela lei é permitido.
A "desaposentação" é a renúncia
a um direito", diz o especialista em direito previdenciário
Guilherme Carvalho. Segundo ele, no final do ano passado, o TRF
3ª Região decidiu em apenas um dia 51 ações
favoravelmente aos aposentados.
Os especialistas alertam, porém, de que muitos juízes
não aceitam a tese ou concedem a "desaposentação",
mas determinam a devolução dos valores recebidos
na primeira aposentadoria. No STJ, o entendimento predominante é contrário
ao reembolso. " Os tribunais superiores têm que sumular
esse assunto, ou o governo tem de regulamentar, dizer como devem
ser as regras", afirma o coordenador do Centro de Estudos
de Seguridade Social, Wladimir Novaes Martinez. O Congresso chegou
a aprovar um projeto sobre o assunto, mas o presidente Lula vetou
a proposta em 2008.
Orione lembra que a "desaposentação" já passou
por uma primeira fase, no fim dos anos 1990, quando aposentados
do INSS, depois de passar em concurso público, queriam
se aposentar como servidores. O metroviário Antônio
Destro, 55, se desaposentou no final de 2009 depois de esperar
dois anos por uma decisão da Justiça. "Eu
entrei com a ação, mas estava com medo. Achava
que não ia conseguir. Em dezembro, saiu a sentença.
Desaposentei, e o valor passou de R$ 1.800 para R$ 2.500",
disse.
Ele se aposentou pela primeira vez em 1996. "Mas continuei
trabalhando no metrô de São Paulo. Descobri a "desaposentação" quanto
tentei entrar na Justiça com outro tipo de ação,
e a advogada me explicou que não tinha direito, mas que
poderia me desaposentar."
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Correio Braziliense,
13 de março
de 2010
Ameaça: salário mínimo
sem ganho real em 2011
Evolução do piso nacional desde 2007 quando o mínimo
passou para R$ 380, com reajuste de 8,57% em relação
ao piso que vigorava no ano anterior, de R$ 350. Em 2008, quando
o mínimo foi para R$ 415 (+9,21%), em 2009, para R$ 465
(+12,04%) e, em 2010, para R$ 510 (+9,67%)
Por Vânia Cristino,
No Correio Braziliense
O presidente Lula, que tem alardeado a forte recomposição
do poder de compra do salário mínimo, não
terá uma boa notícia a dar aos trabalhadores e
aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) em seu último ano de Governo.
Se prevalecer o acordo firmado com as centrais sindicais, de
que o reajuste do mínimo deve levar em consideração
a variação do PIB de dois anos anteriores mais
a inflação do ano anterior, o mínimo a ser
definido no Orçamento de 2011 não terá ganho
real. Ou seja, só será reajustado pela inflação
(estimada em 5%), já que o PIB de 2009 caiu 0,2%. Será a
primeira vez, em cinco anos, que o piso salarial partirá de
uma base negativa.
Segundo o secretário-geral da Força Sindical,
João Carlos Gonçalves, o Juruna, a entidade não
pressionará o governo para mudar as regras no meio do
jogo. "Acordo é acordo", disse. A área
técnica do governo também defende a manutenção
do que foi acordado com as centrais.
Para o economista-chefe da Confederação Nacional
do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, politicamente,
a correção do salário mínimo somente
pela inflação não será uma boa notícia
nem para Lula nem para o próximo presidente.
"Mas, para aqueles que fazem a política monetária,
será uma ótima notícia, pois, o consumo
tenderá a desaquecer um pouco, tirando pressões
sobre a inflação", frisou.
O acordo entre o governo e as centrais foi fechado em 2006.
Na época, os sindicalistas gostaram da ideia, porque o
PIB só vinha subindo. A regra também foi boa para
o governo, pois além de evitar o desgaste de todo ano
com o índice de reajuste, trouxe previsibilidade para
as contas públicas, especialmente para a Previdência
Social.
O acordo vem sendo honrado desde 2007, quando o salário
mínimo passou para R$ 380, com reajuste de 8,57% em relação
ao piso que vigorava no ano anterior, de R$ 350. A situação
se repetiu em 2008, quando o mínimo foi para R$ 415 (+9,21%),
em 2009, para R$ 465 (+12,04%) e, em 2010, para R$ 510 (+9,67%).
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Agência Diap, 12 de março
de 2010
Sobrecarga no lar impacta ascensão
feminina no trabalho, segundo Ipea A persistente responsabilização das mulheres pelos
trabalhos domésticos não remunerados é apontada
como fator preponderante na desigualdade entre homens e mulheres
no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões
do Comunicado do Ipea 40, Mulheres e trabalhos: avanços
e continuidades, que o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) divulgou, na última segunda-feira (8),
Dia Internacional da Mulher.
Apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho,
86% das mulheres ainda são responsáveis pelos trabalhos
em casa, enquanto os homens são 45%, segundo dados de
2008 do IBGE. Elas dedicam em média quase 24 horas por
semana aos afazeres domésticos. E os homens, apenas 9,7
horas.
O estudo trata, ainda, das consequências dessa naturalidade
em atribuir às mulheres os afazeres domésticos.
Os efeitos vão desde a menor disponibilidade da mulher às
jornadas de trabalho que exijam mais tempo, à ação
dos estereótipos e a ocupação de 42% das
mulheres em posições precárias, em comparação
com 26% dos homens.
A coordenadora de Igualdade e Gênero do Ipea, Natália
Fontoura, afirmou que, se de um lado há muitas trabalhadoras
precarizadas, no outro extremo há um crescente grupo de
profissionais liberais mais escolarizadas e bem remuneradas que
podem se lançar no mercado de trabalho porque delegam
as responsabilidades familiares a outras mulheres, as empregadas
domésticas.
"Isso cria um encadeamento perverso de mulheres ligadas às
atribuições que deveriam ser de todos, independentemente
de ser homem ou mulher", disse a técnica.
Políticas públicas
As mudanças nos arranjos familiares, com quase 35% de
mulheres chefes de família, o tempo médio de estudo
das mulheres de 7,6 anos - que já é superior ao
dos homens (7,2 anos) -, e o percentual crescente de mulheres
que entram no mercado de trabalho são algumas das principais
mudanças registradas entre 1998 e 2008 no Brasil.
Apesar disso, o Comunicado mostra que praticamente nada mudou
com relação ao trabalho doméstico no que
diz respeito à distribuição dos afazeres
entre homens e mulheres.
Natália Fontoura alertou para o papel das políticas
públicas e das instituições no sentido de
promover uma mudança cultural e estimular o compartilhamento
de atividades domésticas. A pesquisadora sugeriu uma licença
paternidade maior e também licenças paternais que
tanto mulheres quanto homens poderiam usar para resolver emergências
dos filhos.
"Isso muda a visão do empregador. Se qualquer um
pode tirar essa licença, na hora de escolher entre uma
mulher ou um homem, a mulher não será mais discriminada,
além de o pai ganhar mais tempo para a família",
concluiu.
Leia
Comunicado do Ipea 40 na íntegra
Veja
os gráficos de apresentação do comunicado
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GAZETA DO POVO,
11 de março de
2010 | Economia
Míriam Leitão
O zero positivo
A história do ano mais impressionante. Existem zeros e zeros,
esse é positivo, dado o que se temia no começo de
2009
O PIB de 2009 deve fechar o ano próximo de zero e isso não é uma
má notícia. Hoje, o IBGE divulga o PIB do quarto
trimestre e fecha oficialmente o ano. Os economistas estão
divididos entre o zero e o levemente negativo, mas o último
trimestre deve ser um número bem positivo, tipo 2% de crescimento.
Com tudo o que houve, o Brasil não se saiu mal.
O economista Regis Bonelli lembra que é difícil
fazer a projeção exata porque vai depender das
mudanças que o IBGE fizer nas variáveis sazonais.
O IBGE revê números dos trimestres anteriores e
isso afeta as projeções. Ele prevê que a
queda pode até chegar a 0,5%, mas acha que é um
bom resultado perto do que foi o desastroso ano de 2009 para
o mundo: No ano passado, a indústria caiu muito, a agropecuária
teve queda, e só os serviços continuaram no positivo.
Este ano, o país está crescendo forte neste primeiro
trimestre, a indústria está com números
fortes, a safra será a segunda maior da história,
o investimento está aumentando, a construção
civil está com forte movimento. Tudo isso levará 2010
a ter um crescimento de 5,5%.
O mundo discutiu no ano passado se a recessão seria em
V, W, U ou L. Cada letra significa uma possibilidade para a curva
da saída da crise. Ou uma recuperação rápida,
em V; ou uma recuperação e nova queda, em W; uma
queda e demora de recuperação, na forma de um U;
ou uma recessão mais longa, como um L.
Foi em V. No final, a economia ficou estagnada, mas não
foi um ano parado, mas de grandes emoções diz Armando
Castelar, da Gávea Investimentos. Para 2010, ele prevê crescimento
de 6%. Mas acha difícil manter esse ritmo por causa da
elevação do déficit em transações
correntes, que este ano vai a 3% do PIB. O economista Gustavo
Loyola, que acredita em -0,3% em 2009 e 5,5% em 2010, também
teme que o crescimento não seja sustentável.
O país precisa aumentar nossa capacidade de investimento
e poupança explica o diretor-sócio da Tendências
consultoria. A história do ano foi mais impressionante.
Existem zeros e zeros, esse é positivo, dado o que se
temia no começo de 2009.
No último trimestre de 2008, a indústria tinha
caído numa magnitude de 20%. No começo de 2009,
houve um medo enorme da indústria e ela parou de produzir,
entrou no ano apenas queimando estoques. As exportações
despencaram. Mas o mercado interno voltou rapidamente a consumir.
Além disso, como reflexos da luta contra a inflação,
o Brasil estava com um setor bancário mais protegido lembra
Bonelli.
José Márcio Camargo, da Ópus Gestão
de Recursos, acha que houve três fatores para explicar
a recuperação em V, ou seja, o melhor cenário.
A atuação rápida do Banco Central na liberação
do compulsório e redução dos juros, a atuação
dos bancos públicos que conseguiram suprir o crédito
privado que ficou escasso, e o desempenho da China que beneficiou
o Brasil disse.
Regis Bonelli concorda que o Banco Central atuou rápido
na liberação do compulsório, mas lembra
que o BC elevou os juros em setembro, no início do pior
da crise. Ele acha que houve excesso de conservadorismo: De qualquer
maneira, o Brasil se saiu melhor do que vários outros
países.
É bem verdade que a queda foi forte. Sair de um ritmo
de 6% para zero fez o país deixar de agregar R$ 180 bilhões
ao seu PIB: Para um país como o nosso, é uma perda
pesada diz Regis. Em 2010, Bonelli acha que o país só não
cresce neste ritmo de 5,5% se houver alguma crise séria
de financiamento externo provocada pelos países endividados
da Europa. Mesmo assim, no máximo isso provocaria uma
redução do crescimento.
O Itaú Unibanco prevê queda de 0,2% no resultado
de 2009; o Bradesco acha que ficará em zero. A MB Associados
estima -0,1%, e que em 2010 o país crescerá 6%.
O padrão do crescimento daqui para frente vai seguir o
dos períodos passados.
Cresce forte mas como não temos taxa de investimento
e poupança suficientes, a inflação volta
e os juros têm que subir diz Sérgio Vale, da MB.
Em resumo: a queda foi forte, mas a recuperação,
rápida. Não foram os 2% da aposta do ministro Mantega
nem o desastre que se temia. O país perdeu em não
crescer.
Este ano terá crescimento. Mas o que o país precisa é crescer
por vários anos.
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O ESTADO DO PARANÁ, 10 de março
de 2010 | Economia
Aumento de salário é o
grande indutor da economia
Helio Miguel
Uma injeção de R$ 200,2 milhões anuais
na economia local. É o valor que o Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC) e o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) dizem que passou a circular
a mais, na região, devido aos acordos coletivos realizados
durante o ano passado. Ontem, as duas entidades apresentaram
um balanço das negociações feitas no período.
O SMC avisou, ainda, que nos próximos meses deve concentrar
esforços em melhorar os Planos de Lucros e Resultados
(PLR’s) dos trabalhadores do setor.
De acordo com os números apresentados, o reajuste médio
ficou em 8,29%, o que significa um aumento real de 3,77%. Só com
os reajustes, o Dieese calculou um impacto mensal de R$ 10,3
milhões na economia, ou R$ 137,6 milhões por ano.
Já os abonos, que atingiram 34,9 mil metalúrgicos,
significaram mais R$ 62,6 milhões circulando na região.
As negociações, iniciadas em setembro, atingiram
mais de 56 mil trabalhadores, primeiro no segmento das montadoras,
em seguida nas fabricantes de autopeças e depois nas indústrias
de metalurgia e máquinas. A maioria dos acordos foi fechada
individualmente com as empresas. As convenções
coletivas foram adotadas nas companhias menores, que empregam,
juntas, quase 20 mil trabalhadores.
Para o SMC e o Dieese, os acordos do ano passado figuram entre
os melhores pelo menos desde o ano 2000, e aconteceram apesar
da crise econômica que rondava o setor. Segundo o secretário
geral do SMC, Jamil Dávila, antes do início do
período de negociações, os dirigentes sindicais
se reuniram e decidiram “não aceitar a crise”.
Ele acredita que, na época, muitas companhias queriam
aproveitar o momento para tirar proveito da situação
e enxugar custos. “Se falava em crise, mas nas fábricas
os funcionários continuavam trabalhando bastante”,
justifica.
O economista Sandro Silva, do Dieese, afirma que impacto econômico
da crise foi superestimado pela maioria das empresas do setor,
e que isso acabou se refletindo nos bons acordos. Segundo ele,
a crise acabou pesando mais apenas em algumas empresas, voltadas
mais às exportações, e também segmentos,
como o de máquinas para os setores madeireiro e de cigarros,
que já vinham passando por um período ruim antes
mesmo da crise.
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O ESTADO DO PARANÁ, 09 de março
de 2010 | Economia
Salário médio da mulher é 27,7%
inferior ao do homem Mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos apresentados
pelo sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7%
inferiores aos dos homens, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo divulgado
hoje, para marcar o Dia Internacional da Mulher, registrou que
a diferença entre os rendimentos é ainda maior
entre trabalhadores de maior escolaridade.
Os dados, baseados na Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de 2009,
mostram que a média salarial das mulheres representa 72,3%
da média dos homens. No caso de trabalhadores com nível
superior, no entanto, há uma discrepância maior.
No comércio, mulheres que concluíram cursos em
universidades ganham, em média, R$ 2.066 por mês
- o equivalente a 55,6% dos R$ 3.720 recebidos pelos homens com
a mesma escolaridade. O cenário é o mesmo para
as profissionais de outros segmentos, como construção
(59,8% da média salarial dos homens), indústria
(60,9%) e administração pública (62,6%).
Segundo o pesquisador Cimar Azeredo, do IBGE, os números
são um reflexo da atuação de homens e mulheres
em diferentes funções no mercado de trabalho. "No
setor de saúde, por exemplo, há muitas mulheres
trabalhando como enfermeiras e muito homens trabalhando como
médicos - profissão que dá um retorno financeiro
maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando
como professoras do ensino básico e muitos homens, como
professores universitários", explica. "Ainda
há carreiras em que mulher não está muito
presente."
Considerando-se os trabalhadores de todas as escolaridades e
grupos de atividades, a diferença entre as médias
de rendimento de cada sexo apresentou apenas uma leve queda entre
2003 e 2009, passando de 29,2% para 27,7%.
Em relação à qualificação
dos profissionais, o IBGE constatou um aumento da escolaridade
dos trabalhadores dos dois sexos, com vantagem para as mulheres.
No ano passado, 61,2% delas tinham, ao menos, o ensino médio
completo, contra 53,2% dos homens. A parcela de mulheres no mercado
de trabalho com nível superior era de 19,6%, superior à dos
homens (14,2%). "A mulher tem mais escolaridade do que o
homem por uma questão cultural. O homem sai mais cedo
de casa para trabalhar e a mulher tem a chance de estudar mais",
afirma Azeredo.
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O ESTADO DO PARANÁ, 08 de março
de 2010 | Economia
CBIC: governo deve lançar
'Minha Casa, Minha Vida 2' O presidente da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão,
disse esta tarde que o governo deverá lançar no
dia 29 de março, juntamente com a segunda edição
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2)
a extensão do programa Minha Casa, Minha Vida. No entanto,
ele não adiantou quantas casas deverão ser incluídas
na extensão do programa. O dirigente afirmou que este
ano deverão ser contratadas 1 milhão de casas na
primeira edição do programa Minha Casa, Minha Vida,
e que, também este ano, 300 mil unidades serão
entregues.
Na avaliação de Simão, a destinação
de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
de trabalhadores que, no passado, compraram ações
da Petrobras, para que esses acompanhem a capitalização
da companhia, não deve comprometer programas de habitação
ou saneamento que dependem dos recursos do fundo. "A decisão
foi inteligente ao não abrir o uso do FGTS para outros
usuários. Como está, não compromete",
disse o dirigente. Pelo acordo fechado na Câmara dos Deputados,
somente poderá usar o FGTS quem já usou o fundo
anteriormente para a compra de ações da empresa,
e mesmo assim, até o limite de 30% do saldo.
Em 2010, o presidente da CBIC estima que o setor deve registrar
um crescimento de 9%. Para 2009, ele afirmou que, utilizando
os números divulgados até o momento pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a construção
civil deve ter uma contração entre 3% e 4%. No
entanto, ele questiona esses números, pois, na sua avaliação,
o setor teria crescido, no ano passado, pelo menos 2%. Isso porque,
segundo ele, os números do IBGE captam apenas o consumo
de materiais de construção, e não o valor
que ele agrega ao setor.
Na quarta-feira passada, Simão sugeriu ao ministro da
Fazenda, Guido Mantega, que houvesse uma revisão do modelo
utilizado pelo IBGE para que fosse captada, de maneira mais precisa,
a contribuição do setor para a economia brasileira.
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Folha de S.Paulo,
7 de março de
2010
Sindicatos ampliam ganho acima da
inflação neste
ano
DA REDAÇÃO
Sindicatos que no início de 2009 tiveram dificuldades para
obter reajustes salariais acima da inflação aumentaram
os ganhos neste ano. Sindicalistas afirmam que, na época,
os empresários estavam relutantes em negociar, por medo
da recessão que estava por vir. Poucos sindicatos fecham
acordo nos meses de janeiro e fevereiro, mas muitos dos que já assinaram
a convenção obtiveram resultados favoráveis.
No primeiro semestre do ano passado, em cerca de metade das
negociações os sindicatos só conseguiram
aumentos reais de até 1%, segundo o Dieese. O sindicato
que representa trabalhadores da indústria de alimentação
do Rio Grande do Sul, por exemplo, que em janeiro do ano passado
só repôs a inflação no acordo coletivo,
em 2010 obteve 1,39% de aumento real para os funcionários
da indústria de rações que ganham o piso
e cerca de 2% para os que ganham acima do valor base.
Na Bahia, o sindicato dos trabalhadores da construção
civil fechou, em janeiro, aumento real de 6,65% para quem ganha
o piso salarial e de 3,65% para os que recebem acima disso. O
reajuste vale para trabalhadores do Estado, com exceção
de Camaçari, cidade onde a negociação está em
curso. Em 2009, o ganho real foi de cerca de 2%.
Mesmo algumas das categorias que negociaram os reajustes salariais
no final do ano passado aumentaram os ganhos com a melhora nas
perspectivas para a economia do país.
Em novembro, o sindicato dos trabalhadores da indústria
têxtil de São Paulo conquistou 2,1% de aumento acima
da inflação. Na data-base de 2008, o reajuste real
foi de 1,7%. Os trabalhadores na indústria paulista do
vidro também elevaram o ganho real. Em dezembro de 2009,
conseguiram 1,72% acima da inflação, ante aumento
real de 1,30% no ano anterior.
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Vermelho, 6 de
março de 2010
TSE divulga calendário eleitoral
com novos prazos e regras
Candidatos nas eleições de 2010 estão proibidos,
a partir de 3 de julho, de participar de inaugurações
de obras públicas. Antes, a Justiça Eleitoral proibia
apenas candidatos a presidente, governador e vice. O calendário
eleitoral foi publicado nesta sexta-feira pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). O calendário também define que a
propaganda eleitoral só pode ser feita a partir de 6 de
julho.
Já os registros de candidatura devem ser feitos pelos
candidatos até o dia 10 de julho. Antes, a Justiça
Eleitoral concedia ao candidato 48 horas para o registro depois
do encerramento do prazo dado aos partidos políticos.
Este novo prazo passa a ser contado a partir da publicação
da lista de candidatos pela Justiça Eleitoral.
Outra novidade é que os candidatos deverão apresentar
certidões criminais no ato de registro de sua candidatura
para as eleições de 2010. Além das certidões
criminais emitidas pelas Justiças Estadual e Federal de
1º e 2º graus de seu Estado e do tribunal competente
nos casos de foro especial, a nova regra exige certidões
criminais emitidas pela Justiça Federal e pela Justiça
do Distrito Federal de 1º e 2º graus.
Outra novidade trazida pela Lei 12.034/09 e incorporada ao Calendário
Eleitoral é a possibilidade de o eleitor que estiver fora
do seu domicílio votar para presidente da República
em qualquer capital do país. Para tanto, o interessado
deverá informar à Justiça Eleitoral, entre
15 de julho a 15 de agosto, onde estará no dia das eleições.
A maioria das retificações foi necessária
para adequar datas e redação às novidades
introduzidas pela Lei 12.034/09.
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BEM PARANÁ, 05 de março
de 2010 | Economia
Indústria
Produção industrial
inicia 2010 na maior alta em 15 anos
Aumento foi puxado por produtos de metal, metalurgia básica
e da produção de alimentos e bebidas
Agência Brasil
Impulsionada pela fabricação de bens intermediários,
a produção industrial subiu 1,1% em janeiro em
relação a dezembro do ano passado e 16% na comparação
com janeiro de 2009. Nesta última comparação,
a alta foi a maior para meses de janeiro desde 1995, explica
o economista da coordenação de indústria
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
André Macedo.
Segundo ele, o crescimento de 1,1% foi puxado especialmente pelos
bens intermediários e foi suficiente para "devolver
as perdas" registradas, na comparação com
mês anterior, em dezembro (-0,2%) e novembro (-0,8%). A
produção de bens intermediários, categoria
que tem maior peso na pesquisa, aumentou 2,0% em janeiro em relação
a dezembro, no 13º resultado positivo consecutivo, período
no qual foi acumulada uma expansão de 22%.
De acordo com Macedo, o aumento de janeiro foi puxado por produtos
de metal, metalurgia básica e "alguma parcela" da
produção de alimentos e bebidas. "Essa categoria
está se beneficiando da normalização dos
estoques e alguma recuperação nas exportações
de alguns segmentos, como mineração e metalurgia "
Na comparação com janeiro de 2009, a produção
de intermediários aumentou 20,2%. Além disso, segundo
Macedo, essa é a categoria que mais se aproximou, em janeiro,
do patamar de setembro de 2008, antes da eclosão dos efeitos
da crise sobre a indústria. Em janeiro de 2010, a produção
de intermediários estava 0,8% abaixo de setembro de 2008,
enquanto a indústria em geral ainda estava 4,9% abaixo
daquele período.
Categorias de uso
A produção de bens de capital, que sinaliza o
desempenho dos investimentos, registrou queda de 0,1% em janeiro
em relação ante de 2009, interrompendo uma trajetória
de nove resultados positivos consecutivos para essa categoria,
em base mensal. Na comparação com janeiro do ano
passado, a produção de bens de capital aumentou
12,8%.
Já as demais categorias de uso pesquisadas pelo IBGE
registraram resultados positivos ante mês anterior e ante
igual período do ano anterior: bens intermediários,
com altas de 2,0% e 20,2%, respectivamente; bens de consumo duráveis
(8,6% e 36,4%) e bens de consumo semi e não duráveis
(0,4% e 5,8%).
Revisões
O IBGE fez uma pequena revisão no resultado da produção
industrial de dezembro de 2009 ante novembro de 2009, que passou
de uma retração de 0,3% apresentados anteriormente
para queda de 0,2%. Houve também uma pequena revisão
no resultado de dezembro de 2009 ante dezembro de 2008, de 18,9%
para 19,0%.
Macedo explica que as alterações de dezembro "não
são relevantes" e, no caso da série com ajuste
sazonal, deve-se à entrada de novas informações
de janeiro na série e, no que diz respeito ao resultado
anual, reflete algumas retificações de dados de
empresas informantes.
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Valor Econômico, 4 de março
de 2010
Banido, amianto continua em uso em
SP; liminares na Justiça
garantem
Por Luiza de Carvalho,
No Valor Econômico
Quase dois anos após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado
a lei paulista que proíbe o uso do amianto no Estado, a
disputa entre empresas do setor e o Ministério Público
do Trabalho continua acirrada no Judiciário. Duas indústrias
do setor de fibrocimento - a Infibra, de Leme, e a Confibra, de
Hortolândia - obtiveram liminares em novembro e fevereiro
para manter a fabricação de telhas e caixas d"água
com o produto, que foi banido em pelo menos quatro Estados.
Quase dois anos após o Supremo Tribunal Federal (STF)
ter assegurado a validade da lei paulista que proíbe o
uso do amianto, apenas duas fabricantes de produtos em fibrocimento
- a Infibra, de Leme, e a Confibra, de Hortolândia - resistem,
amparadas por liminares. Um total de 170 indústrias utilizava
o produto no estado, de acordo com o Ministério do Trabalho
e Emprego. O amianto, utilizado na fabricação de
telhas e caixas d"água, foi banido em pelo menos
quatro Estados brasileiros.
A discussão sobre os malefícios do amianto começou
a partir do ajuizamento de inúmeras ações
de trabalhadores que desenvolveram doenças pulmonares
- especialmente a asbestose - geralmente cerca de 20 a 30 anos
após o primeiro contato com a fibra.
O amianto já foi banido da maioria dos países
da Europa e nos Estados Unidos. No entanto, o amianto europeu
e mericano é do tipo anfibólio - que seria mais
nocivo - e não crisotila, que é extraído
em jazidas brasileiras. O Brasil autoriza o uso controlado do
amianto crisotila, também conhecido como amianto branco.
As empresas que trabalham com amianto argumentam que hoje não
há mais riscos de contaminação no ambiente
de trabalho. De acordo com Élio A. Martins, presidente
da Eternit, maior empresa do segmento - com cinco fábricas
no país e dona de uma jazida de amianto - as contaminações
dos trabalhadores ocorreram entre as décadas de 40 e 70, época
em que o risco do produto era desconhecido e ocorria a importação
do amianto anfibólio.
"As condições de trabalho melhoraram muito
e não se teve mais nenhum caso de disfunção
respiratória gerada pelo trabalho com amianto a partir
dos anos 80", afirma Martins. Segundo ele, a Eternit chegou
a responder a 220 ações judiciais de trabalhadores
e hoje tem menos de cem. "A maioria das ações
foi julgada improcedente por não se comprovar que a doença
tinha relação com o amianto."
A decisão liminar do Supremo pela constitucionalidade
da Lei paulista 12.684, de 2007 - que proíbe o uso do
amianto no Estado - foi a primeira análise dos ministros
sobre o tema. Tramitam na Corte ações diretas de
inconstitucionalidade (Adins) contra leis dos Estados do Rio
de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul, que vedam a comercialização
do amianto.
No Pará, uma lei para proibir o amianto foi vetada pelo
governo. A palavra final do Supremo, no entanto, será dada
no julgamento da Adin 4.066, proposta pela Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)
e pela Associação Nacional dos Procuradores do
Trabalho (ANTP). As entidades questionam a Lei Federal 9.005,
de 1995, que autoriza o uso controlado do amianto branco.
Enquanto não há uma definição, empresas
e Ministério Público do Trabalho (MPT) continuam
a brigar no Judiciário. De acordo com dados da fiscalização
trabalhista, apenas duas empresas continuaram a explorar o amianto
em São Paulo: a Infibra e a Confibra.
"Não faz sentido manter os 500 empregos de duas
empresas sob o risco de sacrificar 17 mil empregos de empresas
que investiram altas somas para trocar de tecnologia", afirma
Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho,
que há mais de 20 anos atua na causa dos trabalhadores
expostos ao amianto. Ela colaborou com a fundação
da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto
(Abrea).
Em dezembro, a Vigilância Sanitária e a fiscalização
trabalhista interditaram a Confibra. A empresa obteve, no entanto,
uma liminar na Vara do Trabalho de Hortolândia para manter
suas atividades por mais 90 dias, período que a juíza
Fernanda Cristina de Moraes Fonseca entendeu ser suficiente para
que se busque alternativas de substituição ao amianto.
De acordo com a decisão, embora a lei paulista que proíbe
o amianto signifique um avanço ao trazer melhores condições
de trabalho, a interdição abrupta do estabelecimento
em nada contribuiria para solucionar o problema. A magistrada
considerou que a empresa provou ter um rigoroso controle sobre
o processo produtivo e que os maiores prejudicados com um eventual
encerramento das atividades seriam os trabalhadores.
De acordo com Alberto Martins Neto, diretor da Confibra, que
possui 220 trabalhadores na fábrica de Hortolândia,
a empresa tem feito um grande esforço para se adaptar
a outra tecnologia para as telhas. No entanto, diz, as fibras
sintéticas não apresentam a mesma qualidade.
A empresa entrou com um pedido de prorrogação
da liminar por um ano, alegando a dificuldade de adaptação. "Esperamos
que o Supremo derrube a lei paulista", diz Neto. Na opinião
dele, caso seja mantido o banimento em São Paulo, as 20
mil lojas de material de construção do Estado continuarão
a comprar material com amianto de outras regiões.
Já a Infibra, a outra empresa do setor de fibrocimento
que mantém o uso do amianto, obteve uma liminar em novembro,
na Vara de Trabalho de Leme, que garante a continuidade de suas
atividades. O juiz Valdevir Roberto Zanardi considerou que, se
mantidas as condições de produção
da empresa, não há perigo para os empregados. Procurada
pelo Valor, a Infibra preferiu não comentar o assunto.
Além do setor de telhas e caixas d'água, a fiscalização
do Ministério Público do Trabalho em São
Paulo tem acompanhado o setor de isolamento térmico -
produtos feitos a partir do amianto que são utilizados
em equipamentos de fábricas, como caldeiras.
De acordo com Fernanda Giannasi, 80 pequenas empresas do setor
em São Paulo foram multadas por importar o produto da
China e estão sendo interditadas pela fiscalização.
No momento, as empresas que comercializam produtos com amianto
em São Paulo mantêm a expectativa de aprovação
do projeto de lei estadual 917, de 2009, que confere às
companhias um prazo de dez anos para deixarem de usar o produto.
Conforme a justificativa do projeto, as empresas de fibrocimento
do interior paulista vendem mais de 60% de sua produção
no próprio Estado, e uma proibição imediata
do uso de amianto causaria inevitavelmente o fechamento dessas
empresas, o que acarretaria no desemprego de 600 trabalhadores
diretos e 2.500 indiretos.
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FETRACONSPAR,
03 de março de 2010
| Eventos
Eleições Sindicais
Encerrado o prazo para registro de
chapas nas eleições
do SINTRACIMENTO

Comissão Eleitoral, recebendo a
chapa do candidato
Nesta terça-feira (02/03), foi encerrado o prazo para
registro de chapas da eleição que será realizada
nos dias 17 e 18 de junho de 2010, no Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Ladrilhos, Hidráulicos, Produtos
de Cimento, Fibrocimento e Artefatos de Cimento Armado de Curitiba
e Região - SINTRACIMENTO.
Durante o prazo para registro de chapas, foi apresentada a Comissão
Eleitoral, apenas uma chapa, encabeçada pelo companheiro
NILTON PEREIRA CAMPOS, atual Presidente Licenciado do SINTRACIMENTO.
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O ESTADO DO PARANÁ, 02 de março
de 2010 | Economia
Temer vê clima favorável para aprovar redução
de jornada O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP),
disse hoje em São Paulo que, se for à votação
este ano, a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada
de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais será aprovada. "Tenho
sentido lá na Câmara que, em um ano como este, se
a matéria for ao plenário, aprovam-se as 40 horas.
Eu não tenho dúvida disso", afirmou, em palestra
a empresários.
Contrário ao projeto, Temer defende uma redução
gradativa: em 2011, a jornada passaria para 43 horas; e, em 2012,
para 42 horas semanais. Não haveria aumento no valor da
hora extra. A PEC 231/95 prevê a redução
da jornada para 40 horas e o aumento do adicional por hora extra
de 50% para 75%. A proposta já foi aprovada por uma comissão
especial da Câmara e precisa ser votada em dois turnos
pelo plenário.
Além do peso do ano eleitoral, Temer vê como impulso
para a aprovação do projeto a pressão das
entidades sindicais. "As centrais sindicais têm uma
capacidade de mobilização extraordinária.
Eles fazem passeatas e depois vão 200 líderes sindicais
na minha sala numa pressão pessoal, quase física."
De acordo com o deputado, a jornada de 40 horas traria "dificuldades" aos
empresários e "problemas" ao País. "Temperança é a
marca da minha gestão. A função de quem
está na vida pública não é radicalizar
a favor de um ou outro, mas contemporizar, encontrar uma solução
intermediária que possa satisfazer a todos."
Popularidade
Temer disse ver com "naturalidade" o resultado da
pesquisa do Instituto Datafolha sobre a avaliação
da população a respeito do Legislativo, divulgado
hoje. De acordo com o levantamento, 39% dos brasileiros classificam
como ruim ou péssimo o trabalho dos parlamentares. "Isso
não me assusta. O Legislativo é o poder mais sujeito
a chicoteamento popular", disse. "O que posso dizer é que
estamos legislando bastante e bem."
Temer deu como exemplo de transparência do Congresso a
investigação da Polícia Legislativa divulgada
na semana passada que identificou fraude em benefícios
de vale-transporte e auxílio-creche. A apuração
de sete meses resultou em 16 inquéritos, enviados ao Ministério
Público Federal. Segundo o presidente da Câmara,
até 70 funcionários estão envolvidos no
esquema.
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FOLHA DE LONDRINA,
01 de março
de 2010 | Emprego e Concursos
Sobram vagas de emprego no Paraná
Dados do governo indicam que pelo menos metade dos novos postos
oferecidos nas agências do trabalhador ficam em aberto
Este promete ser o ano do emprego. Retomada da economia, aumento
do consumo e indicadores favoráveis têm indicado
uma supersafra de novos postos em todo o País. No entanto,
oferta de vagas não significa efetivamente gente trabalhando.
Do total de empregos abertos no Paraná, pelo menos, metade
das vagas não são ocupadas, segundo dados da Secretaria
de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social.
Os motivos para tantas vagas ociosas são os mais diversos:
falta de qualificação profissional, necessidade
de trabalho aos finais de semana e baixo salário.
Somente em janeiro foram abertas 38.680 vagas no Estado, das
quais 12.260 foram preenchidas, o que significa um aproveitamento
de apenas 31%. ''Esse resultado é melhor do que o registrado
em janeiro do ano passado, quando estávamos no auge da
crise. Ainda esperamos uma recuperação (do índice
de aproveitamento das vagas) de fevereiro'', afirma João
Edison de Miranda, superintendente técnico de intermediação
de mão de obra da Secretaria de Estado do Trabalho. Estatística
do órgão aponta que o ano com maior aproveitamento
das vagas foi 2004, quando 61,9% dos postos foram ocupados (veja
quadro). ''Mas esse índice vem diminuindo ano a ano'',
salienta.
A maior dificuldade para conseguir uma colocação
no mercado é enfrentada por profissionais localizados
nos ''dois extremos'' da qualificação: trabalhadores
analfabetos ou com primeiro grau incompleto e com superior completo
ou incompleto. ''A maioria das vagas oferecidas exige segundo
grau incompleto ou completo'', diz Miranda. No entanto, é justamente
nesse nicho que a maior parte fica em aberto. Um dos setores
que mais tem tido dificuldades na contratação de
profissionais é a construção civil. ''Não
tem pedreiros no Paraná. Os jovens não querem fazer
esse tipo de serviço porque o consideram pesado e porque
o trabalho atrapalha os estudos'', comenta.
Além disso, ele prossegue, que atualmente praticamente
todos os jovens querem fazer um curso de graduação.
''Antigamente a profissão (de pedreiro) passava de pai
para filho. Hoje não, ninguém mais quer ser pedreiro;
falta interesse'', observa. Outros segmentos que encontram dificuldades
na contratação são serviços, alimentação
e indústria. Nos dois primeiros casos os entraves estão
no tipo de trabalho oferecido, geralmente pesados, com baixa
remuneração e que exigem carga horária aos
finais de semana. No último, o problema é a falta
de qualificação dos trabalhadores.
''O Paraná é um dos Estados com mais faculdades.
O que tem ocorrido é a formação de um grande
contingente de graduados, que depois não encontra vaga
no mercado de trabalho. Por outro lado, faltam profissionais
com qualificação média'', observa o superintendente
técnico. Tanto que, segundo ele, as indústrias
têm investido na qualificação da mão
de obra, com a realização de cursos para formação.
Há dificuldade em encontrar pessoas dispostas a trabalhar
em supermercados e shoppings center. ''Nesses dois casos o emprego
exige cumprimento de carga horária aos finais de semana,
mas a remuneração é baixa, o que afasta
os trabalhadores'', observa.
Na sua avaliação, inclusive, o momento pede uma
outra postura dos empregadores. ''O setor (supermercados) exige
trabalho aos finais de semana, mas não remuneram adequadamente.
Acredito que em breve terá que haver uma revisão
dos salários porque, se não, não haverá mais
trabalhadores interessados'', salienta.
Escassa
As cidades com a maior quantidade de vagas em aberto são:
Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa.
''Quanto maior o município, menor a taxa de aproveitamento
das vagas. Em municípios menores, onde a oferta de empregos é mais
escassa as pessoas se veem obrigadas a aceitar o que é oferecido
e, por isso, o aproveitamento (das vagas) é quase 100%'',
observa. Em cidades maiores são ofertados mais postos,
o que garante ao trabalhador o direito de escolher entre diversas
opções.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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